27.7.10

Paulo e o bom uso da língua


Se, por um lado, muitos pregadores, ensinadores, blogueiros e cantores do meio evangélico se desleixam demais no que diz respeito ao uso da língua oficial, no caso nosso, a portuguesa, por outro, há os que querem parecer ser (e às vezes são) bastante eloquentes. Dessa forma, enquanto relapsos confundem ordens claras do Texto Sagrado com simples narrações, os que se consideram mais estudados usam e abusam de termos muitas vezes ininteligíveis, incompreensíveis a seus ouvintes e leitores.

Independentemente de seu caso, nobre leitor, isto é, se você se enquadra num desses dois lados, pense bem. A verdade é que ambos não passam de extremos. Uns por aí, na sublime tarefa de anunciar a mensagem de Deus para os corações, mostram-se sobremodo despreocupados com o jeito de falar ou cantar. Outros querem porque querem usar termos teológicos os quais a massa evangélica desconhece. Um dos resultados disso é as pessoas saírem dos templos e dos blogs sem serem atingidas.

O que fazer? A solução que vejo é seguir o exemplo de Paulo, visto que ele mesmo solicitou isso dos crentes, quando aconselhou que o imitássemos (1 Co 4.16; 11.1; Fp 3.17; 1 Ts 1.6), à semelhança do conselho dado pelo escritor aos Hebreus (Hb 6.12). Dirigindo-se aos diferentes públicos, o doutor dos gentios não se mostrou limitado. Pelo contrário, fez-nos perceber que, além de conhecimento grandioso, possuía vasta cultura. Certamente porque tinha sido criado aos pés de Gamaliel, conforme ele próprio esclareceu: “Quanto a mim, (...) criado nesta cidade aos pés de Gamaliel (...)” (At 22.3).

O que ele fez? Leiamos alguns versísculos de Atos 13.14-41 (O leitor leia todo o trecho), a fim de podermos seguir seu conselho. Primeiramente, ao pregar para judeus. Em seguida, para gregos:

“E, levantando-se Paulo e pedindo silêncio com a mão, disse: Varões israelitas e os que temeis a Deus, ouvi: 
O Deus deste povo de Israel escolheu a nossos pais e exaltou o povo, sendo eles estrangeiros na terra do Egito; e com braço poderoso o tirou dela; e suportou os seus costumes no deserto por espaço de quase quarenta anos. E, destruindo a sete nações na terra de Canaã, deu-lhes por sorte a terra deles. E, depois disto, por quase quatrocentos e cinquenta anos, lhes deu juízes, até ao profeta Samuel. E, depois, pediram um rei, e Deus lhes deu, por quarenta anos, a Saul, filho de Quis, varão da tribo de Benjamim. E, quando este foi retirado, lhes levantou como rei a Davi, ao qual também deu testemunho e disse: Achei a Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu coração, (...) Varões irmãos, filhos da geração de Abraão, e os que dentre vós temem a Deus, (...)”


O segundo texto está em Atos 17.22-34 (para ser lido todo; neste artigo, somente alguns): “E, estando Paulo no meio do Areópago, disse: Varões atenienses, 
em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais não o conhecendo é o que eu vos anuncio. (...) porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração (...)”.

Repare que a mensagem da cruz, visto que, sim, Paulo amava a mensagem da cruz e até morrer ele a proclamou, foi ministrada aos dois públicos: dos gregos e dos judeus. Para glória de Jesus Cristo, em ambas houve conversões de almas (At 13.48 e 17.34).

E o ponto que quero destacar, para que o leitor considere tão importante fato, é que Paulo 
adaptou sua linguagem tanto aos filhos de Abraão como aos helenos (veja os negritos nas referências). Não adiantaria de nada o apóstolo discursar para os judeus sobre superstição, certos poetas gregos, altar a deus desconhecido. Por quê? Esse assunto não diz respeito à cultura judaica, mas à helênica.

Portanto, não foi à toa que o mesmo Paulo, entre os israelitas, discorreu acerca do povo de Israel, do deserto em que esteve esse povo por espaço de quase quarenta anos; da destruição de sete nações na terra de Canaã, de juízes, de reis, de Saul e de Davi. Veja: tudo isso tinha a ver com aquele tipo de público. Isso quer dizer que Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo (At 13.9), para eficazmente pregar o evangelho àqueles judeus, 
adequou seu discurso e de fato atingiu seu público. A consequência não foi outra, senão que “se alegraram e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (13.48).

Paulo não se valeu de extremos, mas usou convenientemente seus conhecimentos e sua linguagem para, cheio do Espírito Santo, atingir seus ouvintes. É isso que precisamos fazer. Glória ao Senhor Jesus Cristo!

Pelo 
exemplo da Palavra,
Artur Freire Ribeiro
(Obs.: a imagem tem o nome Emanuel, respectivamente, em hebraico e grego. Foi retirada do site "Nome de Deus")

2 comentários:

Francikley Vito disse...

Artur, a paz do Senhor!
Parabéns pelo belo texto. Verdadeiramente estamos vivendo momentos difíceis, em que a nossa língua vai sendou deixada de lado (por desleixo ou preciosismo) em nome de uma falsa humildade.Um abraço.
www.vosbi.blogsot.com

Artur Freire Ribeiro disse...

A paz do Senhor, amado Vito!

Toda glória para o Senhor Jesus!

Deus o abençoe por sua participação!

AFR

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