4.8.10

Pessoas miseráveis, desagradáveis e fedidas! (2)


No artigo anterior, referimo-nos ao texto de 1Co 15.19 para falar que os que procuramos ser fiéis ao Senhor devemos almejar as coisas que provêm dEle. É por essa causa que questionamos se temos em nossas orações buscado, por exemplo, o batismo com o Espírito Santo, os dons espirituais – todas promessas para nossos tempos, presentes nas Escrituras.

Caso, porém, paremos para refletir mais detidamente, veremos que, de alguma forma, as coisas a que nos referimos também são daqui, isto é, desta vida. Essas coisas estão sendo aguardadas nesta vida. Entendemos, assim, que é importante averiguar algo mais excelso, mais sublime desse texto em 1Co 15.19.

Em que, pois, consiste a miserabilidade de que o doutor dos gentios falou aos irmãos de Corinto? Ora, olhando com atenção o que está escrito no capítulo 15 da Primeira Carta aos Coríntios, vemos que ele trata da ressurreição do Senhor Jesus Cristo.

Acontece que alguns crentes daquela cidade estavam a pregar que não existia ressurreição (1Co 15.12). A tal tipo de pregação o apóstolo respondeu, formulando o raciocínio de que, então, Cristo também não ressuscitara e, consequentemente, nossa fé nEle era frívola, inútil, imaginária (vv 14,15).

Com todas essas ideias, esses irmãos coríntios, não crentes na ressurreição do Senhor, demonstravam esperar que Jesus os abençoasse só nesta vida. Não tinham eles visão do porvir. Eram crentes sem esperança. Por causa disso, eles entenderam que Paulo, Sóstenes e Timóteo eram, na verdade, falsas testemunhas, falsos mártires, pessoas que debalde sofriam por amor ao Senhor (1Co 15.15). E mais, a contar do raciocínio paulino, vemos que todos ainda permaneciam separados de Deus (Is 59.2),  mortos em seus ofensas e pecados (Ef 2.1). Isto é, todos eles, apesar do sacrifício vicário de Cristo, continuavam no estado anterior (1Pe 2.10, 25; 4.3).

É tendo tudo isso em vista que o autor da carta concluiu que aqueles irmãos, para quem não havia ressurreição, eram miseráveis, vez que não criam no que Jesus dissera (Mt 19.29 “in fine”; Mc 10.30 “in fine”). Estavam esses “pregadores” desconsiderando a maior parte das profecias bíblicas acerca a vinda do Messias, as quais mais falam de Sua segunda vinda.

Esses “pregadores” se parecem, em muito, com não poucos pregadores da atualidade. É o que temos visto na maioria dos púlpitos de igrejas que se dizem cristãs. Para serem idênticos, os pregadores atuais a que nos referimos só precisam negar a ressurreição, porque deixar de pregar a volta de Cristo eles já fazem. E demais. Trocam a mensagem gloriosa da volta de Cristo para arrebatar a Igreja por massagem, quer dizer, uma mensagem, essa sim, vã, frívola, inútil, imaginária – centrada no aqui e agora.

São muitos os crentes miseráveis. Que tipo de crente somos? Que tipo de pregador somos? Quantos, hoje, dos que se dizem cristãos não têm alimentado o mesmo errôneo sentimento coríntio censurado por Paulo nessa primeira carta?

Temos de ter a fé na segunda vinda do Senhor Jesus, O qual nos levará para com Ele estar eternamente. Temos de essa fé estimular em nossos irmãos. Foi Ele mesmo Quem perguntou se, na Sua vinda, teríamos esse tipo de fé (Lc 18.8). Será que a temos tido e a fomentado?

Não podemos admitir que sejamos (ou continuemos a ser) miseráveis. Precisamos nos enquadrar na comparação de Paulo (1Co 15.22), além de não andar, nem se deter, nem se assentar na roda dos que negam essa gloriosa dádiva, disponível aos que são Seus servos leais, sob o risco de nos corrompermos (1Co15.33 ).

Em vez de nos comportarmos como miseráveis, não só cantemos o refrão do hino 300 da Harpa Cristã, de Almeida Sobrinho: “Nossa esperança é Sua vinda/ O Rei dos reis vem nos buscar;/ Nós aguardamos, Jesus, ainda,/ Té a luz da manhã raiar”, como também falemos a todos “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1Co 15.58).


(Continua)

Pela esperança na vinda de Jesus Cristo,


Artur Freire Ribeiro


 LEIA TAMBÉM:

Pessoas miseráveis, desagradáveis e fedidas! (1)






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