19.9.10

Para treze supostos motivos, uma única razão para não votar em Dilma: a Verdade (II)


                                                                           GIBEÁ*



                                      Prosseguindo a análise da cartilha da campanha da candidata Dilma Roussef, “Treze motivos para o cristão votar em Dilma”, analisaremos mais alguns dos motivos que, segundo a equipe da candidata, seriam suficientes para um evangélico votar em Dilma para Presidente da República.

Quinto suposto motivo: “Dilma se comprometeu em delegar ao Congresso Nacional o debate sobre o PNDH-3, aliás, o lugar apropriado e o palco das divergências. Através dessa discussão, a sociedade encontrará a sua posição, por meio de seus representantes legítimos e eleitos para este propósito”.

                            Temos aqui um engodo já denunciado por este grupo de estudos em recente artigo, onde analisamos a entrevista do coordenador do programa de governo de Dilma, o assessor especial da Presidência da República e ex-presidente do Foro de São Paulo, Marco Aurélio Garcia.

                            O PNDH-3 é um programa de direitos humanos que foi aprovado por um decreto federal, ou seja, por uma norma de iniciativa do Presidente da República.

                            Ao dizer que deixará para o Congresso Nacional a discussão da matéria, Dilma está confessando que é favorável ao decreto (que, aliás, passou por sua análise, quando ela era ministra-chefe da Casa Civil, sem nenhuma objeção, antes de ser assinado por Lula). Se fosse realmente cristã, bastaria revogar o decreto e mandar que novos estudos fossem feitos pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que é vinculada à Presidência da República.

                            Quando diz que deixará o Congresso discutir os tema ali previstos, está apenas obedecendo ao decreto, fazendo o que o decreto manda, pois é o decreto que manda que sejam enviados projetos de lei ao Congresso para o debate de temas que não precisariam ser debatidos, como o aborto, a profissionalização da prostituição, a união homoafetiva ou a criminalização da homofobia.

                            Estivesse Dilma comprometida com a doutrina cristã, ela simplesmente prometeria revogar o decreto e mandar fazer novos estudos. Entretanto, seu compromisso é com o decreto, que, afinal de contas, apenas põe em ação o que já foi decidido pelo PT como projeto de poder, como modelo que querem impor ao Brasil.

                            Aliás, Dilma mente ao dizer que deixa ao Congresso Nacional a discussão, visto que os parlamentares do PT jamais poderão votar contrariamente aos pontos do PNDH-3, pois o PT, não só no seu IV Congresso, como também em Resolução da Direção Nacional após a escolha de Dilma como sua candidata apoiou o PNDH-3 em todos os seus termos e, portanto, nenhum deputado federal ou senador do PT poderá votar com a sua consciência nesta matéria, sob pena de expulsão do partido e perda do mandato por infidelidade partidária.

                            O PT já se definiu pela implementação do PNDH-3 e a própria Dilma está de acordo com isso, de sorte que todas as medidas anticristãs ali presentes serão apoiadas por ela que, repita-se, foi quem revisou, por força de ser ministra-chefe da Casa Civil, o decreto presidencial antes de sua assinatura pelo Presidente Lula.

                            Dilma está, portanto, faltando com a verdade ao dizer que não tem posição sobre os temas do PNDH-3 e, conforme se demonstrou em artigos deste grupo de estudos, como este plano de direitos humanos ofende a doutrina cristã, temos um motivo claro para NÃO votar em Dilma: ela não se compromete em mudar o plano.


Sexto suposto motivo: “ Ela se comprometeu em fazer da família o principal foco de seu governo. Em seu discurso na Igreja Evangélica Assembleia de Deus, em Brasília, no dia 24 de julho, Dilma disse as seguintes palavras: “ Na bíblia, em várias passagens, Jesus  mostrou uma preocupação com a vida. E é essa preocupação com a vida que eu quero afirmar aqui. Eu sou a favor da vida, em todas as dimensões, em todos os sentidos. Sou a favor da preservação da vida. Sou a favor, também, da melhoria da vida das pessoas.”
                                 Dilma compreende que a desestruturação social é resultado da desestruturação familiar e por isto vai focar a família como vetor de suas políticas públicas. Isto coincide com a nossa posição cristã que acredita que “Um país é tão forte e sólido quanto suas famílias”.

                            Apesar das belas palavras proferidas em 24 de julho diante de líderes evangélicos que resolveram apoiá-la, o programa do PT apoia o aborto, é seu ponto programático, tanto que expulsou dois deputados federais nesta legislatura porque ousaram votar contra o projeto de lei que descriminaliza o aborto, tendo, também, a Advocacia-Geral da União, órgão de consultoria do Presidente Lula, se manifestado a favor do aborto dos fetos anencéfalos na ação que está tramitando a respeito no Supremo Tribunal Federal.

                            Este mesmo programa foi levado para o Tribunal Superior Eleitoral no início de julho, com assinaturas de Dilma, programa que foi trocado sete horas depois, quando a imprensa deu a notícia, sendo trocado por outro em que se diz que o aborto será tratado como “assunto de saúde pública”, defendendo-se os casos em que ele já é previsto por lei (como se houvesse alguma tentativa de se eliminares estes casos…).

                            O projeto que descriminaliza o aborto, apesar de ter sido rejeitado na Comissão de Família da Câmara dos Deputados, por iniciativa do deputado José Genoíno, ex-presidente do PT, não foi arquivado e mandado para votação no plenário, votação que até hoje não se deu porque o candidato a vice-presidente de Dilma, Michel Temer, não põe em votação, visto que se espera que se crie uma maioria parlamentar favorável ao aborto, que hoje não existe.

                            O PNDH-3, como se disse, prevê a descriminalização do aborto. Isto é ser favorável à preservação da vida? Parece-nos que não. Aliás, Dilma nem sequer prometeu vetar o projeto de lei do aborto se ele for aprovado no Congresso, até porque, se o fizer, poderá também ser expulsa do PT e perder o mandato de Presidente da República por infidelidade partidária (como, aliás, lembram-se, aconteceu com o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que perdeu o cargo de governador porque foi expulso do DEM).

                            Recentemente, no mês de agosto, o governo brasileiro defendeu a adoção do aborto por toda a América Latina, em reunião das Nações Unidas em Brasília. A secretária da Política para as Mulheres do atual governo, Nilceia Freire, é uma das mais proeminentes defensoras do aborto, como também o ministro da Saúde, José Temporão, pessoas que trabalharam sob a coordenação de Dilma Roussef com as quais Dilma nunca teve qualquer problema de relacionamento ou discussão a respeito de seus valores (o que, por exemplo, não aconteceu com a ex-ministra Marina Silva).

                            Como se percebe, Dilma, se fosse realmente favorável à preservação da vida, ou não seria do PT ou teria retirado do programa do PT a defesa do aborto. Não fez nem uma coisa nem outra e, por conseguinte, está a tentar iludir os cristãos ao dizer que agirá em favor da vida.

                            O mesmo se diga em relação à família. Como Dilma pode dizer que terá seu foco na família, se o PT apoia a união estável de pessoas do mesmo sexo, outro ponto de seu programa e do PNDH-3, quer a profissionalização da prostituição e é o principal protagonista do Estatuto das Famílias, que, em diversos dispositivos, muda totalmente o conceito de família, dissociando-o do casamento e de outras características constantes da Bíblia Sagrada?

                            Não nos esqueçamos de que a defesa intransigente do homossexualismo, outro ponto do programa do PT, é outro ponto que enfraquece a família, algo com que Dilma não se insurge nem um pouco.

                            Ora, como cristãos, cremos que a família é uma instituição divina e cujas regras só podem ser as definidas pelo Senhor em Sua Palavra. Deste modo, ao vermos Dilma apoiando outro tipo de família, percebemos, em suas próprias palavras, que ela não percebe que a desestruturação familiar gera a desestruturação social e, portanto, por isso mesmo não podemos votar nela.

Sétimo suposto motivo: “ O governo Lula alterou o Código Civil, modificando a natureza jurídica das igrejas de Associação para Organização Religiosa. Através da lei 11.481/2007, regularizou a ocupação das áreas públicas destinadas às construções de templos e organizações filantrópicas. Demonstrou compreender o papel das igrejas, das ONG’S e Associações Sociais como parceiros do Estado para o resgate social, especialmente dos mais carentes. Aliás, apenas Dilma se posicionou claramente sobre a missão da igreja, tanto no aspecto social, quanto ético e moral”

                            Por primeiro, a referida alteração do Código Civil apenas beneficiou as lideranças religiosas que, com a consideração das igrejas como associações, tiveram limitados os seus poderes na organização interna das igrejas, o que foi evitado com a mudança do Código Civil.

                            Frise-se que o governo Lula não tomou qualquer iniciativa para que a mudança se fizesse, mas foi o corpo-a-corpo das lideranças religiosas com os parlamentares que conseguiu esta mudança, tendo o governo simplesmente não se envolvido na questão.

                            Ainda que seja verdade que o governo Lula tenha se empenhado na aprovação da medida, na época, Dilma era ministra das Minas e Energia e, portanto, não tinha como se envolver nesta questão. A mudança ocorreu em 2003, bem antes de Dilma assumir a Casa Civil. Se mérito algum houve, portanto, foi de Lula ou de José Dirceu, o então ministro da Casa Civil e todo-poderoso integrante do governo. Dilma nada teve a ver com isso.

                            Por segundo, a mencionada lei 11.481/2007 cuida da regularização de áreas públicas federais que estejam a servir de moradia para populações de baixa renda, ou estabelecimentos de uso comercial cuja área não seja superior a 250 m². Não fala, em momento algum, em templos ou locais de cultos religiosos. Disciplina a concessão de áreas urbanas para “outras modalidades de interesse social”, mas isto não significa que sejam para templos ou locais de cultos religiosos, até porque a Constituição veda que o Estado subsidie cultos religiosos e a entrega de propriedade bem pode caracterizar isto. Tem-se aqui uma grande mentira. Basta ler a lei para comprovar isto.

                            O que Dilma fez, isto sim, foi tentar, enquanto ministra-chefe da Casa Civil, aprovar o Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa, obra da Secretaria da Igualdade Racial, que pretendia promover a legalização de todos os terreiros de umbanda no Brasil (Dilma adia legalização de terreiros de umbanda para evitar crise. Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100121/not_imp498975,0.php Acesso em 09 set. 2010).

                            Observemos que a orientação de Dilma foi deixar para depois da eleição esta legalização de terreiros, legalização, aliás, que bem pode ser implementada diante do que consta do Estatuto da Igualdade Racial sancionada recentemente pelo Presidente Lula.

                            Assim, além de não ter havido qualquer lei para legalizar áreas para igrejas, há medidas que legalizam terreiros dentro da política do PT de “promoção da cultura afro-brasileira”. Como podemos, como cristãos, votar em Dilma, diante de uma mentira e de uma verdade que mostra que ela está contrária à doutrina cristã?

                            Como se isto fosse pouco, ao mesmo tempo em que o Governo Lula é tão exigente com as entidades filantrópicas religiosas, que buscam auxiliá-lo nas políticas públicas, inclusive gerando, no exterior, a falsa ideia de que nosso país não mais precisa de ajuda para cuidar dos pobres, o que fez com que muitas entidades evangélicas perdessem a ajuda que recebiam da Europa e dos Estados Unidos, é extremamente leniente e “bonzinho” para entregar dinheiro para ONG’s dos “companheiros”, mandando milhões de reais para “cooperativas” que, na verdade, são “laranjas” do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), ou de entidades ligadas direta, ou indiretamente, a sindicatos e ao PT, onde, pelo que se sabe, são alimentados os “caixas dois” das campanhas petistas…

                            Como votar em Dilma, como cristãos, se o dinheiro que deveria ir para os pobres, vão para os corruptos? Se o dinheiro que deveria ir para os que, como cristãos, querem ajudar o próximo, vão para beneficiar políticos e militantes do PT?


Oitavo suposto motivo: “Como nós, evangélicos, ela acredita que tudo se constrói neste mundo é resultado de determinação e fé. Essas são suas palavras: “Aprendemos que tornamos o impossível em possível apenas quando nossa indignação se transforma em ação. O impossível é aquilo que a fé humana não tornou ainda possível”.


                            Não é objetivo deste artigo entrar em discussões teológicas, mas, diante da afirmação da cartilha da candidata governista, imperioso se torna adentrar nesta seara, tão somente para desmentir a afirmação de que o cristão é “pessoa que tem fé humana”.  O cristão tem fé em Deus, crê em Jesus e sabe que temos de confiar em Deus e não em nós mesmos para que obtenhamos aquilo que é da vontade do Senhor.

                            Ao dizer que “o impossível é aquilo que a fé humana não tornou ainda possível’, Dilma mostra um raciocínio humanista, anticristão, visto que deixa Deus completamente à margem das realizações, um argumento que muito mais se assemelha à mentira satânica contada ao primeiro casal do que ao Evangelho de Jesus Cristo, que nos manda crer no Senhor Jesus Cristo para que sejamos salvos (Atos 16:31).

                            Uma autoridade tem de reconhecer que é constituída por Deus, que não é “toda-poderosa”, sob pena de incorrer no mesmo erro de Nabucodonosor, que foi duramente punido pelo Senhor por causa de sua arrogância (Daniel 4:28-33), o que causou danos a toda Babilônia. Como, então, como cristãos, podemos aceitar alguém que defenda a mesma independência em relação a Deus?

                            Como evangélicos, nós cremos em Jesus Cristo e que temos de tudo fazer segundo a vontade de Deus, com determinação, mas sempre em submissão ao Senhor.

                            Como evangélicos, não podemos votar em Dilma, já que ela entende que o impossível independe de Deus.

                            Num próximo artigo, seguiremos analisando os motivos que, até o momento, fazem com que os evangélicos não votem em Dilma.






 * Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises - Análises – grupo informal de estudos bíblicos nascido na década de 1990 no corpo docente da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que hoje tem vida autônoma e esporádica produção.

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