8.10.10

Novo manifesto dilmista confirma: cristão genuíno não vota em Dilma


GIBEÁ*


                                   Em 8 de outubro de 2010, a coligação “Para o Brasil seguir mudando” (PT, PMDB, PC do B, PDT, PRB, PR, PSB, PSC, PTC e PTN), que dá sustentação à candidatura de Dilma Roussef à Presidência da República, publicou um manifesto de mobilização para a vitória no segundo turno da eleição presidencial.

                                   Por se tratar de mais um documento que se apresenta à sociedade brasileira, fazemos sua análise, como temos feito ao longo deste ano eleitoral, análise feita à luz da doutrina cristã.

                                   Após mostrar que Dilma teve votação semelhante a de Lula nos dois primeiros turnos em que foi vencedor, bem como que os partidos que participam da coligação obtiveram ampla maioria dos votos nas eleições estaduais e na composição do Congresso Nacional, o manifesto afirma que a candidatura oposicionista encontra-se “mergulhada em contradições”. Será isto verdade? Vejamos, usando as próprias palavras do manifesto:

a) tentam atrair os verdes, mas não podem tirar o velho e conservador DEM de seu palanque. (sic) -  Onde está a contradição em tentar atrair o apoio do PV e manter a coligação com o DEM? Por acaso, a candidatura Dilma não está também tentando atrair os verdes e também não pode tirar os velhos e conservadores nomes do PMDB de seu palanque (ou alguém dirá que José Sarney e Renan Calheiros são “progressistas”? Isto para não falar de Fernando Collor de Melo, que, mesmo sendo do PTB, apoia Dilma desde o início da campanha…). Se isto é contradição da oposição, também é da situação!

b) Denuncia “aparelhismos”, mas já está barganhando cargos em um possível ministério (sic) – Por primeiro, não há prova alguma de que se estejam negociando cargos na campanha oposicionista, até porque a oposição não tem cargo algum e, segundo o manifesto, saiu bem diminuída das eleições estaduais. Mas, ainda que isso seja verdade, por acaso, como é que a candidatura de Dilma conseguiu o apoio dos partidos que a apoiam, inclusive o PMDB, cujos ministérios e cargos estão todos aí para vermos? E, quando se fala em “aparelhismo”, ficou evidente o uso da máquina do governo na campanha de Dilma, desde o Presidente Lula, até a Receita Federal, Polícia Federal, IBAMA, etc. etc. etc. A propósito, como foi que Lula conseguiu o apoio do PV durante seu governo? Não foi com o Ministério da Cultura, primeiro com Gilberto Gil e depois com seu sucessor, Juca Ferreira, que, apesar de ser do PV, apoiou Dilma desde o início?


c) Proclama-se democrata, mas persegue jornalistas e censura pesquisas (sic) – Por primeiro, não se conhece qualquer caso de perseguição a jornalistas ou de censura de pesquisas por parte da candidatura oposicionista. O governador eleito do Paraná, Beto Richa, que é do PSDB, e não é o candidato oposicionista, conseguiu barrar pesquisas, na Justiça Eleitoral, pesquisas, aliás, que se revelaram realmente suspeitas, diante do resultado das urnas. Fora isso, as censuras e ameaças sempre vieram do governo Lula, de ninguém mais. Quem criticou a imprensa e provocou um manifesto pela liberdade de imprensa, foi o Presidente Lula, não o candidato da oposição. Com certeza, também, foi a campanha de Dilma quem conseguiu prejudicar o acesso a vídeo do pastor Paschoal Piragine Jr. no YouTube em que se posiciona contra o PT, como quem provocou a imediata retratação da Comunidade Canção Nova depois de um pronunciamento de um de seus padres em missa televisionada em que também denunciava o programa anticristão do PT. De quem é, portanto, a contradição?

d) Seus partidários tentam sair dessa situação por meio de uma série de manobras que buscam confundir o debate político nacional. Espalham mentiras e acusações infundadas. (sic) – Quem está a mentir, querendo imputar ao candidato oposicionista as suas próprias práticas? Quem está a mentir querendo caracterizar como “boatos” e como “fruto do submundo da política”, a informação de documentos, decisões e práticas tomadas pelo governo Lula e pelo PT a respeito de temas que contrariam a doutrina cristã ( leia “Lula, Dilma, fatos e boatos”. Disponível em: http://geremiasdocouto.blogspot.com/2010/10/lula-dilma-fatos-e-boatos.html Acesso em 08 out. 2010). Aliás, chamar de “submundo da política” a legítima movimentação de cidadãos cristãos na internet é mais uma prova de que o PT tem, mesmo, aversão ao Cristianismo. “Submundo da política” são os “mensalões”, os “caixas dois”, as quebras de sigilo fiscal, enfim, as práticas terríveis que verificamos ao longo do governo Lula.

                                   Prossegue o manifesto procurando dar a tônica da campanha governista neste segundo turno entre dois projetos de país: o projeto de “o Brasil do passado, do Governo FHC, que nosso adversário integrou,(…) o Brasil do desemprego. Era o Brasil do desmonte do Estado e da perseguição aos funcionários” (sic) e “o Brasil de Lula, hoje, e o de Dilma, amanhã,(…) o país do crescimento acelerado que gera cada vez mais emprego e renda (sic).

                                   Mais uma vez, a campanha governista procura reduzir a discussão aos aspectos econômicos, escondendo um fato relevantíssimo: a de que a política econômica do governo Lula foi mera continuação da do governo FHC, onde a distribuição de renda e o crescimento foram resultado de uma sequência sem qualquer mudança de rumo de algo iniciado em 1994 com o Plano Real, em pleno governo Itamar Franco.

                                   Em alguns artigos, ao longo deste ano, foi bem demonstrado que o modelo de crescimento econômico, e mesmo de distribuição de renda levados a efeito pelo governo Lula, necessita de modificações e conflita com a doutrina bíblica, na medida em que não diminuiu a contento a desigualdade social e não qualifica os mais pobres que ascenderam socialmente para que esta sustentação seja permanente e independa do Estado. Sem melhoria na educação, nenhum país do mundo conseguiu manter um crescimento econômico.

                                   Com relação aos valores morais e éticos, o manifesto disse que a coligação governista repudia “…aqueles que querem explorar cinicamente a religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais. Isso é um desrespeito às distintas confissões religiosas. Tentar introduzir o ódio entre as comunidades religiosas é um crime. Viola as melhores tradições de tolerância do povo brasileiro, que são admiradas em todo o mundo. O Brasil republicano é um Estado laico que respeita todas as convicções religiosas. Não permitiremos que nos tentem dividir. O Brasil de Dilma, assim como o de Lula, é e será uma terra de liberdade, onde todos poderão, sem qualquer tipo de censura, expressar suas idéias e convicções.…”(sic)


                                   No entanto, tal declaração da campanha governista, que pretende ser uma resposta a um elemento que, segundo seus analistas, impediu a vitória de Dilma no primeiro turno, reforça, ainda mais, a constatação de que a verdade é a grande ausente desta manifestação da campanha da coligação “Para o Brasil seguir mudando”.

                                   Não houve “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais”. A “questão religiosa” surgiu das próprias iniciativas do governo Lula ao longo dos seus já sete longos anos. Senão vejamos.

                                   Quem trouxe o aborto para discussão foi o próprio governo Lula e o PT, seja pelo apoio e pressão pela aprovação do projeto de autoria da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ), que, por causa disto, aliás, perdeu a eleição para o Senado em 2006, projeto que não foi definitivamente arquivado até hoje por causa do PT, seja pela inclusão do aborto como ponto do programa partidário do PT nos dois últimos Congressos do partido, inclusive com a punição de dois deputados federais antiabortistas, que tiveram de mudar de partido para continuar suas vidas políticas.

                                   Quem trouxe o aborto para discussão foi o próprio governo Lula, cujos dois ministros da Saúde, Humberto Costa e José Temporão, sempre defenderam o aborto e tentaram criar um clima para a sua aprovação.

                                   Quem trouxe o aborto para discussão foi o próprio governo Lula, já que sua ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilceia Freire, é a maior líder abortista do país e, inclusive, conseguiu aprovar, em setembro último, o aborto como política a ser perseguida pelos países da América Latina e Caribe.

                                   O candidato oposicionista jamais falou em aborto, mesmo quando foi ministro da Saúde do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Diante da discussão trazida pelo governo, é “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais”, o debate em torno do tema, que foi adotado pelo próprio governo como prioridade? Não seria cinismo, isto sim, depois de tantas manobras, documentos e pressões, estar agora, e só agora, a candidata governista dizer que é “pessoalmente contra o aborto, porque o aborto é uma violência contra a mulher”?

                                   Quem trouxe a discussão da criminalização da homofobia foi a deputada federal Iara Bernardi (PT/SP), que teve sempre integral apoio e pressão a favor tanto do PT quanto do governo Lula para aprovar este projeto que cerceia a liberdade de pregação do Evangelho.

                                   Quem trouxe a discussão da criminalização da homofobia foi o governo Lula, que além de criar o programa “Brasil sem homofobia”, teve a manifestação do próprio Presidente da República, ao término de uma conferência nacional sobre os direitos dos homossexuais, também de iniciativa do governo, prometido sancionar qualquer lei que criminalizasse a homofobia.

                                   O candidato oposicionista jamais falou em criminalização da homofobia, sendo certo, aliás, que a comunidade homossexual lhe é extremamente grata pelo empenho com que combateu a AIDS quando foi ministro da Saúde, em programa que foi premiado pelas Nações Unidas, programa, aliás, que vai contra os princípios bíblicos.

                                   Diante da discussão trazida e promovida pelo governo Lula, é “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais” a manifestação dos religiosos em favor da sua liberdade de culto e de crença, a luta para que não sejam eles presos ao simplesmente pregar o que diz a Bíblia a respeito do homossexualismo? Não seria cinismo, isto sim, depois de tantas manobras, documentos e pressões, estar agora a candidata governista a se reunir, a portas fechadas, com um candidato derrotado ao Senado no Rio de Janeiro, que é pastor evangélico, para depois ele, sozinho, ser entrevistado e dizer que a candidata pretende, se eleita, impedir que o projeto de criminalização da homofobia impeça as pregações religiosas?

                                   Quem trouxe a discussão da “desconstrução da normatividade heterossexual” foi o próprio governo Lula, diante da aprovação do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e das propostas da 1ª Conferência Nacional de Comunicações (I CONFECOM), iniciativas do próprio governo e que geraram uma série de ações através das quais se quer impedir que nossas crianças, adolescentes e jovens sejam educados na “heterossexualidade”, sem falar na distribuição de “camisinhas” que se pretende fazer, a partir do final deste ano, em escolas da rede pública de ensino.

                                   Defender que a Bíblia determina a heterossexualidade como conduta normal e que não se pode impor, nas salas de aula e no espaço público, uma igualdade entre heterossexualidade e homossexualidade, que este tema deve ser mantido no ambiente de cada família, não é, à evidência, “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais”. Ou será que a candidatura governista não admite ser contrariada por vozes discordantes, não é este o seu conceito de “democracia popular”?

                                   Quem trouxe a discussão do “controle social dos meios de comunicação” foi o próprio governo Lula, seja no PNDH-3, seja na I CONFECOM, com nítido interesse em cercear, quando não impedir, a realização de programas religiosos nas emissoras de rádio e de televisão.

                                   Defender que não haja a inibição do espaço atualmente existente para a veiculação de programas religiosos não é “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais”, até porque o candidato oposicionista e seu partido jamais fizeram qualquer senão a este espaço hoje ocupado pelos programas religiosos. Ou será, mais uma vez perguntamos, que a candidatura governista não admite ser contrariada por vozes discordantes, não é este o seu conceito de “democracia popular”? Ainda alimenta o sonho de instituição de um regime ditatorial que a fez praticar atividades guerrilheiras nas organizações a que pertenceu no início da década de 1970?

                                   Quem falou em “exterminar” um partido político foi o Presidente Lula e isto, à evidência, não é uma demonstração de que a coligação governista esteja dando segurança aos brasileiros de que haverá plena liberdade de expressão e democracia num governo Dilma. O que temos visto, aliás, é exatamente o contrário.

                                   Quem trouxe a discussão da profissionalização da prostituição foi o próprio governo Lula, que inseriu no código de ocupações do Ministério do Trabalho, a prostituição, com o eufêmico nome de “trabalho do sexo”, inserindo, também, o tema como ponto programático do partido.

                                   Discordar que a prostituição se torne uma profissão regulamentada, o que seria uma degeneração moral enorme para nosso país, não é, efetivamente, “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais”.

                                   Temas religiosos vieram para o debate político porque a coligação “Para o Brasil seguir mudando” é liderada por um partido político que assumiu um projeto de poder que quer transformar o Estado brasileiro num Estado antirreligioso. Ninguém discute a laicidade do Estado brasileiro, mas Estado laico é um Estado sem religião, não um Estado contra a religião, como defendem os documentos, práticas, manobras e pressões feitas, nestes sete longos anos, pelo PT e o seu governo.

                                   Tais fatos, que não são boatos, levaram os religiosos do país a se manifestar no primeiro turno e a candidatura governista, em vez de retroceder, assumir seus erros e mudar seus rumos, apenas procurou mentir, imputando ao candidato oposicionista práticas que não existem.

                                   A coligação governista nem sequer se comprometeu a mudar coisa alguma do que já prometeu fazer, em seu programa de governo, bem como o que já está sendo feito pelo atual governo em termos de cerceamento da liberdade de culto e de crença no Brasil.

                                   Diante deste manifesto, que não corresponde à verdade e mostra a “dureza de coração” da coligação governista, mesmo após o fracasso do projeto de vitória já em primeiro turno, não resta aos cristãos outra alternativa senão a de NÃO votar em Dilma, o que, dentro de nosso sistema, é votar necessariamente no candidato oposicionista, a única manifestação cívica que pode impedir a vitória deste projeto de poder antirreligioso e anticristão.


* Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises - grupo informal de estudos bíblicos nascido na década de 1990 no corpo docente da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que hoje tem vida autônoma e esporádica produção.




                                                                                              

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