4.11.10

OLHAI, VIGIAI E ORAI. RESISTI

                                  

Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo” (Mc.13:33)

“Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar, ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.” (I Pe.5:8,9)

                                                                                              GIBEÁ*



                                   Terminaram as eleições gerais de 2010, com expressiva vitória do grupo político capitaneado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que conseguiu folgada maioria em ambas as Casas do Congresso Nacional, como também elegeu a chapa majoritária apresentada nas eleições presidenciais.

                                   No entanto, este triunfo, que põe o nosso país na linha de frente de um projeto de poder baseado em ideologias e doutrinas anticristãs, não representou, por paradoxal que possa ser, uma derrota da oposição, daqueles que não comungam dos mesmos valores e princípios manifestados pelo PT e pelos seus aliados.

                                   Com efeito, apesar da pujante vitória alcançada, tem-se que, por pelo menos quatro razões, a vitória eleitoral demonstra que nem tudo está perdido e que o Brasil ainda pode ser o país que tenha efetiva e real diminuição da injustiça e da iniquidade sem que, para tanto, renuncie aos valores culturais judaico-cristãos que o forjaram e deixe de ser um campo missionário da seara do Senhor com liberdade de expressão e democracia.

                                   A primeira razão advém da própria estratégia traçada pelo governo Lula, que tomou como prioridade absoluta a vitória de sua candidata nas eleições presidenciais, sabedor de que, no sistema de governo vigente, quem tem a Presidência da República tem o poder real e efetivo sobre o país.

                                   Tal estratégia levou a oposição a conquistar dez governos estaduais (PSDB: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Tocantins, Pará, Alagoas e Roraima; DEM: Santa Catarina e Rio Grande do Norte), inclusive com a manutenção dos dois maiores colégios eleitorais do país (São Paulo e Minas Gerais), o que pôs a maior parte da população nas mãos de governadores oposicionistas, o que, à evidência, não estava nos planos do grupo dirigente, ainda mais que a estratégia previa vitória em Minas Gerais e, pelo menos, um segundo turno em São Paulo, o que não se concretizou.

                                   Esta mesma estratégia fez com que o próprio PT conquistasse apenas cinco governos estaduais e, mesmo assim, em três estados já governados pelo PT (Bahia, Sergipe e Acre) e em dois outros estados em que o desgaste das forças políticas adversárias, em virtude de escândalos, tornaram o PT como alternativa de governo sem muito esforço (Rio Grande do Sul e Distrito Federal).

                                   Como se não bastasse, os “aliados” do PT tiveram uma performance bem melhor, tendo, juntos, onze governos estaduais, dando-lhes, assim, um “poder de fogo” bem maior que o imaginado pelo grupo dirigente.

                                   O PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) também conquistou cinco governos estaduais, mantendo-se em quatro estados (Rio de Janeiro, Maranhão, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e conquistando apenas um estado (Rondônia). A aliança com o PT, porém, fê-lo perder Santa Catarina e Paraná, não lhe tendo dado as tão cobiçadas Minas Gerais.

                                   O PSB (Partido Socialista Brasileiro), aliado menor na coligação majoritária, conquistou seis governos estaduais, mantendo três (Pernambuco, Ceará e Piauí) e conquistando outros três (Paraíba, Espírito Santo e Amapá), demonstrando, inclusive, uma força na região Nordeste que obrigará uma reavaliação do papel subalterno que tem tido no governo.

                                   Embora tenha participado da coligação com o PSDB, o PMN (Partido da Mobilização Nacional) elegeu um governador no Amazonas que apoiou a presidenta eleita, de modo que este governo estadual deve ser tido, também, como sendo da “base aliada” do governo.

                                   Isto mostra, pois, que, apesar de ter conquistado a Presidência da República, o PT terá de negociar mais com os partidos que o apoiam, que têm vários governos estaduais, sem falar nos governos em mãos dos oposicionistas, o que já é um certo freio à instituição de uma hegemonia petista no país.

                                   A segunda razão é a própria votação obtida pela presidenta eleita. Ela foi eleita com 55.752.529 votos, ou seja, 41,05% do eleitorado, ou seja, menos da metade dos eleitores. A proposta governista, portanto, não conseguiu convencer mais da metade da população com direito a voto, a mostrar, pois, como bem salientara o padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, em profética homilia em janeiro de 2010, que havia uma “maioria silenciosa” no país que não comunga com os valores e princípios petistas.

                                   Dilma Roussef é a presidenta que tem o menor apoio da população desde que voltaram as eleições diretas para Presidente da República em 1989 e tal dado não pode ser desconsiderado pelo grupo dirigente que, portanto, deve ser mais cauteloso e prudente nas suas intenções de moldar o país à sua imagem e semelhança.

                                   A terceira razão, quase que um corolário da anterior, é a consequência resultante das movimentações petistas a partir do segundo mandato de Lula em temas sensíveis como o aborto, a criminalização da homofobia, a liberdade de imprensa e de expressão e o próprio Plano Nacional de Direitos Humanos-3.

                                   A reação da população à divulgação das notícias a respeito de tais movimentos antidemocráticos do governo petista acabou levando a eleição presidencial para o segundo turno e obrigou a presidenta eleita a assumir certos compromissos que, ainda que oblíquos e enganosos, não deixam de ser um certo recuo nestas tendências malévolas.

                                   A presidenta eleita foi obrigada a ratificar que manterá a liberdade de expressão, bem como que não atingirá a liberdade religiosa, logo no discurso em que celebrou sua vitória. Embora tais compromissos, repita-se, não sejam dignos de crédito, pelos próprios movimentos que o governo Lula continua fazendo, inclusive com a apresentação de projetos para criação de controles sociais de meios de comunicação nos estados, não deixa de ser um sinal de alento, pois, ante a repercussão de tais temas nas eleições presidenciais, os políticos, notadamente os parlamentares, estarão sempre sensíveis a uma mobilização contra a tomada de medidas que venham a comprometer a liberdade religiosa e os valores morais de nossa sociedade.

                                   Tem-se, pois, um outro fator a retardar, pelo menos, a fúria antirreligiosa e antidemocrática do PT.

                                   A quarta e última razão é a imediata e quase instantânea reação dos “aliados” do PT a uma tentativa de se costurar uma transição do governo Lula ao governo Dilma somente por petistas.

                                   Após duas reuniões no dia seguinte ao da vitória com os coordenadores petistas da campanha, a presidenta eleita, que já havia dito que tiraria uns dias de descanso, teve de refazer a agenda e incluir, na comissão da transição, o vice-presidente eleito Michel Temer, que ainda preside o PMDB, bem como ouvir de uma liderança peemedebista que “o PMDB não abrirá mão de um milímetro sequer do espaço que tem no governo”.

                                   A realidade é que, ao contrário do que ocorreu com Lula, Dilma terá de conviver com um PMDB que se sente partícipe da vitória (e efetivamente o foi) e que poderá herdar a Presidência em caso de saída da titular, o que é, sem dúvida, um fator de inquietação permanente e constante para a presidenta eleita.

                                   A margem para manobras e casuísmos, tendentes a um maior controle da sociedade brasileira, terá de passar, necessariamente, pela sede de poder e de cargos que têm os peemedebistas, o que é, sem dúvida, mais um freio às intenções petistas de transformar a “condição de governo” da era Lula em “condição de poder” no governo Dilma, como, aliás, foi decidido na reunião do Foro de São Paulo em Buenos Aires, neste ano de 2010.

                                   Neste verdadeiro “xadrez político”, o povo de Deus deve ver uma oportunidade singular que o Senhor nos dá para que demonstremos se, verdadeiramente, somos, ou não, servos do Senhor e estamos dispostos a ser, no Brasil, “luz do mundo” e “sal da terra”.

                                   Não resta dúvida de que a vitória de Dilma Roussef é um sinal divino de que o Senhor quer que despertemos do “mui profundo sono do jardim” em que se encontram os cristãos brasileiros.

                                   Há um risco real de perdermos nossa liberdade de expressão, de não mais podermos adorar a Deus em toda a plenitude neste florão da América.

                                   Por isso, estes quatro freios, tênues mas reais, que se apresentam diante do grupo dirigente, mesmo após grande vitória eleitoral, é mais uma manifestação da graça divina para que, a tempo, a exemplo do que se fez no primeiro turno da eleição presidencial, a “maioria silenciosa” acorde e impeça que o Brasil se torne um berço esplêndido dos valores anticristãos.

                                   Para tanto, neste momento da vida nacional, “não vamos nos dispersar” (para lembrarmos a célebre expressão de Tancredo Neves em seu discurso após sua vitória nas eleições indiretas de 1985), depois da vitória da candidata petista nas urnas, vitória que, como vimos, está longe de ser a desejada pelo atual grupo dirigente.

                                   Assim, não sabendo quando chegará o tempo da noite, em que ninguém mais poderá trabalhar (Jo.9:4), devemos seguir os ensinamentos de Nosso Senhor, que nos mandou tomar três atitudes: olhar, vigiar e orar.

                                   Olhar, nós já estamos olhando, pois vimos, com clareza, o sórdido projeto de transformar nossa nação em plataforma do Anticristo e, ainda que tardiamente, começamos a nos manifestar, inclusive levando a eleição presidencial para o segundo turno e tornando a presidenta eleita a que tem menos apoio popular desde 1989.

                                   Somente os salvos veem o reino de Deus (Jo.3:3) e não podemos perder esta visão. Doravante, temos de ficar atentos e, com os olhos espirituais, ver a realidade de nossa nação, o que existe e verificando no que o existente confronta com o desejado pelo Senhor, o que se encontra na Sua Palavra.

                                   O povo de Deus deve sair às ruas, deixar as quatro paredes de seus templos, mostrando ao mundo que Jesus é o caminho, a verdade e a vida. A evangelização é, hoje, imperiosa, pois somente se pregando o Evangelho, a partir de nossas vidas e nossos exemplos, poderemos levar ao mundo a mesma visão que temos, pois é a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus, que faz resplandecer a verdade aos que se encontram cegos por força do deus deste século (II Co.4:4).

                                   Em palavra profética dada à Assembleia de Deus do Belenzinho, em São Paulo/SP, no dia 3 de outubro de 2010, culto da ceia do Senhor, dia do primeiro turno das eleições presidenciais, o Senhor alertou Seu povo de que “tinha o controle de todas as nações, inclusive do Brasil”, mas que queria que o Seu povo “pregasse a Sua Palavra e se santificasse, porque o tempo está próximo”, bem como que “o diabo tentará calar a vossa voz, mas preguem a Minha Palavra”. Não há tempo a perder: evangelizemos, pois a libertação do povo brasileiro das mãos vis da plataforma anticristã somente virá quando conhecerem o Filho, o único que pode libertar (Jo.8:32,36).

                                   Mas, além de olhar, é necessário que também vigiemos. Vigiar é estar atento, prestar atenção. Sabendo da força demonstrada pela “maioria silenciosa” no primeiro turno das eleições presidenciais, é imperioso que o povo de Deus se organize para acompanhar todos os movimentos que forem feitos no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas, para impedir que as medidas anticristãs sejam aprovadas.

                                   A presidenta eleita prometeu deixar que as questões como aborto, homofobia, restrição à liberdade de imprensa e outras sejam discutidas no âmbito do Congresso Nacional, onde terá o atual grupo dirigente ampla e folgada maioria. É ali, portanto, que o PT pretende impor a sua vontade aos brasileiros.

                                   Cabe, pois, ao povo de Deus ficar atento e pressionar os parlamentares para que nenhum dos projetos de lei, seja os que lá já estão ou os que venham a ser apresentados ali, sejam aprovados.

                                   A força demonstrada no primeiro turno da eleição presidencial é um grande trunfo que se terá e a organização, acompanhamento e fiscalização da atuação dos deputados federais e senadores, como também dos deputados estaduais e, até mesmo de vereadores, é fundamental para que se consiga impedir a aprovação das nefandas medidas pretendidas pelo PT.

                                   É preciso que a pressão se dê, principalmente, nos partidos “aliados” do PT, já que, por força da fidelidade partidária, os petistas não poderão jamais votar contrariamente ao que foi determinado em seus congressos, o que, entretanto, não impede que se tente, também, pressionar a própria direção petista a rever tais compromissos.

                                   A chamada maioria folgada da presidenta eleita leva em conta os partidos da “base aliada” (PMDB, PSB, PDT, PCdoB, PR, PRB, PSC e PP, aos quais deverão se unir PTB, PMN, PRP e PV). O PT sozinho não tem condições de aprovar coisa alguma e esta bênção concedida ao povo brasileiro tem de ser explorada até os últimos limites.

                                   Devemos levantar, no meio do povo de Deus, pessoas abnegadas que se incumbam de acompanhar diariamente os movimentos das Casas legislativas e, ao menor sinal de movimentação para aprovação de projetos de lei contrários ao Evangelho, possam mobilizar os demais para que, em movimentações ruidosas e eficazes, pressionem os parlamentares a que nada façam que seja contra a Palavra de Deus.

                                   Nesta vigilância, também, tem de ter destaque os parlamentares que se elegeram com o compromisso de representar os valores religiosos. Sobre estes parlamentares, dever-se-á ter diuturna fiscalização, para que cumpram o prometido de defender os interesses do povo de Deus, muito especialmente aqueles que, durante as eleições presidenciais, fizeram questão de cerrar fileiras em torno da presidenta eleita, dizendo não haver perigo aos valores cristãos num governo Dilma.

                                   Mas, de nada adiantará olhar e vigiar se, também, não orarmos. A oração é elemento indispensável, sem o que nada poderá ser feito.

                                   O Senhor Jesus disse que o salvo nada pode fazer sem Ele (Jo.15:5) e, para termos a companhia e a direção do Senhor, torna-se absolutamente necessário que tenhamos uma vida de oração, pois é este o nosso dever (Lc.18:1).

                                   Assim como, durante as eleições, muitos foram os que participaram de campanhas de oração em virtude do pleito, agora, mais do que nunca, precisamos manter as orações em prol de nosso país e da resistência cristã que começa a se formar no Brasil.

                                   Os grupos de oração devem reservar um espaço para interceder pelo país e pelos nossos governantes, a fim de que tenhamos uma vida quieta e sossegada, como, a propósito, nos mandam as Escrituras (I Tm.2:1,2).

                                   A contínua oração é a mais eficaz arma que a Igreja tem no momento da perseguição (At.12:5).

                                   As eleições serviram para mostrar ao povo de Deus que vivemos, sim, no Brasil um momento de perseguição ao Evangelho, à Igreja e, por isso, precisamos redobrar nossa oração, para que possamos vencer o inimigo, que não é o PT, mas os agentes que estão por detrás de toda esta plataforma anticristã, as hostes espirituais da maldade capitaneadas pelo diabo (Ef.6:11,12).

                                   Para tal enfrentamento, não há como agir sem oração, pois é a oração o elemento que nos põe em condições de utilizarmos, com habilidade, a armadura de Deus (Ef.6:18).

                                   Assim procedendo, estaremos efetivamente a resistir ao diabo. Resistir é a última atitude que devemos tomar neste instante delicado da vida brasileira.

                                   Diante dos bramidos como que de leão do inimigo de nossas almas, presentes nas propostas anticristãs trazidas pelo Partido dos Trabalhadores, que prosseguirá governando o Brasil, temos de resistir, com sobriedade, isto é, com equilíbrio, dominados pelo Espírito Santo, sem recorrer à violência, ao ódio, à vingança, como os adversários do Evangelho fazem, mas com vigor espiritual, com amor aos nossos perseguidores, mas, também, com firmeza, a mesma firmeza que fizeram, ao longo da historia, milhares e milhares de mártires mostrar o grande amor de Deus para com a humanidade na pessoa de Cristo Jesus.

                                   Devemos resistir firmes na fé, não admitindo, em hipótese alguma, acordos ou mitigações que signifiquem a flexibilização do Evangelho ou da Palavra de Deus, pois o falar do cristão é “sim, sim; não, não”. Não há hipótese de negociação em matéria de fé, em matéria de doutrina. Temos de defender o que a Bíblia defende, o que Jesus nos ensinou.

                                   É hora de resistirmos ao mal. É hora de cerrarmos fileiras ao lado de Cristo Jesus e retardamos a implantação do anticristianismo em nosso Brasil. Estamos dispostos a servir a Deus?


* Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises - grupo informal de estudos bíblicos nascido na década de 1990 no corpo docente da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que hoje tem vida autônoma e esporádica produção.

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