27.8.10

4.º Trimestre de 2010 das Lições Bíblicas CPAD: O Poder e o Ministério da Oração


4.º Trimestre de 2010 das Lições Bíblicas CPAD:
O Poder e o Ministério da Oração

1 – O que é Oração
2 – A Oração no Antigo Testamento
3 – A Oração Sábia
4 – A Oração no Novo Testamento
5 – Orando como Jesus Ensinou
6 – A Importância da Oração na Vida do Crente
7 – A Oração da Igreja e o Trabalho do Espírito Santo
8 – A Oração Sacerdotal de Jesus Cristo
9 – A Oração e a Vontade de Jesus
10 – O Ministério da Intercessão
11 – A Oração Conduz ao Perdão
12 – Quando o Crente Não Ora
13 – Se o Meu Povo Orar

22.8.10

Informe Cristão (IC): "Família" será tema do Dia da Bíblia 2010


Celebrado no segundo domingo de dezembro, o Dia da Bíblia de 2010 terá como tema “Bíblia na Família”. Para comemorar a data, a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) incentivará as igrejas a celebrar cultos especiais de louvor a Deus por Sua Palavra, levantando ofertas para a Causa da Bíblia, tendo como foco especial o programa da SBB “A Bíblia e a Família”. As ações incluem a realização de eventos como o Pedalando por Bíblias em várias cidades do Brasil, além da distribuição de seleções bíblicas e planos de leitura, para adultos e crianças.

A estimativa é distribuir 15 mil Planos de Leitura da Bíblia e cinco mil Planos de Leitura Infantil, além de 300 mil seleções bíblicas”, afirma Mário Rost, gerente de Desenvolvimento Institucional da SBB e coordenador da campanha. Segundo ele, a meta é que sejam realizados 100 eventos com a participação de igrejas.

Entre os itens desenvolvidos para estas celebrações, estão modelos de camisetas, cartazes e envelopes e urnas para captação de recursos, além de cofrinhos para as crianças também ofertarem. No site da SBB, haverá ainda outros materiais para download, como músicas, poesias e mensagens.

Para dar base à campanha de 2010, foi selecionado o texto do livro de Provérbios 14.26: “No temor ao Senhor, o homem encontra um forte apoio e também segurança para a sua família”.

Todos nós somos família de Deus e é ele quem nos dá segurança, conforto e orientação para a vida. Por isso, é importante estimular a participação de todos, para perpetuar a data como um dia para se reverenciar as Sagradas Escrituras”, destaca o coordenador da campanha.

O Dia da Bíblia: Criado em 1549, na Grã-Bretanha pelo Bispo Cranmer, o Dia da Bíblia começou a ser celebrado no Brasil em 1850, quando chegaram da Europa e EUA os primeiros missionários evangélicos. Porém, a primeira manifestação pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), em 1948. Graças ao trabalho de divulgação das Escrituras Sagradas, desempenhado pela SBB, as comemorações se intensificaram e diversificaram, passando a incluir a realização de cultos, carreatas, shows, maratonas de leitura bíblica, exposições bíblicas, construção de monumentos à Bíblia e ampla distribuição de Escrituras – formas que os cristãos encontraram de agradecer a Deus por esse alimento para a vida.

Fonte:http://www.sbb.org.br/interna.asp?utm_source=widget&utm_medium=terceiros&utm_content=linknoticia&utm_campaign=noticias&areaID=101&id=578



O Informe Cristão é publicado aos domingos aqui no Blog do Artur Ribeiro



21.8.10

Hino – somente é hino quando é oferecido exclusivamente ao Senhor Deus


Nobre internauta, você se lembra dos elementos que o servo e apóstolo Paulo disse pertencerem ao culto cristão? Quando da reunião dos crentes de Corinto, ele esclareceu o seguinte: Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação (1 Coríntios 14.26). Quero chamar sua atenção aqui para o item salmo.

Esse elemento do culto-modelo para os protestantes abrange o louvor, os hinos, os cânticos espirituais. E, nesses dias difíceis e perigosos (2 Timóteo 3.1, gr), milhares de pessoas têm infelizmente sido enganadas por muitíssimos mentirosos (Mateus 24.5,12). Várias delas, inclusive, procuram o engano (2 Timóteo 4.3). A consequência da mentira no meio do louvor é aquilo a que temos assistido nos templos, com as subidas de Zaqueu, os sabores de mel, a ousadia em sonhar, a restituição-eu-quero-de-volta-o-que-é-meu, o quem-tem-promessa-não-morre-essa-é-a-palavra-do-Senhor-Jeová etc.

O mais triste disso tudo é que parece que muitos dos que cristãos se dizem ser gostam de ser enganados, visto que rejeitam toda e qualquer correção (ignorando cabalmente 2 Timóteo 3.16), como se o Evangelho fosse para ser vivido de modo escancarado, do jeito que atualmente está. Ora, Nosso Senhor Jesus, em Mateus 7.13,14, aconselhou que entrássemos pela porta estreita, não frouxa. E explicou o motivo: porque larga é a porta, e espaçoso o caminho, que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.

Pelo que se vê, é notória a necessidade de sabermos se o que temos cantado e deixado que cantem em todo o lugar é realmente louvor a Deus. Para tanto, vejamos três autoridades no assunto: o considerado melhor dicionário de Língua Portuguesa (falo com conhecimento de causa), Houaiss, define hino assim: na liturgia cristã, cântico de louvor a Deus. Ao seu lado, o também ótimo Dicionário Etimológico da Nova Fronteira, de Antônio G. da Cunha, explica que tanto hino quanto cântico (do latim canticum) são umcanto em honra à divindade.

E, a fim de dar um ponto final à discussão do que é hino, cântico, louvor, salmo, recorro ao Dicionário de Termos Literários (editora Cultrix), do professor de Literatura da USP, Massaud Moisés. Didaticamente, ele aclara o vocábulo: tal como o hino, ode, salmo, o cântico resiste a uma conceituação precisa. Historicamente, principia por ser um canto religioso, em louvor a Deus. Embora conhecido de gregos e latinos, acabou por identificar-se com o rito cristão. Já no Velho Testamento, podem-se localizar vários espécimes, às vezes designados de salmos (como os de Davi). Tais espécimes são, por exemplo, o cântico de Moisés (Êxodo 15.1-19) e o de Davi (2 Samuel 22).

Repare que – para os ditos cultos evangélicos – cântico (isto é, o salmo da liturgia do culto conforme 1 Co 14.26), à luz da literatura e da língua, é uma ação de louvor a Deus. Não é louvor aos homens, ou algo do gênero. De maneira nenhuma! É louvor dos homens, ou seja, dado pelos homens a Deus. É louvor a Deus! A Jesus Cristo! Ao Único Que é digno de receber a honra e a glória. Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente, além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém! (Efésios 3.20).

O que entoamos na Casa de Deus é o verdadeiro louvor a Deus? Ou a homens? Para um confronto, é interessante você, leitor, verificar letras inteiras. Como nosso espaço, porém, não quer se fazer longo, julgamos suficiente destacar alguns versos de hinos e “hinos”.

“Ao nosso Criador, honra e glória tributemos; ao Nosso Salvador, mil louvores entoemos. E, ao Bom Consolador, honra e louvor demos também. Honra a Trindade para sempre. Amém!” Esse é o verdadeiro louvor a Deus ou aos homens? De quem é o destaque? Do Senhor! Glória a Jesus!

“Aguenta firme, não desista. Continue a lutar. As crises e as dores acontecem, mas chega uma hora aonde elas têm seu fim”. Isso é verdadeiro louvor a Deus ou aos homens? De quem é o destaque? Do homem; de você e você! Que Deus tenha misericórdia de nós!

“Como fez com Abraão, Deus também fará o mesmo por você, tome posse da vitória e crê, não precisa se preocupar, se Deus prometeu ele vai fazer. Deus tem promessas pra mim, Deus tem promessas pra você”. Isso é verdadeiro louvor a Deus ou aos homens? De quem é o destaque? Do homem; de você e você! Que Deus tenha misericórdia de nós!

“E vê que o passado ficou pra trás, pois Cristo na Cruz tudo já venceu. E saber que dele não lembra mais, Eu canto pra glória de Deus. Nenhuma condenação há Para quem está em Ti, Jesus, Cuja vida coberta está pelo sangue que verteu na cruz”. Esse é o verdadeiro louvor a Deus ou aos homens? De quem é o destaque? Do Senhor! Glória a Jesus!

Em resumo, só podemos chamar de hino, louvor, cântico - enfim, salmo - quando esse é a Deus (e portanto cantar), na Pessoa bendita de Jesus. Caso contrário, é mera canção, mesmo que um trecho se mostre verdadeiro louvor, o que denota meia verdade. E nós sabemos quem foi o primeiro a usar uma meia verdade. Que em Cristo, Deus o abençoe!

Na sujeição à Palavra de Deus,

Artur Freire Ribeiro

17.8.10

O perfil de um líder cristão exemplar


O livro de Atos dos apóstolos faz uma síntese da vida de Barnabé, um dos maiores líderes da igreja cristã, nos seguintes termos: “Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé…” (At 11.24). Há três verdades sobre Barnabé que devemos aqui destacar:


1. Um líder cristão deve investir sua vida na vida dos outros. Ser líder é ser servo; ser grande é ser pequeno; ser exaltado é humilhar-se. Barnabé é o único homem da Bíblia chamado de bom. E por que? É porque quase sempre, ele está investindo sua vida na vida de alguém. Em Atos 4.36,37 ele está investindo recursos financeiros para abençoar pessoas. Em Atos 9.27 ele está investindo na vida de Saulo de Tarso, quando todos os discípulos fecharam-lhe a porta da igreja não acreditando que ele fosse convertido. Em Atos 11.19-26, a igreja de Jerusalém o vê como o melhor obreiro a ser enviado para Antioquia e quando ele vê a graça de Deus prosperando naquela grande metrópole, mais uma vez ele investe na vida de Saulo e vai buscá-lo em Tarso. Em Atos 13.2 o Espírito o separa como o líder regente da primeira viagem missionária. Em Atos 15.37-41 Barnabé mais uma vez está investindo na vida de alguém; desta feita na vida de João Marcos. Precisamos de líderes que sejam homens bons, homens que dediquem seu tempo e seu coração para investir na vida de outras pessoas.

2. Um líder cristão deve esvaziar-se de si para ser cheio do Espírito Santo.Barnabé era um homem cheio do Espírito Santo. Sua vida, suas palavras e suas atitudes eram governadas pelo Espirito de Deus. Um líder cheio do Espirito tem o coração em Deus, vive para a glória de Deus, ama a obra de Deus e serve ao povo de Deus. Barnabé é um homem vazio de si mesmo, mas cheio do Espírito Santo. A plenitude do Espírito não é uma opção, mas uma ordem divina. Não ser cheio do Espírito é um pecado de negligência. Precisamos de líderes que transbordem do Espírito, homens que sejam vasos de honra, exemplo para os fiéis, bênção para o rebanho de Deus. Quando os líderes andam com Deus, eles influenciam seus liderados a também andarem com Deus. Por isso, a vida do líder é a vida da sua liderança. Deus está mais interessado em quem o líder é do que no que o líder faz. Vida com Deus precede trabalho para Deus. Piedade é mais importante do que performace.

3. Um líder cristão deve colocar seus olhos em Deus e não nas circunstâncias. Barnabé era um homem cheio de fé. Ele vivia vitoriosamente mesmo diante das maiores dificuldades, porque sabia que Deus estava no controle da situação. A fé tira nossos olhos dos problemas e os coloca em Deus que está acima dos problemas. A fé é certeza e convicção. É certeza de coisas e convicção de fatos (Hb 11.1). É viver não pelo que vemos ou sentimos, mas na confiança de que Deus está no controle, mesmo que não estejamos no controle. A fé sorri diante das dificuldades, não porque somos fortes, mas porque embora sejamos fracos, confiamos naquele que é onipotente. Barnabé é um exemplo de um líder que deve ser seguido. Precisamos de líderes que vejam o invisível, creiam no impossível e toquem o intangível. Precisamos de líderes que ousem crer no Deus dos impossíveis e realizar coisas para ele. Precisamos de líderes que olhem para a vida na perspectiva de Deus, que abracem os desafios de Deus e realizem grandes projetos no reino de Deus.

Hernandes Dias Lopes





16.8.10

Série "Hino Mesmo": Em Memória de Mim, por Marcos Santana





Em Memória de Mim

Este é o Meu corpo que foi moído por vós.
Este é o Meu sangue que verti na cruz.
O calvário foi parte do Meu sofrimento.
Minha morte vos deu vida e um caminho de luz.

Em memória de Mim, coma deste pão.
Em memória de Mim, abra o coração 
E glorifica Meu nome!
Em memória de Mim, beba deste cálice.
Em memória de Mim.

Não temas, pois agora rasgou-se o véu.
Entrai-vos em Minha presença:
Sou o pão do céu.
Trago em Meu corpo as marcas 
Da Minha vitória,
E, em Minha cabeça, a coroa de poder e glória.


11.8.10

“Minha mãe diz que sou um acidente de percurso [em sua vida]”


Por graça de Deus, trabalhamos na área da educação. Por essa razão, temos oportunidade de conversar com muitos adolescentes e jovens. Essas conversas acabam por revelar muito sobre a vida; especialmente sobre a família.

Recentemente, numa das vezes em que tivemos a ocasião de conversar com uma aluna, ela nos revelou informações que, apesar de particulares, pintam o triste porém real retrato de uma considerável parcela da família brasileira. Por que não dizer que a Luciana* como que desenhou o quadro daquilo em que a família brasileira está, paulatinamente, se transformando e cuja causa muitos creem, infelizmente, ser normal?

A cena para a conversa era a seguinte: sala de aula, cerca de seis pessoas presentes, momento pós-prova; restam somente alunos que almoçarão na escola e aguardam o horário para isso. Participam do diálogo, mais diretamente, a Luciana, uma colega e um de seus professores.

Luciana não tinha um comportamento exemplar em sala de aula. Geralmente conversava muito, deixava de fazer as atividades e, às vezes, se comportava de modo apático. A regra geral era que se tratava de uma aluna com baixíssimo rendimento, posto que estudasse num colégio particular, cujo ensino seria melhor (pelo menos, teoricamente).

Visto que ela acabou sendo questionada, durante essa conversa, acerca do que sua mãe faria caso soubesse que ela, Luciana, não se sairia bem naquela prova que acabara de “realizar”, a estudante respondeu, para espanto nosso: “Se minha mãe for brigar comigo ou for falar com meu pai por causa da prova, eu chantageio ela”. Na sequência, nós a sondamos, perguntando-lhe de que maneira ela chantagearia sua mãe. A menina completou: “É que eu sei uns podres dela”.

Na explicação da podridão materna, a discente acabou por revelar também a paterna e, quem sabe, a nacional (em grande parte). Que pena! Mas se trata de uma realidade. Luciana disse, por exemplo, que seus pais tinham se separado havia certo tempo. Antes disso, seu pai orientava que Luciana não mentisse, enquanto ele o fazia. A menina se questionava, sem compreender, pois sua idade era tenra. Sua mãe fazia o mesmo que o marido... isso sem falar nas brigas...

Após o divórcio, que se deu, claro, por razões obviamente imagináveis, o pai de Luciana arranjou logo uma namorada (para usar as palavras de Bandeira), com quem “se casou” e teve outro filho. Enquanto isso, a mãe dela também se casava e dava mais um irmão de pai diferente a Luciana. Ao mesmo tempo, repetia – como uma goteira na poça d’água – para Luciana: “Eu tive você muito nova. Eu e seu pai ainda não éramos casados. Você é um acidente de percurso na minha vida! ...”.

Para resumir a conversa que tivemos, visto que a menina abriu o coração naquele curto espaço de tempo (no mínimo, era também carente de conversa dentro de casa) em sala de aula, Luciana disse que seu pai se separou também da nova “esposa”, bem como sua mãe, do novo esposo. Pouquíssimo tempo depois, o pai da estudante se engraçou com outra mulher, que passou a ser sua namorada e que ficou grávida. Ele, portanto, em pouco tempo, já era pai de três, sem estar casado com nenhuma das mulheres.

Como está a cabeça de Luciana? Qual a formação que essa menina está recebendo? Quais são os valores que ela tem visto prevalecer na vida?

Infelizmente, a grande verdade é que algo análogo, senão exatamente igual, ocorre do Oiapoque ao Chuí. E a pergunta que nos vem à cabeça é: como temos criado nossos filhos? Será que os crentes em Jesus temos feito como Manoá, pai de Sansão (Jz 13), isto é, pedido orientação de Deus para educar nossos filhos? Ou será que também no caso da educação queremos copiar Davi, o qual foi na maior parte do tempo um contraexemplo como pai?

Será que os pais cristãos também têm dado brechas na criação de seus filhos? A exemplo do que Luciana disse que, se fosse preciso, chantagearia sua mãe visto que sabia dela “podres”, nossos filhos têm também recebido um mau exemplo dentro de casa a ponto de verem coisas podres em nós? Como temos feito dentro de casa? Onde estamos mostrando a eles as coisas contra as quais não há lei, isto é, o  fruto do Espírito: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança? Onde?


Infelizmente, milhares dos que cristãos se dizem ser fazem aquilo que a pedagogia cunhou de “terceirização da educação”. E terceirizam toda a educação. Deixam os filhos serem doutrinados pelo mundo, que inteiramente jaz no maligno (1 Jo 5.19 ARA.). O mundo todo está sob o poder do maligno. Não podemos deixar que o diabo doutrine nossos filhos! Qual educação temos oferecido dentro de casa? Isso sem falar no amor, que faltava!

A quem temos imitado nesse tocante? Aos fariseus (Mt 23.2,3)? Ou a Jesus Cristo (At 1.1)? A recomendação de Paulo a seu filho na fé, Timóteo, bate com nossa vida diante de nossos filhos (1Tm 4.12), ou nossos apelidos poderiam ser “pais de Luciana”?

Miseravelmente, muitos de nós ainda não entenderam que a recomendação bíblica é: “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões” (Dt 6.6-9 NVI).

Infelizmente, muitos de nós ainda não entenderam que a recomendação bíblica também é: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4).

Precisamos mudar esse quadro! Temos de arregaçar as mangas e, com a ajuda e orientação do Senhor (Jo 15.5 “in fine”; Jz 13), uma vez que sem isso os filhos certamente se perderão (Pv 11.14) remodelar essa pintura malfadada e infausta. Sem dúvida nenhuma, agindo assim, Deus será glorificado! Amém!

* Adotamos um nome fictício para preservar a estudante.


Pela educação pela Palavra,


Artur Freire Ribeiro

10.8.10

Intenções de Dilma (Faltou Combinar com o Bispo)




GIBEÁ*

No último dia 24 de julho, o bispo Manoel Ferreira, FARSA DESMASCARADA – COORDENADOR DA CAMPANHA DE DILMA MOSTRA AS REAIS deputado federal e presidente vitalício da Convenção Nacional das Assembleias de Deus do Ministério de Madureira (CONAMAD), promoveu uma reunião em Brasília/DF na qual algumas denominações evangélicas apoiaram a candidatura da sra. Dilma Roussef à Presidência da República.

A candidata governista, na oportunidade, assinou um documento em que “se comprometeu” a não tomar iniciativa para a aprovação de projetos de lei que contrariem os evangélicos, como a descriminalização do aborto, a legalização da união homoafetiva e a criminalização da homofobia.

No entanto, como temos analisado em artigos desde o lançamento do programa de governo do Partido dos Trabalhadores (PT), elaborado após o seu IV Congresso, não é esta a verdade dos fatos.

Com efeito, o referido programa, analisado em quatro artigos por este grupo de estudos, é totalmente contrário ao “compromisso” assumido pela candidata, pois defende a descriminalização do aborto, a criminalização da homofobia, a legalização da união homoafetiva e, além do mais, a virtual proibição de programas evangélicos nos meios de comunicação, já que endossa a tese da proibição de sublocação de horários das emissoras a produtores independentes, meio único pelo qual os programas evangélicos vão ao ar em nosso país (com a honrosa e coincidente exceção da IURD).

O referido programa foi, aliás, o mesmo que a candidata apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral ao pedir o registro de sua candidatura, programa que foi, sete horas depois, diante da reação dos “aliados”, substituído por uma versão “light”, onde os temas polêmicos foram suprimidos, “ma non troppo”, pois, como este grupo de estudos também demonstrou em artigo, as ideias básicas foram mantidas, ainda que de forma “cosmética”, ou seja, nas entrelinhas, para não revelar as reais intenções do partido hegemônico da coligação governista.

O “novo” programa não convenceu nem mesmo os “aliados”, tanto que a direção da campanha fez questão de dizer que seria apresentado, brevemente, um “terceiro programa”, contendo as “sugestões de todos os aliados”, algo, aliás, que já estivera constando do introito do segundo programa apresentado.

Logo em seguida, a candidata, a fim de evitar o constrangimento surgido da revelação de suas reais intenções, tratou de iniciar uma caça de apoio de lideranças católicas e evangélicas, a fim de impedir que se erigisse uma barreira fatal para sua candidatura, ante o quadro de empate técnico com seu principal oponente.

Assim, o arcebispo católico de Uberaba denunciou que a candidata foi visitar o Papa para dar uma aparência de ser “católica” (Uma questão de saúde pública? Disponível em: http://www.psaogeraldomajelauberaba.com.br/page41.php Acesso em 28 jul. 2010) (anda inclusive dizendo, por aí, que passou a frequentar a Renovação Carismática Católica, segundo relata notícia da Folha on line, que pode ser acessada no endereço http://www1.folha.uol.com.br/poder/770730-bispo-de-guarulhos-recomenda-a-catolicos-que-nao-votem-em-dilma.shtml Acesso em 28 jul. 2010), ao mesmo tempo em que fez astutas articulações políticas que transformaram o deputado federal Bispo Manoel Ferreira de pré-candidato ao Senado no Rio de Janeiro em coordenador de sua campanha para os evangélicos.

Dentro deste quadro, conseguiu a realização da mencionada reunião, a fim de dar uma “roupagem evangélica” à sua candidatura, repetindo, como bem disse Júlio Severo, “compromisso” assumido pelo presidente Lula em 2002(“Irmã” Dilma Roussef prega para evangélicos. Disponível em: http://juliosevero.blogspot.com/ Acesso em 28 jul. 2010), “compromisso”, aliás, não cumprido, já que Lula assinou medidas como o PNDH-3 e tem sido grande incentivador do movimento homossexual, sem falar nos movimentos pró-aborto, como, recentemente, quando o governo brasileiro luta para que a América Latina adote a descriminalização do aborto, conforme documento aprovado em 16 de julho p.p., na 11ª Conferência Regional da Mulher para a América Latina e Caribe, realizada em Brasília/DF.

Entretanto, como nos mostra Mt.10:26, “nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se”.

Dois dias depois da mencionada reunião (26/07/2010), o coordenador do programa de governo da candidata, o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, deu uma entrevista à Folha de São Paulo e, nesta entrevista, mostra-nos claramente que este “terceiro programa” será apenas “para inglês ver”.

Perguntado pela Folha de São Paulo sobre a presença dos temas polêmicos, assim se manifestou o “ideólogo” petista e um dos principais nomes do chamado “Foro de São Paulo” (grupo internacional formado pelo PT que tem a tarefa de tornar a América Latina o núcleo do socialismo mundial): “Só entrarão temas consensuais e com os quais a candidata esteja de acordo. A existência de outros, não consensuais, não significa que sejam proibidos (…).Não vai ser genérico. Queremos que seja um documento curto, porque um documento curto será lido por milhões de brasileiros e brasileiras.” (FLOR, Ana. Presidente 40 Eleições 2010. Temas polêmicos não são proibidos, diz Marco Aurélio. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2607201007.htm Acesso em 28 jul. 2010)

Isto significa que a candidata, diante das pressões dos próprios “aliados”, desistiu dos temas polêmicos?

Não, não e não!

Com a palavra o coordenador do programa de governo: “A existência de outros, não consensuais, não significa que sejam proibidos. Eles simplesmente serão abordados no momento devido pela instância devida, que é o Parlamento. O Congresso vai definir, com o perfil que tiver, com uma base governamental que esperamos que seja majoritária.”

Ou seja, faltou combinar com o bispo Manoel Ferreira. A candidata assumiu o compromisso de não tomar a iniciativa de nenhum ponto polêmico, mas isto não é garantia alguma. Pelo contrário, o governo já resolveu que apoiará todas estas medidas no Congresso Nacional, onde espera fazer maioria (na Câmara dos Deputados, já tem maioria e deve conquistá-la no Senado, segundo as projeções dos analistas), para, então, “enfiar goela abaixo” tudo aquilo que o bispo disse que não virá se a sra. Dilma se eleger.

É exatamente esta a tática do partido governista. O deputado federal José Genoíno, ex-presidente do PT, principal responsável pelo fato de o projeto do aborto rejeitado na Comissão de Família e Seguridade Social da Câmara não ter sido ainda engavetado, pois conseguiu o número mínimo de assinaturas para que o projeto fosse a plenário, onde até hoje não foi votado (pois a maioria atual da Câmara é contra o aborto), graças à inestimável colaboração do presidente da Câmara, o deputado federal Michel Temer (PMDB/SP), candidato a vice-presidente da sra. Dilma Roussef, já disse, recentemente, que esta é a estratégia para a aprovação da união homoafetiva no Brasil.

Indagado sobre o futuro do projeto da união homoafetiva no Brasil, após a aprovação dessa medida na Argentina, assim se manifestou o deputado Genoíno, que é coautor de um projeto neste sentido: “Esse é um debate complexo [união homoafetiva, observação nossa], não pode ser feito em ano de eleições. Mas, no ano que vem, tenho certeza de que teremos espaço para levar o projeto a plenário.” (PEIXOTO, Fabrício. Sem lei sobre casamento gay, brasileiros buscam alternativa jurídica. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/07/100715_brasil_gay_fp_rc.shtml Acesso em 27 jul. 2010).

Além do mais, como este grupo de estudos já teve a oportunidade de afirmar em outro artigo, o “compromisso” da sra. Dilma é inócuo e enganador. Todas as medidas contrárias à sã doutrina previstos em seu programa de governo retirado do TSE já fazem parte de projetos de lei que estão em trâmite no Congresso e contra os quais os parlamentares do PT não podem votar contra, sob pena de expulsão e perda do mandato, já que fazem parte do programa do partido e foram aprovados em seu IV Congresso.

Assim, a candidata não precisará tomar iniciativa alguma, pois eles já estão no Congresso e são apoiados pelo PT. Um Governo Dilma, assim como o Governo Lula, será plenamente favorável a tais projetos, de modo que o “compromisso” deveria ser outro: o de que, uma vez aprovados, tais projetos seriam vetados pela candidata, uma vez na Presidência da República. Isto Dilma não promete, pois não pode fazê-lo.

Vemos, portanto, como faltou combinar com o bispo Manoel Ferreira (que, por ser deputado federal, sabe muito bem da tramitação destes projetos e de como é inócuo tal compromisso.), antes de se revelar a verdade.

A plataforma de governo da candidatura governista é, assim, reafirmada como contrária à sã doutrina e, agora, assume uma nova conotação: a do engano, a da ilusão, mais um motivo pelo qual não podemos apoiá-la se formos cristãos, pois o engano, o engodo é algo que não faz parte daqueles que servem a Cristo Jesus, que é a própria Verdade (Jo.14:6).


* Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises - Análises – grupo informal de estudos bíblicos nascido na década de 1990 no corpo docente da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que hoje tem vida autônoma e esporádica produção.

8.8.10

Treinamento de Evangelização em Barueri


No dia 28 de agosto, acontece em Barueri (SP) o Treinamento para Evangelização com Literatura, promovido pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). Programado para as 9h, no Templo da Assembleia de Deus, o evento tem o objetivo de estimular a troca de experiências e renovar o entusiasmo daqueles que se dedicam à divulgação da mensagem bíblica. Além disso, a expectativa do encontro é sensibilizar e estimular novos voluntários a ingressarem no programa Sócio Evangelizador, mantido pela SBB há cerca de 30 anos e que conta com mais de três mil voluntários.

De abrangência nacional, o programa destina-se à distribuição maciça de folhetos bíblicos ilustrados em locais de grande movimento. Chamados de seleções bíblicas, esses folhetos trazem passagens bíblicas selecionadas com o objetivo de provocar uma reflexão sobre temas recorrentes no dia a dia da população urbana, como solidão, violência e valor da vida humana, bem como sobre os valores eternos expressos na Bíblia como fé, salvação, nova vida.

Já há alguns anos, a SBB vem realizando encontros dessa natureza. Em 2009, por exemplo, mais de duas mil pessoas participaram de encontros realizados em Brasília (DF), Aracaju (SE), Belém (PA), Sorocaba (SP), Taubaté (SP), Osasco (SP), Manaus (AM), Feira de Santana (BA), Goiânia (GO) e Porto Alegre (RS). “Esta é uma oportunidade única de conhecer as necessidades dos sócios evangelizadores e como desenvolvem esse trabalho tão importante, que tem levado a Palavra de Deus a milhares de pessoas em todo o país. Além disso, queremos engajar novos sócios para este programa”, afirma Mário Rost, gerente de Desenvolvimento Institucional da SBB e responsável pela coordenação nacional do programa.

O evento é aberto aos sócios evangelizadores já cadastrados e ao público interessado em conhecer melhor os objetivos do programa Sócio Evangelizador da SBB.

Treinamento para Evangelização com Literatura

Data: 28 de agosto de 2010
Horário: das 9h30 às 12h
Local: Templo da Assembleia de Deus em Barueri Rua Jandira Guerra, 16 – Centro Barueri – SP
Inscrições: (11) 4198-0732 (Secretaria da Igreja, das 14h00 às 22h00) ou 0800-727-8888 (SBB).

7.8.10

O divórcio relâmpago fragiliza ainda mais a família




A emenda constitucional, que aprovada pelo Congresso, objetiva facilitar a obtenção do divórcio, suprimindo requisito relativo ao lapso temporal -de um ano contado da separação judicial e dois anos da separação de fato- , denominada de a “PEC do divórcio relâmpago”, a meu ver, fragiliza ainda mais a família, alicerce da sociedade, nos termos do artigo 226 “caput” da Constituição Federal.

Na medida em que os mais fúteis motivos puderem ser utilizados para que a dissolução conjugal chegue a termo, sem qualquer entrave burocrático, possivelmente, não possibilitando nem o aconselhamento de magistrados e nem o de terceiros para a tentativa de salvar o casamento, o divórcio realmente será relâmpago.

Não poucas vezes, casais que estão dispostos a separar-se, não percebendo o impacto que a separação pode causar nos filhos gerados, quando aconselhados e depois de uma reflexão mais tranquila e não emocional, terminam por se conciliar.

Conheço inúmeros exemplos nos quais o ímpeto inicial foi contido por uma meditação mais abrangente sobre a família, os filhos e a vida conjugal, não chegando às vias do divórcio pela prudência do legislador ao impor prazos para concedê-lo e pela tramitação que permite , inclusive , a magistrados aconselharem o casal em conflito.

A Emenda mencionada autoriza que, no auge de uma crise conjugal, a dissolução do casamento se dê, sem prazos ou entraves cautelares burocráticos. Facilita, assim, a tomada de decisões emotivas e impensadas, dificultando, portanto, uma solução de preservação da família, que foi o objetivo maior do constituinte ao colocar no artigo 226 , que o Estado prestará especial proteção à família.

Entendo que a "PEC do divórcio relâmpago" gera insegurança familiar, em que os maiores prejudicados serão sempre, em qualquer separação, os filhos , que não contribuíram para as desavenças matrimoniais, mas que viverão a turbulência da divisão dos lares de seus pais, não podendo mais ter o aconchego e o carinho, a que teriam direito -por terem sido por eles gerados ou adotados- de com eles viverem sob o mesmo teto.

Como educador há mais de 50 anos, tenho convivido com os impactos negativos que qualquer separação causa nos filhos, que levam este trauma, muitas vezes, por toda a vida.

Por isto, sou favorável à maior prudência, como determinou o constituinte de 88, no § 6º do artigo 226 da Lei Maior. Tenho para mim, inclusive, que o capítulo da Família na Carta Magna de 88, por ser a família a espinha dorsal da sociedade, deveria ser considerado cláusula pétrea.

Ives Gandra da Silva Martins
(Advogado. Doutor em Direito. Professor Emérito das Universidades Mackenzie, UNIFMU e da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e do Centro de Extensão Universitária.)

4.8.10

Pessoas miseráveis, desagradáveis e fedidas! (2)


No artigo anterior, referimo-nos ao texto de 1Co 15.19 para falar que os que procuramos ser fiéis ao Senhor devemos almejar as coisas que provêm dEle. É por essa causa que questionamos se temos em nossas orações buscado, por exemplo, o batismo com o Espírito Santo, os dons espirituais – todas promessas para nossos tempos, presentes nas Escrituras.

Caso, porém, paremos para refletir mais detidamente, veremos que, de alguma forma, as coisas a que nos referimos também são daqui, isto é, desta vida. Essas coisas estão sendo aguardadas nesta vida. Entendemos, assim, que é importante averiguar algo mais excelso, mais sublime desse texto em 1Co 15.19.

Em que, pois, consiste a miserabilidade de que o doutor dos gentios falou aos irmãos de Corinto? Ora, olhando com atenção o que está escrito no capítulo 15 da Primeira Carta aos Coríntios, vemos que ele trata da ressurreição do Senhor Jesus Cristo.

Acontece que alguns crentes daquela cidade estavam a pregar que não existia ressurreição (1Co 15.12). A tal tipo de pregação o apóstolo respondeu, formulando o raciocínio de que, então, Cristo também não ressuscitara e, consequentemente, nossa fé nEle era frívola, inútil, imaginária (vv 14,15).

Com todas essas ideias, esses irmãos coríntios, não crentes na ressurreição do Senhor, demonstravam esperar que Jesus os abençoasse só nesta vida. Não tinham eles visão do porvir. Eram crentes sem esperança. Por causa disso, eles entenderam que Paulo, Sóstenes e Timóteo eram, na verdade, falsas testemunhas, falsos mártires, pessoas que debalde sofriam por amor ao Senhor (1Co 15.15). E mais, a contar do raciocínio paulino, vemos que todos ainda permaneciam separados de Deus (Is 59.2),  mortos em seus ofensas e pecados (Ef 2.1). Isto é, todos eles, apesar do sacrifício vicário de Cristo, continuavam no estado anterior (1Pe 2.10, 25; 4.3).

É tendo tudo isso em vista que o autor da carta concluiu que aqueles irmãos, para quem não havia ressurreição, eram miseráveis, vez que não criam no que Jesus dissera (Mt 19.29 “in fine”; Mc 10.30 “in fine”). Estavam esses “pregadores” desconsiderando a maior parte das profecias bíblicas acerca a vinda do Messias, as quais mais falam de Sua segunda vinda.

Esses “pregadores” se parecem, em muito, com não poucos pregadores da atualidade. É o que temos visto na maioria dos púlpitos de igrejas que se dizem cristãs. Para serem idênticos, os pregadores atuais a que nos referimos só precisam negar a ressurreição, porque deixar de pregar a volta de Cristo eles já fazem. E demais. Trocam a mensagem gloriosa da volta de Cristo para arrebatar a Igreja por massagem, quer dizer, uma mensagem, essa sim, vã, frívola, inútil, imaginária – centrada no aqui e agora.

São muitos os crentes miseráveis. Que tipo de crente somos? Que tipo de pregador somos? Quantos, hoje, dos que se dizem cristãos não têm alimentado o mesmo errôneo sentimento coríntio censurado por Paulo nessa primeira carta?

Temos de ter a fé na segunda vinda do Senhor Jesus, O qual nos levará para com Ele estar eternamente. Temos de essa fé estimular em nossos irmãos. Foi Ele mesmo Quem perguntou se, na Sua vinda, teríamos esse tipo de fé (Lc 18.8). Será que a temos tido e a fomentado?

Não podemos admitir que sejamos (ou continuemos a ser) miseráveis. Precisamos nos enquadrar na comparação de Paulo (1Co 15.22), além de não andar, nem se deter, nem se assentar na roda dos que negam essa gloriosa dádiva, disponível aos que são Seus servos leais, sob o risco de nos corrompermos (1Co15.33 ).

Em vez de nos comportarmos como miseráveis, não só cantemos o refrão do hino 300 da Harpa Cristã, de Almeida Sobrinho: “Nossa esperança é Sua vinda/ O Rei dos reis vem nos buscar;/ Nós aguardamos, Jesus, ainda,/ Té a luz da manhã raiar”, como também falemos a todos “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1Co 15.58).


(Continua)

Pela esperança na vinda de Jesus Cristo,


Artur Freire Ribeiro


 LEIA TAMBÉM:

Pessoas miseráveis, desagradáveis e fedidas! (1)






3.8.10

Os profetas anteriores, orais, não-escritores ou não-clássicos - Apêndice 1 para as Lições Bíblicas 3/2010

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS - MINISTÉRIO DO BELÉM

ESTUDO DA PALAVRA DE DEUS PARA OS AMIGOS E PROFESSORES DA ESCOLA DOMINICAL (EPAPED)
BELÉM- SEDE
TERCEIRO TRIMESTRE DE 2010

TEMA –  O ministério profético na Bíblia — a voz de Deus na Terra


COMENTARISTA :  Esequias Soares


APÊNDICE Nº 1 – OS PROFETAS ANTERIORES, ORAIS, NÃO-ESCRITORES OU NÃO-CLÁSSICOS                      
                            A atividade profética, como a linguagem, desenvolveu-se oralmente, depois assumiu a forma escrita.

Texto áureo – “E todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também anunciaram estes dias” (At.3:24).

INTRODUÇÃO

- Em complemento ao estudo deste trimestre, estudaremos os chamados “profetas anteriores”, também denominados de “profetas orais”, “profetas não-escritores” ou, ainda, “profetas não-clássicos”.

- Os “profetas anteriores” são todos os profetas levantados por Deus e que não tiveram o mandado divino de reduzir a escrito as suas mensagens proféticas, o que foi feito posteriormente pelos que foram inspirados a escrever o texto sagrado.

I – OS PROFETAS ANTERIORES ATÉ SAMUEL

- Quando iniciamos o estudo do ministério profético na Bíblia, vimos que os profetas costumam ser classificados em dois grupos: profetas anteriores, também chamados orais, não-escritores ou não-clássicos e os profetas posteriores, também chamados de profetas literários, escritores ou clássicos.

- A diferença entre um grupo e outro é que os primeiros foram levantados como profetas pelo Senhor mas não foram incumbidos por Deus de reduzir a escrito as suas mensagens, a fim de que fossem elas conhecidas pelas gerações posteriores. Temos, assim, conhecimento do que disseram ao povo por intermédio de registros que lhes são posteriores, efetuados por outras pessoas, especialmente inspiradas pelo Espírito Santo para tal tarefa (II Pe.1:20,21).

- Em nosso trimestre letivo, tivemos uma lição sobre os profetas ditos escritores ou clássicos, ou seja, aqueles cujas mensagens foram, por ordem divina, reduzidas a escrito ainda no ministério de cada profeta, pelo próprio profeta ou mediante ditado do profeta (como aconteceu com Jeremias – Jr.36). Ante a ausência de uma lição sobre o outro grupo de profetas, entendemos ser útil este apêndice para esta finalidade.

- É importante ressaltar dois fatos para que não venhamos a criar confusão. O primeiro é que o fato de Deus não ter mandado ao profeta reduzir a escrito, de imediato, a sua mensagem não significa que este profeta seja inferior aos demais. Longe disso, isto apenas reflete até o estado cultural do povo no instante mesmo dos mencionados ministérios proféticos.

- Somente no final da história de ambos os reinos em que se dividiu Israel teremos uma preocupação com o registro da Palavra de Deus, como resultado até de um desenvolvimento cultural do povo e como ação da Providência Divina, ante a iminência da perda da terra de Canaã por parte dos israelitas. A destruição de ambos os reinos tornava absolutamente necessário o registro das mensagens proféticas para conhecimento das gerações vindouras, já que o contato oral ficaria sobremodo prejudicado (Sl.78:1-8).

- O segundo fator é que não devemos entender que os “profetas orais” não tenham escrito coisa alguma. Muito pelo contrário, entre os “profetas orais”, temos pessoas que escreveram parte das Escrituras, às vezes mais do que muito dos chamados “profetas literários”, mas seus escritos eram históricos ou poéticos, não tinham como objetivo registrar as suas mensagens proféticas, mas foram além disso, ao contrário dos “profetas literários”, que escreveram apenas suas profecias. Assim, pessoas como Davi, Samuel, Natã e Gade, apesar de seus escritos, são postos no rol dos “profetas orais”.

- Finis Jennings Dake (1903-1987) diz haver o registro, no Antigo Testamento, de 62 (sessenta e dois) profetas, sendo que 16(dezesseis) seriam “profetas literários” e 46(quarenta e seis), “profetas orais”, precisamente os que estamos a tratar neste pequeno estudo. Destes 46(quarenta e seis) profetas, Dake entende que 38(trinta e oito) atuaram na dispensação da lei, incluindo-se aí Balaão que, embora não fosse israelita, atuou sob a lei de Moisés.
OBS: Dake considera como profeta a Adão, com o que discordamos, pois o fato de Adão ter dado nomes aos seres vivos não o credencia como profeta como entendeu aquele comentarista. O profeta é aquele que se comunica com o homem trazendo mensagem de Deus, decorrência da entrada do pecado no mundo, algo que inocorria com Adão. Além do mais, Dake não inclui Jó como profeta, o que fazemos.

- A atividade profética, como já tivemos ocasião de verificar neste trimestre letivo, iniciou-se com Enoque, o primeiro profeta, o sétimo depois de Adão. Depois de Enoque, temos a figura de Noé, que a Bíblia chama de “pregoeiro da justiça” (II Pe.2:5), sinal de que também transmitiu aos homens a mensagem que recebeu de Deus a respeito da destruição do mundo pelo dilúvio, o que o faz ser um profeta.

- Posteriormente ao dilúvio, temos a figura de Héber ou Éber, bisneto de Sem (Gn.10:22-25), que teria profetizado a respeito da divisão da terra, ou seja, do juízo de Babel, tanto que pôs a seu filho primogênito o nome de “Pelegue”, que significa “divisão”, a demonstrar que, a exemplo de Enoque, também recebera revelação divina concernente ao plano da salvação.

- Depois de Héber, temos a sequência dos patriarcas (Abraão, seu contemporâneo Jó, Isaque, Jacó e José), cuja qualidade de profetas também já discorremos em lição deste trimestre, chegando, então, a Moisés, o profeta-modelo da dispensação da lei, período durante o qual também tivemos os ministérios de Balaão e do próprio Arão, que era “profeta” de Moisés (Ex.4:14-17).

- Moisés, como já estudamos, anunciou a vinda de um outro profeta como ele (Dt.18:15) e, na própria lei, deixou consignado que o Senhor levantaria profetas no meio do povo (Dt.13:1), ainda que não como Moisés, que receberiam mensagens por meios indiretos (Nm.12:6), até a vinda daquele profeta como Moisés. É importante observar que Moisés, embora seja tido como um profeta anterior, escreveu, segundo Dake, 475 versículos de profecias e, no texto sagrado, Moisés escreveu 4.392 versículos mais do que Isaías, prova de que ser “profeta oral” não significa, em absoluto, não ser escritor.

- A atividade profética não cessou, tanto que os judeus consideram que os livros do Antigo Testamento que se seguem ao Pentateuco, os livros que chamamos históricos, fazem parte do “Neviim”, ou seja, “dos profetas”, daí a expressão “a lei e os profetas”, que, inclusive, utilizada por Jesus (Mt.7:12; 22:40; Lc.16:16), que, desta forma, sancionou tal uso.

- Destarte, após Moisés, como Deus havia dito, começou a levantar profetas no meio de Seu povo, a fim de manter a comunicação com Israel, sempre dentro do propósito de manter a observância da lei por parte do povo, como também de revelar progressivamente o Seu plano de salvação não só para Israel mas para toda a humanidade.

- Josué foi, também, um profeta. Além de ter recebido a imposição das mãos de Moisés (Nm.27:18-20; Dt.34:9), gesto que representou a transmissão do ministério profético a ele, pois era o único ministério que Josué poderia exercer, vemos, também, Josué trazendo mensagens do Senhor ao povo (Js.3:9-12; 6:6-10,16-21,26).

- Na época dos juízes, apesar da anarquia política, que também se apresentou como anarquia espiritual, Deus não deixou o povo de Israel sem profetas. Débora é a primeira profetisa mencionada nas Escrituras (Jz.4:4), a demonstrar, uma vez mais, que o ofício profético era o mais “democrático” de todos, que não fazia sequer distinção de sexos (ao contrário dos outros dois ofícios – sacerdote e rei –, circunscritos a homens).

- Débora não somente trouxe a mensagem divina a Baraque relativamente à libertação do povo da opressão sob Jabim, como também foi usada pelo Espírito Santo para falar das consequências relacionadas ao envolvimento das tribos e cidades na luta pela liberdade, no famoso “cântico de Débora” (Jz.5), que nos mostra que o profeta era alguém que era cheio do Espírito Santo.

- Outro profeta que temos nesse período é Gideão, que também transmitiu ao povo de Israel a mensagem divina que recebera e, deste modo, livrou Israel do domínio dos midianitas (Jz.6:34,35). Jotão, o filho menor de Gideão (Jz.9:5), também foi profeta, tendo, inclusive, revelado ao povo o desgosto divino pela escolha de Abimeleque como rei e a tragédia que se abateria sobre Siquém e sobre Abimeleque por causa daquela aliança que desagradara ao Senhor (Jz.9:7-20).

- Entretanto, a anarquia sócio-político-espiritual do período dos juízes fez com que a atividade profética se tornasse rara no meio de Israel, consequência direta de sua corrupção espiritual (I Sm.3:1), tanto que, depois de Jotão, somente teremos notícia de um profeta nos dias de Eli, quando um homem de Deus é levantado pelo Senhor para proferir mensagem de desagrado com o comportamento dos filhos de Eli, Hofni e Fineias, a ponto de anunciar a mudança da linhagem sacerdotal (I Sm.2:27-36).

- Este estado de torpor espiritual, que tornava a atividade profética rara e esporádica, porém, haveria de ser alterado com o levantamento de Samuel, não sendo por outro motivo que seja este o profeta primeiramente mencionado por Pedro no sermão feito após a cura do coxo da Porta Formosa, visto ter sido ele o “restaurador” da profecia em Israel.

II – SAMUEL E A RESTAURAÇÃO DA ATIVIDADE PROFÉTICA EM ISRAEL

- Em At.3:24, o apóstolo Pedro menciona Samuel como o primeiro dos profetas que havia anunciado os dias da dispensação da graça, os dias da consumação da obra salvadora de Cristo no Calvário. Tal expressão do apóstolo pode dar a entender que os profetas que foram levantados antes de Samuel não tinham em conta a salvação da humanidade, o que sabemos não ser correto.

- A expressão do apóstolo mostra-nos que, a partir de Samuel, há uma renovação da atividade profética, que deixa de ser rara e esporádica, para ser uma constante até Malaquias, quando, então, ocorre o “silêncio profético” de aproximadamente 400 (quatrocentos) anos, interrompido com o surgimento de João Batista.

- Samuel é uma personagem importantíssima, pois, a partir de seu chamado como profeta pelo Senhor, ainda na tenra idade, passou ele a se conscientizar da necessidade que tinha o povo de Israel de que fossem criadas condições para que, de forma contínua e ininterrupta, houvesse um grupo de pessoas que se dedicassem a servir ao Senhor e a se dispor a ensinar ao povo a lei.

- Samuel percebeu que o grande drama vivido por Israel era a ausência de uma continuidade na fidelidade ao Senhor, de modo que, geração após geração, havia a corrupção com o envolvimento com a idolatria e a consequente opressão permitida por Deus junto a povos estrangeiros, a fim de que o povo se arrependesse e não se perdesse. Esta tinha sido a sina da época dos juízes, que é tão bem retratada no livro dos Juízes, que a tradição judaica entende ter sido redigido pelo próprio Samuel.

- Por isso, Samuel, após ter livrado os israelitas do domínio dos filisteus (I Sm.7:1-17),  Samuel passou a julgar a todo o Israel, de forma itinerante, indo ao encontro do povo e criando a “escola dos profetas” ou “rancho dos profetas”, locais onde passou a reunir aqueles que se dispunham a servir a Deus, seja através do ofício profético a que eram chamados pelo Senhor, seja através do aprendizado e do preparo ao ensino da lei a todo o povo (“os filhos dos profetas”, ou seja, os que aprendiam com os profetas) (I Sm.10:5,10).

- Com Samuel, também, o Senhor começou a mostrar ao povo o Seu plano da salvação de forma mais minudente, revelando que o Messias viria de uma linhagem real, linhagem esta iniciada com Davi. A partir da unção de Davi, profetizada por Samuel oito anos antes de sua realização por ele próprio (I Sm.13:14; 16:13), começa o Senhor a revelar a linhagem familiar do Messias, motivo por que Pedro menciona Samuel em primeiro lugar no rol dos profetas que falavam do Cristo e de Sua obra.

- A partir de Samuel, cujo nome quer dizer “ouvir de Deus” ou “nome de Deus”, Deus passou a ser ouvido e o Seu nome, conhecido de forma praticamente ininterrupta no meio de Israel, sendo revigorada sobremaneira a atividade profética, a “voz de Deus na Terra”, como denominou, de forma muito feliz, nosso ilustre comentarista.

III – OS PROFETAS ORAIS DE SAMUEL A ELIAS

- Com Samuel, a atividade profética passa a ter continuidade e estabilidade. O próprio Saul, escolhido para ser o primeiro rei de Israel, também teve a presença do Espírito Santo e profetizou, a fim de que fosse reconhecido como alguém escolhido efetivamente pelo Senhor para o exercício da função real (I Sm.10:10,11).

- A necessidade de Saul também profetizar para que fosse reconhecido como ungido de Deus mostra-nos como, a partir de Samuel, houve uma renovação da atividade profética e como o povo havia se despertado para a operação do Senhor no meio de Israel (I Sm.3:20,21). Vemos, assim, que a profecia é indispensável para que o povo tenha discernimento espiritual e não seja levado pela corrupção do mundo.

- Quando Davi surge no cenário histórico, já era a condição existente no meio do povo, apesar do desvio espiritual de Saul. Não só Davi logo passou a ser conhecido como profeta do Senhor (cheio do Espírito de Deus, Davi logo começou a profetizar, mesmo antes de subir ao trono, como testemunham diversos salmos por ele proferidos bem antes de sua ascensão ao reinado), como também é mostrado que, mesmo durante o reinado de Saul, funcionava em Ramá, a todo vapor, a “escola de profetas” (I Sm.19:20). Não se deve esquecer que, quando Davi se encontrava na caverna de Adulão, a ele se uniu o profeta Gade (I Sm.22:5).

- No reinado de Davi, além do próprio rei, temos profetas que exerceram grande influência no governo, pois agiam como conselheiros do próprio Davi, a saber, o próprio Gade, que já acompanhava Davi desde os tempos cruéis da perseguição de Saul, mas que, nem por isso, deixou de trazer dura mensagem ao rei por causa do episódio da numeração indevida do povo como também Natã, que, inclusive, trouxe a dura mensagem contra o próprio Davi por causa do caso da mulher de Urias, tendo, sido, também, o portador da revelação de que o Messias seria da casa de Davi. Gade e Natã, aliás, assim como Samuel, também redigiram textos das Escrituras, que contam precisamente o período dos reinados de Saul e de Davi (I Cr.29:29).

- Ainda nos dias de Davi, Deus levantou outros profetas, que tiveram grande participação na organização do culto ao Senhor no templo que seria erguido por Salomão, a saber: o sumo sacerdote Zadoque (II Sm.15:27) — o primeiro da nova linhagem sacerdotal que substituiu a que pertencia Eli (I Rs.1:26,27); Hemã (I Cr.25:5; II Cr.35:15) e seus filhos (I Cr.25:1); Asafe (I Cr.25:2; II Cr.29:30) e seus filhos (I Cr.25:1); Jedutum (I Cr.25:3; II Cr.35:15) e seus filhos (I Cr.25:1).

- Estes profetas músicos e instrumentistas também redigiram salmos. Asafe foi o autor de 12 salmos (Sl.50, 73-83), Hemã de um (Sl.88) e Jedutum, também de um(é apontado como co-autor do Sl.77) . A presença destes profetas, exatamente no instante em que se construía o serviço de louvor no templo, é um indicador de que não há possibilidade alguma de um real louvor a Deus sem a presença do Espírito Santo entre os que louvam, sejam com suas vozes, seja com seus instrumentos.
- No reinado de Salomão, também os profetas estiveram presentes. O próprio Salomão é, também, um profeta, já que o Senhor lhe transmitiu mensagens por intermédio de sonhos (I Rs.3:5-14; 9:3-8; II Cr.1:7-12; 7:12-22), como a própria perda do reino por conta de sua desobediência (I Rs.11:11-13).

- Como consequência até da infidelidade de Salomão, o Senhor levantou outro profeta no meio do povo durante o reinado deste, a saber, Aías ( I Rs.11:29-39), que foi o profeta escolhido pelo Senhor para dar conhecimento a Jeroboão da sua escolha como rei de Israel. Aías, aliás, seria o mesmo instrumento divino para anunciar a Jeroboão a ruína de sua casa por conta de seu pecado de idolatria (I Rs.14:5-16).

- Havia outros profetas nos dias de Salomão, como é o caso do “profeta velho”, que, certamente, iniciou seu ministério ainda nos dias da monarquia unida mas que, a exemplo tanto de Salomão e de Jeroboão, desviou-se dos caminhos do Senhor. Este “profeta velho” acabou por levar à desobediência o “homem de Deus”, um profeta levantado pelo Senhor precisamente para trazer a Jeroboão a mensagem de desagrado com a fabricação dos bezerros de ouro e a instituição do seu culto em substituição ao culto ao Senhor nas dez tribos de Israel, bem como que tal culto haveria de ser destruído por um descendente da casa de Davi que se chamaria Josias (I Rs.13).

- Também desta época é o profeta Semaías, que foi usado por Deus para repreender a Roboão e impedir que este tentasse, pela força militar, subjugar as dez tribos que haviam escolhido Jeroboão como rei (I Rs.12:22-24; II Cr.11:1-4).

- Percebemos, pois, que, já neste momento histórico de Israel, os profetas surgiam para repreender tanto o rei como o povo pelos seus desvios espirituais. A partir da idolatria de Salomão, não temos mais a presença de profetas palacianos, amigos dos reis, mas, bem ao contrário, pessoas levantadas para apontar os erros e desatinos do governo e da sociedade.

- Por isso mesmo, os sociólogos da religião desenvolveram teorias e teses a respeito do profetismo, considerando-o como uma “força moralizadora”, um instrumento de renovação e de questionamento das injustiças e das mazelas da sociedade, não raro um “fator revolucionário”. O “profeta”, segundo este ponto de vista, é diferente seja do “mago”, que tenta tão somente canalizar as forças sobrenaturais em favor dos indivíduos, sem qualquer noção de mudança ou transformação social, como do “sacerdote”, este sempre comprometido com a ordem vigente e que não tem outro papel senão a defesa e perpetuação do “statu quo ante”.
OBS: “…O profeta não foi um descendente ou um representante das classes mais baixas. O contrário, como temos visto, foi quase sempre a regra. Também o contexto da doutrina do profeta não se derivou preponderantemente do horizonte intelectual das classes mais baixas. Entretanto, como uma regra, os oprimidos ou, pelo menos, aqueles ameaçados pela aflição, tinham a necessidade de um redentor e profeta; os afortunados, os que tinham posses, a classe dominante não tinha tal necessidade. Consequentemente, na grande maioria dos casos, a religião da salvação anunciada profeticamente tinha seu local permanente wentre os menos favorecidos. Entre eles, esta religiosidade era o substituto, ou um suplemento racional, para a magia.…” (WEBER, Max. Sociologia das religiões mundiais. Disponível em: http://www.ne.jp/asahi/moriyuki/abukuma/weber/world/intro/world_intro_frame.html Acesso em 17 jul. 2010) (tradução nossa de texto em inglês).
         “…O profeta é o intermediário e o anunciador das mudanças sociais (Bourdieu). O papel do profeta é atrair e mobilizar pelo poder do seu discurso um grupo de pessoas, para assim, canalizar a força deste grupo na estrutura social nova que ele deseja fornecer. O profeta traz o gênese de uma nova ética e uns profundos sensos cosmológicos decorrente da sua visão, que pretende sistematizar em regras de estrutura os seus interesses. O profeta na sua relação com os leigos é compreendida na força política que ele possui para satisfazer as necessidades dos grupos sociais de quem ele é o seu representante. Sendo ele um homem com a mensagem-salvação (Alexandre Carneiro), pode dispensar o aparato ritualístico do sacerdote e apenas pela sua palavra ser um construtor e portador dos bens de salvação. Todavia, é bom lembrar que para Weber, o profeta se envolver na política, mas apenas como um meio para se atingir um fim, isto é, o fundamento do poder do profeta reside em seu carisma não em uma delegação de interesses do grupo que ele representa. O profeta constitui o exemplo típico-ideal de um agente social de inovação e mudança. O papel principal do profeta é sistematizar e ordenar todas as manifestações da vida, de coordenar todas as ações humanas através de um estilo de vida, no qual ele mesmo, é seu modelo ideal. Uma vez tendo o profeta, estruturado doutrinamento seus pensamentos, aqueles grupos de adeptos leigos podem vir a se transformar em uma congregação, e devido às exigências cotidianas do grupo, o profeta acaba tendo que preparar um corpo de auxiliares seus, do seu círculo mais íntimo, para poder assim atender as demandas desta incorporação. A congregação formada pelo profeta que agora corre o risco de se transformar em sacerdote, lhe assiste com dinheiro, serviços, alimentação e etc... Em troca da esperança de salvação e de ter sempre ao seu dispor uma mensagem de revelação, proteção e garantias que sua conduta, segundo o profeta, esta em consonância com a vontade a vontade divina.…” (EMANUEL, George. O profeta e o sacerdote em termos sociológicos. Disponível em : http://www.webartigos.com/articles/13131/1/O-Profeta-e-o-Sacerdote-em-Termos-Sociologicos/pagina1.html#ixzz0twykrtNT Acesso em 17 jul,. 2010).

- Esta situação perdurou na sequência dos reinos tanto de Israel quanto de Judá. Deus levanta, em Israel, ao profeta Jeú (não confundir com o rei de mesmo nome, que é posterior), o qual também mostra o desagrado divino com o rei Baasa, que manteve o pecado de Jeroboão, anunciando a derrocada de sua dinastia à frente das dez tribos (I Rs.16:1-4,12). Aliás, este mesmo profeta também profetizou contra Josafá, repreendendo-o por causa de sua aliança com Acabe (II Cr.19:1-3).

- Em Judá, não foi diferente, pois, se no reinado de Asa, o terceiro rei de Judá, Deus levantara a Azarias, com uma mensagem de exortação, que foi prontamente seguida pelo rei e pelo povo, com grandes benefícios aos judaítas (II Cr.15:1-7), posteriormente o mesmo Asa foi repreendido pelo profeta Hanani por causa de sua aliança com o rei da Síria (II Cr.16:7-9), tendo o rei, desta feita, recusado a mensagem e, inclusive, mandado prender e maltratar o profeta, que foi a razão da enfermidade e morte do rei (II Cr.16:10-13).


IV – ELIAS, ELISEU E OUTROS PROFETAS A ELES CONTEMPORÂNEOS

- Este mal-estar entre reis e profetas fez com que passassem a surgir “falsos profetas”, profetas “fabricados” pelos próprios reis e sacerdotes, a fim de trazerem mensagem aduladoras aos monarcas e de levar o povo a seguir os governantes por conta destas “profetadas”. A casa de Onri, a terceira dinastia real de Israel (I Rs.17:21,22), permitiu a proliferação desta gente, que andava “pari passu” com os profetas de Baal e de Asera, que haviam sido trazidos por Jezabel, mulher de Acabe, filho de Onri e segundo rei daquela dinastia (I Rs.16:29-31).

- Nesta situação de grande calamidade espiritual, Deus levantou um grande profeta, Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade (I Rs.17:1), que surge do “nada”, sem qualquer procedência conhecida, mas que veio ser o “perturbador de Israel”, a voz de Deus para denunciar e exigir do povo uma postura diante da apostasia e da idolatria reinantes no governo de Acabe e de Jezabel.

- Elias notabiliza-se pela ação do poder de Deus em seu ministério. Embora não fosse o profeta “como Moisés”, já que Deus lhe falava por meios indiretos, Elias surge como um profeta de sinais e prodígios, o que não ocorria desde os dias de Josué.

- Surgido do “nada”, Elias afronta toda a estrutura idolátrica instituída por Acabe e por Jezabel, iniciando seu ministério com o anúncio de que não haveria mais chuva sobre a terra de Israel ( I Rs.17:1), a mostrar que seu ministério era voltado a desafiar e afrontar o culto a Baal, tido como o deus da fertilidade e, como tal, o controlador das colheitas e, por conseguinte, o responsável pela concessão de chuvas. Não é desarrazoado, porém, entender que Elias pertenceu  a alguma “escola de profetas”, diante do seu relacionamento com elas (II Rs.2:2, 4)

- Durante três anos e seis meses (Tg.5:17), não choveu sobre Israel, conforme havia dito o profeta, tendo voltado a chover só depois de o mesmo profeta ter pedido a Deus que chovesse, o que se deu somente após o desafio lançado por ele contra os profetas de Baal e Asera, que ele próprio matou ao fio da espada, depois de Deus ter respondido com fogo do céu à sua oração no monte Carmelo.

- Elias realizou sete milagres, a saber:
a) três anos e seis meses de seca por causa de sua palavra (I Rs.17:1)
b) multiplicação do azeite e da farinha na panela da viúva de Zarefate (I Rs.17:18-16)
c) ressurreição do filho da viúva de Zarefate (I Rs.17:17-24)
d) descida de fogo do céu em resposta à sua oração (I Rs.18:30-40)
e) chuva depois de três anos e seis meses de seca por causa de sua oração (I Rs.18:41-45)
f) descida de fogo do céu para matar os soldados que vinham lhe prender (II Rs.1:9-12)
g) travessia a seco pelo rio Jordão (II Rs.2:7,8).

- Além de ter feito milagres, Elias, ainda, presenciou e vivenciou fatos sobrenaturais em sua vida, como ser alimentado por corvos (I Rs.17:3-6), por um anjo, adquirindo força sobrenatural por 40 dias (I Rs.19:5-8), sem se falar na manifestação divina para ele quando estava na caverna (I Rs.19:9-18) e, por fim, a sua trasladação ao céu sem experimentar a morte física (II Rs.2:11).

- Elias apresenta-se, assim, como um profeta modelar, tanto que para representar os profetas foi o escolhido para, ao lado de Moisés (que representava a lei), surgir no monte da Transfiguração (Mt.17:1-9; Mc.9:1-9; Lc.9:28-36).

- Durante o ministério de Elias, surgiram outros profetas no reino do norte, pois, como o Senhor disse a Elias, ao contrário do que ele pensava, não era ele o único a servir a Deus naqueles dias tão difíceis. Micaías, que também profetizava contra Acabe, era um deles (I Rs.18:7-27), que, inclusive, profetizou a morte de Acabe e a derrota de Israel diante dos siros.

- Como já dissemos, nos dias de Elias ainda existiam as “escolas de profetas” criadas por Samuel, instituição que demonstrou todo seu vigor neste período tão difícil da história israelita, tanto que é dito que Jezabel matou profetas do Senhor, mas Obadias conseguiu preservar 100 (cem) deles, que por ele foram sustentados durante o período da seca (I Rs.18:13).

- As Escrituras relatam que um profeta, nesses dias, foi até Acabe e profetizou a vitória do rei sobre os siros por meio dos moços das províncias (I Rs.20:13,14), que também disse ao rei Acabe que os siros voltariam um ano depois (I Rs.20:22), profetizando, inclusive, nova vitória de Acabe (I Rs.20:28).

- Outro profeta é mencionado que pediu para que um companheiro seu o ferisse e, diante da recusa deste seu companheiro, profetizou que um leão o mataria, o que efetivamente ocorreu (I Rs.20:35,36). Este profeta, então, pediu que outrem o ferisse, o que foi feito e foi até Acabe, repreendendo-o por ter deixado o rei da Síria voltar em paz para sua terra após a vitória militar que havia sido profetizada (I Rs.20:38-43).

- Elias, também, foi usado por Deus para desvendar a trama que envolveu a ilícita conquista da vinha de Nabote por Acabe, como também profetizou o terrível fim que Deus daria tanto a Acabe, quanto a Jezabel e a sua descendência (I Rs.21:17-26), como também a mensagem divina a Acabe de que tudo se sucederia depois de sua morte, ante o seu arrependimento diante da mensagem precedente do profeta (I Rs.21:29). Isto nos mostra, claramente, que os profetas não eram inimigos dos governantes, mas, apenas, mensageiros de Deus.

- Numa verdadeira antecipação do que estava para vir no ministério profético em Israel, Elias foi um “precursor dos profetas escritores”, pois deixou escrita uma profecia a respeito do rei Jeorão, filho de Josafá, que foi tornada conhecida depois da trasladação de Elias ao céu, onde o profeta anuncia o trágico fim daquele rei de Judá, que se dedicara à idolatria, seguindo o exemplo de sua mãe Atalia e de sua avó Jezabel (II Cr.21:12-15).

- Eliseu, o sucessor de Elias, é outro grande nome entre os “profetas orais”. Escolhido por Deus, tudo deixou para seguir Elias e, com ele, iniciar o necessário e indispensável aprendizado para substituí-lo. Seu pedido, antes de o seu antecessor ser tomado de diante dele, foi que tivesse “porção dobrada” do espírito de Elias, o que lhe foi concedido porque viu o instante em que Elias foi arrebatado ao céu (II Rs.2:9-12). Notemos que o que se concedeu a Eliseu foi o dobro de operações divinas por seu intermédio.

- Efetivamente, se Elias fez sete milagres, Eliseu realizou quatorze milagres, um dos quais depois de sua morte, a fim de se cumprir o que lhe havia sido prometido, em mais uma demonstração de que as promessas de Deus independem da nossa sobrevivência sobre a face da Terra.

- Eis os quatorze milagres de Eliseu:
a) a travessia a seco pelo rio Jordão (II RS.2:13-15)
b) a purificação das águas (II Rs.2:19-22)
c) a morte dos que o insultavam diante de sua maldição (II Rs.2:23-25)
d) a cheia das cisternas no deserto sem que houvesse chuva (II Rs.2:17-20)
e) a multiplicação do azeite na botija na casa da viúva de um dos filhos dos profetas (II Rs.4:2-7)
f) a abertura da madre sunamita (II Rs.4:14-17)
g) a ressurreição do filho da sunamita (II Rs.4:23-37)
h) a retirada da morte que havia na panela (II Rs.4:28-41)
i) a multiplicação dos pães para alimentar cem homens (II Rs.4:42-44)
j) a cura da lepra de Naamã (II Rs.5:1-14)
k) a imposição da lepra de Naamã a Geazi (II Rs.5:25-27)
l)  a flutuação do machado que caíra n a água (II Rs.6:1-7)
m) a imposição de cegueira ao exército da Síria, levando-os até Samaria (II Rs.6:18,19)
n) a ressurreição de um homem jogado no sepulcro de Eliseu e que tocou seus ossos (II Rs.13:21).

- Um dos filhos dos profetas, chamado de jovem profeta, foi incumbido por Eliseu de ungir a Jeú como rei de Israel e, ao ungi-lo, repetiu a profecia de Elias a respeito da casa de Acabe e de Jezabel (II Rs.9:1-10), motivo pelo qual é dito nas Escrituras que Elias ungiria a Jeú (I Rs.19:15,16), pois, na verdade, não o fez fisicamente, mas, no ato da unção, foi reafirmada a mensagem que Elias havia proferido a respeito da casa de Acabe. Aliás, o próprio Eliseu havia anunciado que Hazael reinaria sobre a Síria, mensagem que deu também em cumprimento ao que Deus havia dito por intermédio de Elias (II Rs.8:7-13).

-Em Judá, nos dias de Elias e de Eliseu, a atividade profética prosseguiu, máxime no reinado de Josafá, um rei fiel ao Senhor. Deus usou Jaaziel para profetizar e dar a estratégia para a vitória sobre os inimigos que haviam ameaçado invadir o país (II Cr.20:14-17), mas também Eliezer para repreender Josafá por causa da sua aliança com Acazias, rei de Israel, inclusive profetizando o naufrágio dos navios construídos para ir a Társis (II Rs.20:37)

V – PROFETAS ORAIS POSTERIORES A ELISEU

- Jeú destruiu o culto organizado de Baal e Asera que havia sido instituído por Jezabel e, assim, Israel se livrou do risco de se tornar uma “nação de Baal”, embora, lamentavelmente, não se livrasse do “pecado de Jeroboão”, que foi mantido por Jeú, motivo por que o Senhor disse a Jeú (muito provavelmente por meio de um profeta) que a sua dinastia duraria somente até a quarta geração (II Rs.10:30).

- Deve-se, também, observar que Eliseu, já doente da doença de que iria morrer (numa prova bíblica de que pessoas fiéis a Deus não são imunes à doença como defende a falsa teologia da confissão positiva), ainda profetizouao rei Jeoás, filho de Jeú, dizendo-lhe que, por três vezes, venceria o rei da Síria, mas não o destruiria por falta de fé (II Rs.13:14-19).

- Em Judá, após a dura repreensão que Jeú, filho de Hanani (não confundir com o rei Jeú) havia dado a Josafá, como já dissemos, um escrito do profeta Elias chega a conhecimento de Jeorão, que sucedera a Josafá, dando-lhe notícia de seu trágico fim. Judá também sofreria com o culto a Baal e Asera trazidos por Jezabel, pois Josafá havia se casado com Atalia, filha de Acabe, que, inclusive, subiria ao trono, depois das mortes de seus dois filhos, Jeorão e Acazias (II Rs.11:1-3).

- O sumo sacerdote Jeoiada foi usado por Deus para restaurar o culto ao Senhor e para exterminar a casa de Acabe e o culto a Baal em Judá, tendo entronizado a Joás, o único filho de Josafá que havia sobrevivido à matança efetuada por Atalia. Durante os dias de Jeoiada, Joás serviu ao Senhor e, por isso, profetas não se levantaram. No entanto, após a morte do sumo sacerdote, Joás se desviou e Deus começou a levantar profetas para exortar o rei e o povo (II Cr.24:19), em especial a Zacarias, filho de Jeoiada, que, por ter profetizado contra o rei, foi morto no pátio da casa do Senhor (II Cr.24:20-22), sendo o o último relato de uma morte por causa do nome do Senhor no Antigo Testamento, na ordem estabelecida no cânon judaico, motivo por que é ele mencionado como o rastro final da “linha de sangue de martírio” mencionada por Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Mt.23:35).

- Nota-se, pois, uma acelerada apostasia por parte tanto de Israel quanto de Judá, o que tornou necessária a redução a escrito das mensagens proféticas, para que fossem conhecidas das gerações vindouras, diante do estado de calamidade espiritual que se começava a viver e que levaria, primeiro o reino de Israel e, depois, o reino de Judá, à perda da Terra e, no caso do reino de Israel, à própria destruição como nação.

- Assim, já no reinado de Jeroboão II, o terceiro rei da casa de Jeú, vemos a atuação de “profetas literários”, a começar por Jonas, filho de outro profeta, Amitai, que havia profetizado, em profecia que não foi reduzida a escrito (prova de que estamos diante de um período de transição), a respeito do restabelecimento das fronteiras de Israel por parte desse rei (II Rs.14:25). Jonas teria iniciado seu ministério assim que Eliseu encerrou o seu e a tradição judaica entende que Jonas seja o filho da viúva de Zarefate que Elias teria ressuscitado.

- Depois de Jeroboão II, a situação espiritual piora sobremaneira. A casa de Jeú é substituída por uma sequência de reis que não são constituídos pela vontade do Senhor (Os.8:4), grassando também a injustiça e a corrupção, tudo relatado pelos “profetas literários” que são levantados nesse tempo: Jonas, Oseias, Joel, Amós, Miqueias, Naum e Obadias.

- Em Judá, um profeta se levantou nos dias do rei Amazias, filho de Joás, que o exortou a não lutar juntamente com o exército de Israel, diante da rejeição divina às dez tribos, tendo o rei atendido a esta exortação e sido bem sucedido por conta disto (II Cr.25:7-13).

- Entretanto, Amazias também se desviou dos caminhos do Senhor, tendo, então, sido morto e substituído por seu filho Uzias. A partir de Uzias, também Judá passa a ter “profetas literários”, como Isaías, que era da corte de Uzias, provavelmente seu parente e Miqueias. Nesse tempo, o reino de Israel é destruído e passamos a ter profetas apenas no reino de Judá.

- Em Judá, durante o período dos “profetas literários” (aos dois já mencionados acresça-se Jeremias, Habacuque e Sofonias), existiram também “profetas orais”, como a profetisa Hulda, que teve o auge de seu ministério no reinado de Josias (II Cr.34:22-28), que profetizou o cativeiro da Babilônia e a morte de Josias antes que isso acontecesse e os profetas Jigdalias e Urias, ambos mencionados como contemporâneos de Jeremias (Jr.35:4 e 26:20,21 respectivamente).

- A coexistência entre “profetas literários” e “profetas orais” pode ser explicada pelo fato de que Deus tinha muito interesse em que o povo se arrependesse de seus pecados (Jr.25:4-7), sendo certo que, em virtude da situação de apostasia vivida pelo povo judaíta, havia uma proliferação de falsos profetas nos dias finais do reino de Judá.

- Com o cativeiro, porém, não há notícia de que tenha havido “profetas orais” no meio do povo. Os profetas no cativeiro e após ele são todos “profetas literários” (Daniel, Ezequiel, Ageu, Zacarias e Malaquias). Somente com João Batista, após o “silêncio profético”, teríamos, novamente, um “profeta oral”, aquele que, aliás, seria o maior de todos os profetas do Antigo Pacto.- Lembremos, por fim, que o próprio Senhor Jesus foi um “profeta oral”, vez que nada escreveu.
                                                        Caramuru Afonso Francisco
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