24.9.10

Autoajuda ou Ajuda do Alto?

O MINISTÉRIO PROFÉTICO APÓS O ARREBATAMENTO DA IGREJA - Complemento 2 para as Lições Bíblicas 3/2010

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS - MINISTÉRIO DO BELÉM

ESTUDO DA PALAVRA DE DEUS PARA OS AMIGOS E PROFESSORES DA ESCOLA DOMINICAL (EPAPED)
BELÉM- SEDE
TERCEIRO TRIMESTRE DE 2010

TEMA –  O ministério profético na Bíblia — a voz de Deus na Terra


COMENTARISTA :  Esequias Soares


APÊNDICE Nº 2 – O MINISTÉRIO PROFÉTICO APÓS O ARREBATAMENTO DA IGREJA                      
                            A atividade profética prosseguirá mesmo após o arrebatamento da Igreja.

Texto áureo – “E ele me disse: Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas, e reis” (Ap.10:11).


INTRODUÇÃO

- Em complemento ao estudo deste trimestre, estudaremos o ministério profético após o arrebatamento da Igreja.

- A retirada da Igreja do mundo não representará o término do ministério profético. Na Grande Tribulação, haverá profetas, como também no reino milenial de Cristo, quando Israel se tornará o reino sacerdotal planejado pelo Senhor desde a entrega da lei no Sinai.

I – O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO PERÍODO DA GRANDE TRIBULAÇÃO

- Temos visto que a atividade profética se iniciou como uma resposta divina à invocação ao nome do Senhor, gesto feito por Sete ao ter seu primeiro filho, Enos (Gn.4:26), tanto que o primeiro profeta que as Escrituras nos registram é Enoque (Jd.14), o sétimo depois de Adão.

- A profecia é a comunicação de Deus aos homens e, deste modo, é uma atividade que, embora tenha por assunto a salvação, a revelação do plano de Deus à humanidade, não se esgotou com a consumação da obra redentora no Calvário.

- Tanto é assim que, mesmo depois da morte e ressurreição de Jesus, continuamos a ter a atividade profética, agora exercida pela Igreja, que foi edificada pelo Senhor Jesus (Mt.16:18), Igreja esta que tem uma missão profética, visto que é a agência do reino de Deus na Terra.

- A profecia, pois, não depende da Igreja para continuar a existir, visto que já existia antes de a Igreja surgir. Por isso, quando a Igreja for arrebatada, dando fim à dispensação da graça, a atividade profética não cessará, pois ela é independente da Igreja, embora, na atualidade, seja ela exercida pela Igreja e tão somente por ela.

- Uma das demonstrações que temos de que a atividade profética não se esgota com a Igreja é a circunstância de ainda haver profecias do Antigo Testamento que ainda não foram cumpridas, o que é suficiente para mostrar que a atividade profética suplanta o período da Igreja ou a própria Igreja. A profecia não apenas falava da salvação do homem, mas, também, da restauração de todas as coisas (At.3:21), algo que ainda não ocorreu e que ainda está para vir.

- Por isso, no dia em que Jesus vier arrebatar a Sua Igreja, pondo fim à graça, a atividade profética não será eliminada da face da Terra, prosseguirá existindo, mas, tendo em vista a retirada da Igreja, assumirá um novo perfil.

- Com o arrebatamento da Igreja, o Espírito Santo, que é a Pessoa divina que promove a comunicação de Deus com o homem, deixará de atuar de forma indiscriminada como tem sucedido desde o dia de Pentecostes. A Igreja, sobre quem foi derramado o Espírito Santo, subirá ao encontro do Senhor nos ares (I Ts.4:16,17), guiada pelo Espírito Santo, que, assim como a Igreja, anela a chegada daquele dia (Ap.22:17). Temos uma figura desta realidade na passagem bíblica do casamento de Isaque e Rebeca, pois esta foi levada ao encontro daquele por Eliezer, tipo do Espírito Santo (Gn.24:58-67).

- No entanto, o Espírito Santo não abandonará a Terra, como até alguns equivocadamente ensinam. Por primeiro, por ser Deus, Ele é onipresente e, portanto, não poderia deixar de estar na Terra. Por segundo, como a atividade profética não cessará, mesmo durante a Grande Tribulação, mister se faz que o Espírito atue, ainda que não mais indiscriminadamente, como agia na época da Igreja.

- Após o arrebatamento da Igreja, as Escrituras nos indicam que Israel conseguirá reconstruir o seu templo em Jerusalém, mediante um acordo que fará com uma grande liderança política, surgida do reerguimento do antigo Império Romano (Dn.9:26,27), acordo este que se tornará possível por causa de dois importantes fatos que alterarão a geopolítica internacional: uma grande vitória militar de Israel contra uma aliança de países liderada pela Rússia, Irã, Líbia e Turquia (Ez.38,39) e a conquista do poder no Ocidente por esta grande liderança política, neste Império Romano redivivo.

- Com a reconstrução do templo, começa a última semana das setenta semanas profetizadas por Daniel (Dn.9:24-27), bem como o período descrito em diversas passagens bíblicas, mas notadamente nos capítulos 6 a 19 de Apocalipse, conhecido como “Grande Tribulação”, um período de juízo divino sobre a Terra, que será entregue nas mãos do Anticristo e do Falso Profeta.

- Enquanto o poder político, econômico e religioso do mundo cai nas mãos da “trindade satânica” (diabo, anticristo e falso profeta), Deus providenciará que surjam profetas, cheios do Espírito Santo, que pregarão a verdade e conclamarão a humanidade ao arrependimento de seus pecados, apesar de toda a eficácia e poderio que se permitirão ao Anticristo e ao Falso Profeta (Dn.7:19-25; II Ts.2:8-12; Ap.13).

- Mesmo diante de um quadro desolador, o Senhor terá, no meio da humanidade, o Seu povo, aqueles que crerão em Jesus e alcançarão a salvação, como sendo a respiga da colheita (Lv.19:10: 23:22; Rt.2:3,15-17). O primeiro grupo mencionado é o dos cento e quarenta e quatro mil assinalados dentre as doze tribos dos filhos de Israel, israelitas que se converterão ao Senhor Jesus, muito provavelmente por causa da atividade profética que se desencadeará neste período. Estes israelitas, mencionados em Ap.7:1-8 e 14:1-5, servirão ao Senhor Jesus e se tornarão Sua propriedade, sendo as “primícias de Deus e do Cordeiro” do remanescente salvo de Israel. Estes, por terem sido assinalados pelo Senhor, parecem ser os únicos que sobreviverão ao Anticristo, já que fazem parte do Israel fiel, que será preservado (Rm.11:25,26; Ap.12:14-17).

- Boa parte dos estudiosos entende que são estes cento e quarenta e quatro mil assinalados que promoverão a pregação do evangelho do reino de que fala Mt.24:14, o que os torna profetas diante do Senhor, vez que levarão a mensagem salvadora do Evangelho, substituindo, assim, a Igreja nesta tarefa. Segundo estes estudiosos, é o trabalho destes assinalados que permitirá que nações não se dobrem ao Anticristo e possam adentrar no reino milenial de Cristo.
OBS: “…Entre os judeus salvos haverá 144.000 selados. O selo certamente é o mencionado em Ap.14:1. São representantes das tribos de Israel. Certamente dentre eles sairão missionários que levarão ao mundo a Palavra de Deus (Is.66:19). Eles substituirão a Igreja na obra de testemunhar. Deus nunca ficou sem testemunho, nem mesmo durante a apostasia de Israel (I RS.19:18,19; Rm.11:5)…” (HERMEL, João Maria.Escatologia. In:  Apostila da 62ª EBO da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém, 2008. p.62).

- O segundo grupo é o dos “santos do Altíssimo”, aqueles que crerão em Jesus na Grande Tribulação, mas não pertencem ao remanescente de Israel e que, por isso, mesmo tendo crido em Jesus, acabarão sendo vencidos pelo Anticristo e mortos como mártires (Dn.7:25; Ap.6:2,9-11; 7:14-17).

- Mas, como se formará este povo que serve e crê em Jesus, se a Igreja foi arrebatada e não se pode ter salvação a não ser crendo em Jesus Cristo (At.4:12), fé esta que vem pelo ouvir pela palavra de Deus (Rm.10:17) e pelo convencimento do Espírito Santo (Jo.16:8)?

- Porque, após o arrebatamento da Igreja, Deus levantará duas testemunhas, dois profetas que, por três anos e meio, durante a primeira parte da Grande Tribulação, serão os porta-vozes de Deus sobre a face da Terra, anunciando que Jesus arrebatou a Igreja e que se está diante de um período de juízo sobre a humanidade que, se não se arrepender, será destruída. Estas duas testemunhas são mencionadas em Ap.11:1-14.

- As duas testemunhas profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, ou seja, três anos e meio, vestidas de saco (Ap.11:3), ou seja, transmitirão uma mensagem de arrependimento e confissão dos pecados, indicando o juízo divino, que não tardará. Sua pregação se dará num momento extremamente difícil para que se dê crédito à pregação, pois se estará num período de aparente paz no mundo, inclusive com o judaísmo a todo vapor, diante do restabelecimento do templo em Jerusalém.
OBS: “…Estas passagens bíblicas [I Ts.5:3; Ap.6:2, observações nossas] falam da paz e prosperidade que a terra experimentará no princípio do governo centralizado da Besta (Dn.11.36). Ela convencerá o mundo de que acaba de rariar a era da paz e do progresso com que a humanidade sonhava. A política, a religião, a economia e a ciência serão suas metas principais. A ciência atingirá um ponto nunca alcançado. Todo esse progresso será falso, porque será superficial e porque durará pouco. Logo depois, a Besta revelará seu verdadeiro caráter maligno, ao mesmo tempo em que os juízos desencadeados do Céu, sob os selos, trombetas e as taças do Apocalipse, capítulos 6 a 18, porão tudo a descoberto, mostrando que as multidões foram totalmente iludidas…” (HERMEL, João Maria. op.cit., p.61).

- Verdade é que esta “aparente paz” é enganosa, visto que as Escrituras nos mostram que, mesmo durante o primeiro período da Grande Tribulação, teremos a intensificação de todas as mazelas que hoje já vivemos, no chamado “princípio das dores”, consoante nos mostram os selos do capítulo 6 do livro do Apocalipse.

- Estes profetas serão levantados por Deus com grande poder, pois terão de enfrentar o Anticristo e o Falso Profeta, desmascarando-lhes. São chamados de “as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante de Deus na Terra”(Ap.11:4), razão pela qual há estudiosos que entendem tratar-se de Enoque e de Elias, dois profetas que não provaram a morte e que estariam sendo preservados pelo Senhor para esta missão do final dos tempos. Sem adentrar em especulações quanto à identidade de tais profetas, o certo é que, como afirma o pastor José Serafim de Oliveira, “…Deus enviará duas testemunhas durante o governo do anticristo para confortar o Seu povo, os judeus. Estas duas testemunhas serão dois homens cheios do Espírito Santo, que Deus levantará nesta ocasião para resistirem o anticristo e pregarem a Palavra de Deus, cujos ministérios serão semelhantes aos ministérios de Moisés e de Elias.…” (SERAFIM, José. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.68).

- Durante o período de ministério destes homens, eles não conseguirão ser vencidos pelos seus adversários. Todos quantos se levantarem contra ele serão mortos (Ap.11:5) e terão eles a autoridade do Espírito Santo em suas mensagens. Além da autoridade do Espírito, que levará muitos à conversão, também farão sinais e prodígios, inclusive impondo, a exemplo de Elias, seca no período de sua profecia e poder para converter a água em sangue, a exemplo de Moisés, podendo, também, ferir a terra com tantas pragas quantas quiserem (Ap.11:6).

- Notamos, pois, que, ao contrário do que ocorre na atualidade, o Espírito Santo não será derramado entre o povo de Deus. Durante o tempo da profecia destas duas testemunhas, terão eles o Espírito Santo, serão eles os propagadores da mensagem do Evangelho, o veículo para a comunicação de Deus com o homem. Voltamos, assim, ao que havia antes da Igreja, quando, em Israel, Deus Se comunicava com o Seu povo através dos profetas. Exceção serão apenas os 144.000 assinalados, as primícias do remanescente fiel de Israel.

- Embora nada lhes possa fazer mal durante o tempo de seus ministérios, as duas testemunhas não poderão impedir o martírio dos “santos do Altíssimo”, daqueles que crerem em suas mensagens ou da dos 144.000 assinalados e se converterem a Cristo Jesus. Todos estes serão vencidos pelo Anticristo e mortos (Ap.13:10). Não serão salvos, como bem explica o pastor José Serafim, pela sua morte, pois a morte não traz salvação alguma, mas serão mortos por terem sido salvos pela graça, por terem crido em Jesus.
OBS: “…Foram perseguidos e mortos pelo anticristo por não negarem a sua fé. Lavaram as vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Não foram salvos pelo seu próprio sangue, como alguns ensinam. Foram salvos pela graça. Só o sangue de Jesus purifica e torna o pecador apto para entrar na presença de Deus.…” (SERAFIM, José. op.cit., p.53).

- Terminado, porém, o tempo do seu ministério (três anos e meio), o Anticristo coroará a sua vitória sobre os santos matando as duas testemunhas (Ap.11:7). Este seu ato, que se seguirá à sua “falsa ressurreição” (Ap.13:3), confirmará, aos olhos de toda a terra, de que o Anticristo é um deus e que merece ser adorado. O Falso Profeta, que também fará sinais, fazendo até descer fogo do céu (muito provavelmente para se contrapor aos sinais das duas testemunhas, que, como Elias, haviam fechado o céu para que não chovesse), também levará o povo a reconhecer o Anticristo como “deus”, instituindo, assim, o culto ao Anticristo, para o que convergirão todas as religiões até então existentes, salvo o judaísmo, que com isto não concordará (Ap.13:13-15).

- Com a morte das duas testemunhas pelo Anticristo, são calados estes dois profetas, que passam a ser “troféus” das duas bestas, tendo seus corpos expostos em Jerusalém, que se tornará a sede do culto ao Anticristo (Ap.11:8-10), diante da profanação do templo por ele, que se dará concomitantemente (Dn.9:27; 11:31; Mt.24:15). Estarão ali para “provar” a deidade do Anticristo e a circunstância de que o Falso Profeta proclama a “religião verdadeira”.
OBS: É interessante anotar que, na escatologia islâmica, há a crença de, pouco antes do dia do julgamento, haverá três profetas. Um deles, falso, chamado de “Al-Dajjal“, que será desmascarado por “Mahdi”, um profeta que, juntamente com “Isa” (que é Jesus), que retornará, vencerá “Al-Dajjal” numa batalha.

- Estes profetas, porém, ressuscitarão, ao final do período da Grande Tribulação, ou seja, três anos e meio depois de sua morte, num grande sinal e prodígio que testemunhará a iminência da derrota do Anticristo e do Falso Profeta, encontrando-se com o Senhor nos ares, quando este, acompanhado da Igreja, retornar das bodas do Cordeiro para a batalha do Armagedom (Ap.11:11-13; 19:11-21), retorno, aliás, que foi profetizado pelo primeiro profeta, Enoque (Jd.14).

- Após a morte das duas testemunhas, inicia-se o pior período da Grande Tribulação, onde os juízos divinos serão derramados sobre a Terra, com a preservação tão só do remanescente fiel de Israel.

- Mas, diante da cessação do ministério profético das duas testemunhas e da circunstância de que o Israel fiel ir para o deserto, acuado, sem condição alguma de propagar a mensagem do Evangelho (Ap.12:12-17), teremos a cessação da atividade profética durante a segunda metade da Grande Tribulação, numa situação similar ao “silêncio profético” entre Malaquias e João Batista?

- A resposta é negativa. Em Ap.14:6-11, é dito que três anjos trarão mensagens aos homens, a respeito do juízo de Deus, conclamando-os a temer a Deus e lhe darem glória e a recusarem o sinal da besta para que não sofressem os juízos divinos. Vemos, pois, que a comunicação de Deus com os homens não cessará, não haverá novo “silêncio profético”. Deus calou-Se porque estava para vir a salvação, mas, agora, que está para vir o juízo, a destruição, Sua misericórdia e amor O impedem de ficar calado. Aliás, foi esta a mensagem deixada pelo último profeta antes do “silêncio profético interbíblico”, Malaquias: “Eis que vos envio o profeta Elias, antes que venha o dia grande e terrível do Senhor; e converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que Eu não venha e fira a terra com maldição” (Ml.4:5,6). Ou seja: Deus sempre abre uma oportunidade antes do juízo. Aleluia!

- Assim como antes do dilúvio, levantou Noé para pregoar a justiça (II Pe.2:5); antes da destruição do reino de Israel (o reino das dez tribos do norte), levantou Oseias para mostrar o Seu amor para com Israel (Os.1) e, antes da destruição do templo e de Jerusalém, levantou Jeremias em Judá (Jr.1), também anunciará uma mensagem às nações antes que desfira o golpe final de juízo sobre os impenitentes da Grande Tribulação.
OBS: Segundo alguns estudiosos, aliás, os 144.000 assinalados estarão em pleno trabalho de evangelização neste período, o que, também, afasta a hipótese de “silêncio profético” nessa época.

- Muito se discute se se trata aqui de anjos, que pregariam esta mensagem, ou, então, se tais anjos são mensageiros humanos, novos profetas que serão levantados neste período. Os estudiosos dividem-se. O pastor José Serafim entende tratar-se de mensageiros celestiais, o que faz sentido, diante da inexistência de pessoas que sirvam a Deus fora do remanescente fiel de Israel, grande parte deles encurralado nos montes do deserto da Judeia. Será esta mensagem, porém, que levará ou ajudará a levar algumas nações a não se voltarem contra Israel, o que lhes permitirá a entrada no reino milenial de Cristo (Mt.25:31-46).

II – O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO REINO MILENIAL DE CRISTO

- A Grande Tribulação termina com a vitória de Jesus sobre os exércitos do Anticristo e do Falso Profeta que, congregados no vale do Armagedom, estarão prontos para exterminar o remanescente fiel de Israel, que se encontrará entrincheirado nos montes da Judeia (Jl.3:11-21).

- O Senhor Jesus, sete anos após o pacto entre o Anticristo e Israel, surgirá glorioso nas nuvens, com a Igreja, e pessoalmente tratará de trazer livramento e salvação a Israel (Is.63:1-6; Ap.19:11-21). Os israelitas remanescentes, ao verem o Senhor nos ares, O aceitarão como o Messias, convertendo-se ao Senhor Jesus (Zc.12:8-13:6).

- Diante desta conversão, Israel receberá o Espírito Santo, que será derramado sobre toda a nação, ocorrendo, assim, o cumprimento cabal da profecia de Joel, que só foi parcialmente cumprida no dia de Pentecostes (Jl.2:28-32). Com a palavra o pastor João Maria Hermel: “…Israel buscará a Deus, começando assim o derramamento do Espírito Santo. Vejamos isso na profecia de Joel 2.20, o Senhor destroçando os invasores e em Joel 2.28, a promessa do derramamento do Espírito Santo. Essa promessa teve cumprimento parcial no Dia de Pentecostes (At.2.16,17) e terá pleno cumprimento onde muitos judeus serão salvos. Uma evidência é que no Dia de Pentecostes não se cumpriram os sinais preditos em Joel 2.30,31, o que ocorrerá somente durante a Grande Tribulação (Mt.24.29; Ap.6.12-14; At.2.19,20).…” (op.cit., p.62).

- Este derramamento do Espírito Santo sobre todo o povo de Israel cumprirá o desejo manifestado por Moisés a Josué: “…Tomara que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o Seu Espírito!” (Nm.11:29b). Por isso, aliás, o profeta Zacarias informa que não haverá mais profetas para o povo de Israel, visto que cada um terá o Espírito Santo e não precisará mais de profetas para se chegar a Deus (Zc.13:2-5).
OBS: É interessante notar que o judaísmo entende que Israel se tornou uma nação de profetas ao passarem o Mar Vermelho, pois, então, aí, teriam tido uma experiência sobrenatural, que os capacitaram a ser profetas. “…No Egito, os judeus presenciaram ocorrências sobrenaturais, mas quando o Mar dos Juncos [O Mar Vermelho, observação nossa] se abriu ao meio, todos os judeus adquiriram a condição de profetas. Está escrito mo Midrash [interpretações não literais de textos bíblicos feitos pelos mestres judaicos desde Esdras até por volta do século IV d.C. – observação nossa] que mesmo o mais simples dos judeus ‘viu no Mar de Juncos o que não fora visto nem pelo profeta Ezequiel’(…). No sétimo e último dia de Pessach ~[Páscoa, observação nossa] todos os judeus se tornaram profetas. D’us se tornou uma realidade tão palpável que, na Canção do Mar, entoada pelo Povo Judeu em louvor a D’us por sua salvação, as crianças proclamaram: ‘Este é meu D’us!’ indicando claramente perceber a Presença Divina…” (TRÊS níveis de percepção do Divino. In: Morashá, ano XVII, mar. 2010, n.67, p.9). Este pensamento é interessante, pois nos mostra, claramente, que, a partir da experiência no Mar Vermelho, Israel foi se descredenciando para ser uma nação de profetas, já que não pôde se tornar apto para receber a promessa de Abraão, recebendo, diante disto, a lei no monte Sinai, o que explica a frustração de Moisés na sua afirmação a Josué.

- Sobre esta realidade, também, fala-nos o profeta Daniel, que, na profecia das setenta semanas, teve a revelação divina de que a profecia e a visão cessariam para o seu povo, i.e., para Israel, após setenta semanas, contadas da ordem para a reconstrução de Jerusalém. Como já dissemos supra, falta ainda uma semana para que tal se realize e esta semana findará, precisamente, no término da Grande Tribulação, com a derrota do Anticristo e do Falso Profeta pelo Senhor Jesus, na batalha do Armagedom (Dn.9:24).

- Convertido ao Senhor Jesus, Israel poderá cumprir o propósito divino de ser o reino sacerdotal e povo santo, propriedade peculiar de Deus dentre os povos (Ex.19:5,6), motivo por que as nações todas, através de Israel, adorarão ao Senhor, vindo a Jerusalém anualmente, por ocasião da Festa dos Tabernáculos (Is.66:18-23; Zc.14:16-21).

- Jesus reinará não só sobre Israel mas sobre o mundo inteiro, como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Teremos entrado no reino milenial de Cristo, estando tanto Israel quanto a Igreja a reinar com o Senhor e a exercer o papel sacerdotal (Ap.1:6,7; Is.66:21,22).

- Haverá ministério profético durante o reino milenial de Cristo? A resposta é afirmativa. Embora as Escrituras informem que não haverá mais profetas para o povo de Israel, o certo é que, na profecia de Joel, é dito que os filhos e filhas profetizarão, os mancebos terão visões e os velhos sonharão sonhos (Jl.2:28).

- Em Israel, dada a plenitude do Espírito Santo, não se fará mais necessário haver profecias, pois se estabelecerá o novo concerto, profetizado por Jeremias, onde haverá perfeita comunhão entre Cristo e Israel (Jr.31:31-34), numa dimensão toda especial, pois terão alcançado a salvação de forma definitiva (Rm.11:25-27), ainda que num patamar inferior ao da Igreja glorificada, que, a esta altura, também não mais precisará do ministério profético, pois já terá atingido, desde o arrebatamento, a perfeição (I Co.13:9,10).

- Com relação às demais nações, todavia, o ministério profético continuará sendo necessário e os profetas serão, precisamente, os israelitas, os quais prosseguirão o trabalho iniciado pelos 144.000 assinalados durante a Grande Tribulação. Como reino sacerdotal, Israel, que terá um templo em Jerusalém (o templo descrito por Ezequiel, nos capítulos 40 a 46), organizará o culto ao Senhor, mas, também, como propriedade peculiar dentre os povos, será a nação de profetas almejada por Moisés, levando o conhecimento de Deus às nações e as trazendo à adoração (Is.66:19).

- Por isso é dito que os filhos e as filhas dos israelitas profetizarão, que seus mancebos terão visões e que seus idosos sonharão sonhos, porquanto a eles será dado o ministério profético durante o milênio. Israel não só oferecerá sacrifício das nações a Deus, como também promoverá o conhecimento da verdade a todas as nações, comunicando-lhes a vontade de Deus.

- Ao término do milênio, quando Satanás for solto, far-se-á a grande opção daquela geração longeva de todas as nações e muitos, apesar de tudo quanto ouviram da parte do Senhor, serão enganados pelo inimigo e destruídos na rebelião final (Ap.20:7-10).

- Só, então, quando passarem estes céus e terra (Ap.20:11; 21:1), cessará o ministério profético, sobrevindo, então, o juízo do trono branco (Ap.20:12-15). Após este julgamento, com o fim da história, todos os homens que creram em Cristo Jesus desfrutarão da dimensão eterna, onde não será mais necessária a profecia, visto que todos estarão em plena comunhão com o Senhor (Ap.21:3).

- Notemos, por fim, que, a partir da complementação das Escrituras, todos os profetas são orais, não reduzem a escrito suas mensagens, visto que as Escrituras se completaram (Ap.22:18,19).



                                                        Caramuru Afonso Francisco

20.9.10

Para treze supostos motivos, uma única razão para não votar em Dilma: a Verdade (Final)

                                                                     
      GIBEÁ*


                                      Continuemos a analisar a cartilha da campanha da sra. Dilma Roussef com a qual pretende convencer os evangélicos a votar nela para Presidente da República Federativa do Brasil.

                                      Até o momento, já analisamos oito motivos e nenhum deles nos permitiu ter outra conclusão senão a de que não podemos votar em Dilma como servos do Senhor.

                                      Prossigamos a análise da cartilha, cujos dizeres transcrevemos literalmente:

Nono suposto motivo: “ Como Lula, tem sua liderança legitimada pelo apoio de todos os segmentos sociais, tanto de trabalhadores como dos segmentos industrializados e do mercado financeiro”

                            Lula somente obteve a legitimação dos segmentos industrializados (sic) e do mercado financeiro depois que resolveu abrir mão do programa de governo que havia sido aprovado pelo PT em 2002 e, depois de 30 anos, aceitado manter a economia de mercado e a democracia no Brasil, na famosa “Carta ao povo brasileiro”.

                            Agora, oito anos depois, Dilma recebe mais do que o dobro de doações dos setores industriais e do mercado financeiro para a sua campanha, sinal de que o governo Lula favoreceu grandemente as classes empresariais do país, como, aliás, já dissemos supra.

                            No entanto, Dilma não tem a mesma legitimidade. Esta cartilha é uma prova disto, pois diversas lideranças religiosas têm se posicionado contra sua candidatura, exatamente porque o programa de governo do PT e a própria orientação do governo Lula tem sido contrária ao Evangelho. Os segmentos religiosos cristãos, evangélicos e católicos, têm se posicionado contra as propostas de Dilma por serem contrárias à doutrina cristã.

                            De igual modo, a comunidade judaica tem, também, se posicionado contra Dilma, principalmente por causa da desastrosa política que o governo Lula tem realizado contra Israel e a favor de governos marcadamente contrários ao povo judeu, como o Irã e Venezuela.

                            Vemos, assim, que, ao contrário do que se afirma, Dilma não tem a mesma legitimidade de Lula e, o que é pior, ao contrário de Lula não abriu mão do programa de governo do PT mas, como temos visto nesta análise, mantém inalteradas as resoluções e propostas do partido.

                            Assim, se, ao contrário de Lula, não houve qualquer mudança de Dilma em relação às propostas radicais do PT, agora voltadas contra a doutrina cristã, por que teríamos de votar nela?

                            Além do mais, como já dissemos supra, a concentração de renda e a forma como o país está se desenvolvendo, pondo em risco a democracia e a liberdade de culto e de crença, não nos permite apoiar Dilma.

                            Por não ter a mesma legitimidade, o cristão não pode votar em Dilma.

                            Como se não bastasse isso, Lula é conhecido como um conciliador, tendo, em diversas oportunidades, mesmo quando quase foi alvo de um “impeachment”, por causa do “escândalo do mensalão”, se notabilizado como um político que conversa e que sabe negociar.

                            Dilma, ao contrário, principalmente depois que assumiu o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, sempre teve um comportamento autoritário, avessa a acordos e a conciliações, revelando, assim, uma conduta que, certamente, trará instabilidade político-institucional, mormente num país cujo sistema depende muito do Presidente da República.

                            Dilma não revela ter a necessária sabedoria para governar nosso país, o que deve ser levado em conta por um cristão que sabe a importância de o governante ser hábil e mais dado a ouvir do que a falar ou brigar. Afinal de contas, ainda guardamos na memória a eleição de Fernando Collor para a Presidência da República, que, assim como Dilma, não tinha experiência de diálogo nem humildade para ouvir.

Décimo suposto motivo: “ Como líder, Dilma cresce a cada dia. É visível sua força interior e a inspiração com que, como pessoa, Dilma tem demonstrado em sua trajetória pessoal e profissional.
                                      Os obstáculos e os golpes da vida nunca a fizeram esmorecer nem desistir, apenas criaram mais motivação e esperança para lutar”.

                            A campanha de Dilma desmente tudo quanto se diz neste suposto motivo. Desde que começou a campanha, a candidata somente aparece em comícios ao lado do Presidente Lula. Suas entrevistas para a imprensa são feitas à distância dos jornalistas, respondendo ela apenas o que lhe convém, pois as perguntas são feitas sem microfone, já que os microfones são juntados num local distante.

                            O esquema de segurança de Dilma a mantém longe do povo, dos políticos e dos repórteres e, principalmente após as denúncias de quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato da oposição, ela nem sequer responde aos ataques, tarefa deixada para o seu “padrinho político”.

                            Como se não bastasse, descobriu-se que usa um “ponto eletrônico”, sinal de que o pouco que fala ainda pode ser dito por alguém que está à distância para orientá-la. Além do mais, faltou ao debate marcado pelas emissoras católicas, onde teria a oportunidade de ser mais clara e aprofundar os temas que interessam aos cristãos nesta campanha eleitoral.

                            Como, então, dizer que uma pessoa que se esconde “cresce como líder a cada dia”?

                            Como dizer que “é visível sua força interior”, se nem mesmo o exterior, que é o que o ser humano vê (I Samuel 16:7), pode ser visto e analisado?

                            Dilma era e continua sendo uma ilustre desconhecida e não pode um cristão julgar segundo a aparência (João 7:24), motivo por que não pode votar em uma pessoa que se esconde, até porque as primeiras pessoas que se escondem na história sagrada são pessoas que desobedeceram a Deus (Gênesis 3:8). Jesus nunca Se escondeu.

Décimo primeiro suposto motivo: “ Dilma é firme, sabe comandar e fará a máquina pública andar! Que tem responsabilidades na gestão de pessoas, tanto na área pública, quanto na área privada, sabe como é difícil “fazer o processo andar” e se tornar produtivo.”

                            Dilma é apresentada pelo Presidente Lula como a “mãe do PAC”, ou seja, desde que assumiu o cargo de ministra-chefe da Casa Civil, assumiu a função de “gerente do governo Lula” e sob sua responsabilidade direta foram postos dois importantes programas do governo, o “Programa de Aceleração do Crescimento” (PAC)  e o programa “Minha casa, minha vida”. Também, antes, quando era ministra das Minas e Energia, teria sido responsável pelo programa “Luz para Todos”.

                            Pois bem, o PAC, gerido pela ministra Dilma, não é prova de que a ministra é firme em comandar e sabe fazer a máquina pública andar. Num balanço que ela própria fez publicamente, alegou que havia ocorrido o cumprimento de 40% (quarenta por cento) das metas estabelecidas, o que já seria um patamar insuficiente. No entanto, como mostrou o jornal Folha de São Paulo, este balanço não correspondia à verdade e as metas do PAC não atingiram 25% de cumprimento, pois “três de cada quatro obras estão atrasadas” (Maquiagem camufla os atrasos nas obras do PAC. Disponível em: http://www.forumdaconstrucao.com.br/conteudo.php?a=33&Cod=678 Acesso em 09 set. 2010).

                            Percebe-se, pois, que o programa está longe de ser a demonstração da capacidade de Dilma em comandar a máquina pública federal, além do que nos mostra que Dilma não teve qualquer prurido para apresentar à sociedade uma maquiagem de dados, o que não se coaduna como o comportamento que se espera de uma autoridade, da maior autoridade da República.

                            
O programa “Minha casa, minha vida”, outro programa deixado sob a supervisão de Dilma, não é diferente. Até agosto, menos de 1% (um por cento) do prometido havia sido cumprido. Será isto demonstração de capacidade de comando? Parece-nos que não (Minha casa: menos de 1% da meta. Disponível em: http://gilvanmelo.blogspot.com/2010/08/minha-casa-menos-de-1-da-meta.html Acesso em 09 set. 2010).

                            E o programa “Luz para todos”?  Apesar de o programa ter previsão para terminar em dezembro de 2010, até agora, este ano, para as 74 mil ligações mensais que deveria estar fazendo, faz apenas 30 mil em média e, portanto, o programa não deverá ter seu cumprimento (Luz para todos termina sem cumprir metas. Disponível em: http://www.comerciodojahu.com.br/novo/Nacional%20/LUZ+PARA+TODOS+TERMINA+SEM+TER+CUMPRIDO+META.html Acesso em 09 set. 2010).

                            Três programas, três fracassos. Como votar em Dilma com este histórico?

Décimo segundo suposto motivo: “ É humilde e conhece o sofrimento, a dor e a necessidade do ser humano”.

                            Mais um motivo que não traz qualquer fator que nos permita sequer raciocinar como Dilma tem mostrado isto. Dilma, ao contrário de Lula, não é de família pobre, portanto não passou sofrimento nem necessidades durante a vida. Suas palavras, já analisadas neste estudo, demonstram arrogância, assim como seu comportamento durante a campanha e, mesmo, durante o governo, pois seus colegas de ministério e os políticos dizem ser ela extremamente autoritária, de gênio forte e sem qualquer amabilidade.

                            Seu passado como participante da luta armada e as operações de que participou não nos permitem dizer que ela conheça ou se comova com o sofrimento, a dor e a necessidade do ser humano, pois matou e organizou matanças que não demonstram qualquer sentimento desta natureza e, como ela própria diz, não se arrepende de nada que fez.

                            Portanto, diante de sua vida, sua história e seu presente, não há como votarmos em Dilma por causa de humildade, compaixão ou algo similar.


Décimo terceiro suposto motivo: “ Acredito em seu compromisso com a democracia e com o estado democrático de direito.
                                               O povo soube escolher um metalúrgico e aclamá-lo como presidente da República, passando por cima de preconceitos e sofismas criados pela elite brasileira. E a história nos mostra que o povo acertou! Ao olhar para traz(sic), vemos um Brasil que ESTÁ DANDO CERTO!
                                               Deixe o Brasil continuar nesse caminho! Vamos votar e apoiar DILMA ROUSSEF como a primeira mulher na Presidência da República!
                                                           Vamos seguir em frente e ter a coragem de mais uma vez quebrar os preconceitos e avançar na direção que estamos seguindo com a ajuda e bênção de Deus.
                                               TIME QUE ESTÁ GANHANDO NÃO MUDA!
                                              
Por tudo isto VOTO EM DILMA PARA PRESIDENTE DO BRASIL!”


                            Este último motivo não se sustenta. Senão vejamos.

                            Dilma não mostrou qualquer compromisso com a democracia ou com o estado democrático de direito. Sua luta, durante a ditadura militar, foi para implantar, com a força das armas, o comunismo no Brasil. O artigo 1º do estatuto da última organização a que Dilma pertenceu, a VAR-Palmares, não deixa qualquer margem de dúvidas: “"A Vanguarda Armada Revolucionária-Palmares é uma organização político-militar de caráter partidário, marxista-leninista, que se propõe a cumprir todas as tarefas da guerra revolucionária e da construção do Partido da Classe Operária, com o objetivo de tomar o poder e construir o socialismo." (BLOG do Weiss. Ficha pode ser falsa. Mas a Biografia é de verdade. Disponível em: http://blogdoweiss.blogspot.com/2009/05/ficha-pode-ser-falsa-mas-biografia-e-de.html Acesso em 10 set. 2010) (grifo original).

                            Não vemos Dilma, como já se disse antes, lutando sem armas para a redemocratização do Brasil, por exemplo, nas campanhas das diretas-já, como vimos, aliás, Lula, cujas greves no ABC não eram violentas, diga-se de passagem.

                            Pelo contrário, Dilma inclusive mandou para o Tribunal Superior Eleitoral o programa do PT, que contém diversas medidas antidemocráticas, como apoiou o PNDH-3, que, inclusive, é uma ameaça não só à democracia, mas à própria liberdade de culto e de crença.

                            O Foro de São Paulo, organização criada pelo PT e que reúne os partidos de esquerda da América Latina, defende que o governo Dilma seja o momento em que a “condição de governo” seja transformada em “condição de poder”, ou seja, há nítido interesse em, no Brasil, repetir-se a falta de democracia que já existe na Venezuela de Hugo Chávez.

                            Foi o que se discutiu e aprovou em seu XVI Encontro, realizado em agosto de 2010 em Buenos Aires (Disponível em: http://www.alertatotal.net/2010/08/foro-de-sao-paulo-quer-formular.html Acesso em 10 set. 2010) e foi, inclusive, explicitamente comentado pelo atual secretário-geral do Foro de São Paulo, o secretário de Relações Internacionais do PT, Válter Pomar (As várias direitas e seus planos. Disponível em: http://pagina13.org.br/?dl_name=jornalpg13/PG_13_Eletronico Acesso em 10 set. 2010).

                            Como dizer, então, que Dilma e o PT têm compromisso com a democracia? Como confiar num partido que espiona e usa os dados sigilosos de seus opositores, que já usa o governo para intimidar quem se atreve a se opor a ele, como se deu com familiares de José Serra, candidato do PSDB e com Guilherme Leal, candidato a vice-presidente na chapa de Marina Silva, candidata do PV?

                            Tenta-se, também, dizer que há um preconceito com Dilma por ela ser mulher e, assim como o brasileiro superou o preconceito de votar num operário, teria de votar em uma mulher agora.

                            É outro argumento falso. Lula só foi eleito depois de ter, por três vezes, tentado a Presidência da República. Primeiro, o povo brasileiro quis bem conhecer quem era Lula, para só então votar nele. Lula não era um desconhecido como Dilma.

                            Segundo, Lula somente foi eleito depois que convenceu a elite brasileira de que não “mexeria nela” caso fosse eleito, o que se fez com a já mencionada “Carta ao povo brasileiro”. Tanto assim é que Dilma hoje recebeu mais do que o dobro das doações dadas ao candidato da oposição.

                            Assim, não foi bem Lula quem superou os preconceitos da elite brasileira, mas Lula que resolveu ceder às pressões da elite brasileira e mudar o seu discurso e prática políticos…

                            Terceiro, o povo não votou em Lula porque ele era operário, mas porque queria mudar o grupo político que estava no poder depois de oito anos de governo.

                            Se o povo quiser votar em mulher, não precisa votar em Dilma, pois há outra mulher concorrendo à Presidência da República e que, aliás, é cristã e evangélica. Assim, dizer que se vai votar em Dilma por ser ela mulher não faz o menor sentido.

                            Dizer que o Brasil está dando certo e que devemos deixar o Brasil seguir este caminho é concordar que o Brasil continue abrindo mão dos valores cristãos, é concordar que nosso país abandone os ditames da sã doutrina no seu dia-a-dia, algo que um cristão não pode concordar, pois não podemos seguir o curso deste mundo (Efésios 2:1-3).
                           
                            Permitir que o Brasil continue a contrariar os ensinamentos do Senhor Jesus é nos posicionar contra Cristo, pois quem com Ele não ajunta, espalha (Mateus 12:30; Lucas 11:23). O verdadeiro cristão não fica do lado de “time que está ganhando”, mas do lado de Jesus.

                            Por tudo isto, o verdadeiro e genuíno cristão não vota em Dilma para Presidente do Brasil.


 * Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises - Análises – grupo informal de estudos bíblicos nascido na década de 1990 no corpo docente da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que hoje tem vida autônoma e esporádica produção.

19.9.10

Para treze supostos motivos, uma única razão para não votar em Dilma: a Verdade (II)


                                                                           GIBEÁ*



                                      Prosseguindo a análise da cartilha da campanha da candidata Dilma Roussef, “Treze motivos para o cristão votar em Dilma”, analisaremos mais alguns dos motivos que, segundo a equipe da candidata, seriam suficientes para um evangélico votar em Dilma para Presidente da República.

Quinto suposto motivo: “Dilma se comprometeu em delegar ao Congresso Nacional o debate sobre o PNDH-3, aliás, o lugar apropriado e o palco das divergências. Através dessa discussão, a sociedade encontrará a sua posição, por meio de seus representantes legítimos e eleitos para este propósito”.

                            Temos aqui um engodo já denunciado por este grupo de estudos em recente artigo, onde analisamos a entrevista do coordenador do programa de governo de Dilma, o assessor especial da Presidência da República e ex-presidente do Foro de São Paulo, Marco Aurélio Garcia.

                            O PNDH-3 é um programa de direitos humanos que foi aprovado por um decreto federal, ou seja, por uma norma de iniciativa do Presidente da República.

                            Ao dizer que deixará para o Congresso Nacional a discussão da matéria, Dilma está confessando que é favorável ao decreto (que, aliás, passou por sua análise, quando ela era ministra-chefe da Casa Civil, sem nenhuma objeção, antes de ser assinado por Lula). Se fosse realmente cristã, bastaria revogar o decreto e mandar que novos estudos fossem feitos pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que é vinculada à Presidência da República.

                            Quando diz que deixará o Congresso discutir os tema ali previstos, está apenas obedecendo ao decreto, fazendo o que o decreto manda, pois é o decreto que manda que sejam enviados projetos de lei ao Congresso para o debate de temas que não precisariam ser debatidos, como o aborto, a profissionalização da prostituição, a união homoafetiva ou a criminalização da homofobia.

                            Estivesse Dilma comprometida com a doutrina cristã, ela simplesmente prometeria revogar o decreto e mandar fazer novos estudos. Entretanto, seu compromisso é com o decreto, que, afinal de contas, apenas põe em ação o que já foi decidido pelo PT como projeto de poder, como modelo que querem impor ao Brasil.

                            Aliás, Dilma mente ao dizer que deixa ao Congresso Nacional a discussão, visto que os parlamentares do PT jamais poderão votar contrariamente aos pontos do PNDH-3, pois o PT, não só no seu IV Congresso, como também em Resolução da Direção Nacional após a escolha de Dilma como sua candidata apoiou o PNDH-3 em todos os seus termos e, portanto, nenhum deputado federal ou senador do PT poderá votar com a sua consciência nesta matéria, sob pena de expulsão do partido e perda do mandato por infidelidade partidária.

                            O PT já se definiu pela implementação do PNDH-3 e a própria Dilma está de acordo com isso, de sorte que todas as medidas anticristãs ali presentes serão apoiadas por ela que, repita-se, foi quem revisou, por força de ser ministra-chefe da Casa Civil, o decreto presidencial antes de sua assinatura pelo Presidente Lula.

                            Dilma está, portanto, faltando com a verdade ao dizer que não tem posição sobre os temas do PNDH-3 e, conforme se demonstrou em artigos deste grupo de estudos, como este plano de direitos humanos ofende a doutrina cristã, temos um motivo claro para NÃO votar em Dilma: ela não se compromete em mudar o plano.


Sexto suposto motivo: “ Ela se comprometeu em fazer da família o principal foco de seu governo. Em seu discurso na Igreja Evangélica Assembleia de Deus, em Brasília, no dia 24 de julho, Dilma disse as seguintes palavras: “ Na bíblia, em várias passagens, Jesus  mostrou uma preocupação com a vida. E é essa preocupação com a vida que eu quero afirmar aqui. Eu sou a favor da vida, em todas as dimensões, em todos os sentidos. Sou a favor da preservação da vida. Sou a favor, também, da melhoria da vida das pessoas.”
                                 Dilma compreende que a desestruturação social é resultado da desestruturação familiar e por isto vai focar a família como vetor de suas políticas públicas. Isto coincide com a nossa posição cristã que acredita que “Um país é tão forte e sólido quanto suas famílias”.

                            Apesar das belas palavras proferidas em 24 de julho diante de líderes evangélicos que resolveram apoiá-la, o programa do PT apoia o aborto, é seu ponto programático, tanto que expulsou dois deputados federais nesta legislatura porque ousaram votar contra o projeto de lei que descriminaliza o aborto, tendo, também, a Advocacia-Geral da União, órgão de consultoria do Presidente Lula, se manifestado a favor do aborto dos fetos anencéfalos na ação que está tramitando a respeito no Supremo Tribunal Federal.

                            Este mesmo programa foi levado para o Tribunal Superior Eleitoral no início de julho, com assinaturas de Dilma, programa que foi trocado sete horas depois, quando a imprensa deu a notícia, sendo trocado por outro em que se diz que o aborto será tratado como “assunto de saúde pública”, defendendo-se os casos em que ele já é previsto por lei (como se houvesse alguma tentativa de se eliminares estes casos…).

                            O projeto que descriminaliza o aborto, apesar de ter sido rejeitado na Comissão de Família da Câmara dos Deputados, por iniciativa do deputado José Genoíno, ex-presidente do PT, não foi arquivado e mandado para votação no plenário, votação que até hoje não se deu porque o candidato a vice-presidente de Dilma, Michel Temer, não põe em votação, visto que se espera que se crie uma maioria parlamentar favorável ao aborto, que hoje não existe.

                            O PNDH-3, como se disse, prevê a descriminalização do aborto. Isto é ser favorável à preservação da vida? Parece-nos que não. Aliás, Dilma nem sequer prometeu vetar o projeto de lei do aborto se ele for aprovado no Congresso, até porque, se o fizer, poderá também ser expulsa do PT e perder o mandato de Presidente da República por infidelidade partidária (como, aliás, lembram-se, aconteceu com o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que perdeu o cargo de governador porque foi expulso do DEM).

                            Recentemente, no mês de agosto, o governo brasileiro defendeu a adoção do aborto por toda a América Latina, em reunião das Nações Unidas em Brasília. A secretária da Política para as Mulheres do atual governo, Nilceia Freire, é uma das mais proeminentes defensoras do aborto, como também o ministro da Saúde, José Temporão, pessoas que trabalharam sob a coordenação de Dilma Roussef com as quais Dilma nunca teve qualquer problema de relacionamento ou discussão a respeito de seus valores (o que, por exemplo, não aconteceu com a ex-ministra Marina Silva).

                            Como se percebe, Dilma, se fosse realmente favorável à preservação da vida, ou não seria do PT ou teria retirado do programa do PT a defesa do aborto. Não fez nem uma coisa nem outra e, por conseguinte, está a tentar iludir os cristãos ao dizer que agirá em favor da vida.

                            O mesmo se diga em relação à família. Como Dilma pode dizer que terá seu foco na família, se o PT apoia a união estável de pessoas do mesmo sexo, outro ponto de seu programa e do PNDH-3, quer a profissionalização da prostituição e é o principal protagonista do Estatuto das Famílias, que, em diversos dispositivos, muda totalmente o conceito de família, dissociando-o do casamento e de outras características constantes da Bíblia Sagrada?

                            Não nos esqueçamos de que a defesa intransigente do homossexualismo, outro ponto do programa do PT, é outro ponto que enfraquece a família, algo com que Dilma não se insurge nem um pouco.

                            Ora, como cristãos, cremos que a família é uma instituição divina e cujas regras só podem ser as definidas pelo Senhor em Sua Palavra. Deste modo, ao vermos Dilma apoiando outro tipo de família, percebemos, em suas próprias palavras, que ela não percebe que a desestruturação familiar gera a desestruturação social e, portanto, por isso mesmo não podemos votar nela.

Sétimo suposto motivo: “ O governo Lula alterou o Código Civil, modificando a natureza jurídica das igrejas de Associação para Organização Religiosa. Através da lei 11.481/2007, regularizou a ocupação das áreas públicas destinadas às construções de templos e organizações filantrópicas. Demonstrou compreender o papel das igrejas, das ONG’S e Associações Sociais como parceiros do Estado para o resgate social, especialmente dos mais carentes. Aliás, apenas Dilma se posicionou claramente sobre a missão da igreja, tanto no aspecto social, quanto ético e moral”

                            Por primeiro, a referida alteração do Código Civil apenas beneficiou as lideranças religiosas que, com a consideração das igrejas como associações, tiveram limitados os seus poderes na organização interna das igrejas, o que foi evitado com a mudança do Código Civil.

                            Frise-se que o governo Lula não tomou qualquer iniciativa para que a mudança se fizesse, mas foi o corpo-a-corpo das lideranças religiosas com os parlamentares que conseguiu esta mudança, tendo o governo simplesmente não se envolvido na questão.

                            Ainda que seja verdade que o governo Lula tenha se empenhado na aprovação da medida, na época, Dilma era ministra das Minas e Energia e, portanto, não tinha como se envolver nesta questão. A mudança ocorreu em 2003, bem antes de Dilma assumir a Casa Civil. Se mérito algum houve, portanto, foi de Lula ou de José Dirceu, o então ministro da Casa Civil e todo-poderoso integrante do governo. Dilma nada teve a ver com isso.

                            Por segundo, a mencionada lei 11.481/2007 cuida da regularização de áreas públicas federais que estejam a servir de moradia para populações de baixa renda, ou estabelecimentos de uso comercial cuja área não seja superior a 250 m². Não fala, em momento algum, em templos ou locais de cultos religiosos. Disciplina a concessão de áreas urbanas para “outras modalidades de interesse social”, mas isto não significa que sejam para templos ou locais de cultos religiosos, até porque a Constituição veda que o Estado subsidie cultos religiosos e a entrega de propriedade bem pode caracterizar isto. Tem-se aqui uma grande mentira. Basta ler a lei para comprovar isto.

                            O que Dilma fez, isto sim, foi tentar, enquanto ministra-chefe da Casa Civil, aprovar o Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa, obra da Secretaria da Igualdade Racial, que pretendia promover a legalização de todos os terreiros de umbanda no Brasil (Dilma adia legalização de terreiros de umbanda para evitar crise. Disponível em: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100121/not_imp498975,0.php Acesso em 09 set. 2010).

                            Observemos que a orientação de Dilma foi deixar para depois da eleição esta legalização de terreiros, legalização, aliás, que bem pode ser implementada diante do que consta do Estatuto da Igualdade Racial sancionada recentemente pelo Presidente Lula.

                            Assim, além de não ter havido qualquer lei para legalizar áreas para igrejas, há medidas que legalizam terreiros dentro da política do PT de “promoção da cultura afro-brasileira”. Como podemos, como cristãos, votar em Dilma, diante de uma mentira e de uma verdade que mostra que ela está contrária à doutrina cristã?

                            Como se isto fosse pouco, ao mesmo tempo em que o Governo Lula é tão exigente com as entidades filantrópicas religiosas, que buscam auxiliá-lo nas políticas públicas, inclusive gerando, no exterior, a falsa ideia de que nosso país não mais precisa de ajuda para cuidar dos pobres, o que fez com que muitas entidades evangélicas perdessem a ajuda que recebiam da Europa e dos Estados Unidos, é extremamente leniente e “bonzinho” para entregar dinheiro para ONG’s dos “companheiros”, mandando milhões de reais para “cooperativas” que, na verdade, são “laranjas” do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), ou de entidades ligadas direta, ou indiretamente, a sindicatos e ao PT, onde, pelo que se sabe, são alimentados os “caixas dois” das campanhas petistas…

                            Como votar em Dilma, como cristãos, se o dinheiro que deveria ir para os pobres, vão para os corruptos? Se o dinheiro que deveria ir para os que, como cristãos, querem ajudar o próximo, vão para beneficiar políticos e militantes do PT?


Oitavo suposto motivo: “Como nós, evangélicos, ela acredita que tudo se constrói neste mundo é resultado de determinação e fé. Essas são suas palavras: “Aprendemos que tornamos o impossível em possível apenas quando nossa indignação se transforma em ação. O impossível é aquilo que a fé humana não tornou ainda possível”.


                            Não é objetivo deste artigo entrar em discussões teológicas, mas, diante da afirmação da cartilha da candidata governista, imperioso se torna adentrar nesta seara, tão somente para desmentir a afirmação de que o cristão é “pessoa que tem fé humana”.  O cristão tem fé em Deus, crê em Jesus e sabe que temos de confiar em Deus e não em nós mesmos para que obtenhamos aquilo que é da vontade do Senhor.

                            Ao dizer que “o impossível é aquilo que a fé humana não tornou ainda possível’, Dilma mostra um raciocínio humanista, anticristão, visto que deixa Deus completamente à margem das realizações, um argumento que muito mais se assemelha à mentira satânica contada ao primeiro casal do que ao Evangelho de Jesus Cristo, que nos manda crer no Senhor Jesus Cristo para que sejamos salvos (Atos 16:31).

                            Uma autoridade tem de reconhecer que é constituída por Deus, que não é “toda-poderosa”, sob pena de incorrer no mesmo erro de Nabucodonosor, que foi duramente punido pelo Senhor por causa de sua arrogância (Daniel 4:28-33), o que causou danos a toda Babilônia. Como, então, como cristãos, podemos aceitar alguém que defenda a mesma independência em relação a Deus?

                            Como evangélicos, nós cremos em Jesus Cristo e que temos de tudo fazer segundo a vontade de Deus, com determinação, mas sempre em submissão ao Senhor.

                            Como evangélicos, não podemos votar em Dilma, já que ela entende que o impossível independe de Deus.

                            Num próximo artigo, seguiremos analisando os motivos que, até o momento, fazem com que os evangélicos não votem em Dilma.






 * Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises - Análises – grupo informal de estudos bíblicos nascido na década de 1990 no corpo docente da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que hoje tem vida autônoma e esporádica produção.
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