29.10.10

Sérgio Paulo Gomes de Abreu, Fundador e Primeiro Coordenador do Portal Escola Dominical – Um Batalhador pelo Ensino da Palavra de Deus


                                                                                  Caramuru Afonso Francisco*

 No último dia 26 de outubro, o Senhor promoveu para a glória o irmão Sérgio Paulo Gomes de Abreu, coordenador do Portal Escola Dominical e presidente da Associação para a Promoção do Ensino Bíblico.

O irmão Sérgio Paulo Gomes de Abreu nasceu em 18 de dezembro de 1948, em Santos/SP, filho de um casal de membros das Assembleias de Deus em Santos/SP, onde seu pai era o maestro da orquestra. Desde cedo, o infante Sérgio Paulo dedicou-se à música e ao louvor, tendo, ainda na juventude, assumido a regência da orquestra da Assembleia de Deus em Santos/SP.

Casou-se com a irmã Celeste Bileski, com quem teve três filhos: Noemi, Rachel e Igor.

Estudou Matemática na USP, não chegando a concluir seu curso diante do vertiginoso crescimento profissional, atuando na área de tecnologia da informação e de marketing, tornando-se executivo de importante empresa multinacional, tendo, inclusive, morado na França durante algum tempo.

De volta ao Brasil, fixou residência, com sua mulher, em São Paulo/SP, passando a frequentar a Assembleia de Deus do Belenzinho, onde cooperou muitos anos como violinista na orquestra daquela igreja, tendo, no final da década de 1990, assumido a Diretoria da Escola de Música da Associação Jahn Sorheim, a entidade que congrega os músicos da Assembleia de Deus – Ministério do Belém.

Incomodado com a indiferença da Igreja frente ao avanço da tecnologia, principalmente com o advento da internet, que Sérgio Paulo viu nascer, envolvido que estava com a tecnologia da informação, juntamente com o irmão André Bérgsten, neto do saudoso missionário Eurico Bérgsten, fizeram, às suas expensas, o primeiro “site’ da Assembleia de Deus do Belenzinho e iniciaram o projeto do Portal Escola Dominical, com o intuito de aproveitar o potencial da internet para aprimoramento dos professores da Escola Bíblica Dominical não só da Igreja no Brasil, mas em todo o mundo.

O Portal Escola Dominical iniciou suas atividades em janeiro de 2001, tendo, quando saiu do ar por problemas econômico-financeiros em 2008, um acesso médio diário de mais de 3.000 (três mil) pessoas, tendo sido, desde então, um poderoso instrumento de apoio para as Escolas Bíblicas Dominicais de todo o mundo. Há testemunhos comoventes de como o Portal Escola Dominical foi instrumento indispensável para o ensino da Palavra de Deus em lugares afastados da África, como as selvas em Angola, ou para comunidades brasileiras isoladas em países do Primeiro Mundo, como o Japão.

No Portal Escola Dominical, o irmão Sérgio Paulo Gomes de Abreu demonstrou todo o seu amor a Deus e à Sua Palavra, tendo, apesar dos inúmeros e grandes problemas particulares vivenciados (em 2001, Sérgio Paulo ficou desempregado, não passando, desde então, a ter um rendimento estável), mantido, às suas próprias custas e com imenso sacrifício seu e de sua família, o trabalho até 2008, quando, sem nenhuma condição mais de manter o site no ar, continuou o trabalho do Portal, mas através do encaminhamento de e-mails.

Cabe aqui registrar, aliás, as inspiradas e bem lançadas palavras de outro grande nome da EBD no Brasil, o irmão Luiz Henrique de Almeida Silva, das Assembleias de Deus em Imperatriz/MA, que, por ocasião das condolências à família enlutada, assim se manifestou: “Perdemos um dos maiores entusiastas da EBD no Brasil, esforçado e zeloso pela obra de DEUS. DEUS nos console a todos e faça com que todos reflitam sobre a falta de ajuda que os dedicados servos de DEUS sentem por parte de seus alunos na labuta do ensino. DEUS possa consolar os inconsoláveis”.

Além do Portal Escola Dominical, dentro desta linha de defesa da Palavra e de realização concreta dos desígnios divinos da Palavra de Deus entre os homens, o irmão Sérgio Paulo Gomes de Abreu também se envolveu no trabalho da ADHONEP, tendo sido Vice-Presidente do Capítulo Paulista, como também estava a realizar anônimo mas vigoroso esforço junto aos segmentos da Igreja empenhados em trazer para o nosso país os resultados do projeto “Transformação”.

Sérgio Paulo Gomes de Abreu, com seu fino trato, com seu amor à causa do Evangelho e do ensino da Palavra de Deus, serve-nos de exemplo para os dias difíceis que estamos a atravessar, dias de perseguição certa à pregação do genuíno e verdadeiro Evangelho, dias em que precisamos, mais do que nunca, usar toda a tecnologia e avanço científico para pregarmos que Jesus salva, cura, batiza com o Espírito Santo e está muito próximo de nos levar para o céu.

A propósito, irmão Sérgio Paulo não se cansava de dizer que, tendo nascido em 1948, data do ressurgimento do Estado de Israel, pertencia, sim, à geração do arrebatamento. Acordemos enquanto é tempo e conheçamos e prossigamos a conhecer o Senhor (Os.6:3). Como sempre lembrava o irmão Sérgio Paulo, o povo de Deus está sendo destruído por falta do conhecimento da Palavra de Deus (Os.4:6). Que, como ele, combatamos o bom combate contra esta obra destruidora até o momento em que o Senhor nos chamar para a glória.

* Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede (São Paulo/SP), colaborador do Portal Escola Dominical.

27.10.10

Carta de Ruth Rocha, escritora de livros infanto-juvenis, à candidata Dilma


"Carta à candidata Dilma

Meu nome foi incluído no manifesto de intelectuais em seu apoio. Eu não a apóio. Incluir meu nome naquele manifesto é um desaforo! Mesmo que a apoiasse, não fui consultada. Seria um desaforo da mesma forma. Os mais distraídos dirão que, na correria de uma campanha... “acontece“. Acontece mas não pode acontecer. Na verdade esse tipo de descuido revela duas coisas: falta de educação e a porção autoritária cada vez mais visível no PT. Um grupo dominante dentro do partido que quer vencer a qualquer custo e por qualquer meio.

Acho que todos sabem do que estou falando.

O PT surgiu com o bom sonho de dar voz aos trabalhadores mas embriagou-se com os vapores do poder. O partido dos princípios tornou-se o partido do pragmatismo total. Essa transformação teve um “abrakadabra” na miserável história do mensalão . Na época o máximo que saiu dos lábios desmoralizados de suas lideranças foi um débil “os outros também fazem...”. De lá pra cá foi um Deus nos acuda!

Pena. O PT ainda não entendeu o seu papel na redemocratização brasileira. Desde a retomada da democracia no meio da década de 80 o Brasil vem melhorando; mesmo governos contestados como os de Sarney e Collor (estes, sim, apóiam a sua candidatura) trouxeram contribuições para a reconstrução nacional após o desastre da ditadura.

Com o Plano Cruzado, Sarney tentou desatar o nó de uma inflação que parecia não ter fim. Não deu certo mas os erros do Plano Cruzado ensinaram os planos posteriores cujos erros ensinaram os formuladores do Plano Real.

É incrível mas até Collor ajudou. A abertura da economia brasileira, mesmo que atabalhoada, colocou na sala de visitas uma questão geralmente (mal) tratada na cozinha.

O enigmático Itamar, vice de Collor, escreveu seu nome na história econômica ao presidir o início do Plano Real. Foi sucedido por FHC, o presidente que preparou o país para a vida democrática. FHC errou aqui e ali. Mas acertou de monte. Implantou o Real, desmontou os escombros dos bancos estaduais falidos, criou formas de controle social como a lei de responsabilidade fiscal, socializou a oferta de escola para as crianças. Queira o presidente Lula ou não, foi com FHC que o mundo começou a perceber uma transformação no Brasil.

E veio Lula. Seu maior acerto contrariou a descrença da academia aos planos populistas. Lula transformou os planos distributivistas do governo FHC no retumbante Bolsa Família. Os resultados foram evidentes. Apesar de seu populismo descarado, o fato é que uma camada enorme da população foi trazida a um patamar mínimo de vida.

Não me cabem considerações próprias a estudiosos em geral, jornalistas, economistas ou cientistas políticos. Meu discurso é outro: é a democracia que permite a transformação do país. A dinâmica democrática favorece a mudança das prioridades. Todos os indicadores sociais melhoraram com a democracia. Não foi o Lula quem fez. Votando, denunciando e cobrando foi a sociedade brasileira, usando as ferramentas da democracia, quem está empurrando o país para a frente. O PT tem a ver com isso. O PSDB também tem assim como todos os cidadãos brasileiros. Mas não foi o PT quem fez, nem Lula, muito menos a Dilma. Foi a democracia. Foram os presidentes desta fase da vida brasileira. Cada um com seus méritos e deméritos. Hoje eu penso como deva ser tratada a nossa democracia. Pensei em três pontos principais.

1) desprezo ao culto à personalidade;

2) promoção da rotação do poder; nossos partidos tendem ao fisiologismo. O PT então...

3) escolher quem entenda ser a educação a maior prioridade nacional.

Por falar em educação. Por favor, risque meu nome de seu caderno. Meu voto não vai para Dilma.

SP, 25/10/2010"

16.10.10

“Mensagem da Dilma” não convence – candidata insiste em tentar enganar o eleitor religioso do Brasil




GIBEÁ*

Instada por lideranças evangélicas, aliás as mesmas que a apoiaram no primeiro turno da eleição, a candidata governista à Presidência da República apresentou uma “mensagem da Dilma” com o objetivo de “pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e botos espalhados por meus adversários eleitorais”.


Por primeiro, desde logo, vemos que a candidata governista não alterou a MENTIRA de chamar de “calúnias e boatos” uma série de fatos que foram apresentados por lideranças religiosas e não-religiosas em todo o país, principalmente pela internet, que nada mais são que documentos, projetos de lei e afirmações oriundas do próprio Partido dos Trabalhadores (PT), quando não da própria candidata que, em 4 de outubro de 2007, em entrevista dada à Folha de São Paulo e à UOL, disse que era um abusrdo o fato de o aborto ainda ser crime no Brasil.


Desde logo, portanto, ao não admitir os fatos apresentados amplamente pelo país, a candidata deixa de atender um requisito essencial do Evangelho, que é o de falar a verdade, de não mentir, pois, como ensina a Bíblia Sagrada, a mentira é a principal característica do inimigo de todos nós — o diabo (Jo.8:44).


Lembramos que, juntamente com seu apelo aos brasileiros e às brasileiras, os bispos católicos romanos da Regional Sul 1 da CNBB apresentaram um documento com mais de 60(sessenta) páginas, mostrando, claramente, que o PT (Partido dos Trabalhadores) adotou como ponto programático a descriminalização do aborto, como também o pastor Silas Malafaia, presidente da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, em mensagem veiculada pela internet, disse ter presenciado, em audiências públicas, no Congresso Nacional, a atuação em bloco do  PT em favor da legalização do aborto.


Começou, portanto, muito mal a “mensagem da Dilma”, que, se fosse verdadeira, autêntica e leal, deveria se iniciar com uma retratação, com o reconhecimento de um erro e de uma mudança de posição, o que, aliás, é o primeiro requisito da pregação do Evangelho de Jesus Cristo, que conclama a todos os homens se arrependerem de seus pecados e crer no Evangelho (Mc.1:15).


Por segundo, volta a insistir que ela é “pessoalmente contra o aborto” e que “defende a manutenção da legislação atual sobre o assunto”. Tal compromisso é totalmente inócuo. Queremos saber se Dilma vai mudar o programa partidário do PT, se tem forças para isto, pois de nada adianta ela ser “pessoalmente contra o aborto” e o seu partido ameaçar de expulsão e perda de mandato, inclusive o de Presidente, quem for contra a descriminalização do aborto.


Como bem afirmou o Pe. Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, ex-reitor do Seminário Arquidiocesano de Cuiabá/MT, em mensagem veiculada no último dia 12 de outubro no YouTube, não se trata de sabermos a posição pessoal deste ou daquele candidato, mas de analisar os projetos e programas de governo preconizados e defendidos pelos grupos políticos que se encontram atrás desta ou daquela candidatura.


O que se quer saber é se o candidato a vice-presidente de Dilma, o Sr. Michel Temer, que há mais de ano está com o projeto de lei que descriminaliza o aborto, vai colocar o projeto na pauta, para que ele seja imediatamente rejeitado, ou se vai continuar “cozinhando o galo”, aguardando a nova maioria pró-PT assumir, no ano que vem e, assim, cumprir os compromissos assumidos pelo governo Lula diante das Nações Unidas de descriminalizar o aborto no Brasil.

O que se quer saber é se o Presidente Lula, desde já, ou Dilma, se eleita, vai retirar o apoio do Brasil ao chamado “Consenso de Brasília”, documento assinado pelo Brasil em julho último no âmbito da ONU, como também modificar o “Plano Nacional de Política de Mulheres”, que prevê a legalização do aborto, medidas que independem do Congresso Nacional e, com isso, provar que o aborto será abandonado como “política de saúde pública” a partir de agora pelo PT e seus governos.

Dilma não prometeu fazer coisa alguma disso e, portanto, seu compromisso é absolutamente inócuo e não muda coisa alguma do que já disse até aqui.

Por terceiro, Dilma volta a insistir que não tomará nenhuma iniciativa para legalizar o aborto no Brasil. Mas, e os projetos que já estão no Congresso Nacional prontos para ser votados, graças a uma atuação sobre-humana do PT para evitar seus arquivamentos? Dilma continua achando que o povo brasileiro é ignorante…

A mesma coisa com relação às nefandas propostas da 1ª CONFECOM, que cerceiam a pregação do Evangelho nos meios de comunicação de massa (rádio e televisão). Dilma vai pedir para que os deputados federais já contatados pelo seu “companheiro de armas”, o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, deixem de apresentar projetos de lei para implementar estas medidas? Não adianta Dilma dizer que não vai mandar projetos de lei, se o PT e o governo Lula já decidiram que seus parlamentares o farão. É, aqui sim, uma tentativa de engano, uma mentira que se quer impor ao povo religioso deste país, notadamente o povo evangélico!

Por quarto, Dilma diz que o PNDH-3 está sendo revisto. Entretanto, a Secretaria Especial de Direitos Humanos, diante da repercussão negativa da sociedade, no final de 2009, fez uma comissão e reviu o projeto, apenas “trocando seis por meia dúzia”, como este grupo de estudos já analisou em artigo próprio, não havendo qualquer comissão ou grupo de trabalho, atualmente, que esteja a rever este decreto que, como ato do Poder Executivo, poderia ser simplesmente revogado, como sugeriu, a propósito, o ex-governador do Rio de Janeiro e deputado federal eleito, Anthony Garotinho (PR/RJ).

Onde está a prova de que o PNDH-3 está sendo revisto? Não será apenas um “boato” para “exploração eleitoral”? Onde está o ato do Presidente da República ou do Secretário Especial de Direitos Humanos pelo menos criando uma comissão ou grupo de trabalho para revisão do PNDH-3?  Quer que acreditemos apenas na palavra da candidata que, aliás, foi, como ministra-chefe da Casa Civil, que fez a revisão final e deixou sair o decreto do que jeito que ele está?

O Presidente Lula não participou da referida reunião que suscitou a presente “mensagem da Dilma” (Presidente que não quis ser fotografado, talvez porque tenha vergonha de ser visto entre evangélicos…)? Por que, então, não manda seu porta-voz dizer que pontos serão revistos? Por que não baixou um decreto criando a referida comissão ou grupo de trabalho, como, aliás, fez no início do ano, depois da grita dos militares com relação à tal “comissão da verdade”?

Mas não é só!

Em que pontos o PNDH-3 será revisto? O que promete Dilma para o povo religioso do Brasil? Onde a revisão feita no início do ano não andou bem?

Dilma nada esclarece, querendo, simplesmente, que confiemos na sua “intenção”, mesmo depois de ter sido a principal responsável pela redação final do PNDH-3, na qualidade de ministra-chefe da Casa Civil.

Por quinto, com relação ao PLC 122/2006, atualmente no Senado, Dilma prometeu só sancionar os artigos que não prejudiquem a liberdade religiosa. Que artigos são esses? Por que ela não diz que artigos vetará caso sejam aprovados? O projeto já está pronto para ser votado? Por que não diz claramente o que vai vetar, já que quer “pôr fim definitivo a boatos e calúnias”?

Aliás, como a relatora do projeto é a senadora Fátima Cleide, do PT, por que Dilma não chama a senadora e diz para ela que artigos estão em desacordo com a “liberdade religiosa” e já altera o texto, agora mesmo, no Senado?

Por que o líder do governo no Senado Federal, o senador Romero Jucá (PMDB/RR), não apresenta um substitutivo com a retirada dos artigos que Dilma diz que vai vetar e que, por sinal, não sabemos quais são?

Quem quer “pôr fim definitivo a boatos e calúnias” deixa tudo claro, diz com o que concorda e com o que não concorda. Como ensina o Senhor Jesus, nosso falar deve ser “sim,sim, não, não” pois o que sai disso é de procedência maligna (Mt.5:37).

Como confiar no que Dilma diz, se ela não diz o que entende que cerceia a liberdade religiosa e, por isso, vai vetar? Nós, religiosos, que seremos atingidos por esta lei, se aprovada, não temos o direito de saber, desde já, o que será vetado, ou não? Não é este o objetivo apresentado pela candidata em sua mensagem?


Ou está, simplesmente, querendo que nós acreditemos em sua “boa vontade”, depois que o PT, há anos, tem tentado sempre atingir nossa liberdade de culto e de crença com este famigerado PL 122/2006 que, segundo a ex-deputada Iara Bernardi e a quase ex-senadora Fátima Cleide, ambas do PT, não viola, em nada, a liberdade religiosa e, portanto, não tem de ter veto algum?


Por sexto, dizer que pretenderá tomar medidas “a favor da família”, dando como exemplo programas de distribuição de renda e de habitação, é um acinte ao povo cristão, que vê na família muito mais do que sobrevivência material, do que “dinheiro no bolso” ou “teto para abrigo”, mas uma instituição divina, cujo modelo se encontra nas Escrituras e que é a célula mater da sociedade, uma instituição a quem Deus confiou “…a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, qual reflexo vivo e participação real do amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja, sua esposa.…” (Papa João Paulo II. Exortação apostólica Familiaris consortio, n.17).


Dilma revela aí, pois, toda a concepção materialista e anticristã que está tentando demover os religiosos de enxergar em seu programa de governo e em seu partido político, no projeto que pretende, no Brasil, transformar “a condição de governo” em “condição de poder”, como esclarecido na última reunião do Foro de São Paulo, organização de partidos políticos dirigida pelo PT.


Por tudo isto, vemos que a “mensagem da Dilma” não convence e não representa qualquer mudança de posição no que vimos e ouvimos até o momento, nestes 31(trinta e um) anos de PT e nestes quase 8(oito) anos de governo Lula.


Definitivamente, a “mensagem da Dilma” deve ser ouvida com discernimento evangélico: Dilma e sua coligação continuam sendo uma ameaça à liberdade religiosa no Brasil. Cristão genuíno não vota em Dilma.




* Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises Análises – grupo informal de estudos bíblicos nascido na década de 1990 no corpo docente da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que hoje tem vida autônoma e esporádica produção.

8.10.10

"PNDH-3" - Programa "Mensagem Eficaz" (AD/Lapa) entrevista dr. Caramuru Afonso Francisco

PNDH 3 - Pr. Caramuru Afonso from Mensagem Eficaz on Vimeo.

Novo manifesto dilmista confirma: cristão genuíno não vota em Dilma


GIBEÁ*


                                   Em 8 de outubro de 2010, a coligação “Para o Brasil seguir mudando” (PT, PMDB, PC do B, PDT, PRB, PR, PSB, PSC, PTC e PTN), que dá sustentação à candidatura de Dilma Roussef à Presidência da República, publicou um manifesto de mobilização para a vitória no segundo turno da eleição presidencial.

                                   Por se tratar de mais um documento que se apresenta à sociedade brasileira, fazemos sua análise, como temos feito ao longo deste ano eleitoral, análise feita à luz da doutrina cristã.

                                   Após mostrar que Dilma teve votação semelhante a de Lula nos dois primeiros turnos em que foi vencedor, bem como que os partidos que participam da coligação obtiveram ampla maioria dos votos nas eleições estaduais e na composição do Congresso Nacional, o manifesto afirma que a candidatura oposicionista encontra-se “mergulhada em contradições”. Será isto verdade? Vejamos, usando as próprias palavras do manifesto:

a) tentam atrair os verdes, mas não podem tirar o velho e conservador DEM de seu palanque. (sic) -  Onde está a contradição em tentar atrair o apoio do PV e manter a coligação com o DEM? Por acaso, a candidatura Dilma não está também tentando atrair os verdes e também não pode tirar os velhos e conservadores nomes do PMDB de seu palanque (ou alguém dirá que José Sarney e Renan Calheiros são “progressistas”? Isto para não falar de Fernando Collor de Melo, que, mesmo sendo do PTB, apoia Dilma desde o início da campanha…). Se isto é contradição da oposição, também é da situação!

b) Denuncia “aparelhismos”, mas já está barganhando cargos em um possível ministério (sic) – Por primeiro, não há prova alguma de que se estejam negociando cargos na campanha oposicionista, até porque a oposição não tem cargo algum e, segundo o manifesto, saiu bem diminuída das eleições estaduais. Mas, ainda que isso seja verdade, por acaso, como é que a candidatura de Dilma conseguiu o apoio dos partidos que a apoiam, inclusive o PMDB, cujos ministérios e cargos estão todos aí para vermos? E, quando se fala em “aparelhismo”, ficou evidente o uso da máquina do governo na campanha de Dilma, desde o Presidente Lula, até a Receita Federal, Polícia Federal, IBAMA, etc. etc. etc. A propósito, como foi que Lula conseguiu o apoio do PV durante seu governo? Não foi com o Ministério da Cultura, primeiro com Gilberto Gil e depois com seu sucessor, Juca Ferreira, que, apesar de ser do PV, apoiou Dilma desde o início?


c) Proclama-se democrata, mas persegue jornalistas e censura pesquisas (sic) – Por primeiro, não se conhece qualquer caso de perseguição a jornalistas ou de censura de pesquisas por parte da candidatura oposicionista. O governador eleito do Paraná, Beto Richa, que é do PSDB, e não é o candidato oposicionista, conseguiu barrar pesquisas, na Justiça Eleitoral, pesquisas, aliás, que se revelaram realmente suspeitas, diante do resultado das urnas. Fora isso, as censuras e ameaças sempre vieram do governo Lula, de ninguém mais. Quem criticou a imprensa e provocou um manifesto pela liberdade de imprensa, foi o Presidente Lula, não o candidato da oposição. Com certeza, também, foi a campanha de Dilma quem conseguiu prejudicar o acesso a vídeo do pastor Paschoal Piragine Jr. no YouTube em que se posiciona contra o PT, como quem provocou a imediata retratação da Comunidade Canção Nova depois de um pronunciamento de um de seus padres em missa televisionada em que também denunciava o programa anticristão do PT. De quem é, portanto, a contradição?

d) Seus partidários tentam sair dessa situação por meio de uma série de manobras que buscam confundir o debate político nacional. Espalham mentiras e acusações infundadas. (sic) – Quem está a mentir, querendo imputar ao candidato oposicionista as suas próprias práticas? Quem está a mentir querendo caracterizar como “boatos” e como “fruto do submundo da política”, a informação de documentos, decisões e práticas tomadas pelo governo Lula e pelo PT a respeito de temas que contrariam a doutrina cristã ( leia “Lula, Dilma, fatos e boatos”. Disponível em: http://geremiasdocouto.blogspot.com/2010/10/lula-dilma-fatos-e-boatos.html Acesso em 08 out. 2010). Aliás, chamar de “submundo da política” a legítima movimentação de cidadãos cristãos na internet é mais uma prova de que o PT tem, mesmo, aversão ao Cristianismo. “Submundo da política” são os “mensalões”, os “caixas dois”, as quebras de sigilo fiscal, enfim, as práticas terríveis que verificamos ao longo do governo Lula.

                                   Prossegue o manifesto procurando dar a tônica da campanha governista neste segundo turno entre dois projetos de país: o projeto de “o Brasil do passado, do Governo FHC, que nosso adversário integrou,(…) o Brasil do desemprego. Era o Brasil do desmonte do Estado e da perseguição aos funcionários” (sic) e “o Brasil de Lula, hoje, e o de Dilma, amanhã,(…) o país do crescimento acelerado que gera cada vez mais emprego e renda (sic).

                                   Mais uma vez, a campanha governista procura reduzir a discussão aos aspectos econômicos, escondendo um fato relevantíssimo: a de que a política econômica do governo Lula foi mera continuação da do governo FHC, onde a distribuição de renda e o crescimento foram resultado de uma sequência sem qualquer mudança de rumo de algo iniciado em 1994 com o Plano Real, em pleno governo Itamar Franco.

                                   Em alguns artigos, ao longo deste ano, foi bem demonstrado que o modelo de crescimento econômico, e mesmo de distribuição de renda levados a efeito pelo governo Lula, necessita de modificações e conflita com a doutrina bíblica, na medida em que não diminuiu a contento a desigualdade social e não qualifica os mais pobres que ascenderam socialmente para que esta sustentação seja permanente e independa do Estado. Sem melhoria na educação, nenhum país do mundo conseguiu manter um crescimento econômico.

                                   Com relação aos valores morais e éticos, o manifesto disse que a coligação governista repudia “…aqueles que querem explorar cinicamente a religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais. Isso é um desrespeito às distintas confissões religiosas. Tentar introduzir o ódio entre as comunidades religiosas é um crime. Viola as melhores tradições de tolerância do povo brasileiro, que são admiradas em todo o mundo. O Brasil republicano é um Estado laico que respeita todas as convicções religiosas. Não permitiremos que nos tentem dividir. O Brasil de Dilma, assim como o de Lula, é e será uma terra de liberdade, onde todos poderão, sem qualquer tipo de censura, expressar suas idéias e convicções.…”(sic)


                                   No entanto, tal declaração da campanha governista, que pretende ser uma resposta a um elemento que, segundo seus analistas, impediu a vitória de Dilma no primeiro turno, reforça, ainda mais, a constatação de que a verdade é a grande ausente desta manifestação da campanha da coligação “Para o Brasil seguir mudando”.

                                   Não houve “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais”. A “questão religiosa” surgiu das próprias iniciativas do governo Lula ao longo dos seus já sete longos anos. Senão vejamos.

                                   Quem trouxe o aborto para discussão foi o próprio governo Lula e o PT, seja pelo apoio e pressão pela aprovação do projeto de autoria da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ), que, por causa disto, aliás, perdeu a eleição para o Senado em 2006, projeto que não foi definitivamente arquivado até hoje por causa do PT, seja pela inclusão do aborto como ponto do programa partidário do PT nos dois últimos Congressos do partido, inclusive com a punição de dois deputados federais antiabortistas, que tiveram de mudar de partido para continuar suas vidas políticas.

                                   Quem trouxe o aborto para discussão foi o próprio governo Lula, cujos dois ministros da Saúde, Humberto Costa e José Temporão, sempre defenderam o aborto e tentaram criar um clima para a sua aprovação.

                                   Quem trouxe o aborto para discussão foi o próprio governo Lula, já que sua ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilceia Freire, é a maior líder abortista do país e, inclusive, conseguiu aprovar, em setembro último, o aborto como política a ser perseguida pelos países da América Latina e Caribe.

                                   O candidato oposicionista jamais falou em aborto, mesmo quando foi ministro da Saúde do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Diante da discussão trazida pelo governo, é “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais”, o debate em torno do tema, que foi adotado pelo próprio governo como prioridade? Não seria cinismo, isto sim, depois de tantas manobras, documentos e pressões, estar agora, e só agora, a candidata governista dizer que é “pessoalmente contra o aborto, porque o aborto é uma violência contra a mulher”?

                                   Quem trouxe a discussão da criminalização da homofobia foi a deputada federal Iara Bernardi (PT/SP), que teve sempre integral apoio e pressão a favor tanto do PT quanto do governo Lula para aprovar este projeto que cerceia a liberdade de pregação do Evangelho.

                                   Quem trouxe a discussão da criminalização da homofobia foi o governo Lula, que além de criar o programa “Brasil sem homofobia”, teve a manifestação do próprio Presidente da República, ao término de uma conferência nacional sobre os direitos dos homossexuais, também de iniciativa do governo, prometido sancionar qualquer lei que criminalizasse a homofobia.

                                   O candidato oposicionista jamais falou em criminalização da homofobia, sendo certo, aliás, que a comunidade homossexual lhe é extremamente grata pelo empenho com que combateu a AIDS quando foi ministro da Saúde, em programa que foi premiado pelas Nações Unidas, programa, aliás, que vai contra os princípios bíblicos.

                                   Diante da discussão trazida e promovida pelo governo Lula, é “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais” a manifestação dos religiosos em favor da sua liberdade de culto e de crença, a luta para que não sejam eles presos ao simplesmente pregar o que diz a Bíblia a respeito do homossexualismo? Não seria cinismo, isto sim, depois de tantas manobras, documentos e pressões, estar agora a candidata governista a se reunir, a portas fechadas, com um candidato derrotado ao Senado no Rio de Janeiro, que é pastor evangélico, para depois ele, sozinho, ser entrevistado e dizer que a candidata pretende, se eleita, impedir que o projeto de criminalização da homofobia impeça as pregações religiosas?

                                   Quem trouxe a discussão da “desconstrução da normatividade heterossexual” foi o próprio governo Lula, diante da aprovação do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e das propostas da 1ª Conferência Nacional de Comunicações (I CONFECOM), iniciativas do próprio governo e que geraram uma série de ações através das quais se quer impedir que nossas crianças, adolescentes e jovens sejam educados na “heterossexualidade”, sem falar na distribuição de “camisinhas” que se pretende fazer, a partir do final deste ano, em escolas da rede pública de ensino.

                                   Defender que a Bíblia determina a heterossexualidade como conduta normal e que não se pode impor, nas salas de aula e no espaço público, uma igualdade entre heterossexualidade e homossexualidade, que este tema deve ser mantido no ambiente de cada família, não é, à evidência, “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais”. Ou será que a candidatura governista não admite ser contrariada por vozes discordantes, não é este o seu conceito de “democracia popular”?

                                   Quem trouxe a discussão do “controle social dos meios de comunicação” foi o próprio governo Lula, seja no PNDH-3, seja na I CONFECOM, com nítido interesse em cercear, quando não impedir, a realização de programas religiosos nas emissoras de rádio e de televisão.

                                   Defender que não haja a inibição do espaço atualmente existente para a veiculação de programas religiosos não é “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais”, até porque o candidato oposicionista e seu partido jamais fizeram qualquer senão a este espaço hoje ocupado pelos programas religiosos. Ou será, mais uma vez perguntamos, que a candidatura governista não admite ser contrariada por vozes discordantes, não é este o seu conceito de “democracia popular”? Ainda alimenta o sonho de instituição de um regime ditatorial que a fez praticar atividades guerrilheiras nas organizações a que pertenceu no início da década de 1970?

                                   Quem falou em “exterminar” um partido político foi o Presidente Lula e isto, à evidência, não é uma demonstração de que a coligação governista esteja dando segurança aos brasileiros de que haverá plena liberdade de expressão e democracia num governo Dilma. O que temos visto, aliás, é exatamente o contrário.

                                   Quem trouxe a discussão da profissionalização da prostituição foi o próprio governo Lula, que inseriu no código de ocupações do Ministério do Trabalho, a prostituição, com o eufêmico nome de “trabalho do sexo”, inserindo, também, o tema como ponto programático do partido.

                                   Discordar que a prostituição se torne uma profissão regulamentada, o que seria uma degeneração moral enorme para nosso país, não é, efetivamente, “exploração cínica da religiosidade do povo brasileiro para fins eleitorais”.

                                   Temas religiosos vieram para o debate político porque a coligação “Para o Brasil seguir mudando” é liderada por um partido político que assumiu um projeto de poder que quer transformar o Estado brasileiro num Estado antirreligioso. Ninguém discute a laicidade do Estado brasileiro, mas Estado laico é um Estado sem religião, não um Estado contra a religião, como defendem os documentos, práticas, manobras e pressões feitas, nestes sete longos anos, pelo PT e o seu governo.

                                   Tais fatos, que não são boatos, levaram os religiosos do país a se manifestar no primeiro turno e a candidatura governista, em vez de retroceder, assumir seus erros e mudar seus rumos, apenas procurou mentir, imputando ao candidato oposicionista práticas que não existem.

                                   A coligação governista nem sequer se comprometeu a mudar coisa alguma do que já prometeu fazer, em seu programa de governo, bem como o que já está sendo feito pelo atual governo em termos de cerceamento da liberdade de culto e de crença no Brasil.

                                   Diante deste manifesto, que não corresponde à verdade e mostra a “dureza de coração” da coligação governista, mesmo após o fracasso do projeto de vitória já em primeiro turno, não resta aos cristãos outra alternativa senão a de NÃO votar em Dilma, o que, dentro de nosso sistema, é votar necessariamente no candidato oposicionista, a única manifestação cívica que pode impedir a vitória deste projeto de poder antirreligioso e anticristão.


* Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises - grupo informal de estudos bíblicos nascido na década de 1990 no corpo docente da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que hoje tem vida autônoma e esporádica produção.




                                                                                              
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