30.11.10

A MEDITAÇÃO NA VIDA CRISTÃ - Complemento 2 para as Lições Bíblicas CPAD 4/2010

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS - MINISTÉRIO DO BELÉM

ESTUDO DA PALAVRA DE DEUS PARA OS AMIGOS E PROFESSORES DA ESCOLA DOMINICAL (EPAPED)
BELÉM- SEDE
QUARTO TRIMESTRE DE 2010

TEMA –  O poder e o ministério da oração- o relacionamento do cristão com Deus



COMENTARISTA :  Eliezer de Lira e Silva



APÊNDICE Nº 2 -  A MEDITAÇÃO NA VIDA CRISTÃ

Texto áureo

“Antes tem o seu prazer na lei do Senhor e na Sua lei medita de dia e de noite.” (Sl.1:2)


INTRODUÇÃO

- Em complemento ao estudo deste trimestre letivo sobre a oração, analisaremos, ainda que superficialmente, a questão da meditação na vida cristã, assunto que, apesar de pouco abordado, tem se inserido em muitos segmentos dos que cristãos se dizem ser.

- A questão da meditação deve ser bem analisada, visto que, por meio dela, a Nova Era tem conseguido se imiscuir na vida espiritual de muitos.

I – A MEDITAÇÃO NA BÍBLIA SAGRADA

- Neste trimestre letivo, estamos a estudar sobre a oração, esta “elevação da alma a Deus”. Como complemento a este importante estudo, resolvemos tratar de dois assuntos que sempre estão relacionados à oração: o jejum, que já foi objeto do apêndice 1, e a meditação.

- Na verdade, a meditação, entre os cristãos, máxime entre os evangélicos, não é assunto muito abordado, já que a se trata de prática que encontrou guarida seja entre os cristãos do Oriente, seja entre os católicos romanos, sendo, mesmo, a base dos chamados “místicos”, em sua grande maioria, pessoas que se dedicaram à vida monástica, ou seja, à vida em mosteiros e conventos, prática que foi descartada pelos que seguiram a Reforma Protestante.

- No entanto, a partir do século XIX, com uma nova busca da espiritualidade, após o desencanto com o racionalismo iniciado a partir do século XV no Ocidente, busca esta, inclusive, que deu origem ao movimento pentecostal entre os evangélicos, a meditação, como prática devocional, voltou a encontrar guarida na vida cristã, como também a ser difundida pela Nova Era, com o resgate das crenças orientais, notadamente o hinduísmo e suas variações e o budismo.

- O resultado disto é que a questão da meditação voltou à tona, e como a Bíblia Sagrada fala dela, torna-se necessário verificar qual é o seu lugar na vida espiritual do cristão e um estudo sobre a doutrina bíblica da oração se apresenta como ocasião propícia para falarmos deste assunto, até porque o silêncio a respeito do tema entre os estudiosos da Palavra tem reforçado a influência deletéria que o movimento Nova Era, arauto do Anticristo, tem promovido entre muitos que cristãos se dizem ser.

- “Meditar” é, precisamente, dizem-nos os lexicógrafos (aqueles que escrevem dicionários), o ato de “refletir, pensar longamente, ocupar-se, estudar, praticar e fazer”.  A palavra hebraica empregada para “meditar” é “hagah” (הגה), cujo significado é “refletir, gemer, resmungar, ponderar, planejar, maquinar”. “…Hagah representa algo tranquilo, diferente do sentido de ‘meditação’ enquanto exercício mental. No pensamento hebraico, meditar nas Escrituras é repeti-las calmamente em som suave e baixo, abandonando interiormente as distrações exteriores.…” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Palavra-chave: medita. Sl.1:2, p.537).

- A palavra “meditar” é, em princípio, utilizada, pelas Escrituras, para indicar a leitura devocional da Bíblia, como se vê, por exemplo, em Js.1:8, onde o próprio Senhor, ao orientar Josué, após a morte de Moisés, manda que o novo líder de Israel meditasse no livro da lei de dia e de noite. Ora, o livro da lei, àquela altura, era tudo quanto havia das Escrituras Sagradas e, ao determinar que Josué, para que tivesse êxito em sua missão, não apartasse da sua boca a lei e nela meditasse de dia e de noite, o Senhor estava determinando que Josué não cessasse de refletir, pensar longamente, ocupar-se daquilo que estava escrito no livro.

- A repetição do texto sagrado, a voz pequena, como um verdadeiro resmungo, com nítido objetivo de reflexão, de ponderação, com a finalidade de fazer com que a mente analise e aplique os preceitos constantes da Bíblia Sagrada no cotidiano de cada um é o sentido de “meditar” na maior parte das vezes em que as Escrituras falam em meditação, como podemos observar no Salmo 119, onde a palavra aparece diversas vezes (Sl.119:15,23,48,78,97,99,148), sempre relacionada com a leitura devocional da Palavra de Deus.

- Esta meditação, conforme determinada por Deus a Josué, era uma meditação contínua. A expressão bíblica é “de dia e de noite”, ou seja, a qualquer hora do dia, a qualquer momento, em outras palavras, sempre. Assim como há um mandamento bíblico para orarmos ininterruptamente, também existe uma determinação do Senhor para que jamais deixemos de pensar e de refletir sobre as Escrituras Sagradas. O salmista diz que meditava todo o dia (Sl.119:97). Mas por que deveria Josué meditar de dia e de noite no livro da lei? O próprio Deus responde: “para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito, porque então farás prosperar o teu caminho e então prudentemente te conduzirás” (Js.1:8). Estas palavras, a propósito, são repetidas pelo salmista (Sl.1).

- A leitura devocional da Bíblia, por ser feita com apego, isto é, com meditação, com envolvimento mental e longa reflexão a respeito do que é lido, produz em cada leitor o cuidado necessário para que pratiquemos as ações corretas, para que ajamos segundo a vontade de Deus, que está expressa no texto sagrado, a fim de que tenhamos uma vida espiritual bem sucedida e que adquiramos a prudência, que é nada mais, nada menos que a ciência do Santo (Pv.9:10). Para que sejamos vitoriosos nas lutas diárias que temos na vida com Cristo nesta Terra, para que saibamos o que o Senhor Jesus, que é o Santo, quer de cada um de nós, é indispensável, são palavras do próprio Deus, que estejamos a meditar de dia e de noite na Palavra do Senhor.

- Mas, além da palavra “hagah”, também é traduzido por “meditar” na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra hebraica “shiyach”(שיח), cujo significado é “conversar consigo mesmo”, “refletir”, “ponderar”. Este termo é encontrado, v.g., no Sl.77:6, quando o salmista Asafe, num instante de angústia e aflição, ficou a arrazoar no seu coração o seu estado presente e o que Deus já havia feito em prol do Seu povo, pensando se Deus haveria de rejeitá-lo para sempre ou se tornaria a ser-lhe favorável. Mas, à luz da lembrança dos feitos do Senhor, o salmista viu que estava enfermo espiritualmente e afastou de si aquela sensação de incredulidade, de dúvida quanto à fidelidade do Senhor.

- Notamos, pois, que, neste sentido, a “meditação” envolve não a lembrança literal do texto sagrado, mas é uma reflexão da mente a respeito das obras do Senhor, do caráter do Senhor, lembrança baseada, sem dúvida, na revelação divina nas Escrituras, mas que prescinde da leitura do texto bíblico ou de sua recitação a voz pequena. Foi o que fez o salmista no Salmo 104, quando, depois de observar a natureza e todas as obras do Senhor que a formam, diz que tudo quanto observou e analisou tinha sido “sua meditação a respeito do Senhor” (Sl.104:34).

- Este significado de meditação, quase sempre presente na ideia de “meditação no coração”, também é apresentado pela palavra “hagah”, em textos como Sl.5:1, 63:6; 77:13; 19:14; 39:3 ; 49:13 e 143:5; Pv.15:28 e 24:2.

- Notamos, portanto, que a meditação, no Antigo Testamento, não se apresenta apenas como uma reflexão mediante a recitação nas Escrituras, mas é também uma atividade de reflexão “no coração”, ou seja, uma reflexão baseada nas obras do Senhor, reflexão esta que, conquanto baseada na revelação escriturística, não depende do texto bíblico para se realizar.
OBS: “…Acerca do homem bem-aventurado do Salmo 1, é dito: ‘Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na Sua lei medita de dia e de noite’ (A. G. Clarke diz: ‘A lei do Senhor aqui é praticamente sinônimo da Palavra do Senhor, toda a revelação divina’). Em primeiro lugar, ele se deleita na lei do Senhor, então ele medita nela. Meditação bíblica envolve o uso da mente no estudo da Palavra de Deus, ‘mastigando-a’ , assimilando- a, e então agindo com base no que tem sido aprendido.(…) Você meditará em Deus como você medita na Palavra. No Salmo 119, o salmista falou da Palavra em tudo, exceto em dois versos; ele se referiu à meditação sete vezes e se referiu a Deus em cada verso. Enquanto o salmista se deleitava na Palavra e meditava nela, pensamentos de Deus enchiam sua mente; assim será conosco.…” (NORRIS, John. A importância da meditação na vida do crente. Truth and tidigns, maio 1995, Trad. e adapt. por Claudinei Benedito Benedito. Disponível em: http://www.exame.diario.nom.br/a-import.pdf Acesso em 21 out. 2010).

- Daí porque ter sido traduzida por “medita”, a palavra “shama’” (שמע), que significa “ouvir”, mas que, “in casu”, na fala de Elifaz, é um convite para que Jó refletisse sobre tudo quanto seu amigo lhe havia dito a respeito de Deus para, então, tomar uma atitude que o pudesse livrar daquela aflitiva situação em que se encontrava.

- A meditação apresenta-se, pois, como uma concentração mental, mas não um mero exercício da razão, mas uma espécie de “balanço” no qual se volta para o interior e se verifica a sua situação diante de Deus e diante da situação em que se está. A “meditação” é uma atitude de interiorização, em que o salvo deverá refletir a respeito da revelação divina, buscará, num instante de silêncio e de falta de atividade, “escutar a voz do Senhor”, revelação esta que não se dá apenas nas Escrituras, mas também na natureza (Sl.19:1-3; Rm.1:20).

- Em o Novo Testamento, na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra “meditar” aparece uma única vez, em I Tm.4:15, a palavra grega “meletao” (μελετάω), palavra cujo significado é “ponderar”, “imaginar”, “premeditar”, palavra que era utilizada tanto para se referir aos pensamentos dos filósofos antes de lançar seus argumentos, como para os retóricos, ou seja, aqueles que vivam de argumentar por meio de discursos.

- No texto de I Tm.4:15, Paulo exorta seu filho na fé Timóteo a que “meditasse nestas coisas e se ocupasse nelas”. Que coisas? O exercício da piedade, a palavra, o trato, a caridade (i.e., o amor), o espírito, a fé, a pureza e a persistência em ler, exortar e ensinar (I Tm.4:12,13). Completando o pensamento, Paulo mostra que a meditação envolve o cuidado de si mesmo e da doutrina, a fim de que não só se alcance a própria salvação quanto a salvação dos que nos ouvem (I Tm.4:15,16).

- Notamos, pois, que o apóstolo Paulo manda que Timóteo, a fim de que bem cumprisse o seu ministério, fosse cauteloso (e isto é mais um dos sentidos de “meletao”), buscando, a exemplo dos grandes oradores de seu tempo (e Timóteo era filho de grego e bem sabia do que Paulo estava a falar), fosse bem cuidadoso em suas palavras e em suas ações, sempre parando para refletir e bem ponderar como era sua conduta à luz da Palavra de Deus, da revelação do Evangelho.

- Vemos, pois, que a meditação não se restringe a tão somente recitarmos, decorarmos ou ficarmos a pensar e refletir passagens bíblicas, mas também é uma atitude de interiorização, de reflexão, de autoexame que temos de fazer, desprendendo-nos de tudo quanto possa nos distrair para que, em silêncio, em reverência ao Senhor, escutamos, no fundo de nosso homem interior, a voz do Senhor, para que, deste modo, venhamos a avançar espiritualmente.

- Afigura-nos, pois, exagerada a postura daqueles que, diante dos grandes equívocos que o assunto da meditação tem causado no meio cristão, buscam erradicar a meditação da vida cristã. Segundo este pensamento, “…Meditação Cristã verdadeira é um processo ativo de pensamento (pensando, resolvendo), pelo qual nos entregamos ao estudo da Palavra de Deus em oração e pedimos a Deus para nos dar entendimento através do Espírito. Ele habita no coração de todo crente e tem prometido nos guiar em ‘toda a verdade’ (João 16:13). Devemos então colocar o que aprendemos em prática, fazendo um compromisso com as Escrituras de que só elas serão a regra completa para as nossas vidas e para a prática das nossas atividades diárias. Isso causa crescimento espiritual e maturidade nas coisas de Deus à medida que somos ensinados pelo Espírito Santo.” (GOTQUESTIONS? ORG. O que é meditação cristã? Disponível em: http://www.gotquestions.org/portugues/meditacao-Crista.html Acesso em 21 out. 2010).

- A meditação não se resume apenas ao estudo da Palavra de Deus e a oração para que o Espírito Santo nos esclareça o texto sagrado, embora também a envolva. A meditação vai além, na medida em que se trata de uma atitude de interiorização, de um silêncio de nosso homem interior, à luz da Palavra, para que possamos ouvir a voz do Senhor e, com isto, melhorarmos nossos caminhos.

- Tanto é assim que, ao disciplinar a ceia do Senhor, o apóstolo Paulo foi claro ao dizer que, antes de participarmos do corpo e do sangue de Cristo, devemos fazer um exame introspectivo, a fim de avaliarmos se estamos, ou não, em comunhão com o Senhor e com a Sua Igreja (I Co.11:28). Este autoxame comporta uma meditação, uma ponderação, embora não seja só isto, já que o termo grego correspondente “dokimazo” (δοκιμάξω) envolve também a experiência e o julgamento.

- A meditação cristã encontrou guarida nos movimentos monásticos que se iniciam no século II. O monge cartuxo Guigo II (?-1193) estabeleceu quatro estágios para a meditação, a saber:
a) a “lectio divina”, que é a leitura orante das Escrituras, a leitura devocional da Bíblia, início de toda meditação.
b) a “meditatio”, que é a reflexão, a ponderação, a análise do texto sagrado, em que se pede ao Espírito Santo a compreensão do significado e a aplicação do texto sagrado a nossas vidas.
c) a “oratio”, que é uma oração em que externamos nossos sentimentos diante da compreensão das Escrituras, pedindo ao Senhor que nos dê graças para agirmos conforme a Sua vontade, conforme o que foi ensinado na Palavra.
d) a “contemplatio”, que é a nossa entrega nas mãos do Senhor, amando-O de todo o nosso coração, nossa alma, nossa fé e nosso entendimento (Lc.10:27), instante em que, se o Senhor quiser, poderá fazer com que desfrutemos e experimentemos da Divindade de forma sobrenatural (a chamada “contemplação em sentido estrito”), o grau máximo da meditação.

- A meditação cristã terá grande desenvolvimento entre os cristãos orientais, que se congregarão, após o Cisma do Oriente, na Igreja Ortodoxa. Lá, desenvolve-se toda uma prática meditativa que tem suporte num livro chamado “Filocalia” (em grego, “amor à beleza”), onde há a reunião de uma série de ensinos a respeito da meditação, baseada na chamada “oração de Jesus” ou “oração do coração”, uma frase repetida incessantemente durante a meditação: “Senhor Jesus, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador”.

- Entre os judeus, a meditação iniciou sua guarida a partir da reflexão e compreensão da chamada passagem da “Merkavah” (carruagem), as visões da glória de Deus descritas pelo profeta Ezequiel, a que teriam se dedicado os grandes nomes que compilaram a “lei oral” nos ´seculos I e II, logo após a destruição do templo pelos romanos.

- Este estudo acabou criando a meditação mística, denominada de “hitbonenut”, esta, sim, que procurava a “contemplação das questões divinas”, que se distanciavam do texto bíblico. A “Cabala”, o misticismo judaico, desenvolverá, a partir do século XVIII, toda uma “doutrina da meditação”, em que se busca meditar sobre os Nomes Sagrados de Deus, sobre o alfabeto hebraico e que tem tido grande influência no mundo judaico da atualidade, sendo, também, um elemento explorado pela Nova Era.

- Entre os muçulmanos, não é diferente. O Alcorão, certamente seguindo os passos de judeus e cristãos, põe a meditação com base no livro sagrado. “…’Eis o Livro que te revelamos, para que os sensatos recordem seus versículos e neles meditem.’(38ª Surata, versículo 29) Disse mais: ‘Não meditam, acaso, no Alcorão? Se fosse de outra origem que não de Deus, haveria nele muitas discrepâncias.’(4ª Surata, versículo 82) E disse ainda: ‘Não meditam, acaso, no Alcorão, ou é que seus corações são insensíveis?’(47ª Surata, versículo 24.). Sua explicação nada mais é do que o resultado de meditação e de deliberação…” (HAYEK, Samir El. Introdução ao Alcorão Sagrado. Disponível em: http://www.islam.com.br/quoran/introducao.htm Acesso em 22 out. 2010). Entre os islâmicos, uma corrente, chamada de “sufi” ou “sufista” foi a que mais se dedicou à meditação como forma de expressão da espiritualidade, prática que é chamada de “dhikr”, reportando-se à própria vida ascética de Maomé que teria recebido a revelação do Alcorão num de seus períodos de jejum e de meditação.

- Vemos, pois, claramente que, conquanto seja atitude recomendada pela Palavra de Deus e que se apresenta como importante elemento da vida espiritual, cedo a meditação foi, como tudo que diz respeito a Deus, misturada com conceitos antibíblicos, com o fim de desviar a espiritualidade do gênero humano, desvios estes que encontraram guarida dentro da Igreja e que pululam e dominam esta prática nas falsas religiões.


II – A PRÁTICA DA MEDITAÇÃO E EQUÍVOCOS QUE SE DEVEM EVITAR

- Nos dias atribulados em que vivemos, onde já é difícil orar, que dirá meditar. A meditação envolve um total desprendimento de nossos pensamentos, sentimentos e vontade, um “esvaziamento completo”, para que venhamos a ouvir a voz do Senhor. Na meditação, este “esvaziamento” se deve dar mediante a concentração da mente nas obras do Senhor, na exaltação do Seu nome, a exemplo do que fez o salmista no Salmo 104, que é um modelo de como se meditar.
OBS: “…A atitude contemplativa é oposta àquela que adotamos diante dos meios, pelos quais só nos interessamos na medida em que servem para alcançar nossos objetivos. Pela contemplação, nos aplicamos a um objeto como tal, penetramos em sua essência. O objeto tem um valor intrínseco, e atrai nosso coração com seu conteúdo. Não vivemos aquela tensão para o futuro, à qual nos referíamos, típica da ação, mas nos demoramos no presente. Somos receptivos ao objeto e nos aplicamos a ele plenamente sem divisão; repousamos no objeto.…” (BELLO, Joathas. O lugar da contemplação na vida cristã. 14. out. 2006. Disponível em: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:HbsK1UYg6h8J:www.veritatis.com.br/article/3935+medita%C3%A7%C3%A3o+crist%C3%A3&cd=96&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Acesso em 21 out. 2010)

- Quem ora corretamente, não terá dificuldade em meditar. A meditação seguir-se-á à oração, visto que este silêncio exigido para a meditação nada mais é que um preâmbulo para que Deus venha conosco dialogar. A meditação não ser praticada desprendida da oração e é mais um reforço à oração que uma atividade que se deva praticar separadamente.
OBS: Para o Catecismo da Igreja Romana, aliás, a meditação nada mais é que uma das expressões da oração. A oração comportaria três expressões: a oração vocal, que é a oração propriamente dita; a meditação e a oração mental (que é a contemplação, o estágio final da meditação). “… 2721. A tradição cristã compreende três expressões maiores da vida de oração: a oração vocal, a meditação e a oração mental. Estas têm em comum o recolhimento do coração. 2722 A oração vocal, fundada na união do corpo e do espírito na natureza humana, associa o corpo à oração interior do coração, a exemplo de Cristo, que reza a seu Pai e ensina o "Pai-Nosso" a seus discípulos. 2723 A meditação é uma busca orante que põe em ação o pensamento, a imaginação, a emoção, o desejo. Tem por finalidade a apropriação crente do assunto meditado, confrontado com a realidade de nossa vida. 2724 A oração mental é a expressão simples do mistério da oração. E um olhar de fé fito em Jesus, uma escuta da Palavra de Deus, um silencioso amor. Realiza a união à oração de Cristo na medida em que nos faz participar de seu Mistério.”

- Já temos dito, no estudo sobre a oração, que os que cristãos se dizem ser têm, lamentavelmente, distorcido o conceito de oração, deixando de fazê-la um diálogo com Deus, para ser tão somente um monólogo a Deus. A meditação tem, entre suas principais, senão a principal tarefa, fazer-nos aprender a ouvir a voz do Senhor, fazendo com que nossa oração se torne um diálogo verdadeiro.

- Esta circunstância é importante, porque a correta meditação depende de uma correta oração. A influência que a prática da meditação entre os cristãos tem recebido de falsas religiões na atualidade, religiões estas que têm sido propagandeadas e disseminadas pela Nova Era (movimento que congrega diversos segmentos que têm defendido a mistura de todas as religiões com raízes de ensinamento de religiões orientais, em especial o hinduísmo, o budismo e o taoísmo e que se apresenta como o verdadeiro movimento espiritual preparatório do Anticristo), resulta de erros no entendimento do que seja a oração, erros estes que, como tudo que é trazido pelo mundo, não é novo.

- O primeiro equívoco a respeito do conceito de oração é o que se denomina de “pseudo-gnose”, entendimento de que a meditação é uma forma de aumento do conhecimento, uma demonstração da evolução espiritual porque se trata de um “desprendimento da matéria”. A prática da meditação no hinduísmo, como no ioga, parte desta pressuposição, qual seja, a de que a meditação nos faz libertar do corpo e, por isso, nos aproximamos de Deus. Este pensamento cedo tumultuou a Igreja, pois já os apóstolos atacam o “gnosticismo”, que é precisamente este pensamento, como se vê no escrito de Paulo aos colossenses ou nas epístolas de João.

- Tal pensamento é completamente equivocado, pois o corpo não é um mal em si, pois é obra de Deus e, como tal, algo que não só é bom, mas muito bom (Gn.1:31). Ademais, o corpo do salvo é templo do Espírito Santo e pertence a Deus (I Co.6:19,20).

- Como se não bastasse isso, não se pode pensar que este “desprendimento da matéria” possa nos levar a um “conhecimento superior”. “…a meditação oriental (esotérica) tem dois passos: o primeiro é esvaziar a mente da pessoa, e o segundo é direcionar essa mente vazia e desprotegida para uma busca de um suposto ‘Eu Superior’ introvertido. Trata-se da busca de uma suposta deidade interior. É o ser humano supostamente sentindo-se ‘um com deus’.…” (COSTA, Samuel. Seduzidos pela meditação. Disponível em: http://www.chamada.com.br/mensagens/meditacao.html Acesso em 21 out. 2010).

- Um dos princípios da Nova Era é, precisamente, o fazer crer que cada ser humano é um “deus”. É a divinização do homem, a mais antiga das mentiras de Satanás, já anunciada ao primeiro casal no Éden (Gn.3:4,5). A meditação, feita nestes termos, portanto, é um dos instrumentos para esta suposta divinização.

- Outro equívoco do conceito de oração que faz com que se tenha um conceito errôneo da meditação é o que se denomina de “messalianismo”,  doutrina surgida entre alguns monges orientais por volta do século IV segundo a qual a graça do Espírito Santo se confundia com a experiência psicológica da Sua presença na alma, ou seja, somente a oração incessante poderia exorcizar o demônio que se mantinha na vida daquele que se convertia a Cristo.

- A oração é um meio de santificação e a santificação deve ser seguida até o fim para que se complete o processo da salvação, mas não afugentamos o inimigo tão somente enquanto estamos orando. Considerar a oração como um meio de salvação é um erro e a meditação como uma forma de libertação do mal, que é a consequência deste pensamento, também um equívoco, que não deve ser adotado.

- Considerar que a oração ou a meditação é um meio de salvação é diminuir o poder da salvação pela fé em Cristo Jesus e entender que as obras humanas podem salvar, o que é um absurdo do ponto-de-vista bíblico. Tem-se aqui, uma vez mais, a influência dos pensamentos orientais a respeito da meditação, que é uma das formas pelas quais entendem eles, o homem obtém o seu desenvolvimento espiritual, ou seja, a sua salvação.
OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui trecho de documento da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé da Igreja Romana, a antiga Inquisição, quando discorreu sobre o tema da meditação, no tempo em que era dirigida pelo cardeal Joseph Ratzinger, que veio a ser o Papa Bento XVI: “…Ambas estas formas de erros [pseudo-gnose e messalianismo, observação nossa] continuam a constituir uma tentação para o homem pecador. Instigam-no, de facto, a procurar ultrapassar a distância que separa a criatura do Criador, como coisa que não deveria existir; levam-no a considerar o caminho de Cristo na terra, mediante o qual Ele quer conduzir-nos ao Pai, como realidade « superada »; induzem também a rebaixar o que é concedido como pura graça, ao nível de psicologia natural, como « conhecimento superior » ou como « experiência ». Reaparecidas de vez em quando na história à margem da oração da Igreja, tais formas erróneas parecem impressionar hoje novamente muitos cristãos, apresentando-se-lhes como remédio quer psicológico quer espiritual, e como processo rápido para encontrar a Deus.…” (Carta aos bispos da Igreja Católica acerca de alguns aspectos da meditação cristã, n.10. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19891015_meditazione-cristiana_po.html Acesso em 21 out. 2010)

- A meditação nada mais é que um momento de silêncio em que, refletindo sobre a Palavra de Deus ou outros meios de revelação divina, esperamos “escutar a voz do Senhor”. Assim, bem ao contrário de nos anularmos e cairmos no “nada”, como dizem os budistas, ou chegarmos ao “Eu-divino”, como afirmam os hinduístas, temos a certeza de que encontraremos o Senhor de todas as coisas, o nosso Pai, cujas obras contemplamos em nossas mentes, em nosso homem interior no momento da meditação.
OBS: “…« Deus é amor » (1 Jo. 4, 8): esta afirmação profundamente cristã pode conciliar a união perfeita com a alteridade entre o amante e o amado, em eterna « quase-troca » e eterno diálogo. Deus mesmo constitui este eterno diálogo, e nós podemos, com plena verdade, tornar-nos participantes de Cristo, como « filhos adoptivos », e gritar com o Filho no Espírito Santo: « Abbá, Pai ». Neste sentido, os Padres têm totalmente razão quando falam da divinização do homem, o qual, incorporado em Cristo, Filho de Deus por natureza, se torna participante, pela sua graça, da natureza divina, « filho no Filho ». O cristão, recebendo o Espírito Santo, glorifica o Pai e participa realmente da Vida Trinitária de Deus.…” (Carta aos bispos da Igreja Católica acerca de alguns aspectos da meditação cristã, n.15. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_19891015_meditazione-cristiana_po.html Acesso em 21 out. 2010) (destaques originais)

- Por isso mesmo, ao meditarmos e centrarmos nossa atenção em Deus e em Suas obras, não temos como deixar de refletir sobre o amor de Deus, pois Deus é amor (I Jo.4:8). Neste sentido é dito que o amor de Deus é o único objeto da contemplação cristã. À medida que meditamos, não teremos senão que reconhecer que sempre seremos inferiores ao amor de Deus, amor este que se evidencia na própria vinda de Deus para nos falar em nosso silêncio, “…pela misericórdia de Deus Pai, mediante o Espírito Santo enviado aos nossos corações, nos é dado em Cristo, gratuitamente, um reflexo sensível deste amor divino, e nos sentimos como atraídos pela verdade e pela beleza do Senhor.…” (SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. op.cit., n.31).

- “…A meditação esotérica, motivada por Satanás, é passiva. A meditação cristã é ativa.
Na meditação bíblica, o indivíduo deve não apenas ler a Bíblia, mas principalmente decorá-la e aplicá-la à sua vida, além de falar com Deus através da oração e do louvor. O reverendo Bob Larson, em seu livro Larson’s New Book of Cults, afirma: ‘A raiz da palavra meditação implica um processo ruminativo de uma digestão vagarosa das verdades de Deus. Isso envolve um pensamento concentrativo, dirigido, que medita nas leis, obras, preceitos, palavra e pessoa de Deus. ‘Medite n’Ele’, é a mensagem da Escritura. [...] A meditação mística cultua o próprio ser como uma manifestação interior de Deus. A meditação bíblica estende-se ao exterior para um Deus transcendental que nos levanta acima da nossa natureza interna pecaminosa para comungar com Ele através do sangue do Seu Filho’.[ Larson’s New Book of Cults. Tyndale House Publishers Inc., Wheaton, Illinois, USA, 1994, páginas 55-56] …”(COSTA, Samuel. end. cit.).

- Por isso, não se podem adotar, como muitos têm feito, conceitos advindos do budismo ou do hinduísmo para a prática de uma suposta “meditação cristã”. Técnicas como a da “comunidade mundial da meditação cristã”, criada pelo monge beneditino John Main (1926-1982), onde, dizendo ter base nos chamados “padres do deserto” (os primeiros monges cristãos), desenvolveu toda uma técnica com base no “mantra”, que é uma concentração mental em torno de uma palavra para completo esvaziamento da mente, exatamente o que fazem os budistas e hinduístas, praticamente a mesma técnica conhecida como “oração centrante”, esta desenvolvida pelo monge trapista Thomas Keating (1923- ), devem ser repudiadas, pois não é este o pressuposto de uma meditação cristã.
OBS: “…Como podem ver, a Oração Centrante e a Meditação Cristã sao ‘meio-irmãs’. A diferença básica é que na Oração Centrante o ‘Mantra’ chama-se ‘Palavra Sagrada’ ou ‘Palavra de Amor’ e NÃO é repetida incessantemente, como na Meditação Cristã. Repetimos a Palavra Sagrada quando nos percebemos com nossa atenção em alguma coisa, que não seja a Presença de Deus. Então voltamos a ela para reafirmar nossa INTENÇÃO de permanecer diante do Senhor. Ela também representa nosso CONSENTIMENTO à SUA ação em nós. Enquanto a Oração Centrante é receptiva, a Meditação Cristã é uma forma ativa de meditar.…” (Oração centrante e lectio divina. Disponível em: http://www.oracaocentrante.org/meditcrista.htm Acesso em 21 out. 2010). Percebe-se, pelas próprias palavras de seus praticantes, como há nítida influência hinduísta-budista nestas práticas meditativas.

- Também merece referência aqui os escritos de Richard Foster, um ministro quaker, que tem encontrado grande aceitação no meio evangélico, cujos métodos de meditação estão presentes na obra “Celebração da disciplina”, que acolhe os discutíveis ensinos da completa passividade na meditação (SCHULTZE, Mary. O perigo da meditação e da oração comtemplativa. 28 dez. 2006. Disponível em: http://www.cpr.org.br/O-Perigo-da-meditacao.htm Acesso em 21 out. 2010)

- Este “esvaziamento da mente” defendido pelos cultores deste tipo de meditação leva, inevitavelmente, a um controle da pessoa por forças espirituais ocultas, que não são o Espírito Santo. Como afirma Samuel Costa, …o objetivo final da meditação esotérica é o controle total das mentes dos praticantes por forças ocultas anticristãs. Do outro lado, o alvo da meditação cristã é o cultivo constante de um relacionamento de amor e dependência do homem limitado com o seu único Deus – Maravilhoso, Criador, Onipresente, Onipotente, Onisciente e Ilimitado.…” (end.cit.).
OBS: “…Meditação, para o hinduísta, não é o mesmo que para nós, cristãos; não significa reflexão, aprofundamento de um tema que leve à oração. Meditação, para o hinduísta, é o  esvaziamento da mente; é fazer da mente uma folha branca ou uma tábua rasa. Assim pensa o yógui se libertar do reboliço do mundo sensível e entrar em repouso, identificando-se mais e mais com a divindade.…” (BETTENCOURT, Estêvão. : Yoga, o que é? Pergunte e responderemos, .459, ano 2000, p.459. Disponível em: http://www.cleofas.com.br/ver_conteudo.aspx?m=doc&cat=119&scat=182&id=454 Acesso em 21 out. 2010).


- Este relacionamento amoroso com o Senhor, pois a consequência da meditação cristã é a abertura de um diálogo com Deus, que é amor, jamais passará pela nossa inconsciência, pela nossa anulação. Deus não age desta maneira, mas respeita a dignidade do homem que criou.

- Não resta dúvida de que Deus está acima do homem e que um contato com o Senhor nunca poderá passar pelo entendimento humano, ultrapassa-o. O apóstolo Paulo, mesmo, disse que, num contato extraordinário tido com o Senhor, em sua experiência do arrebatamento ao terceiro céu, teve experiências que são inefáveis, ou seja, não há como exprimi-las na pobre linguagem humana (II Co.12:4).

- Os chamados “padres do deserto”, como João Cassiano (370-485) e o autor da obra “A nuvem do não saber” (anônimo, provavelmente no século XIV) apenas reforçaram o caráter sobrenatural do contato entre Deus e o homem, que vai além do nosso entendimento, algo, aliás, que o apóstolo Paulo registra num instante de grande espiritualidade ao término do capítulo 11 da epístola aos romanos. Isto não autoriza, em absoluto, defendermos que a meditação é prática que deve nos fazer inconscientes ou de “mente vazia”. Fujamos destes ensinos, que nada tem de bíblicos e nada mais são que aplicação dos falsos ensinamentos da Nova Era a uma prática das mais sublimes e profundas da espiritualidade cristã.

- “…O vazio de que Deus precisa é o da renúncia ao próprio egoísmo, não necessariamente o da renúncia às coisas criadas que Ele nos deu e no meio das quais nos colocou. Não há dúvida que na oração nos devemos concentrar inteiramente em Deus e afastar o mais possível aquelas coisas deste mundo que nos prendem ao nosso egoísmo.…” (SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. op.cit., n.19). A contemplação de Deus exige de cada um de nós a prévia limpeza de coração (Mt.5:8), o que, aliás, também é uma exigência feita ao orante (Jo.9:31). Por isso, em vez de nos desprendermos, devemos, na meditação, começar refletindo sobre nossos pecados e pedindo perdão por eles a Deus. É o chamado primeiro estágio da meditação, a “purificação”.
OBS: Tomás de Kempis (1379 ou 1380-1471), em sua obra A imitação de Cristo, que teve grande influência entre os líderes da Reforma Protestante, afirmava o seguinte: “…Por que muitos santos foram tão perfeitos e contemplativos? É que eles procuraram mortificar-se inteiramente em todos os desejos terrenos, e assim puderam, no íntimo de seu coração, unir-se a Deus e atender livremente a si mesmos. Nós, porém, nos ocupamos demasiadamente das próprias paixões e cuidados com excesso das coisas transitórias. Raro é vencermos sequer um vício perfeitamente; não nos inflamamos no desejo de progredir cada dia; daí a frieza e tibieza em que ficamos. Se estivéssemos perfeitamente mortos a nós mesmos e interiormente desimpedidos, poderíamos criar gosto pelas coisas divinas e algo experimentar das doçuras da celeste contemplação. O que principalmente e mais nos impede é o não estarmos ainda livres das nossas paixões e concupiscências, nem nos esforçamos por trilhar o caminho perfeito dos santos. Basta pequeno contratempo para desalentarmos completamente e voltarmos a procurar consolações humanas. Se nos esforçássemos por ficar firmes no combate, como soldados valentes, por certo veríamos descer sobre nós o socorro de Deus. Pois ele está sempre pronto a auxiliar os combatentes confiados em sua graça: Aquele que nos proporciona ocasiões de peleja para que logremos a vitória. Se fizermos consistir nosso aproveitamento espiritual tão somente nas observâncias exteriores, nossa devoção será de curta duração. Metamos, pois, o machado à raiz, para que, livre das paixões, goze paz nossa alma. Se cada ano extirpássemos um só vício em breve seríamos perfeitos. Mas agora, pelo contrário, muitas vezes experimentamos que éramos melhores, e nossa vida mais pura, no princípio da nossa conversão que depois de muitos anos de profissão. O nosso fervor e aproveitamento deveriam crescer, cada dia; mas, agora, considera-se grande coisa poder alguém conservar parte do primitivo fervor. Se no princípio fizéramos algum esforço, tudo poderíamos, em seguida, fazer com facilidade e gosto. Custoso é deixar nossos costumes; mais custoso, porém, contrariar a própria vontade. Mas, se não vences obstáculos pequenos e leves, como triunfarás dos maiores? Resiste no princípio à tua inclinação e rompe com o mau costume, para que te não metas pouco a pouco em maiores dificuldades. Oh! Se bem considerasses quanta paz gozarias e quanto prazer darias aos outros, se vivesses bem, de certo cuidarias mais do teu adiantamento espiritual. …” (A imitação de Cristo, I, 11. Disponível em: http://www.culturabrasil.org/imitacao.htm Acesso em 23 out. 2010). E há ainda hoje quem ache que os maus costumes não inibem o avanço espiritual dos crentes…

- Também aqui devemos tomar cuidado com a obsessão que estes “arautos da meditação” estão a fazer com relação à postura física para a meditação, algo que é essencial na “meditação esotérica”, já que deve haver um “desprendimento do corpo”, sua “aniquilação” e a postura física traz, inegavelmente, uma influência na criação deste estado psicológico de desprendimento. Assim como não há uma postura física que se impõe à oração, não pode haver, também, posturas físicas impostas para a meditação.

- Não se nega que a meditação exige uma certa postura física, um ambiente em que não haja distração, mas a obsessão que se tem com relação a este aspecto é mais um indicador da influência alheia à Palavra de Deus que possuem tais técnicas de meditação. Ademais, como bem ponderou o já mencionado documento romanista, “…Viver no âmbito da oração toda a realidade do próprio corpo como símbolo, é ainda mais difícil: pode degenerar em culto do corpo e levar a identificar subrepticiamente todas as suas sensações com experiências espirituais. Alguns exercícios físicos produzem automaticamente sensações de repouso e de distensão, que são sentimentos gratificantes; podem talvez até produzir fenômenos de luz e de calor, que se assemelham a um bem-estar espiritual. Trocá-los, porém, por autênticas consolações do Espírito Santo, seria um modo totalmente errôneo de conceber o caminho espiritual. Atribuir-lhes significados simbólicos típicos da experiência mística, quando o comportamento moral do praticante não está à sua altura, representaria uma espécie de esquizofrenia mental, o que pode conduzir até a perturbações psíquicas e, em certos casos, a aberrações morais.…( SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. op.cit., nn.27 e 28).

OBS: Elucidativas são as palavras do monge beneditino D. Estevão Bittencourt (1919-2008) a respeito: “…Os hinduístas, especialmente os budistas, é que cultivam exercícios corporais para praticar a meditação. Nisto são inspirados por sua mentalidade panteísta, que identifica entre si a Divindade e o homem; este seria uma centelha da Divindade apoucada ou encarcerada pela matéria. Os exercícios físicos ttêm a função de fazer que a centelha divina (existente no íntimo do homem) se emancipe das limitações da matéria e entre em sintonia com a divindade existente fora do homem; as posturas físicas, o ritmo respiratório, a dieta alimentícia desempenham assim papel Importante, porque, segundo esta concepção, contribuem para libertar o núcleo central do homem.(…) Nos últimos anos alguns autores católicos têm procurado adaptar a metodologia hinduísta à prática cristã da oração, recomendando exercícios físicos diversos para se conseguir chegar à mais profunda união com Deus.(…) É possível, sim, que os exercícios corporais proporcionem certo bem-estar físico, facilitando a respiração e o metabolismo; todavia esse bem-estar ou essas condições higiênicas não é oração, nem são necessariamente a melhor preparação ou o melhor o concomitante da oração .(…) Quem muito valoriza os exercícios corporais para rezar, corre o risco de identificar oração e bem-estar higiêniCO, ou também o risco de identificar gestos corpóreos e valores éticos espirituais(…) (O mantra na espiritualidade cristã. Pergunte e responderemos, n. 408, ano 1996, p.209. Disponível em: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:WzfR5pSNdFwJ:www.cleofas.com.br/virtual/texto.php%3Fdoc%3DESTEVAO%26id%3Ddeb0115+medita%C3%A7%C3%A3o,+felipe+de+aquino,+estev%C3%A2o+bettencourt&cd=6&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Acesso em 21 out. 2010)

- Depois de termos sido lavados e purificados no sangue de Cristo (I Jo.1:7), temos condição de prosseguir na meditação, fazendo lembrança de Suas obras (Sl.63:6), refletindo e meditando em Sua Palavra (Sl.119:148), aguardando, em silêncio, a presença do Senhor. Este processo é chamado pelos estudiosos de “iluminação”, porque é nesta reflexão a respeito do Senhor que o Espírito Santo nos faz conhecer a Sua Palavra, abre nossas mentes para as realidades espirituais, o que já é o início do diálogo com o Senhor, que, pela Sua Palavra ou por Suas obras, começa a falar com o nosso homem interior. O Espírito Santo nos guia em toda a verdade neste instante da meditação.

- Por fim, temos o terceiro estágio da meditação, conhecido como “união”, uma experiência particular que depende da vontade de Deus. Esta união é um “mistério”, algo que é de impossível descrição, em que desfrutamos de um compartilhamento todo especial com Deus, de uma intimidade, de uma manifestação da Sua glória. Por isso mesmo, como bem afirma o documento católico romano a que nos referimos já algumas vezes, não é possível criar-se uma “técnica” para se chegar à “união mística”, pois isto independe do homem, mas única e exclusivamente de Deus. “…A mística cristã autêntica não tem nada a ver com a técnica: é sempre um dom de Deus, do qual se sente indigno quem dele se beneficia…” (SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. op.cit., n.23).

- Esta experiência, ademais, é particular, relacionada com a intimidade entre aquele que medita e o Senhor, algo que não poderá ser, por isso, pretendido nem copiado por outra pessoa. Tem-se aqui uma manifestação espiritual peculiar, que jamais poderá se tornar em uma doutrina, aplicável a todos os servos de Deus. Devemos nunca nos esquecer disto, para que não busquemos o que não nos é oferecido, como também não julguemos os outros pelo que tenhamos nós experimentado com o Senhor em nossa intimidade espiritual.

- “… A meditação é um dever que precisamos praticar, se desejamos o nosso próprio bem-estar espiritual. A meditação deveria ser deliberada, intensa e contínua (ver Sl.1:2; 119:97). Os assuntos em torno dos quais a mente do crente mais deveria ocupar-se são as seguintes: as obras da criação (Sl.19); as perfeições de Deus (Dt.32:4); o ofício e as operações do Espírito Santo (Jo. 15 e 16); a dispensação da providência divina (Sl.97:1,2); os preceitos e promessas existentes na Palavra de Deus (Sl.119); o valor dos poderes da alma e sua imortalidade (Mc.8:36) e, finalmente, a depravação de nossa própria natureza, e a graça de Deus, em nossa salvação etc.” (CHAMPLIN, Russell Norman. Meditação. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. v.4, p.200) (destaques originais).

- “…Meditação na Palavra dirigirá nossos pensamentos ao Senhor Jesus, e na mais doce
comunhão com o Senhor nós pensaremos em Sua Pessoa, caráter, obra, glórias e muito
mais, até que as nossas almas estejam ocupadas com Ele Mesmo e nossos corações se derramem em adoração a Ele. Lembre-se de meditar nas obras de Deus (leia Salmo 143:5- 6). Talvez Davi pensasse acerca de Deus preservando-o quando ele matou o leão e o urso, ou quando ele matou Golias. Não pensava ele das grandezas da Criação e dos maravilhosos feitos de Deus em relação a Israel? Meditar nas obras de Deus fazia-lhe ter sede de Deus e orar a Ele. Assim, quanto a nós mesmos, ao invés de nos afligirmos acerca dos nossos problemas, deveríamos pensar nas grandes coisas que Deus tem feito por nós, como Deus tem nos salvado, disciplinado, guiado e preservado. Eu tenho temido coisas que nunca aconteceram e tenho frequentemente esquecido de agradecer a Deus pelas bênçãos recebidas. Não se esqueça de meditar (‘pensar’, King James Version) nos lindos assuntos de Filipenses 4:8. Fazer isso nos fará perceber quão longe nós podemos chegar em pouco tempo. Nós deveríamos ver neste verso um retrato do Senhor Jesus. Se nossas mentes estão cheias destas coisas, não haverá lugar para pensamentos que desagradam ao Senhor.” ((NORRIS, John. A importância da meditação na vida do crente. Truth and tidigns, maio 1995, Trad. e adapt. por Claudinei Benedito Benedito. Disponível em: http://www.exame.diario.nom.br/a-import.pdf Acesso em 21 out. 2010).


                                                                 Caramuru Afonso Francisco

21.11.10

1.º Trimestre de 2011 das Lições Bíblicas CPAD: "Atos dos Apóstolos até os Confins da Terra"

1.º Trimestre de 2011 das Lições Bíblicas CPAD:

Atos dos Apóstolos até os Confins da Terra



1 Ação do Espírito Santo Através da igreja
2 Ascensão de Cristo e a Promessa de Sua Vinda
3 O Derramamento do Espírito Santo no Pentecoste
4 Poder Irresistível da Comunhão da Igreja
5 Sinais e Maravilhas da Igreja
6 A Importância da Disciplina na Igreja
7 Assistência Social, um Importante Negócio
8 Quando a Igreja de Cristo é Perseguida
9 A Conversão de Paulo
10 O Evangelho Propagaste entre os Gentios
11 O Primeiro Concílio da Igreja de Cristo
12 As Viagens Missionárias de Paulo
13 Paulo Testifica de Cristo em Roma

13.11.10

Série Hino Mesmo: "Agnus Dei", por Eduardo e Silvana



Agnus Dei
(Composição: Michael W Smith. Versão: Eduardo e Silvana)

Aleluia
Aleluia

Santo és Tu, ó Cordeiro de Deus!

Aleluia
Aleluia

Santo és Tu, ó Cordeiro de Deus!
Aleluia

Santo!
Santo!

Ó Cordeiro do trino Deus
Digno Tu és...
Digno Tu és de todo louvor!

Santo...
Ó Cordeiro do trino Deus

Digno Tu és...
Digno Tu és...
De Louvor!

10.11.10

Pr. Enoque Lima é liberado da prisão

Julio Severo
O Pastor Enoque foi liberado da prisão após ter sido constatado que o motivo da sua prisão na sexta-feira era ilegal e sem justa causa. A penalidade imputada ao fato era afiançável e da alçada do Juizado de Pequenas Causas Criminais.

No sábado ele já estava na casa de um amigo buscando refúgio em oração.
Segundo informações da localidade, a prisão foi motivada por uma representação policial de autoria do Bispo Manoel Ferreira, alegando entre outras coisas: uso de “imagem indevida de terceiros”, afirmações caluniosas, injuriosas, difamatórias, sobre o caso conhecido como Reverendo Moon e Bispo Ferreira (...)

A prisão do Pr. Enoque foi originada após um suposto flagrante de cometimento do crime de pirataria, ou seja, tentaram criar uma situação onde o Pr. Enoque pudesse ser acusado de piratear o vídeo informativo sobre o caso do rev. Moon.

A situação tornou-se misteriosa quando um homem que se identificou como “pastor” pediu ao Pr. Enoque que copiasse em DVD o vídeo caseiro (que o próprio Pr. Enoque havia elaborado após pesquisas em sites públicos) sobre o caso Moon e fizesse algumas cópias gratuitas para alguns amigos cristãos. Logo em seguida, a polícia entra em cena e prende o pastor dizendo que ele estava fazendo pirataria, com fins comerciais, usando imagens de terceiros, etc.

Na prática, pode-se dizer que tentaram forjar um flagrante de crime, com a intermediação de outro “pastor”, que foi utilizado como isca para pegar o Pr. Enoque.

Pelos fatos noticiados não se pode falar em crime de pirataria, pois tanto o rev. Moon quanto o Bispo Manoel Ferreira são homens públicos e o vídeo não tinha finalidade de venda comercial de DVDs. Além disso, não houve quebra de direitos autorais, pois as imagens foram capturadas de sites públicos, invalidando assim a acusação de “uso de imagem indevida”.

O que aparenta estar por trás da acusação e prisão é perseguição religiosa contra um pastor da Convenção das Assembleias de Deus da CONAMAD, o qual teve o seu direito a liberdade de expressão e informação constitucional atacado pelo poder estatal.

O vídeo amador elaborado pelo Pr. Enoque e postado no YouTube teve o simples objetivo de mostrar imagens verdadeiras do próprio site oficial da seita da Unificação do reverendo Moon e as alianças que o Bispo Ferreira fez com o homem que se considera a própria encarnação de um novo messias.

Ferreira não se considera messias, mas goza hoje de uma influência enorme junto ao falso messias e junto também aos órgãos do governo federal, pois ele é o coordenador oficial da campanha de Dilma Rousseff para os evangélicos.

Ele é também o presidente da própria denominação onde o Pr. Enoque é pastor e, devido à elevada posição de Ferreira, tivemos informações de que pessoas locais estavam dizendo não mais conhecer o Pr. Enoque, possivelmente temerosas de represálias.

Portanto, a fim de dissipar dúvidas, informamos que o Pr. Enoque Vieira Lima é pastor do Evangelho desde 1994, com matrícula na CONAMAD de número 10924, Goiás, Campo 09-015-001 FAMA — SEDE (FAMA é o nome do bairro), congregação 09-015-001, congregando em sua igreja sede. O presidente da igreja sede é o Pr. Abigail Carlos de Almeida. O presidente da CONEMAD-GO é o Pr. Oídes José do Carmo.

O telefone da igreja é (62) 3211-1777. Ligue para lá e pergunte sobre o Pr. Enoque, a fim de mostrar, de forma educada, que você está preocupado com ele, ainda que neguem conhecê-lo.

O Pr. Enoque Lima é autor do livro A Invasão Oculta, da Editora Naós.

O que você pode fazer agora? Ore pelo Pr. Enoque e sua família. E copie e divulgue ao máximo os vídeos que estão neste artigo, antes que os amigos de Ferreira no governo venham caçar este blog.




6.11.10

Prisão do Pr. Enoque Lima: mais informações

Julio Severo

Ontem, sexta-feira, foi preso pela polícia, em Goiânia, o Pr. Enoque Lima. De acordo com o Dr. Zenóbio Fonseca, advogado evangélico que está mantendo contato com a família do pastor, a prisão foi feita de forma ilegal.

O Dr. Zenóbio diz: “O Pastor Enoque é um homem correto, honrado e a sua prisão tem correlação direta com a denúncia que ele fez sobre o reverendo Moon e o Bispo Manoel Ferreira. O pastor Enoque é membro da Assembléia de Deus e está sofrendo perseguição religiosa, ataque contra a sua liberdade de expressão e informação garantida pela Constituição Federal”.

Continuando, o Pr. Zenóbio explica: “Pelas informações que recebi de uma fonte familiar do pastor, ele encontra-se preso na delegacia de Goiânia, está sendo assistido por advogado cristão, recebendo centenas de apoios via contato telefônico para sua família. A imprensa local está cobrindo esta violência contra o pastor”.

O caso se torna gravíssimo porque a vítima é um pastor humilde, enquanto que os agressores são poderosos e têm ligações políticas poderosas. O Bispo Manoel Ferreira é o coordenador oficial da campanha de Dilma Rousseff para os evangélicos.

No fim, o Dr. Zenóbio dá o alerta: “Solicito a todas as pessoas que divulguem esta informação sobre a perseguição e prisão do Pastor Enoque. Hoje é o Pastor Enoque. Amanhã poderá ser você ou alguém de sua família”.

Nos links abaixo, você poderá assistir aos vídeos do Pr. Enoque denunciando o Bispo Manoel Ferreira:




Urgente: Pastor que denunciou ligação entre Bispo Manoel Ferreira e Rev. Moon sofre prisão

Julio Severo

Dilma Rousseff mal ganhou a eleição e seus aliados se sentem tão fortalecidos que agora estão dispostos a destruir toda a oposição. O Pr. Enoque Lima, que é pastor dentro da denominação da Asssembleia de Deus onde o Bispo Manoel Ferreira é presidente, acaba de ser preso, conforme comunicado que recebi agora há pouco da esposa dele.

Ela estava no serviço agora à tarde quando recebeu telefonema da prisão do marido. Ela não sabe detalhes, mas afirma saber que a prisão tem relação com Manoel Ferreira.

Conforme meu blog vem denunciando durante mais de dois anos, Ferreira tem tido ligações com o Rev. Moon, da seita Igreja da Unificação. Nessas denúncias, meu blog sempre usou vídeos preparados pelo Pr. Lima.

Peço oração pela segurança e livramento do pastor que ousou denunciar o escândalo da figura maior da denominação dele.

Quem estiver em Goiás e puder ajudar juridicamente, favor entrar em contato comigo.

Peço também que todos copiem, baixem e espalhem os vídeos do Pr. Enoque Lima que estão no meu blog, antes que a “justiça” que prendeu o Pr. Lima venha atrás do meu blog.



4.11.10

OLHAI, VIGIAI E ORAI. RESISTI

                                  

Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo” (Mc.13:33)

“Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar, ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.” (I Pe.5:8,9)

                                                                                              GIBEÁ*



                                   Terminaram as eleições gerais de 2010, com expressiva vitória do grupo político capitaneado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que conseguiu folgada maioria em ambas as Casas do Congresso Nacional, como também elegeu a chapa majoritária apresentada nas eleições presidenciais.

                                   No entanto, este triunfo, que põe o nosso país na linha de frente de um projeto de poder baseado em ideologias e doutrinas anticristãs, não representou, por paradoxal que possa ser, uma derrota da oposição, daqueles que não comungam dos mesmos valores e princípios manifestados pelo PT e pelos seus aliados.

                                   Com efeito, apesar da pujante vitória alcançada, tem-se que, por pelo menos quatro razões, a vitória eleitoral demonstra que nem tudo está perdido e que o Brasil ainda pode ser o país que tenha efetiva e real diminuição da injustiça e da iniquidade sem que, para tanto, renuncie aos valores culturais judaico-cristãos que o forjaram e deixe de ser um campo missionário da seara do Senhor com liberdade de expressão e democracia.

                                   A primeira razão advém da própria estratégia traçada pelo governo Lula, que tomou como prioridade absoluta a vitória de sua candidata nas eleições presidenciais, sabedor de que, no sistema de governo vigente, quem tem a Presidência da República tem o poder real e efetivo sobre o país.

                                   Tal estratégia levou a oposição a conquistar dez governos estaduais (PSDB: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Tocantins, Pará, Alagoas e Roraima; DEM: Santa Catarina e Rio Grande do Norte), inclusive com a manutenção dos dois maiores colégios eleitorais do país (São Paulo e Minas Gerais), o que pôs a maior parte da população nas mãos de governadores oposicionistas, o que, à evidência, não estava nos planos do grupo dirigente, ainda mais que a estratégia previa vitória em Minas Gerais e, pelo menos, um segundo turno em São Paulo, o que não se concretizou.

                                   Esta mesma estratégia fez com que o próprio PT conquistasse apenas cinco governos estaduais e, mesmo assim, em três estados já governados pelo PT (Bahia, Sergipe e Acre) e em dois outros estados em que o desgaste das forças políticas adversárias, em virtude de escândalos, tornaram o PT como alternativa de governo sem muito esforço (Rio Grande do Sul e Distrito Federal).

                                   Como se não bastasse, os “aliados” do PT tiveram uma performance bem melhor, tendo, juntos, onze governos estaduais, dando-lhes, assim, um “poder de fogo” bem maior que o imaginado pelo grupo dirigente.

                                   O PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) também conquistou cinco governos estaduais, mantendo-se em quatro estados (Rio de Janeiro, Maranhão, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e conquistando apenas um estado (Rondônia). A aliança com o PT, porém, fê-lo perder Santa Catarina e Paraná, não lhe tendo dado as tão cobiçadas Minas Gerais.

                                   O PSB (Partido Socialista Brasileiro), aliado menor na coligação majoritária, conquistou seis governos estaduais, mantendo três (Pernambuco, Ceará e Piauí) e conquistando outros três (Paraíba, Espírito Santo e Amapá), demonstrando, inclusive, uma força na região Nordeste que obrigará uma reavaliação do papel subalterno que tem tido no governo.

                                   Embora tenha participado da coligação com o PSDB, o PMN (Partido da Mobilização Nacional) elegeu um governador no Amazonas que apoiou a presidenta eleita, de modo que este governo estadual deve ser tido, também, como sendo da “base aliada” do governo.

                                   Isto mostra, pois, que, apesar de ter conquistado a Presidência da República, o PT terá de negociar mais com os partidos que o apoiam, que têm vários governos estaduais, sem falar nos governos em mãos dos oposicionistas, o que já é um certo freio à instituição de uma hegemonia petista no país.

                                   A segunda razão é a própria votação obtida pela presidenta eleita. Ela foi eleita com 55.752.529 votos, ou seja, 41,05% do eleitorado, ou seja, menos da metade dos eleitores. A proposta governista, portanto, não conseguiu convencer mais da metade da população com direito a voto, a mostrar, pois, como bem salientara o padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior, em profética homilia em janeiro de 2010, que havia uma “maioria silenciosa” no país que não comunga com os valores e princípios petistas.

                                   Dilma Roussef é a presidenta que tem o menor apoio da população desde que voltaram as eleições diretas para Presidente da República em 1989 e tal dado não pode ser desconsiderado pelo grupo dirigente que, portanto, deve ser mais cauteloso e prudente nas suas intenções de moldar o país à sua imagem e semelhança.

                                   A terceira razão, quase que um corolário da anterior, é a consequência resultante das movimentações petistas a partir do segundo mandato de Lula em temas sensíveis como o aborto, a criminalização da homofobia, a liberdade de imprensa e de expressão e o próprio Plano Nacional de Direitos Humanos-3.

                                   A reação da população à divulgação das notícias a respeito de tais movimentos antidemocráticos do governo petista acabou levando a eleição presidencial para o segundo turno e obrigou a presidenta eleita a assumir certos compromissos que, ainda que oblíquos e enganosos, não deixam de ser um certo recuo nestas tendências malévolas.

                                   A presidenta eleita foi obrigada a ratificar que manterá a liberdade de expressão, bem como que não atingirá a liberdade religiosa, logo no discurso em que celebrou sua vitória. Embora tais compromissos, repita-se, não sejam dignos de crédito, pelos próprios movimentos que o governo Lula continua fazendo, inclusive com a apresentação de projetos para criação de controles sociais de meios de comunicação nos estados, não deixa de ser um sinal de alento, pois, ante a repercussão de tais temas nas eleições presidenciais, os políticos, notadamente os parlamentares, estarão sempre sensíveis a uma mobilização contra a tomada de medidas que venham a comprometer a liberdade religiosa e os valores morais de nossa sociedade.

                                   Tem-se, pois, um outro fator a retardar, pelo menos, a fúria antirreligiosa e antidemocrática do PT.

                                   A quarta e última razão é a imediata e quase instantânea reação dos “aliados” do PT a uma tentativa de se costurar uma transição do governo Lula ao governo Dilma somente por petistas.

                                   Após duas reuniões no dia seguinte ao da vitória com os coordenadores petistas da campanha, a presidenta eleita, que já havia dito que tiraria uns dias de descanso, teve de refazer a agenda e incluir, na comissão da transição, o vice-presidente eleito Michel Temer, que ainda preside o PMDB, bem como ouvir de uma liderança peemedebista que “o PMDB não abrirá mão de um milímetro sequer do espaço que tem no governo”.

                                   A realidade é que, ao contrário do que ocorreu com Lula, Dilma terá de conviver com um PMDB que se sente partícipe da vitória (e efetivamente o foi) e que poderá herdar a Presidência em caso de saída da titular, o que é, sem dúvida, um fator de inquietação permanente e constante para a presidenta eleita.

                                   A margem para manobras e casuísmos, tendentes a um maior controle da sociedade brasileira, terá de passar, necessariamente, pela sede de poder e de cargos que têm os peemedebistas, o que é, sem dúvida, mais um freio às intenções petistas de transformar a “condição de governo” da era Lula em “condição de poder” no governo Dilma, como, aliás, foi decidido na reunião do Foro de São Paulo em Buenos Aires, neste ano de 2010.

                                   Neste verdadeiro “xadrez político”, o povo de Deus deve ver uma oportunidade singular que o Senhor nos dá para que demonstremos se, verdadeiramente, somos, ou não, servos do Senhor e estamos dispostos a ser, no Brasil, “luz do mundo” e “sal da terra”.

                                   Não resta dúvida de que a vitória de Dilma Roussef é um sinal divino de que o Senhor quer que despertemos do “mui profundo sono do jardim” em que se encontram os cristãos brasileiros.

                                   Há um risco real de perdermos nossa liberdade de expressão, de não mais podermos adorar a Deus em toda a plenitude neste florão da América.

                                   Por isso, estes quatro freios, tênues mas reais, que se apresentam diante do grupo dirigente, mesmo após grande vitória eleitoral, é mais uma manifestação da graça divina para que, a tempo, a exemplo do que se fez no primeiro turno da eleição presidencial, a “maioria silenciosa” acorde e impeça que o Brasil se torne um berço esplêndido dos valores anticristãos.

                                   Para tanto, neste momento da vida nacional, “não vamos nos dispersar” (para lembrarmos a célebre expressão de Tancredo Neves em seu discurso após sua vitória nas eleições indiretas de 1985), depois da vitória da candidata petista nas urnas, vitória que, como vimos, está longe de ser a desejada pelo atual grupo dirigente.

                                   Assim, não sabendo quando chegará o tempo da noite, em que ninguém mais poderá trabalhar (Jo.9:4), devemos seguir os ensinamentos de Nosso Senhor, que nos mandou tomar três atitudes: olhar, vigiar e orar.

                                   Olhar, nós já estamos olhando, pois vimos, com clareza, o sórdido projeto de transformar nossa nação em plataforma do Anticristo e, ainda que tardiamente, começamos a nos manifestar, inclusive levando a eleição presidencial para o segundo turno e tornando a presidenta eleita a que tem menos apoio popular desde 1989.

                                   Somente os salvos veem o reino de Deus (Jo.3:3) e não podemos perder esta visão. Doravante, temos de ficar atentos e, com os olhos espirituais, ver a realidade de nossa nação, o que existe e verificando no que o existente confronta com o desejado pelo Senhor, o que se encontra na Sua Palavra.

                                   O povo de Deus deve sair às ruas, deixar as quatro paredes de seus templos, mostrando ao mundo que Jesus é o caminho, a verdade e a vida. A evangelização é, hoje, imperiosa, pois somente se pregando o Evangelho, a partir de nossas vidas e nossos exemplos, poderemos levar ao mundo a mesma visão que temos, pois é a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus, que faz resplandecer a verdade aos que se encontram cegos por força do deus deste século (II Co.4:4).

                                   Em palavra profética dada à Assembleia de Deus do Belenzinho, em São Paulo/SP, no dia 3 de outubro de 2010, culto da ceia do Senhor, dia do primeiro turno das eleições presidenciais, o Senhor alertou Seu povo de que “tinha o controle de todas as nações, inclusive do Brasil”, mas que queria que o Seu povo “pregasse a Sua Palavra e se santificasse, porque o tempo está próximo”, bem como que “o diabo tentará calar a vossa voz, mas preguem a Minha Palavra”. Não há tempo a perder: evangelizemos, pois a libertação do povo brasileiro das mãos vis da plataforma anticristã somente virá quando conhecerem o Filho, o único que pode libertar (Jo.8:32,36).

                                   Mas, além de olhar, é necessário que também vigiemos. Vigiar é estar atento, prestar atenção. Sabendo da força demonstrada pela “maioria silenciosa” no primeiro turno das eleições presidenciais, é imperioso que o povo de Deus se organize para acompanhar todos os movimentos que forem feitos no Congresso Nacional e nas Assembleias Legislativas, para impedir que as medidas anticristãs sejam aprovadas.

                                   A presidenta eleita prometeu deixar que as questões como aborto, homofobia, restrição à liberdade de imprensa e outras sejam discutidas no âmbito do Congresso Nacional, onde terá o atual grupo dirigente ampla e folgada maioria. É ali, portanto, que o PT pretende impor a sua vontade aos brasileiros.

                                   Cabe, pois, ao povo de Deus ficar atento e pressionar os parlamentares para que nenhum dos projetos de lei, seja os que lá já estão ou os que venham a ser apresentados ali, sejam aprovados.

                                   A força demonstrada no primeiro turno da eleição presidencial é um grande trunfo que se terá e a organização, acompanhamento e fiscalização da atuação dos deputados federais e senadores, como também dos deputados estaduais e, até mesmo de vereadores, é fundamental para que se consiga impedir a aprovação das nefandas medidas pretendidas pelo PT.

                                   É preciso que a pressão se dê, principalmente, nos partidos “aliados” do PT, já que, por força da fidelidade partidária, os petistas não poderão jamais votar contrariamente ao que foi determinado em seus congressos, o que, entretanto, não impede que se tente, também, pressionar a própria direção petista a rever tais compromissos.

                                   A chamada maioria folgada da presidenta eleita leva em conta os partidos da “base aliada” (PMDB, PSB, PDT, PCdoB, PR, PRB, PSC e PP, aos quais deverão se unir PTB, PMN, PRP e PV). O PT sozinho não tem condições de aprovar coisa alguma e esta bênção concedida ao povo brasileiro tem de ser explorada até os últimos limites.

                                   Devemos levantar, no meio do povo de Deus, pessoas abnegadas que se incumbam de acompanhar diariamente os movimentos das Casas legislativas e, ao menor sinal de movimentação para aprovação de projetos de lei contrários ao Evangelho, possam mobilizar os demais para que, em movimentações ruidosas e eficazes, pressionem os parlamentares a que nada façam que seja contra a Palavra de Deus.

                                   Nesta vigilância, também, tem de ter destaque os parlamentares que se elegeram com o compromisso de representar os valores religiosos. Sobre estes parlamentares, dever-se-á ter diuturna fiscalização, para que cumpram o prometido de defender os interesses do povo de Deus, muito especialmente aqueles que, durante as eleições presidenciais, fizeram questão de cerrar fileiras em torno da presidenta eleita, dizendo não haver perigo aos valores cristãos num governo Dilma.

                                   Mas, de nada adiantará olhar e vigiar se, também, não orarmos. A oração é elemento indispensável, sem o que nada poderá ser feito.

                                   O Senhor Jesus disse que o salvo nada pode fazer sem Ele (Jo.15:5) e, para termos a companhia e a direção do Senhor, torna-se absolutamente necessário que tenhamos uma vida de oração, pois é este o nosso dever (Lc.18:1).

                                   Assim como, durante as eleições, muitos foram os que participaram de campanhas de oração em virtude do pleito, agora, mais do que nunca, precisamos manter as orações em prol de nosso país e da resistência cristã que começa a se formar no Brasil.

                                   Os grupos de oração devem reservar um espaço para interceder pelo país e pelos nossos governantes, a fim de que tenhamos uma vida quieta e sossegada, como, a propósito, nos mandam as Escrituras (I Tm.2:1,2).

                                   A contínua oração é a mais eficaz arma que a Igreja tem no momento da perseguição (At.12:5).

                                   As eleições serviram para mostrar ao povo de Deus que vivemos, sim, no Brasil um momento de perseguição ao Evangelho, à Igreja e, por isso, precisamos redobrar nossa oração, para que possamos vencer o inimigo, que não é o PT, mas os agentes que estão por detrás de toda esta plataforma anticristã, as hostes espirituais da maldade capitaneadas pelo diabo (Ef.6:11,12).

                                   Para tal enfrentamento, não há como agir sem oração, pois é a oração o elemento que nos põe em condições de utilizarmos, com habilidade, a armadura de Deus (Ef.6:18).

                                   Assim procedendo, estaremos efetivamente a resistir ao diabo. Resistir é a última atitude que devemos tomar neste instante delicado da vida brasileira.

                                   Diante dos bramidos como que de leão do inimigo de nossas almas, presentes nas propostas anticristãs trazidas pelo Partido dos Trabalhadores, que prosseguirá governando o Brasil, temos de resistir, com sobriedade, isto é, com equilíbrio, dominados pelo Espírito Santo, sem recorrer à violência, ao ódio, à vingança, como os adversários do Evangelho fazem, mas com vigor espiritual, com amor aos nossos perseguidores, mas, também, com firmeza, a mesma firmeza que fizeram, ao longo da historia, milhares e milhares de mártires mostrar o grande amor de Deus para com a humanidade na pessoa de Cristo Jesus.

                                   Devemos resistir firmes na fé, não admitindo, em hipótese alguma, acordos ou mitigações que signifiquem a flexibilização do Evangelho ou da Palavra de Deus, pois o falar do cristão é “sim, sim; não, não”. Não há hipótese de negociação em matéria de fé, em matéria de doutrina. Temos de defender o que a Bíblia defende, o que Jesus nos ensinou.

                                   É hora de resistirmos ao mal. É hora de cerrarmos fileiras ao lado de Cristo Jesus e retardamos a implantação do anticristianismo em nosso Brasil. Estamos dispostos a servir a Deus?


* Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises - grupo informal de estudos bíblicos nascido na década de 1990 no corpo docente da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que hoje tem vida autônoma e esporádica produção.

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