20.7.11

Casamento venerado e casamento-twitter


Casamento venerado e casamento-twitter

Estamos vivendo a era do descartável e do instantâneo. O que importa hoje, para a maior parte da população, é o aqui e o agora. Essa gente pouco pensa em ações, relacionamentos e investimentos de longo prazo, planejados, organizados, duráveis e estáveis. Segundo essa cultura de massa, o que vale é o momento. Subjaz aqui o velho e conhecido “princípio” latino Carpe diem, de Horácio. São aquilo que poderíamos chamar de ações, relacionamentos e investimentos chiclete. Enquanto estão docinhos e agradáveis, as pessoas se deleitam. Passou o doce e se tornaram borracha, jogam fora, descartam.

Dentro dessa ideologia, estão, como afirmamos, os relacionamentos. E um dos que mais têm sido atacados é, indubitavelmente, o casamento. Estamos assistindo ao aviltamento, ao ultraje paulatino e sistemático dessa instituição divina. Em total harmonia com esse ideal atual, estão recentes decisões tomadas pelo Senado e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Há cerca de um ano, o Senado aprovou a Lei do Divórcio Direto, conforme a qual “o pedido de divórcio poderá ser imediato, feito assim que o casal decidir pelo término do casamento” (NUBLAT, J. & GUERREIRO, G. Lei que agiliza processo de divórcio é aprovada no Senado. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/763738-lei-que-agiliza-processo-de-divorcio-e-aprovada-no-senado.shtml>. Data de publicação: 8 jul. 2010. Data de acesso: 20 jul. 2011). Já em maio deste ano, o STF aprovou unanimemente a chamada união estável entre gays, o que a princípio parece ser algo favorável à família, vez que um casal homossexual formaria uma nova; todavia, trata-se de uma injúria a ela, pois sua cópula não gera prole.

Tomando como foco para nossa reflexão a referência à decisão do Senado, notamos que seu efeito, isto é, o divórcio é uma tendência social moderna. Virou moda divorciar-se. O pastor presbiteriano Hernandes Dias Lopes assevera que a “sociedade moderna tem sacudido de si o jugo das Escrituras para viver o permissivismo de uma cultura humanista. Muitos casais com a esperança morta, com os sonhos sepultados, feridos pela infidelidade, secos pela ausência do amor buscam a fuga do casamento no divórcio.” (LOPES. H.D. Divórcio: liberdade ou prisão?. Disponível em: <http://hernandesdiaslopes.com.br/2004/05/divorcio-liberdade-ou-prisao/>. Data de publicação: 28 mai. 2004. Data de acesso: 20 jul. 2011).

Como prova disso, diariamente temos notícias de novos divorciados. A mais recente foi a do jogador Robinho, da Seleção Brasileira. “Robinho confirmou nesta terça-feira que está em processo de separação. O jogador do Milan havia se casado com Vivian em julho de 2009, com quem teve dois filhos. O atacante da seleção brasileira publicou a notícia oficialmente em sua conta no Twitter” (UOL ESPORTE. Robinho está se separando da mulher e critica ''inverdades'' da imprensa. Disponível em: <http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2011/07/19/robinho-anuncia-processo-de-separacao-e-critica-inverdades-da-imprensa.htm>. Data de publicação: 19 jul. 2010. Data de acesso: 20 jul. 2011). O casamento desse jogador durou dois anos. Como se não bastasse, anunciou sua separação no Twitter, rede social de conversa instantânea e curta. Se não fosse algo lastimável o que ocorreu, diríamos que é uma piada pronta. É o casamento-twitter. Dura até 140 caracteres.

Seu caso, infelizmente, não é o único. Na verdade, ele se junta a milhares de outros que veem nisso algo normal e, quiçá, necessário. Mais um mau exemplo é o de outro atleta de projeção, Alexandre Pato. Segundo a imprensa, seu casamento perdurou apenas nove meses. Casamentos e mais casamentos rompidos do maneira abrupta.
Obs.: o pior de tudo, aparentemente oposto ao que asseveramos no introito, é que uniões de  duração relativa também estão se dissolvendo. Senão, quem não se lembra de Arnold Schwarzenegger, que se separou de Maria Shriver? A revista Veja publicou que “Maria e Schwarzenegger anunciaram sua separação em 9 de maio [de 2011], após 25 anos de casamento. Dias depois, Schwarzenegger reconheceu em público que teve um filho com uma empregada que trabalhou para sua família durante 20 anos” (REVISTA VEJA. Maria Shriver pede o divórcio de Arnold Schwarzenegger. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/maria-shriver-pede-o-divorcio-de-arnold-schwarzenegger>. Data de publicação: 1 jul. 2010. Data de acesso: 20 jul. 2011).

O que está ocorrendo? Tudo isso nos mostra que grassa uma banalização do casamento. É a sabedoria dos homens, a sabedoria secular, a sabedoria louca vigendo. É provável que o divórcio ocorra amiúde porque pessoas de projeção o praticam. É claro que essa prática é própria da dureza do coração do homem que, sem Cristo, está irremediavelmente condenado e morto (Ef 2.1; Jo 3.18).

O conhecimento bíblico não é – incontestavelmente – o mesmo que o secular. A Bíblia ordena que “venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula” (Hb 13.4a). O casamento deve ser venerado. O casamento é digno de honra. Todos temos de venerar o matrimônio. E o que é venerar?

Essa palavra, consoante o Houaiss, designa “dedicar reverente respeito e deferência a, ter grande consideração por; ter em grande consideração ou estima; respeitar, acatar; prover de alimentos; sustentar”.

Dessa forma, vemos, em primeiro lugar, que todos (mormente os servos de Jesus) precisam dedicar reverente respeito ao casamento. É urgente termos grande consideração por tal instituição divina. Não é para a tratarmos como algo banal, algo descartável, simplório, fugaz. Não! Biblicamente, nossa responsabilidade é ter o matrimônio em grande estima. O que temos feito, afinal? Nosso casamento tem sido tratado por nós veneradamente ou tuitamente?

Em segundo lugar, vemos pela definição do dicionário que venerar é sustentar, prover de alimentos. Casamento não é a festa das bodas. Não é a festa do casamento. Temos sustentado nosso casamento? Temos investido nele? Como podemos fazer isso?

Ora, o casamento é sustentado com diálogo. O casamento é sustentado com tempo, fidelidade, com comunicação. A fim de tentar evitar e evitar a diluição do casamento, precisamos dar-lhe alimentos. Que são esses? Além dos que já mencionamos, temos de prover nossa união conjugal de elogios (Ct 4.7), de romantismo (v. 9), de amizade (v. 12), de prazer, de carícias (v. 15), de perdão, de altruísmo, de busca pela maturidade, de busca da felicidade do cônjuge.

O casamento não precisa de glamour, de fama, de riquezas, de pompa. Pelos maus exemplos que citamos neste artigo, vemos com clareza que o casamento não se sustenta com dinheiro, com posição social, com o sucesso. Casamento deve ser orientado por Deus, segundo Sua palavra. Somente assim, teremos condições de venerar o matrimônio. Apenas dessa maneira, não viveremos de aparências. Tão-somente desse jeito, estaremos aptos a tratar o matrimônio com deferência e a apascentá-lo de modo escorreito, não o aviltando.

Pela veneração do matrimônio e honra à família,


Artur Freire Ribeiro



2 comentários:

Francikley Vito disse...

A Paz de Cristo, fico feliz em vê-lo escrevendo com tanta frequência. Bom o texto. Um abraço.

Artur Freire Ribeiro disse...

A paz do Senhor Jesus.

Obrigado pela participação e pelo elogio.

Um abraço

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