3.8.11

Famílias à deriva (um círculo vicioso)



Se existe alguma instituição que mais tem sido atacada nestes últimos dias, ela é, sem dúvida, a família. Criada por Deus (Gn 2.24), a família, a obra-prima do Senhor, deveria ser o lugar primeiro de comunhão com Ele que o ser humano encontra em sua peregrinação (Hb 11.13). Todavia, vemos que não é bem isso que tem ocorrido e, como consequência, a família sofre nas mãos do adversário de nossas almas. A família está à deriva. Procuraremos delinear, de forma breve, qual é o estado geral das famílias em nossa sociedade nestes dias hodiernos. Será que estamos enquadrados nalgum aspecto desse estado geral? Será que conhecemos alguém que nele esteja e podemos algo fazer?

Em primeiro lugar, afirmamos que a família está à deriva porque o esposo não dispensa tempo suficiente para sua esposa e vice-versa. Assim, os cônjuges, que deveriam mostrar total consideração e afeição um pelo outro, são os primeiros a olhar exclusivamente cada um para si mesmo, para o próprio umbigo. Falta o diálogo, falta a comunhão, falta a franqueza, falta o afeto. Não há altruísmo, mas egoísmo. Embora unidos matrimonialmente, vivem separados no restante. Ainda que tenham seus nomes escritos lado a lado no álbum de fotos e na certidão de casamento, suas mentes estão separadas. Seus propósitos são diversos. Agem como se pensassem: “Pode vir alguma coisa boa do outro lado da cama?”.

Em segundo lugar, afirmamos que a família está à deriva porque temos o resultado do problema anterior: o casal, já sem comunhão, inclusive em suas intimidades (ele só pensa em se satisfazer; e ela, a si mesma. São egoístas, lembra? (sobre o assunto, aliás, recomendamos a ótima publicação Sexo egocêntrico: um desafio à santidade)), não é capaz de ter unidade com seus filhos e, portanto, não é hábil para educá-los. Os pais, no mais das vezes, trabalham para ostentar um estilo de vida desnecessário, mas comprometedor do bem-estar familiar. Estão cegos para tal realidade. Trabalham o dia todo. À noite, estão cansados. Estão sem tempo para os filhos; ou sem paciência, sem interesse, sem forças... sem comunhão. Não poucos pais se confundem, acreditando que seus filhos precisam de presente quando carecem de presença, na realidade.

Em terceiro lugar, afirmamos que a família está à deriva porque o próximo passo é deixar os filhos aos cuidados de outrem: avós, tios, babá eletrônica (tevê), computador, irmão (bem) mais velho etc. Resultado: má criação, má formação. Enquanto a Bíblia recomenda que os próprios pais eduquem seus filhos (Dt 6.6-9), os pais cristãos relegam tal tarefa a terceiros, quartos e quintos. Daí, os filhos ficam sob as asas dos “pais” até o final da adolescência, quando muito, vez que desejam liberdade (que já têm faz tempo!).

Em quarto lugar, afirmamos que a família está à deriva porque, com esse quadro que estamos vendo, tal família acaba por formar, num processo lento e paulatino, seres “egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, orgulhosos, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela” (2Tm 3.2-5 ARC, ARA e NVI), ou seja, o perfil exato de quase todas as pessoas de hoje, o que se repete num círculo vicioso, chegando, quando chega, ao "em primeiro lugar, afirmamos que a família está à deriva porque o esposo...".

Diante deste quadro tão terrível em que a maior parte das famílias se encontra, o próprio homem nada, absolutamente nada, pode fazer. Precisa com urgência da intervenção de Deus, o Todo-Poderoso. Nem clínica de recuperação, nem associação alguma, nem conselhos podem resolver. Para casos crônicos como esse, que presenciamos todos os dias, só há uma solução: Jesus Cristo. Aleluia!  O Senhor veio para os casos de famílias à deriva (Mt 9.12). Amém!

Por Jesus Cristo reinando em nossas famílias!

Artur Freire Ribeiro


Texto publicado originalmente em junho de 2010.

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