30.8.11

MADURE: "A barbárie do UFC"



Carlos Nougué

À medida que vai chegando a seu termo a apostasia e descristianização do Ocidente, vai-se acentuando o retorno aos costumes mais bárbaros.

Um deles é o interesse crescente por MMA (Mixed martial arts ou Full Contact NHB), a forma de luta bestial e sanguinolenta organizada pelo Ultimate Fighting Championship (UFC). Incentivados por governos e pela mídia, tornados próspera indústria, e acompanhados avidamente por uma multidão cada dia maior, os campeonatos de MMA envolvem pecados de muitíssimos tipos,[1] e só nos eximimos de mostrar fotos que o comprovassem evidentemente porque isso, de algum modo, seria colaborar com tal espetáculo deprimente, que torna a todos – tanto os participantes como os assistentes – indignos da imagem e semelhança de Deus com que foram criados.

Para entendê-lo, porém, perfeitamente, voltemos no tempo e vejamos a posição da Igreja, na Idade Média, com relação aos chamados “torneios”.[2]

“O torneio era uma atividade coletiva: durante vários dias, dois grandes grupos – formados por cavaleiros, escudeiros, arqueiros e infantes – disputavam um determinado espaço, com sítios, ataques (frontais ou não), emboscadas e simulações de fugas.” E, devido ao grande número de mortos e feridos que resultavam de tais “torneios”, a Igreja em diversas oportunidades os proibiu: em 1130 (os concílios conjuntos de Reims e Clermont), em 1139 (o de Latrão II) e 1179 (o de Latrão III). “Em Clermont, por exemplo, a Igreja privara de sepultura cristã aqueles que se ostentavam e pereciam nessas feiras (Atas do Concílio de Clermont, IX).” Tal proibição só seria suspensa em 1316, pelo papa João XXII, após os “torneios” terem perdido a periculosidade e se terem tornado mero espetáculo em que “cada oponente deveria [apenas] quebrar a lança de seu oponente, marcando pontos pelo número de lanças quebradas”.

Já São Bernardo escrevera em 1149 ao abade Suger, de Saint-Denis, para pedir-lhe que “brandisse o gládio espiritual, ‘que é o verbo de Deus’, contra um ‘diabólico costume’ que tentava novamente retornar ao reino da França”, ou seja, precisamente os “torneios”. Mas, para que entendamos perfeitamente a posição da Igreja a este respeito, reproduzamos algumas palavras do historiador e bispo de Acre, depois cardeal de Tusculum, Jacques de Vitry (c. 1170-1240). Em um de seus três sermões dirigidos aos cavaleiros e potentes, o bispo De Vitry dizia que nos “torneios” se davam os “sete pecados capitais”:

“1) Soberba – Os ímpios e vaidosos andam nesse circuito;
2) Inveja – Cada cavaleiro inveja o outro que é considerado mais forte e, por isso, é mais elogiado;
3) Ódio e ira – Cada um fere o outro, o maltrata e, muitas vezes, o mata;
4) Acídia – São tão obcecados pela vaidade que pensam que os bens espirituais de nada valem;
5) Avareza – Quando prendem o adversário, tomam suas armas e pedem resgate, além de extorquir os camponeses com exações (para organizarem os torneios);
6) Gula – Fazem festas e comem as superfluidades, sacrificando seus bens e dos pobres;
7) Luxúria – Agradam às mulheres impudicas, portando suas insígnias.”

Logo, “a cavalaria secular e profana que se exibia nos torneios, segundo Jacques de Vitry, era composta de homens incrédulos, hereges, impiedosos, presunçosos, jactanciosos, falastrões, assassinos, invejosos, ladrões e adúlteros! Esses glutões insaciáveis são a melhor prova de que ‘a derrota (moral) da humanidade chega quando o poder se corrompe’”, diz o bispo de Acre citando o poeta romano Horácio (Epístolas, I, 2, 14). E conclui maldizendo “os cavaleiros que fazem o sangue jorrar, já que eles serão ‘afogados nas profundezas do mar’ (Mateus [18.6])”.

Será preciso mais para mostrar em que pecados também incorrem tanto os participantes como os assistentes das lutas de MMA? Os cristãos não podemos senão condená-las a elas e a um mundo que, voltando as costas a Cristo, se entrega sedento ao “pão e circo” de sua própria degradação.[3]


Fonte: SPES. Texto adaptado.

[1] Além da efusão de sangue, brutalidade e ódio que caracteriza essas competições, e que não raro redunda em tremendas sequelas cerebrais, que dizer da quase nudez dasring girls, que depois ainda se queixam do assédio masculino?...
[2] Todas as informações históricas (bem como todos os trechos entre aspas) são extraídas do artigo de Ricardo da Costa e Adriana Zierer “Os torneios medievais”, que se pode ler em http://www.ricardocosta.com/pub/torneios.htm.
[3] Para um texto sobre a posição católica com respeito ao esporte em geral, cf. “Querem um esporte reto e honrado? Cumpram os mandamentos”(http://contraimpugnantes.blogspot.com/2008/08/querem-um-esporte-reto-e-honrado.html).

3 comentários:

Fiel é a Palavra disse...

Não quero ser o advogado do UFC,não pratico o esporte,assisto e acho um tanto exagerado o modo que varios pastores tem abordado este esporte(pratica quem quer, ninguem é obrigado). Achei interessante você usar um fato antigo para explicar o MMA,assim como esse esporte que muitos perdem o sangue no ringue muitos tem perdido a esperança em varias igrejas, por causas desses mesmos pecados que você citou.Muitos dizem que não existe far play(jogo limpo)na igreja também não tem prega o amor e vive em seus proprios interesses, falo com propriedade sei que tem muitas igrejas VERDADEIRAS que pregam e vivem a palavra do Senhor.E violento, chega ser desumano, mas o que muitos pastores,pregadores e ministerios tem feito está no mesmo nivel de agressão,que não fisica mas espiritual.Deus continue lhe usando.A paz de Cristo.

rcostaalves disse...

concordo com o texto, acho que o coração transborda daquilo que está cheio se é amor transborda de amor, se é violencia transborda de violencia, O que me assusta é que muitos ainda usam o nome de cristo
envolvendo o evangelho numa coisa que parece mais as arenas romanas, local de ódio e dor, parabens pelo blog que deus continue te abençoando rica e abundantemente,
abraços fraternos,
www.rcostaalves.blogspot.com

rcostaalves disse...

muito interessante, seu blog
não concordo em misturar luta com evangelho, não combina com a palavra de deus, nosso senhor jesus não ensinou isso, arrebentar a cara dos outros mesmo estando competindo, isso não tem nada a ver com amor, a palavra de deus é amor. parabens pelo blog que deus continue te abençoando rica e abundantemente,
abraços fraternos,
rcostaalves

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