23.11.11

O Repovoamento de Jerusalém


PORTAL ESCOLA DOMINICAL

TERCEIRO TRIMESTRE DE 2011

TEMA – Neemias, integridade e coragem em tempos de crise

COMENTARISTA :  Elinaldo Renovato de Lima

 



APÊNDICE Nº 3 –  O REPOVOAMENTO DE JERUSALÉM
              Devidamente preparado, o povo de Judá foi convidado e estava em condições de repovoar Jerusalém.
Texto áureo
“E o povo bendisse a todos os homens que voluntariamente se ofereciam para habitar em Jerusalém”  (Ne.11:2).

INTRODUÇÃO
- Na continuidade do estudo do livro de Neemias, estudaremos o capítulo 11, que não foi objeto de lição específica nas lições bíblicas deste trimestre.
- Neemias somente repovoou Jerusalém depois que o povo estava devidamente preparado para esta tarefa.

I – O PROCESSO PARA REPOVOAR JERUSALÉM
- Neemias, ao chegar a Jerusalém, tinha uma missão imediata, que era a de reconstruir os muros e as portas da cidade, de maneira a que, com estas medidas, Jerusalém pudesse voltar a ser o centro político, social e religioso do povo de Judá.
- Neemias sabia que, sem criar as condições mínimas de segurança para a cidade e para o templo, não poderia reerguer a nação judaica e, assim, fazer com que Judá cumprisse o seu papel diante das nações, como reino sacerdotal e propriedade peculiar de Deus diante de todos os povos.
- Por primeiro, era preciso criar condições que dessem ao povo segurança e tranquilidade para que pudesse habitar em Jerusalém, local onde Deus havia escolhido para Se fazer presente no meio do Seu povo, mas que estava sem quaisquer condições de habitabilidade, desde a destruição do primeiro templo por Nabucodonosor quando do cativeiro da Babilônia, isto cerca de 162 anos da chegada de Neemias até Jerusalém.
- Da mesma forma que fez Neemias, devemos nós, os salvos em Cristo Jesus, que somos a atual casa do Senhor (Hb.3:6), criar condições para que tenhamos segurança e proteção contra o inimigo de nossas almas, o que o escritor aos hebreus chama de “conservação firme da confiança e da glória da esperança até o fim”.
- Assim como Neemias, antes de pensar em repovoar a cidade (pois não há cidade sem povo), envidou esforços para que houvesse a reconstrução dos muros e das portas, devemos nós, também, em nossa vida espiritual, antes de pensarmos em trazer pessoas para Cristo, nós mesmos nos estruturarmos espiritualmente, através de uma vida espiritual abundante, que nos leve a uma constante vigilância ante as investidas do adversário, do mundo e da carne, como também a uma aproximação cada vez mais intensa do Senhor, por intermédio de uma vida de oração, meditação nas Escrituras e de contínua santificação, para que vejamos aumentadas em nós as chamadas “virtudes teologais”, a saber, a fé, o amor e a esperança.
- Depois de ter conseguido, apesar de toda a oposição dos inimigos externos e internos, a reconstrução dos muros e das portas de Jerusalém em apenas cinquenta e dois dias (Ne.6:15), Neemias, então, iniciou um longo processo para repovoar a cidade.
- Por primeiro, fez o resgate da memória do povo de Judá, a fim de conscientizar os judaítas de que eles eram descendentes de pessoas que, em razão da fé em Deus e das promessas divinas a Israel, haviam deixado Babilônia e, com o decreto de Ciro, haviam retornado para a Palestina, para a terra que Deus havia dado aos filhos de Israel.
- Por isso, Neemias, guiado por Deus, juntou todo o povo e fez com que fosse lido o livro da genealogia dos judeus que haviam vindo de Babilônia sob o comando de Zorobabel (Ne.7:5-7). Ao dar conhecimento da história dos que vieram do cativeiro, Neemias queria que o povo tomasse consciência da sua condição de propriedade peculiar de Deus dentre os povos e, com isso, assumisse a sua identidade como povo de Deus.
- Precisamos sempre lembrar que somos o povo de Deus, que somos “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (I Pe.2:9), pois só tendo esta consciência poderemos cumprir a tarefa que o Senhor Jesus nos deixou, que é a de “anunciar as virtudes d’Aquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz”.
- Um dos principais ardis utilizados pelo inimigo, em nossos dias, é o de fazer com que o povo de Deus perca a noção da sua identidade, deixe de ter em mente que é o povo de Deus e, como tal, deve viver diferentemente dos demais homens, separado do pecado. Neemias sabia que a conscientização da identidade judaíta era fundamental para que a nação pudesse, tendo Jerusalém como centro de sua vida, persistir até a chegada do Messias.
- Depois desta conscientização, que passa necessariamente pelo estudo da história sagrada, os próprios judeus sentiram a necessidade de, como povo de Deus, ter um relacionamento mais próximo com o Senhor e, por isso, acabaram por pedir a Esdras que lhes lesse a lei do Senhor, tendo, então, ocorrido o avivamento constante do capítulo 8 de Neemias.
- Sentindo-se povo de Deus, os judeus entenderam que somente poderiam sê-lo verdadeiramente no momento em que tivessem um relacionamento mais próximo com o Senhor, relacionamento que somente viria mediante as Escrituras, que é a revelação de Deus ao homem.
- O resultado da leitura e meditação nas Escrituras foi o arrependimento e conversão do povo que confessou e deixou os seus pecados, passando a praticar a lei do Senhor, a ponto de terem, inclusive, celebrado a Festa dos Tabernáculos, algo que nunca havia sido feito desde os dias de Josué, quando a Terra Prometida havia sido conquistada.
- Depois da conscientização de que se era povo de Deus, veio o avivamento e, com o avivamento, o arrependimento e confissão dos pecados, inclusive com a solene assunção do compromisso de servir a Deus, como relatam os capítulos 9 e 10 do livro de Neemias.
- Com o povo consciente de que era o povo de Deus e, por causa disto, tendo sentido sede e fome da Palavra de Deus e, com a leitura e meditação nas Escrituras, obtendo a santificação, com o arrependimento, confissão e abandono do pecado, estava-se na condição de repovoar Jerusalém.
- Neemias sabia que não poderia haver cidade sem povo. Não bastava a reconstrução dos muros e das portas de Jerusalém, mas Jerusalém tinha de ser habitada. Tinha de ter população. Mas, não bastava trazer pessoas para Jerusalém, era indispensável que a população que fosse habitar em Jerusalém fosse composta de pessoas comprometidas com o Senhor.
- Neemias sabia que, nos dias de Nabucodonosor, Jerusalém era uma cidade populosa, que tinha muitos habitantes, mas de que tinha adiantado toda aquela população, se os hierosalamitas eram rebeldes ao Senhor, tendo apostatado, como nos dão conta inúmeras profecias de Jeremias?
- Neemias não se preocupou em encher a cidade, assim que os muros e portas foram reconstruídos, mas, antes de mais nada, quis preparar o povo que haveria de habitar na cidade, pessoas que estivessem comprometidas com Deus, que se arrependessem e se convertessem.
- Que falta nos faz, na atualidade, líderes que ajam como Neemias, líderes que não estão contaminados pela “numerolatria”, ou seja, a submissão única e exclusivamente a critérios quantitativos na obra de Deus, que criam estratégias e mais estratégias apenas para encherem os templos ou os locais de concentração, nem um pouco preocupados com a qualidade daqueles que vão ao seu encontro.
- É importante frisar que Neemias, ao levar o povo, primeiro a se comprometer com Deus para depois pensar no repovoamento da cidade, não descuidou dos aspectos puramente materiais que envolviam não só a habitação da cidade como o próprio sustento da obra de Deus. Ao levar o povo ao comprometimento com a Palavra de Deus, o próprio povo percebeu que deveria arcar com o custo do serviço do Templo, tendo, assim, iniciado a contribuição para a manutenção dos levitas, dos sacerdotes e das despesas de todo o cerimonial da lei.
- Muitos, na atualidade, na sua ganância, tomam atitudes nitidamente materialistas sob o argumento de que é preciso, antes, dar condições de sustentação da obra de Deus para, então, com estas condições satisfeitas, buscar uma maior “espiritualidade”. Nada mais enganoso. Neemias mostra-nos, com clarevidência, que devemos, primeiro, buscar o reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas nos serão acrescentadas, algo, aliás, que seria ensinado pelo Senhor Jesus.

II – O REPOVOAMENTO DE JERUSALÉM
- Completado o processo engendrado por Neemias, sob a direção divina, para que se criassem as condições necessárias para o repovoamento de Jerusalém, Neemias parte, então, para levar pessoas para habitar em Jerusalém.
- A primeira observação que temos é de que “os príncipes do povo habitaram em Jerusalém”. Neemias, dentro de uma conduta que já havia tomado desde o início de seu governo, fez com que os maiorais do povo dessem o exemplo e viessem, obrigatoriamente, morar em Jerusalém.
- Os que estão à frente do povo devem ser o exemplo dos demais. Em o Novo Testamento não é diferente, pois vemos, em mais de uma passagem, que há a exigência, na Igreja, de que os que presidem devem ser exemplares (I Co.11:1; Fp.3:17; II Ts.3:9; I Tm.4:12; Tt.2:7; Hb.13:7; I Pe.5:3), a começar pelo próprio Senhor Jesus (Jo.13:5; I Pe.2:21).
- Nos dias hodiernos, um dos grandes fatores que nos faz perder a credibilidade diante dos homens é, precisamente, a falta de exemplo de muitos dos líderes dos cristãos se dizem ser, que se assemelham muito mais aos fariseus dos dias de Jesus do que a servos de Deus, estando, nesta falta de exemplo, um dos principais elementos que geram os inúmeros escândalos que têm feito muitos apostatarem da fé e muitos se recusarem a crer no Evangelho.
- Neemias fez com que todos os príncipes, que já haviam participado da obra da reconstrução dos muros e das portas de Jerusalém, como também sido os primeiros a se comprometer a servir a Deus, agora, em mais um gesto de renúncia, viessem habitar em Jerusalém. Por isso, encontramos, entre os moradores de Jerusalém: os “chefes da província” (Ne.11:3); Joel, filho de Zicri, superintendente dos filhos de Benjamim (Ne.11:9); Seraías, maioral da casa de Deus (Ne.11:11); Zabdiel, superintendente dos que faziam a obra da casa de Deus (Ne.11:14); Sabetai e Joxabade, que presidiam sobre os que faziam a obra fora da casa de Deus (Ne.11:16); o “chefe” Matanias, que eram quem começava a dar graças na oração, com seu segundo, Baquebuquias (Ne.11:17); Zia e Gispa, que presidiam sobre os netinins, que habitaram em Ofel (Ne.11:21) e o superintendente dos levitas em Jerusalém, Uzi, juntamente com os cantores, a quem foi determinada uma porção por ordem do rei (Ne.11:22,23).
- No meio do povo de Deus, os maiores estão ali para servir aos menores (Mt.20:26; Mc.10:43). Temos, na “hierarquia” do povo de Deus uma “pirâmide invertida”, onde o primeiro é, na verdade, o “servo dos servos”. Por não vivermos conforme esta lógica divina, determinada pela cabeça da Igreja, pelo próprio Senhor Jesus, é que temos visto tantas distorções na atualidade nas igrejas locais. Voltemos ao padrão bíblico, amados irmãos!
- Com relação ao restante do povo, porém, Neemias não quis impor coisa alguma. Mandou que se lançassem sortes para tirar um de dez, a fim de que habitasse em Jerusalém o dízimo do povo, ainda permitindo que os que quisessem voluntariamente se apresentassem para morar “na santa cidade de Jerusalém” (Ne.11:1,2).
- Neemias mostra-nos outra grande verdade a respeito da obra de Deus: a voluntariedade. Se os príncipes tinham, por dever de função, que dar o exemplo, o restante do povo não poderia ser constrangido nem forçado a tomar a resolução de morar em Jerusalém. O povoamento era necessário e Neemias, diante de seu planejamento, entendeu que dez por cento do povo judeu deveria ocupar Jerusalém e, por isso, optou pelo sistema de “lançamento de sortes”, que era o mais isento e imparcial, sem retirar a possibilidade de aparecerem voluntários para morar na santa cidade.
- A obra de Deus deve ser feita voluntariamente. O amor é o relacionamento que une Deus a Seu povo e, portanto, nada deve ser feito com imposição, constrangimento ou ameaça. O líder deve saber que, se está na direção do Espírito Santo, o mesmo Espírito que o mandou fazer também fará com que os liderados também se irmanem com aquele propósito. Não é a força, a opressão que faz o líder alcançar seus objetivos, mas, sim, uma vida de integridade, coragem, abnegação e transparência que fará com que o povo se junte ao líder e realize aquilo que o Senhor quer realizar.
- Nos dias em que vivemos, porém, a opressão, o constrangimento e a ameaça são uma constante em muitos lugares. Vivemos verdadeiras “ditaduras”, que a nada levam senão à revolta do povo e à perda da liderança. Muitos até estão iludidos com um estado atual de prosperidade em que vivem, mas devem observar o que aconteceu a Salomão. Apesar de todo o esplendor de seu reinado, ao morrer, vemos que o povo estava cansado e oprimido e somente aceitou servir a seu filho Roboão se houvesse um alívio naquele estado e, ante a recusa do novo rei, acabou por dar fim à monarquia israelita. Tomemos cuidado, senhores líderes, pois muitos impérios também ruirão por causa da opressão e constrangimento que se faz ao povo de Deus na atualidade!
- A cidade foi repovoada voluntariamente, com muitos se oferecendo para habitar em Jerusalém e outros sendo sorteados para ali morar. Ninguém foi oprimido, constrangido ou forçado a fazê-lo, salvo os príncipes do povo que, como serviçais dos judeus, não tinham vontade própria. Que exemplo a seguirmos nos dias hodiernos!
- Os “chefes da província” habitaram em Jerusalém, enquanto que o restante do povo, que não havia se oferecido para morar em Jerusalém nem sorteado para tanto, foram morar nas demais cidades de Judá (Ne.11:3).
- Em mais uma demonstração de reconhecimento de seus liderados, Neemias fez questão de deixar escrito o nome de todos quantos foram habitar em Jerusalém (Ne.11:4-19). Com este gesto, o governador também se preocupou com as gerações futuras, a fim de deixar registrado quem havia se disposto a repovoar Jerusalém, para que o povo mantivesse, no futuro, a mesma consciência e identidade que haviam adquirido naquele processo de restauração da cidade.
- Nesta relação dos que foram morar em Jerusalém, vemos como Neemias fez questão de mostrar que tinha conhecimento de seus liderados, que os acompanhava, que não era uma pessoa distante deles.
- Assim foi que fez questão de deixar registrado que todos os quatrocentos e sessenta e oito filhos de Perez, que foram habitar em Jerusalém, eram “homem valentes”. Jerusalém estava sendo habitada novamente mas com pessoas totalmente diferentes daquelas que haviam morado quando da destruição nos dias de Nabucodonosor. Tínhamos agora “homens valentes”, que não eram belicosos ou guerreiros, como até haviam sido os judeus dos dias da destruição pelos babilônios, mas “homens de destaque” (como consta na NVI), “homens valorosos” (como consta na BJ), “homens de valor” (como consta na NTLH), “homens de armas” (como consta na TEB), “homens adultos” (como consta na Tradução da CNBB).
- Além dos filhos de Perez, também foram chamados de “valentes” (“homens ilustres de valor” na TB) os irmãos de Amassai (Ne.11:14), sobre os quais era superintendente Zabdiel, filho de Gedolim (que a BH diz que era “descendente de homens importantes”), a mostrar claramente que esta qualidade era encontrada na população que resolvera residir em Jerusalém.
- O que se ressalta nesta afirmação dos registros dos que foram morar em Jerusalém é que a qualidade dos moradores era outra, tinha-se ali a “fina flor” do povo judeu, pessoas realmente transformadas e comprometidas com Deus e que, por isso, tinham “valor”, tinham “maturidade espiritual”.
- Somente “valentes”, também, adentrarão na Jerusalém celestial. A Bíblia é clara ao falar que “ficarão de fora os tímidos” (Ap.21:8), ou seja, os “covardes”, aqueles que negam os valores do reino de Deus por conta de vantagens passageiras e ilusórias nesta vida, aqueles que não deixaram o pecado e que não estão definitiva e integralmente comprometidos com o Senhor, aqueles que não têm fé (Mc.4:40). Qual é a nossa situação?
- Mas Neemias não mandou registrar apenas os que aceitaram morar em Jerusalém. Numa prova de sua imparcialidade e de que não se pode discriminar pessoa alguma, também mandou registrar quem havia ido morar nas outras cidades, não declinando seus nomes, diante da enorme quantidade, mas fazendo questão de registrar quais as cidades que eram habitadas por judeus, sempre com o objetivo de preservar a memória e a identidade do povo (Ne.11:20-36).
- Tanto era esse o objetivo que, na sequência da relação dos judeus de seu tempo, Neemias transcreve a lista dos que voltaram de Babilônia para Jerusalém nos dias de Zorobabel, reafirmando, assim, agora em relação aos sacerdotes e levitas que vieram do cativeiro, a ideia de resgate da memória e da identidade dos judeus (Ne.12:1-26).
- Neemias queria que o povo sentisse que estava a continuar a missão e tarefa de seus antepassados que, deixando tudo o que tinham em Babilônia, haviam retornado para Canaã para ser o povo peculiar de Deus entre os povos. Inseriam-se, pois, no grupo daqueles que, século após século, levavam o nome de Deus a todo o mundo, aguardando a vinda do Messias e a salvação da humanidade.
- Nós, também, como povo de Deus, devemos ter esta consciência, identificarmo-nos com os nossos antepassados, não biológicos, mas antepassados que desfrutaram da mesma experiência de fé em Deus de que desfrutamos, prosseguindo a nossa jornada e preparando as gerações vindouras até o dia em que o Senhor Jesus vier buscar a Sua Igreja.
- Neemias fez questão de mostrar que os sacerdotes e levitas tinham vindo para Jerusalém para fazer o serviço do templo, templo que, aliás, tinha de ser reconstruído. Para isto eles haviam sido constituídos, motivo pelo qual, agora que a cidade estava segura, mais de 80 anos depois, deveriam se dedicar para esta tarefa.
- Tanto assim é que, após a transcrição dos registros dos tempos de Zorobabel, Neemias cuidaria de organizar o serviço religioso em Jerusalém, o próximo passo de seu exitoso governo, como se vê na continuidade do capítulo 12.


Colaboração para o Portal Escola Dominical – Ev. Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...