20.6.11

Série Hino Mesmo: "Quem nos separará do amor de Cristo?"




Quem nos separará do amor de Cristo?


Quem nos separará do amor de Cristo?
Será a tribulação, angústia ou perseguição
Fome ou nudez, perigo ou espada?

Quem nos separará do amor de Cristo?
Pois eu estou bem certo
De que nem morte, nem vida,
Nem anjos, nem principados,
Nem coisas do presente e do porvir,
Nem poderes, nem alturas, nem profundidade,
Nem qualquer outra criatura,
Poderá nos separar
Do amor de Deus, que está em Jesus Cristo,
Nosso Senhor, que está em Jesus Cristo.

Nada, nada, poderá nos separar,
Nada, nada, poderá nos separar
Do amor de Deus que está em Jesus Cristo,
Nosso Senhor, que está em Jesus Cristo.

Nada, nada, poderá nos separar,
Nada, nada, poderá nos separar
Do amor de Deus que está em Jesus Cristo,
Nosso Senhor, que está em Jesus Cristo.

18.6.11

A Liberdade de Expressão e o Projeto da Homofobia à Luz da Liberação da “Marcha da Maconha” pelo STF




                                                                                                                        Caramuru Afonso Francisco*


O Supremo Tribunal Federal tem, já há algum tempo, protagonizado o cenário institucional brasileiro, na medida em que, diante da letargia do Poder Legislativo e da soberba do Poder Executivo, tem sido chamado para resolver dilemas e conflitos existentes na sociedade brasileira que, como Estado Democrático de Direito, tem revisitado certos temas e discussões relacionados com a própria convivência entre os brasileiros.

Assim, recentemente, enfrentou a questão das uniões homoafetivas, considerando-as “entidades familiares”, como também acabou por manter a decisão do ex-presidente Lula de não extraditar o italiano Cesare Battisti.

Ao analisar, no último dia 15 de junho, a ADPF (arguição de descumprimento de preceito fundamental) nº 187, enfrentou outra questão, qual seja, o da legalidade e legitimidade da chamada “marcha da maconha”, ou seja, são, ou não, crime de apologia de fato criminoso as marchas realizadas com vistas à defesa da descriminalização das drogas.

Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal entendeu que referidas marchas são legítimas, visto que não se pode impedir, num Estado Democrático de Direito, a manifestação do pensamento, o direito de expor ideias, de defender pontos-de-vista.

Em primoroso voto, o relator da ADPF 187, o ministro Celso de Mello, decano do Tribunal (isto é, o ministro mais antigo), mostrou que, num país democrático, não se pode impedir os cidadãos de expor os seus pensamentos, as suas ideias por mais impopulares  ou “politicamente incorretas” que sejam.

O ministro Celso de Mello citou Ruy Barbosa em um discurso proferido em Salvador, quando de sua última campanha presidencial em 1919, “in verbis”:

“…A liberdade da palavra não se patenteia, senão juntando em tôrno de cada tribuna os que bebem as suas convicções na mesma fonte, associam os seus serviços no mesmo campo, ou alistam a sua dedicação na mesma bandeira. A igualdade no direito está, para as facções, para as idéias, para os indivíduos, no arbítrio, deixado a todos sem restrição, de congregar cada qual os seus correligionários, de juntar cada qual os seus comícios, de levantar cada qual o seu apêlo, no lugar da sua conveniência, na ocasião da sua escolha, nas condições do seu agrado, mas separadamente, mas distintamente, mas desafrontadamente, cada um, a seu talante, na cidade, na rua, no recinto, que eleger, sem se encontrarem, sem se tocarem; porque o contacto, o encontro, a mistura, acabariam, necessàriamente, em atrito, em invasão, em caos.” (grifado pelo ministro)…”

Na sequência de seu voto, o ministro decano do STF também fez questão de mostrar que a liberdade de reunião está umbilicalmente ligada à de manifestação do pensamento, inclusive mostrando que não pode o Estado impedir “atos de proselitismo”, “in verbis”:

“…É por isso que esta Suprema Corte sempre teve a nítida percepção de que há, entre as liberdades clássicas de reunião e de manifestação do pensamento, de um lado, e o direito de participação dos cidadãos na vida política do Estado, de outro, um claro vínculo relacional, de tal modo que passam eles a compor um núcleo complexo e indissociável de liberdades e de prerrogativas político-jurídicas, o que significa que o desrespeito ao direito de reunião, por parte do Estado e de seus agentes, traduz, na concreção desse gesto de arbítrio, inquestionável transgressão às demais liberdades cujo exercício possa supor, para realizar-se, a incolumidade do direito de reunião, tal como sucede quando autoridades públicas impedem que os cidadãos manifestem, pacificamente, sem armas, em passeatas, marchas ou encontros realizados em espaços públicos, as suas ideias e a sua pessoal visão de mundo, para, desse modo, propor soluções, expressar o seu pensamento, exercer o direito de petição e, mediante atos de proselitismo, conquistar novos adeptos e seguidores para a causa que defendem.…” (grifos originais)

Esta liberdade, diz ainda o ministro decano, estende às minorias, independentemente do juízo de valor que possam ter as ideias que defendam, “in verbis”:

“…O sentido de fundamentalidade de que se reveste essa liberdade pública permite afirmar que as minorias também titularizam, sem qualquer exclusão ou limitação, o direito de reunião, cujo exercício mostra-se essencial à propagação de suas ideias, de seus pleitos e de suas reivindicações, sendo completamente irrelevantes, para efeito de sua plena fruição, quaisquer resistências, por maiores que sejam, que a coletividade oponha às opiniões manifestadas pelos grupos minoritários, ainda que desagradáveis, atrevidas, insuportáveis, chocantes, audaciosas ou impopulares.…” (grifos originais)


Mais além, o ministro Celso de Mello afirmou que não pode ser admitido, em um Estado Democrático de Direito, que seja suprimida a liberdade de manifestação de pensamento, “in verbis”:

“…É evidente que o princípio majoritário desempenha importante papel no processo decisório que se desenvolve no âmbito das instâncias governamentais, mas não pode legitimar, na perspectiva de uma concepção material de democracia constitucional, a supressão, a frustração e a aniquilação de direitos fundamentais, como o livre exercício do direito de reunião e da liberdade de expressão (e, também, o do direito de petição), sob pena de descaracterização da própria essência que qualifica o Estado democrático de direito.
Desse modo, e para que o regime democrático não se reduza a uma categoria político-jurídica meramente conceitual ou simplesmente formal, torna-se necessário assegurar, às minorias, notadamente em sede jurisdicional, quando tal se impuser, a plenitude de meios que lhes permitam exercer, de modo efetivo, os direitos fundamentais que a todos, sem distinção, são assegurados.(…)
Tenho sempre enfatizado, nesta Corte, Senhor Presidente, que nada se revela mais nocivo e mais perigoso do que a pretensão do Estado de reprimir a liberdade de expressão, mesmo que se objetive, com apoio nesse direito fundamental, expor ideias ou formular propostas que a maioria da coletividade repudie, pois, nesse tema, guardo a convicção de que o pensamento há de ser livre, sempre livre, permanentemente livre, essencialmente livre.
Torna-se extremamente importante reconhecer, desde logo, que, sob a égide da vigente Constituição da República, intensificou-se, em face de seu inquestionável sentido de fundamentalidade, a liberdade de manifestação do pensamento.
Ninguém desconhece que, no contexto de uma sociedade fundada em bases democráticas, mostra-se intolerável a repressão estatal ao pensamento.
Não custa insistir, neste ponto, na asserção de que a Constituição da República revelou hostilidade extrema a quaisquer práticas estatais tendentes a restringir ou a reprimir o legítimo exercício da liberdade de expressão e de comunicação de ideias e de pensamento.
Essa repulsa constitucional bem traduziu o compromisso da Assembleia Nacional Constituinte de dar expansão às liberdades do pensamento. Estas são expressivas prerrogativas constitucionais cujo integral e efetivo respeito, pelo Estado, qualifica-se como pressuposto essencial e necessário à prática do regime democrático.
A livre expressão e manifestação de ideias, pensamentos e convicções
não pode e não deve ser impedida pelo Poder Público nem submetida a ilícitas interferências do Estado. (…)
Essa garantia básica da liberdade de expressão do pensamento, como precedentemente assinalado, representa, em seu próprio e essencial significado, um dos fundamentos em que repousa a ordem democrática. Nenhuma autoridade pode prescrever o que será ortodoxo em política, ou em outras questões que envolvam temas de natureza filosófica, jurídica, social, ideológica ou confessional, nem estabelecer padrões de conduta cuja observância implique restrição à própria manifestação do pensamento.” (grifos originais)


Conforme podemos observar, pois, não há como, num Estado Democrático de Direito, dizer-se o que deve ou não ser expresso em termos de pensamentos e de convicções, inclusive confessionais, como fez questão de asseverar o ministro Celso de Mello.
                                     
Portanto, apresenta-se como um inadmissível “diktat” do Estado a proposta de criminalização de opiniões contrárias ao homossexualismo, como se encontra no famigerado PLC 122/2006.

Não pode o Estado criminalizar a pregação evangélica e bíblica do homossexualismo como pecado, pregação esta que é milenar, nem tampouco dizer que tais pregações não possam ser feitas a não ser dentro de templos, como sugeriu a atual relatora do projeto, a senadora Marta Suplicy (PT-SP).

Pregar convicções filosóficas e religiosas é algo que o Estado Democrático tem de permitir e que não pode impedir, sob pena de fazermos “tabula rasa” do que seja um regime democrático.

Ademais, se as minorias não podem ser esmagadas pela maioria num regime democrático, muito menos a maioria pode ser impedida de se manifestar em detrimento de minorias. Deste modo, se se deve permitir aos homossexuais a manifestação do seu pensamento, de igual maneira se deve permitir aos heterossexuais tal liberdade pública.

O ministro Celso de Mello foi claro ao mostrar que a liberdade de expressão encontra restrições tão somente no que concerne à incitação ao ódio e à violência, “in verbis”:

“…É certo que o direito à livre expressão do pensamento não se reveste de caráter absoluto, pois sofre limitações de natureza ética e de caráter jurídico.
É por tal razão que a incitação ao ódio público contra qualquer pessoa, povo ou grupo social não está protegida pela cláusula constitucional que assegura a liberdade de expressão.
Cabe relembrar, neste ponto, a própria Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), cujo Art. 13, § 5º, exclui, do âmbito de proteção da liberdade de manifestação do pensamento, “toda propaganda a favor da guerra, bem como toda apologia ao ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitação à discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência…”. (grifos originais)

Em entrevista no Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão em 1º de junho p.p.(veja aqui http://www.youtube.com/watch?v=fbVe_fWGGdA), por ocasião da manifestação contra o PLC 122/2006 e pela liberdade de expressão convocada pelo pastor Silas Malafia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), ao defender o PLC 122/2006, disse que, com a sua aprovação, ninguém seria impedido de dizer que o homossexualismo era pecado, mas que não mais se poderia dizer que o homossexualismo seria uma “abominação” ou que os homossexuais seriam “filhotes do demônio”.

Ora, o deputado, ao defender o PLC 122/2006, acaba por demonstrar claramente que o projeto é uma indevida restrição à liberdade de manifestação do pensamento, nos exatos dizeres do ministro Celso de Mello, acolhidos unanimemente pelo Supremo Tribunal Federal.

Dizer que o homossexualismo é uma “abominação”, nada mais é que reproduzir o ensino bíblico a respeito desta prática e, quando se o diz, de forma alguma se estará incitando “ódio público” ou “incitação à discriminação, hostilidade, crime ou violência”, ainda que tal afirmação gere incômodo ou seja considerada “politicamente incorreta”.

“Abominação” é “aquilo que deve ser rejeitado por ser impuro, reprovável, nojento e maldito”, como nos diz o Dicionário da Bíblia On-Line da Sociedade Bíblica do Brasil.

Há, aqui, nitidamente, uma repulsa à prática, não aos praticantes. Aliás, o apóstolo Paulo, ao se referir à homossexualidade, considerou ser tal prática  consequência de “paixões infames” (Rm.1:26,27), sem, porém, com isso, ter atacado os seus praticantes, já que escrevia a epístola aos romanos precisamente para enfatizar que Deus está pronto a justificar a todos pela fé em Cristo Jesus.

Cabe aqui, aliás, invocar o que diz a respeito do tema o Catecismo da Igreja Católica que, ao mesmo tempo em que considera o homossexualismo uma depravação grave (§ 2357), diz que os homossexuais devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza (§ 2358).

É precisamente este o sentido da pregação evangélica e bíblica a respeito da homossexualidade, tanto entre católicos quanto entre protestantes: repulsa ao homossexualismo, amor e compreensão para os homossexuais, o que, à evidência, está longe das restrições possíveis em termos de liberdade de manifestação do pensamento no entender não só do Supremo Tribunal Federal mas da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

Também não discrepa disto o Alcorão que, ao tratar do homossexualismo, afirma que o povo de Sodoma era um “povo agressor” (na “tradução oficial” em português) ou um “povo depravado” (na “tradução” de Samir El Hayek) por praticar a homossexualidade (26:165,166), mas num contexto de pregação de Ló (26:160-164) que tentava fazer os sodomitas abandonarem esta prática, revelando, aqui, também, qualquer ausência de “ódio”, mas um convite à obediência a Deus.

Com relação à expressão “filhotes do demônio” mencionada pelo parlamentar, haveria, sim, algum excesso (e todo excesso é punível) na expressão “filhotes”, que é um diminutivo pejorativo, mas não podemos, também, deixar de observar que a Bíblia Sagrada chama a todo pecador de “filho do diabo” (I Jo.3:10), expressão que não pode ser considerada pejorativa, até porque todo homem, segundo o Cristianismo, é “filho do diabo” e, por isso mesmo, Jesus Cristo veio salvá-lo, tornando-o “filho de Deus”, se ele crer em Seu nome (Jo.1:12).

Assim, ao mesmo tempo em que a doutrina cristã chama o pecador de “filho do diabo”, oferece-lhe o amor de Deus e a oportunidade de se tornar um “filho de Deus”, o que, à evidência, está longe de ser incitação ao ódio ou à violência, sendo, pois, expressão plenamente inserida dentro da liberdade de manifestação de pensamento, consoante o entendimento dado ao tema pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 187.

Como se expressou o ministro Marco Aurélio, no julgamento desta mesma ação, “in verbis”:

“…No sistema de liberdades públicas constitucional, a liberdade de expressão possui espaço singular. Tem como único paralelo em escala de importância o princípio da dignidade da pessoa humana. Na linguagem da Suprema Corte dos Estados Unidos, se ‘existe uma estrela fixa em nossa constelação constitucional, é que nenhuma autoridade, do patamar que seja, pode determinar o que é ortodoxo em política, religião ou em outras matérias opináveis, nem pode forçar os cidadãos a confessar, de palavra ou de fato, a sua fé nelas’ (West Virginia Board of Education v. Barnette, 319 US 624, 1943). O Tribunal norte-americano assentou, no precedente referido, não haver circunstância que permita excepcionar o direito à liberdade de expressão.(…)
A valorização do espaço e do debate públicos assim como a afirmação de que a realização do homem ocorre com a participação na vida pública da cidade constituem o que veio a ser rotulado por Benjamim Constant como “liberdade dos antigos” (A liberdade dos antigos comparada à dos modernos, 2001). Nesse sentido, a democracia compreende simplesmente a possibilidade de ir a público e emitir opiniões sobre os mais diversos assuntos concernentes à vida em sociedade. Embora a versão de democracia de hoje não seja idêntica à adotada pelos gregos, citada por Constant, o cerne do que se entende por governo democrático encontra-se, ao menos parcialmente, contido nessa ideia de possibilidade de participação pública. E o veículo básico para o exercício desse direito é a prerrogativa de emitir opiniões livremente.(…)
O princípio da liberdade de expressão repudia a instauração de órgãos censórios pelo poder público e a adoção de políticas discriminatórias contra determinados pontos de vista. Os delitos de opinião têm um viés profundamente suspeito, se analisados sob essa perspectiva, já que impedem a emissão livre de ideias. A possibilidade de questionar políticas públicas ou leis consideradas injustas é essencial à sobrevivência e ao aperfeiçoamento da democracia. Pontua Cass Sunstein que “o direito à liberdade de expressão está especialmente preocupado em proibir o Estado de tratar pontos de vista favorável ou desfavoravelmente” (Why societies need dissent, 2003, p. 101).” (grifos nossos).


Bem se vê que o nobre parlamentar, em sua defesa ao PLC 122/2006, mostrou claramente que ele é inadmissível em nossa ordem constitucional, pois pretende restringir a liberdade de manifestação de pensamento fora dos limites em que isto é possível, como nos delineou, no julgamento da ADPF 187, o Supremo Tribunal Federal, guardião de nossa Constituição.

Não há, como, pois, admitir-se que seja considerado crime defender-se que o homossexualismo é pecado e que os homossexuais devem se abster de tais práticas no legítimo exercício da pregação evangélica e bíblica, seja nos templos, seja na praça pública, seja nos meios de comunicação.

Com a aula de cidadania e de democracia que nos deu o Supremo Tribunal Federal na ADPF 187, esperamos que o Senado Federal rejeite o PLC 122/2006, reafirmando, também no Poder Legislativo, a liberdade de manifestação de pensamento.


* Doutor em Direito Civil e bacharel em Filosofia pela USP, evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede – São Paulo/SP e colaborador do Portal Escola Dominical (www.portalebd.org.br).

17.6.11

O ESPÍRITO SANTO E A SEGUNDA VINDA DE JESUS - Complemento 2 para as Lições Bíblicas 2/2011

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS - MINISTÉRIO DO BELÉM

ESTUDO DA PALAVRA DE DEUS PARA OS AMIGOS E PROFESSORES DA ESCOLA DOMINICAL (EPAPED)
BELÉM- SEDE
SEGUNDO TRIMESTRE DE 2011

TEMA –  Movimento pentecostal – as doutrinas da nossa fé


COMENTARISTA :  Elienai Cabral


APÊNDICE Nº 2  - O ESPÍRITO SANTO E A SEGUNDA VINDA DE JESUS
                   O Espírito Santo tem um papel primordial na vinda do Senhor para arrebatar a Sua Igreja, ato que encerrará a dispensação da graça ou dispensação do Espírito.

Texto áureo

“E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.” (Ap.22:17).

INTRODUÇÃO

- Em complemento às lições deste trimestre, em que comemoramos o centenário das Assembleias de Deus no Brasil, oportuno falarmos do quarto ponto fundamental das doutrinas da nossa fé pentecostal, que é a crença de que Jesus breve voltará para arrebatar a Sua Igreja, antes que venha o juízo de Deus sobre os que rejeitaram a Cristo Jesus.

- Como temos visto nas lições deste trimestre, vivemos a dispensação da graça, que teve início no dia de Pentecoste e que se caracteriza, exatamente, pela atuação plena e indiscriminada do Espírito Santo, a ponto de alguns estudiosos a chamarem de "dispensação do Espírito".

- Ora, o ato que encerrará a dispensação do Espírito será o arrebatamento da Igreja por Jesus, o que, de pronto, nos mostra que, para este evento e tudo que o cerca, haverá uma ativa participação por parte do Espírito Santo. É por isso que o apóstolo João narra no livro do Apocalipse que tanto o Espírito, quanto a Igreja anseiam pela volta do Senhor (Ap.22:17a).

I - A MENSAGEM DOS APÓSTOLOS SOBRE A VINDA DE JESUS

- Ao anunciar a vinda indiscriminada do Espírito Santo, a fim de consolar e dar companhia à Sua amada Igreja, Jesus, como sempre, foi bem preciso e objetivo em Suas palavras. Afirmou que o Espírito Santo guiaria a igreja em toda a verdade, porque não falaria de Si mesmo, mas diria tudo o que tivesse ouvido e lhes anunciaria o que havia de vir. Disse, também, que o Espírito Santo glorificaria Jesus, porque receberia o que era do Filho e anunciaria o que seria de Cristo (Jo.16:13,14).

- Vemos, portanto, que o Espírito Santo tem uma missão primordial: o de manter o nome do Senhor Jesus em evidência na igreja, fazer com que a igreja tenha a direção de Cristo, que é a verdade (Jo.14:6), bem como anunciar tudo o que Jesus revelou aos homens da parte do Pai (Jo.15:15). O trabalho do Espírito Santo, portanto, é apontar Cristo para o homem, em especial, para o povo que foi reunido e trazido para fora do pecado e do mundo, edificado pelo próprio Jesus, ou seja, a Sua Igreja (Mt.16:18).

- Não é, portanto, coincidência alguma nem, muito menos, obra do acaso, o fato de o Espírito Santo ter inspirado seguidores de Jesus, a começar dos apóstolos, para que escrevessem os livros do Novo Testamento, a fim de que tudo o que havia sido predito e anunciado a respeito de Jesus por parte dos reis, sacerdotes e profetas da antiga aliança, fosse demonstrado cumprido na vida e obra de Jesus, bem como que se fixasse, por escrito, tudo quanto havia sido ensinado ou revelado pelo Senhor à Sua amada Igreja, pois "os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (II Pe.1:21, "in fine").

- Quando, portanto, contemplamos as Escrituras Sagradas, temos um trabalho que foi feito pelo Espírito Santo, uma obra realizada pelo Espírito, já que o tema, o assunto da Bíblia outro não é senão Jesus, que d’Ele testificam (Jo.5:39). O Novo Testamento, a propósito, já foi elaborado na dispensação da graça, a confirmar, assim, aquilo que Jesus havia falado sobre os propósitos da vinda do Espírito Santo após a ascensão do Senhor.

- Pois bem, ao analisarmos o Novo Testamento, vemos que nenhuma outra mensagem foi mais divulgada nele do que a segunda vinda de Jesus. São centenas de passagens que advertem que Jesus voltará, o que mostra, claramente, que o Espírito Santo pôs como prioritário o anúncio desta mensagem ao homem. Destarte, não temos como concluir senão que, já no seu anúncio, a segunda vinda de Jesus é tarefa e tema de peculiar atenção do Espírito Santo em nossa dispensação.
OBS: "…Cristo nunca fez referência ao Seu nascimento, nem à Sua infância, nem aos Seus primeiros trinta anos, onde andou, o que fez, mas, no Seu ministério, não cessou de falar da Sua Volta. Mt.24.37-44; Mc.13.26; Lc.21.27. Foi assunto na Transfiguração, através de parábolas, nos ensinos do Seu sermão profético, nas últimas instruções aos Seus discípulos, e até no momento da Sua ascensão, o que mais quer dos Seus é que amem a Sua Vinda.…" (SILVA, Osmar José da. Lições bíblicas dinâmicas, v.I, p.86).


- Todos os escritores do Novo Testamento falam da volta de Jesus. Ela é mencionada 318 vezes nos 260 capítulos do Novo Testamento, numa média de um versículo a cada 25, havendo, na Bíblia, oito vezes mais referências sobre a segunda vinda do que a primeira (Cf. ESTUDO 6. A maior festa da humanidade. pequenosgrupos.com.br /Downloads/ESTUDO%206.doc). Os evangelistas deixaram registrados os ensinos do Senhor a respeito do tema, ensinos estes, aliás, que fazem parte do maior sermão de Jesus, o chamado "sermão escatológico", que foi reproduzido nos três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas: Mt.24,25; Mc.13 e Lc.21:5-36). João, por sua vez, não registra este sermão escatológico em seu evangelho, mas, em compensação, em suas duas primeiras epístolas, trata do assunto (I Jo.2:18-29; II Jo.7,8), como também, escreveu o livro do Apocalipse, que é inteiramente dedicado às " coisas que devem brevemente acontecer" (Ap.1:1).

- No livro de Atos dos Apóstolos, Lucas registra, com clareza própria de um pesquisador científico, que a esperança dos cristãos era a volta do Senhor. A mensagem da volta de Jesus foi a primeira que foi repisada pelo céu à igreja após a ocultação física de Jesus dos Seus discípulos, através de dois anjos que se apresentaram no monte das Oliveiras aos crentes que ainda estavam perplexos pelo desaparecimento de Jesus (At.1:11). Era a mensagem que estava sempre no coração dos crentes, como vemos, por exemplo, no sermão de Pedro após a cura do coxo que ficava nas imediações da porta do templo chamada Formosa (At.3:21).

- Paulo nunca cessou de falar sobre o assunto, dele tratando em suas epístolas (I Co.4:5; Fp.3:20,21; I Ts.1:10; II Ts.1:7-2:8; I Tm.6:14,15; II Tm.4:8; Tt.2:13), pois, como afirmou ao término de seu ministério, era um homem que "amava a vinda do Senhor" (II Tm.4:8), o alvo que perseguiu durante todo o tempo em que pregou o Evangelho (Fp.3:11-14).

- O escritor aos Hebreus também falou sobre a vinda de Jesus, ao afirmar que Jesus aparecerá segunda vez (Hb.9:28). Pedro, também, escreveu sobre o assunto, inclusive indicando que, já nos seus dias, havia aqueles que estavam desacreditando da promessa da segunda vinda de Jesus (I Pe.5:4; II Pe.3:8-14). Tiago, também, escreveu sobre a vinda de Jesus (Tg.5:7,8), assim como Judas (Jd.14,15).

- Como vemos, portanto, todos os escritores do Novo Testamento falam da vinda de Jesus, numa prova indelével de que esta é a mensagem mais anunciada pelo Espírito Santo para a humanidade nesta dispensação. Não é, pois, coincidência que esta seja a matéria mais debatida e a mais polêmica que existe no seio dos estudiosos da Bíblia Sagrada, a ponto de que "…os mestres de escatologia têm mais dúvidas implícitas em suas 'profícuas' mentes, do que os próprios alunos que a eles assistem…'(CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.9). Nestes debates e polêmicas, vemos o trabalho do nosso adversário para fazer desacreditar a promessa da vinda do Senhor e, com isso, causar enorme prejuízo à vida espiritual da igreja, mas, a despeito de teorias e correntes filosófico-teológicas, o crente deve ter o sentimento que se espera de cada cristão: o amor e o desejo ardente de que Jesus venha, algo que somente será demonstrado se fizermos o que Jesus nos manda (Jo.15:14).

II - O ESPÍRITO SANTO MANTÉM NOSSA LÂMPADA ACESA

- O Espírito Santo, porém, não se limitou a providenciar a prioridade da mensagem da segunda vinda de Jesus no registro escrito do Novo Testamento, sendo que Sua obra em relação a este assunto de grande importância para a Igreja, também se apresenta em outros campos e atividades do Espírito do Senhor.

- Ao falar sobre a Sua segunda vinda, Jesus usou de algumas parábolas, sendo que a mais conhecida é, sem dúvida alguma, a parábola das dez virgens, onde Nosso Senhor nos mostra a necessidade da vigilância da igreja para que não seja apanhada de surpresa na volta de Cristo. Nesta parábola, é-nos apresentado que as virgens guardavam lâmpadas cheias de azeite. O azeite é um dos símbolos do Espírito Santo e o fato de que as virgens tinham lâmpadas acesas, é uma demonstração de que o Espírito Santo é indispensável para que nós aguardemos a volta de Jesus.

- A figura das lâmpadas acesas não veio para as Escrituras no registro desta parábola. Já na antiga aliança, quando o Senhor mandou que fosse construído o tabernáculo, no modelo dado a Moisés, constou a necessidade de haver lâmpadas que fossem alimentadas por azeite (Ex.27:20,21).

- Diz-nos o texto sagrado que as lâmpadas faziam parte do castiçal ou candelabro de ouro puro, eram em número de sete (Ex.37:23). O fato de estas lâmpadas serem de ouro puro revelam que se tratava de uma figura do próprio Espírito Santo, pois o ouro nos fala da divindade e o castiçal, observemos, era de ouro puro, ou seja, não tinha qualquer parte de madeira, como a mesa onde era ele colocado, madeira que representa a humanidade e que aponta para a dupla natureza de Jesus.

- As lâmpadas eram em número de sete, sendo sabido, na hermenêutica bíblica, que o número sete fala-nos de plenitude, de completude, de divindade, a indicar, mais uma vez, que o castiçal apontava para o Espírito Santo na Sua atuação plena e completa, que seria a da nossa atual dispensação. Aliás, não é por outro motivo que, no livro do Apocalipse, o Espírito é apresentado como "os sete espíritos de Deus" (Ap.1:4; 3:1), expressão esta que está relacionada às sete características do Espírito descritas em Is.11:2 (espírito do Senhor, de sabedoria, de inteligência, de conselho, de fortaleza, de conhecimento e de temor do Senhor). “… Sete espíritos já é uma expressão simbólica. Fala de vida plena ou vida abundante…” (OLIVEIRA, José Serafim de. Desvendando o Apocalipse: livro da revelação, p.12). 
OBS: "…Outros veem na expressão os 'sete Espíritos de Deus', uma alusão ao Espírito Santo, a perfeição e o poder são representados pelo número da totalidade. A plenitude do Espírito de Deus opera em todos os lugares, pois é Onipresente. Outros admitem tratar-se da atuação do Espírito Santo, em sete aspectos: o Espírito de santidade; o Espírito de sabedoria; o Espírito do entendimento; o Espírito do conselho; o Espírito de poder; o Espírito do conhecimento e o Espírito de temor ao Senhor. Lâmpada é uma expressão moderna, e traz à mente que para estar acesa precisa de energia. Tochas eram acesas com azeite e fogo, que naqueles dias eram usadas para iluminar. O Espírito Santo é simbolizado como azeite de unção e fogo. O azeite representa o bálsamo que alivia a dor e consola. O fogo ilumina, queima a impureza, purifica, aquece etc. Lembra o batismo do Espírito Santo que, no dia de Pentecostes, veio em forma de fogo.…" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.59).

- Se as lâmpadas do castiçal são figura do Espírito Santo, como veremos daqui a pouco mais amiúde, o próprio castiçal simboliza a igreja (cfr. Ap.1:20), este povo adquirido pelo Senhor Jesus, composto de pessoas que passaram a ser participantes da natureza divina (II Pe.1:4), daí porque ser, também, o castiçal de ouro puro (Ex.25:31), pois, como vimos, o ouro fala-nos de divindade.

- O castiçal do tabernáculo ficava localizado no lugar santo (Ex.40:4), servindo, pois, de iluminação para este lugar que, separado do pátio da tenda da congregação por cortinas, não poderia ter iluminação solar. Tal disposição demonstra, claramente, que é o Espírito de Deus quem traz iluminação para a igreja, esclarecendo a Palavra e dando direção ao povo santo, para que ele possa atingir o alvo de todos nós, que é a salvação das nossas almas (I Pe.1:9). O fato de o castiçal estar no lugar santo, local restrito aos sacerdotes, também é um indicador de que o Espírito Santo apenas ilumina aqueles que são salvos, ou seja, os membros da igreja do Senhor, que é o sacerdócio real (I Pe.2:9), pois o mundo, imerso no pecado e na maldade, não vê nem conhece o Espírito de Deus, não podendo recebê-l’O (Jo.14:17).

- O que tornava o castiçal visível e dava sentido à sua existência no lugar santo eram as lâmpadas que, por sua vez, somente podiam cumprir a sua missão porque eram alimentadas de azeite. A igreja somente se torna visível no meio do mundo, somente pode ter sentido e ser um instrumento de santidade, se o Espírito Santo puder alimentá-la, se o Espírito do Senhor puder trazer o alimento indispensável para que a igreja (i.e., cada um de nós, pois a igreja somos nós), efetivamente, seja " a luz do mundo" (Mt.5:14).

- Assim, a figura trazida pela parábola de Jesus, ainda que correspondente a um costume de casamento do seu tempo, também tinha correspondência a estas disposições da lei mosaica, que muito nos esclarece e nos serve de exemplo ao analisarmos o papel do Espírito Santo no tocante à segunda vinda de Jesus. O Espírito Santo ilumina a igreja e nos aponta para a realidade de que Jesus breve voltará para buscar a Sua igreja e para que possamos ingressar no Santo dos Santos, que é a glória eterna, que nos está reservada.

- O azeite das lâmpadas era puro de oliveiras, especialmente batidas para este propósito, que deveria ser trazido pelos israelitas e que jamais poderia faltar, pois as lâmpadas deveriam arder continuamente, ou seja, sem parar (Ex.27:20). Para que possamos aguardar corretamente o Senhor Jesus, para que estejamos vigilantes, não podemos deixar que este azeite puro falte em nossas lâmpadas. Devemos, nós mesmos, buscá-lo e colocá-lo em nossa vida, com um propósito de jamais nos desviarmos da presença do Senhor.
OBS:  Não podemos confundir o azeite das lâmpadas com o azeite da unção, que era outro produto, com uma fórmula totalmente diferente (cfr. Ex.31:22-33), destinado para a unção dos sacerdotes e dos objetos do tabernáculo. Este azeite não era trazido pelo povo e tinha uma função específica.

- Para que tenhamos azeite, é necessário que estejamos em comunhão com o Espírito Santo. Como sabemos, as lâmpadas e lamparinas daquele tempo, antes do surgimento da energia elétrica, para que bem funcionassem, deveriam ter um bom sistema de comunicação do azeite com o pavio, para que se pudesse ter a devida iluminação. A necessidade de uma perfeita comunhão está bem ilustrada na visão do profeta Zacarias, onde vemos que havia uma integração entre as oliveiras e os dutos que conduziam o azeite da oliveira para as lâmpadas (Zc.4:1-6). Quando há comunhão, o Espírito de Deus testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm.8:16) e não andamos mais segundo a carne, mas segundo o espírito (Rm.8:1).

- Quando, entretanto, não estamos andando segundo o espírito, mas segundo a carne, quer dizer, quando passamos não mais a agradar a Deus, não mais a fazer a Sua vontade, mas a ceder a nossos desejos e paixões, não há mais esta comunhão e, como resultado, o azeite passa a não mais ser devidamente conduzido da oliveira para as lâmpadas e estas, inevitavelmente, apagam-se. Era a situação das virgens néscias da parábola contada por Jesus. A iluminação começa a faltar e as trevas iniciam um caminho progressivo de chegada até a nossa vida. Deus começa a ficar distante, pois Deus é luz e n’Ele não há trevas nenhumas (I Jo.1:5b).

- Quando agimos de forma a desagradar a Deus, entristecemos o Espírito Santo (Ef.4:30), que de nós Se afasta  e, em virtude disto, em permanecendo distanciados d’Ele, podemos perder a Sua presença em nós (Sl.51:11). Quando havia algum problema de comunicação que impedia o transporte do azeite até o local onde estava o pavio, a lâmpada simplesmente não acendia e faltava azeite. A falta de comunhão com Deus, uma vida de pecado impede que o azeite possa continuar habitando em nós e ficaremos da mesma maneira que as virgens néscias que, ao ouvir do clamor anunciando a chegada do esposo, não tinham azeite e tiveram de tentar adquiri-lo, mas era tarde demais.

- O Espírito Santo é o responsável, portanto, pela sustentação do crente até a volta do Senhor, pela manutenção da nossa visão espiritual. Quando ilumina a nossa vida, podemos enxergar os sinais da vinda do Senhor, temos percepção e sensibilidade espirituais e, em razão disto, ficamos cautelosos e vigilantes, para que não sejamos tomados de surpresa quando tocar a trombeta que anunciará o retorno de Jesus para buscar a Sua igreja (I Ts.4:16,17).

- Mas, além de nos manter vigilantes, como vimos, o Espírito Santo, assim como o azeite alimenta o castiçal, também nos faz sempre lembrar o que Jesus disse e ensinou para a Sua igreja (Jo.14:26). O Espírito Santo mantém, em nossas vidas, a esperança da vinda de Jesus, não nos permite esquecer a promessa do retorno do Senhor, nem que percamos de vista este alvo, este propósito de nossa fé. A tendência do homem é esquecer os maiores benefícios que recebe (cfr. Gn.40:23), tanto que, para que não se esquecesse do maior benefício que já recebeu, qual seja, a salvação mediante o sacrifício vicário de Cristo na cruz, o próprio Jesus instituiu a ceia do Senhor (I Co.11:26). O Espírito Santo tem, portanto, a função de manter viva na memória da igreja a perspectiva da volta do Senhor, assim como o azeite alimentava o cotidiano, o dia-a-dia do castiçal.

- Mas o azeite, também, ao iluminar e alimentar o castiçal, proporcionava o aumento do calor no ambiente. Ao causar a combustão do azeite no pavio, além de luz, era gerado calor, pois se criava um fogo, fogo, aliás, que, além de aumentar a temperatura do ambiente, impedia que algo impuro, como um animal ou um inseto, se aproximasse tanto do castiçal, quanto dos pães da proposição, que ficavam próximo ao castiçal, sobre a mesa da proposição. O Espírito Santo, também, gera na igreja (ou seja, em cada um de nós), fervor espiritual. Somos mantidos quentes pelo Espírito de Deus e, assim, não temos o risco de sermos reprovados pelo Senhor e vomitados da Sua boca (Ap.3:16). O fervor espiritual promove, em nós, a manutenção da pureza, da santidade, pois, quando fomos justificados pela fé e conseguimos estabelecer uma relação de paz com Deus (Rm.5:1), passamos a ser nação santa (I Pe.2:9) e devemos nos manter santificados, sob pena de não podermos ver o Senhor (Hb.12:14). Diante deste quadro, se não for a ação do Espírito Santo em nossas vidas, não temos como permanecermos em condições de sermos arrebatados por Jesus naquele grande dia. Daí porque o texto sagrado nos aconselhar que nos santifiquemos cada dia cada vez mais (Ap.22:11). Lembremos que o azeite do tabernáculo era puro e, por conseguinte, o calor produzido era, igualmente, puro. Não havia a mínima possibilidade de se ingressar no tabernáculo com fogo estranho, com fogo de outra procedência, pois isto, que o diga o episódio que envolveram os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, é fatal (cfr. Lv.10:1,2).

III - QUANDO A NOSSA LÂMPADA ESTÁ ACESA

- Como já temos visto, a função do azeite, ao manter a lâmpada acesa, era fundamental para que se executassem os serviços do lugar santo, no tabernáculo, para que se efetuasse a adoração a Deus. De igual modo, para que possamos alcançar a glorificação de nosso ser, que é o último estágio da salvação, o que ocorrerá, para a igreja, no dia do arrebatamento, é imperioso que também deixemos o Espírito Santo agir em nossas vidas, de forma a que venhamos a, também, poder ser instrumento de Deus neste mundo, luzes do mundo e sal da terra.

- É importante, em primeiro lugar, observar que a ação do azeite no castiçal era contínua, ou seja, as lâmpadas ficavam acesas dia e noite, o azeite era trazido todos os dias pelos israelitas e havia necessidade de abastecimento ininterrupto. A vida no Espírito de Deus é, também, uma vida contínua, cotidiana, de dia e de noite temos prazer em servir a Deus. Lamentavelmente, nos dias em que vivemos, tem sido privilegiada uma religiosidade experiencial, ou seja, milhares de pessoas têm buscado ter experiências místicas com Deus, ter momentos sobrenaturais intensos, esquecendo-se de que Deus não quer que tenhamos com ele um relacionamento-relâmpago, mas que passemos a gozar da vida eterna, ou seja, de uma convivência, de um relacionamento contínuo e que nunca tenha fim. O Espírito Santo não foi mandado para que recebamos d’Ele visitas esporádicas, mas, disse Jesus, que Ele viria habitar conosco e estar em nós para sempre (Jo.14:16,17).

- Quem está em comunhão com Deus, quem faz o que Deus manda, quem não mais vive, mas Cristo vive n’Ele (Gl.2:20), tem sempre o azeite vindo da oliveira e está com a lâmpada acesa continuamente. Sua vida não é uma sequência de altos e baixos espirituais, de momentos de intensa alegria e gozo e instantes de retumbantes fracassos, mas tem uma estabilidade espiritual, não se deixa seduzir pelo mal, pelo pecado, pelas ofertas deste mundo, mantendo um padrão, sendo alguém que faz a diferença entre os homens que não servem a Deus. Este porte espiritual diferenciado, este modo de vida diferente dos padrões humanos, aliás, era o que permitia aos israelitas, na antiga aliança, identificar quais eram os homens escolhidos por Deus, quais eram os profetas, sacerdotes e reis que tinham o Espírito de Deus em suas vidas. Há pessoas que acham que, no antigo tempo, as pessoas cheias do Espírito eram identificadas por milagres ou pelas suas mensagens proféticas, mas nem sempre isto se dava assim. Exemplos como os de Eliseu (II Rs.4:8,9) ou de Samuel (I Sm.3:19,20) mostram que, além desta demonstração de poder, por trás de cada homem de Deus havia um porte, um modo de vida que o credenciava junto ao povo, pois viam nestes homens a autoridade decorrente da presença do Espírito Santo do Senhor (cfr. Mt.7:28,29).

- Quando o homem está em comunhão com Deus, quando está sob o controle do Espírito Santo, suas qualidades, seu caráter é diferente. Ele produz o fruto do Espírito e, como tal, apresenta-se como uma pessoa totalmente distinta dos padrões humanos de moralidade, moralidade esta que, diante de Deus, não passa de trapos de imundícia (Is.64:6).

- Por primeiro, quem tem a sua lâmpada acesa, ilumina o mundo, é luz do mundo (Mt.5:14). Seu brilho faz com que os homens enxerguem Jesus em nós e os homens glorificam a Deus por causa das boas obras que fazemos, obras estas que mostram o fruto do Espírito Santo, que habita em nós.

- Por segundo, quem tem a sua lâmpada acesa, purifica o ambiente em que está. Assim como o calor e a luminosidade do castiçal afastavam os insetos e demais animais impuros da mesa da proposição, assim o crente sincero e fiel afugenta toda espécie de impureza e de corrupção à sua volta. Quantas vezes não temos ouvido testemunhos de crentes que dizem que, apesar de trabalharem, estudarem ou morarem em ambientes avessos à moralidade, aos bons costumes e à decência, pelo seu porte, causam um aumento do pudor, da moral e da decência nestes lugares e, não raro, as pessoas, em respeito ao bom testemunho destes homens e mulheres de Deus, não diminuem ou alteram seus padrões perversos e pecaminosos.

- Por terceiro, quem tem a sua lâmpada acesa, promove calor espiritual. O azeite produz calor e, assim sendo, o crente sincero acaba gerando, à sua volta, um aumento da temperatura espiritual. Seu fervor espiritual, seu grau de espiritualidade acaba contagiando aqueles que estão à sua volta e o Senhor encontra ambiente propício para operar e mostrar o poder de Deus. A Bíblia fala-nos que, por causa do porte espiritual de Pedro, muitas pessoas foram tocadas a deixar-se levar à margem do caminho em que o apóstolo passava, para que, pelo menos, fossem atingidas pela sombra do apóstolo, obtendo, assim, miraculosamente a cura de suas enfermidades (At.5:15). Ultimamente, muitas vezes têm enfatizado a sombra de Pedro, mas o que queremos aqui registrar é a fé das pessoas que se colocaram no caminho em que Pedro passava, pois era esta fé que proporcionava a cura, não um suposto poder inerente à figura de Pedro. Pedro, com sua vida espiritual intensa, despertava fé em pessoas que, pela sua posição social e pela sua condição, não tinham como ter esperança a não ser por este contágio da espiritualidade vivida por Pedro.

- Por quarto, quem tem a lâmpada acesa gera amor à sua volta. Vimos que o fruto do Espírito é, em essência, o amor que, como vimos, desdobra-se em todas aquelas qualidades mencionadas em Gl.5:22. Ora, se estamos em comunhão com o Senhor, se da oliveira vem, incessantemente, azeite para nossa lâmpada, este amor tem, necessariamente, de ser transmitido ao próximo através do crente. Paulo bem nos mostra isto ao dizer que, no desgaste da obra do Senhor, embora fosse menos amado pelos coríntios, amava-os cada vez mais (II Co.12:15), assim como, aliás, Jesus havia amado os Seus até o fim (Jo.13:1). As virgens prudentes eram tão exemplares no amor, que a elas recorreram as virgens néscias para que houvesse repartição do azeite delas (Mt.25:8), pois sabiam que as virgens prudentes eram repletas de amor. Como nos ensina João: quem tem a lâmpada acesa, está na luz e, inevitavelmente, ama seu irmão (I Jo.2:10).

- Por quinto, quem tem a lâmpada acesa tem esperança. Como vimos, a lâmpada acesa permite-nos ter visão espiritual e, portanto, podemos discernir bem o que está à nossa volta. Ao vermos os fatos que estão ocorrendo, com visão espiritual, logo percebemos que as profecias bíblicas estão se cumprindo, que o Senhor está no controle da história e que, portanto, Jesus está voltando e esta é a nossa esperança (I Ts.2:19). Como diz o poeta sacro traduzido pelo pastor Almeida Sobrinho: "nossa esperança é Sua vinda" (início do refrão do hino 300 da Harpa Cristã). Quando temos esperança, passamos a ser crentes vigilantes e fiéis, pacientemente aguardando nosso Salvador (Rm.8:25).
OBS: "…Essa é a nossa consolação. Não importa o tempo que tenhamos que esperar, o importante é estarmos esperando por Cristo amanhã, como se Ele estivesse chegando agora. Que tranquilidade tem quem serve a Deus como servia Daniel. Daniel viu que a convergência dos tempos iria demorar muitas eternidades para várias gerações, toda, toda maravilha que pôde observar estaria à sua espera…" (CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.69).

- Por sexto, quem tem a lâmpada acesa, tem fé. É através da fé que vem de Deus (Ef.2:8), que aceitamos a Cristo como nosso Salvador, sendo convencidos pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Crendo em Jesus, temos os nossos pecados perdoados (I Jo.1:7), pecados que são tirados de nós (Jo.1:29) e que deixam de fazer divisão entre nós e o Senhor (Is.59:2). Era o pecado que impedia a comunicação entre a oliveira e as nossas lâmpadas. Removido o pecado, o azeite passa a fluir nos dutos e as nossas lâmpadas acendem e se mantêm acesas enquanto houver esta comunhão. Pela fé, portanto, passamos a ver o invisível, passamos a deixar o pecado e o embaraço (Hb.12:1) e corremos, com paciência, a carreira que nos foi proposta pelo Senhor, até o final, pois, guardando a fé, como diz Paulo, receberemos a coroa da justiça, precisamente porque teremos provado que amamos a vinda do Senhor.
OBS: Fé, amor e esperança são as virtudes que as Escrituras, notadamente nos escritos de Paulo, realçam como sendo qualidades próprias dos cristãos. Os teólogos acabaram denominando estas virtudes de "virtudes teologais".  Diz o Catecismo da Igreja Romana (CIC) que estas virtudes, que têm em Deus sua origem, motivo e objeto, adaptam as faculdades humanas à participação na natureza divina. São estas virtudes que fazem com que o crente tenha um modo de vida diferente, como filho de Deus, e que informam todo o porte moral e espiritual do cristão (CIC 1812 e 1813)."…Paulo expõe aqui (em I Co.13:13, observação nossa) uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido.(…) ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espírito Santo ( ver Gál. 5:22,23), embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rm.8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.…" (CHAMPLIN, R.N.. O Novo Testamento Interpretado, v.4, p.212).
            "…As 'coroas' falam, figuradamente, do 'avanço espiritual' e recompensa que haverá e será obtida pelos salvos, segundo o nível que chegarem à perfeição pela santificação e pelas boas obras. A vida eterna é uma coroa, por isso, os que estão em Cristo têm vida eterna, já estão coroados com esta coroa; desde que permaneçam fiéis até o fim; ficam-lhes faltando o galardão adquirido pelas boas obras.(…). A coroa da justiça é a justificação que nos dá o Senhor, em contraste com as injustiças que recebemos neste mundo, Ele nos cercará de plena justiça. Em qualquer tempo e lugar, isto é, nas moradas do Pai, ou quando estivermos reinando com Ele sobre esta terra. …" (SILVA, Osmar José da. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.7, p.32).


IV - COMO PODEMOS TER O ÓLEO DO ESPÍRITO RENOVADO

- Quando estamos em comunhão com o Senhor, como vimos na visão do profeta Zacarias, o azeite flui normalmente da oliveira para as lâmpadas. O azeite, como no tabernáculo, é posto continuamente para abastecer as lâmpadas, ou seja, sempre temos azeite novo, vindo da oliveira, jamais temos azeite velho a abastecer as lâmpadas. É por este motivo que o apóstolo Paulo dizia que o homem interior (alma e espírito) se renova de dia em dia (II Co.4:16).

- Nem poderia ser diferente, pois, se passamos a participar da natureza divina (II Pe.1:4), se recebemos o poder de sermos feitos filhos de Deus (Jo.1:12), passamos a agir como o Senhor e uma das características peculiares a Deus é a Sua atemporalidade, ou seja, Deus não está submetido ao tempo, para Ele o tempo, simplesmente, não existe, nada mais sendo do que um "eterno presente". Ora, se assim é, os crentes também não podem, no aspecto espiritual, no seu interior, sofrer qualquer influência do tempo, daí porque se renovar dia após dia. Velhice e antiguidade são qualidades que não têm como existir na vida espiritual de um filho de Deus.
OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui palavras do monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Católica Canção Nova: “…Nós precisamos do Espírito Santo para ter a coragem de investir a vida não nos bens passageiros e ilusórios, mas na conquista dos bens eternos. A Palavra de Deus é clara: quem investe a vida no Reino d'Ele e na justiça d'Ele receberá já neste mundo o cêntuplo e no futuro a vida eterna.
Nossa meta é o Céu!…” (Nós precisamos do Espírito Santo. Disponível em: http://www.cancaonova.com/portal/canais/pejonas/pejonas_msg_dia.php Acesso em 15 abr. 2011).

- Vemos bem a impossibilidade de alguém poder servir a Deus e ser velho espiritualmente falando na passagem do profeta velho (I Rs.13:11-32). Esta personagem bíblica, cujo nome nem nos é revelado, é uma figura daqueles que perderam a visão espiritual, daqueles que se distanciam de uma vida de comunhão com Deus.
OBS: "…Há quem pense e até afirme que os ímpios são as pessoas que não conhecem a palavra de Deus, todavia a Bíblia mostra-nos totalmente o contrário: os ímpios são as pessoas que se dizem crentes e não o são.…" ( CARVALHO, Ailton Muniz de. O Messias está voltando, 2.ed., p.63).

- A Bíblia fala-nos que este profeta velho morava em Betel. O que nos chama a atenção é que este homem já havia sido um instrumento nas mãos de Deus, tanto que o texto sagrado o apresenta como um profeta e o fato de alguém ser assim conhecido naquele tempo é uma prova de que Deus havia usado a pessoa de forma a que todos reconhecessem ser ele um escolhido do Senhor. Entretanto, tratava-se de um profeta velho, ou seja, ao contrário do que estamos a dizer, o tempo havia afetado não apenas o homem exterior (o que é normal e inevitável, como consequência do pecado de nossos pais no Éden, Gn.3:19), mas também, o que é triste, a sua vida espiritual. Temos esta comprovação, em primeiro lugar, porque o profeta morava em Betel, precisamente onde havia sido instado um dos bezerros construídos por Jeroboão, o que o tinha mantido inerte, a demonstrar que já não tinha qualquer indignação contra o pecado. Em segundo lugar, sua inércia bem se demonstra por causa do fato de que soube das informações a respeito de seu filho, que, também, teve de preparar o transporte pelo qual o profeta foi atrás do profeta que profetizara contra o altar. Em terceiro lugar, vemos que o profeta velho havia se tornado um mentiroso, a demonstrar que não mais servia a Deus, mas ao pai da mentira (cfr. Jo.8:44). Esta é a situação daqueles que, embora ainda nominalmente sejam chamados de crentes (às vezes até de ministros do Evangelho...), deixaram-se envelhecer espiritualmente, perdendo a comunhão com o Senhor.

- Na lição 13, falamos especificamente da renovação espiritual do crente, o que é e como podemos alcançá-la. Observemos que há um conselho vindo das Escrituras para que jamais, a exemplo do que ocorria no tabernáculo, deixemos que o descuido, a negligência venham a tomar conta de nossa vida espiritual. Devemos estar vigilantes, despertos, para impedir que sejamos surpreendidos na volta do Senhor. "Vigiar é ordem santa", como diz conhecido canto sacro. O próprio Jesus deu esta ordem: "E as coisas que vos digo, digo-as a todos: Vigiai." (Mc.13:37).


                                                                           Caramuru Afonso Francisco



8.6.11

Série Hino Mesmo: "A Grande Festa", por Guilherme Kerr e Sérgio Pimenta


A GRANDE FESTA

Havia certa vez um rico e muito bom
E grande festa fez e, assim, a todos convidou.
Na hora de tudo começar, mandou seu servo anunciar:
"Chegou a hora é só entrar, comer, beber e festejar..."

E um a um dos convidados começou a se desculpar:

"Não posso, estou ocupado!"
"Comprei, vendi, hoje estou cansado!"
"Casei-me e o tempo me tem faltado!"

Então irado disse o dono:

"Sai depressa e vai às ruas, aos becos tristes e isolados,
Chama os pobres, os aleijados, chama os coxos, cegos, desolados...
Chama a todos quantos queiram, chama insiste pra que venham!
Porque hoje é festa, é casa cheia!
Deixe os antigos convidados:
Que outros tomem os seus lugares,
Porque hoje é festa, é casa cheia!"

 
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