29.7.11

Série Hino Mesmo: “Em Adoração”, por Sóstenes Mendes e Ana Paulo Valadão


Em Adoração

Em adoração, eu me rendo a Ti
Tu és como rio, rio de águas vivas.
Flui dentro de mim, és manancial,
fonte inesgotável, traz vida ao coração. 

Como o rei Davi, quero Te louvar.
Minha alma canta a Ti, Senhor, em adoração.
Digno és de louvor, Majestade Santa,
meu prazer é Te dizer: ''Te amo, oh Senhor''!


Série Hino Mesmo: “Como a Corsa”, por Sérgio Lopes



Como a Corsa

Como a corsa anseia pelas águas,
Eu anseio por Jesus em meu viver.
Meu espírito se alegra em louvar:
Aleluia! Aleluia! 


Fui criado pra louvor da sua glória.
Sou imagem e semelhança de Jesus.
Quero dedicar a Ele o meu louvor e o meu viver.
Aleluia! Aleluia!

Cristo é a inspiração do meu viver.
É o Cordeiro que o livro abrirá.
Entre os salvos escolhidos,
Dentre os nomes desse livro,
Aleluia!, o meu nome vai chamar!


28.7.11

ASI: "Descoberta excepcional em Jerusalém confirma textos bíblicos, Salém é Jerusalém"


 

Foi inaugurado o Museu do Ofel e parte das primeiras muralhas existentes em Jerusalém no período da história mais conhecido até os dias de hoje; com ela mais uma descoberta espetacular.

O local, descoberto pela dra. Eilat Mazar, da Universidade Hebraica de Jerusalém, foi inaugurado para o público pelo diretor de conservação da Autoridade de Antiguidades de Israel, aberto ao público, graças à generosidade das doações de Daniel Mintz e Berkman Meredith.

No dia 21.6.2011, foi inaugurado, em uma cerimônia em Jerusalém nas proximidades do Muro Ocidental (Muro das Lamentações), um site chamado de "paredes do Ofel" e revelado o registro (documento) mais antigo descoberto até o momento em Jerusalém.
O local aberto é parte do parque nacional em torno das muralhas de Jerusalém e exibe o certificado no Davidson Center. Isso foi possível graças à generosidade de Daniel Mintz e Berkman Meredith dos EUA.

A cerimônia contou com a presença do prefeito Nir Barkat, de muitas outras autoridades da cidade e com a presença da dra. Eilat Mazar, do Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica, além dos contribuintes mencionados com suas famílias.

No final dos trabalhos de escavação, os visitantes podem tocar o caminho aberto de pedras e paredes cuja construção vai contar a história de Jerusalém através das eras. Agora é possível caminhar confortavelmente através da construção, em locais que ainda não haviam sido abertos ao público, de forma impressionante e aprender com os sinais que demonstram a diferente história da região.

No início de 2010, a arqueóloga, dra. Eilat Mazar concluiu a exposição do sistema de fortificações em Jerusalém. Em seguida, começou imediatamente, no local, um trabalho de conservação e preparação do lugar para visitas. Essas obras de conservação foram conduzidas pelo diretor de conservação do IAA e durou cerca de um ano e meio.

O local exibe um conjunto de estruturas expostas ao longo da linha das fortificações do Primeiro Templo (século X antes de Cristo). Entre outras coisas, foram expostas a uma impressionante estrutura, identificada como um portal, uma estrutura de estado, uma seção da torre e muralha da cidade em si. Dra. Mazar sugere identificar os prédios como parte de uma fortificação construída pelo rei Salomão, em Jerusalém: a Casa e a Casa do Senhor e o muro em redor de Jerusalém. (1Reis 1) Além das fortificações do Primeiro Templo também foram descobertas outras seções de muralhas e torres da cidade bizantina e duas torres. Este muro foi construído pelo Império Bizantino, no século V d.C.

Além do sistema de fortificação também completou um quarto do período do Segundo Templo (século primeiro), preservando dois andares do edifício.

O destaque da escavação é a exposição completa da estrutura de porta. O plano deste é de um impressionante edifício que dispõe de quatro salas do mesmo tamanho, dispostos em cada lado de um amplo corredor com piso de pedra calcária. O plano é do período do primeiro Templo, um portal VI A.C, como os portões do tempo que foram descobertos em Megido, Beer Sheva e Ashdod.

Mazar identifica o portal com "portal das águas," que é mencionado na Bíblia: "Ora, os netinins habitavam em Ofel, até defronte da porta das águas, para o oriente, e até a torre que se projeta" Neemias 3.26. Ao leste da porta vê-se o piso térreo de um edifício destruído em um incêndio poderoso. Mazar sugere que esta estrutura foi destruída pelos babilônios durante a conquista em 586 A.C. No chão do edifício foram descobertos dez vasos de barro muito grandeS (pithoi), que parecem ser utilizados para conter óleo ou vinho. Em um destes jarros de cerâmica que sobreviveram encontrou-se a inscrição em hebraico: "Ministro das Hof..." O endereço indica que o objeto pertencia a um dos ministros do reino. Provavelmente Sar Haofim, ou seja, Ministro dos Padeiros (Copeiros).

Durante a escavação se revelou o registro mais antigo descoberto até o momento em Jerusalém. Este achado é único, excepcional em sua importância para a história da cidade. A partir de agora estará em exposição permanente no Centro de Arqueologia Davidson e estará aberto ao público. Este é um pedaço de tábua que é argila e contém minúsculos cuneiformes acadianos na inscrição, é uma língua internacional da época. Entre a alta habilidade palavras escritas pode ser lido: "Você estiveste", "após", "eles". A placa escrita é típica das que foram utilizadas na antiga Mesopotâmia como correspondência internacional.

Após uma verificação pode-se notar que o material da placa é típico da região de Jerusalém. Parece ser uma cópia de uma carta do rei de Jerusalém da época (Eved Haba), ao rei do Egito. Uma cópia desta carta era preservada como o arquivo da cidade bíblica de Salém, que era a Jerusalém daquela época. A parte da placa encontrada é uma prova confiável do status de Jerusalém como um reino importante em Canaã sendo uma cidade-estado sob proteção do reino do Egito faraônico.

Texto adaptado, publicado originalmente pelo Diretor de Cafetorah.com

EXTRA: "Não Desperdice Sua Vida", por John Piper






Ouça também:




27.7.11

EXTRA: Faleceu um entre os santos: John R. W. Stott


 

Como Augustus escreveu semana passada, morreu Amy Winehouse, uma inglesa de grande influência no mundo pop. Morreu, supostamente, de overdose, aos 27 anos. Ainda não há um laudo, mas, pela sua vida, ninguém acredita que seja diferente disso. Muitas vezes apareceu em público sob a influência de drogas e pelo que vemos na televisão muitos de seus fãs encontram-se profundamente enlutados. O mundo lamenta uma morte trágica.

Morreu hoje, aos 90 anos, John R. W. Stott, outro inglês de grande influência, mas na contra-cultura pop. Nascidos no mesmo país, no mesmo século mas em universos diferentes (lembrando do livro de James Sire, O universo ao lado no qual mostra que universos diferentes são concebidos de acordo com a visão de mundo do indivíduo).

Amy celebrou o hedonismo do seu universo e espalhou aquilo que recebeu de seu tempo. Stott celebrou a santidade e uma vida simples, olhando para um universo completo e cheio da graça de Deus (Conheci a casa de Stott e ali fiz duas refeições simples e singelas, preparadas por ele mesmo. Ele mostrou, com grande entusiasmo, os slides de um esporte radical que praticava: ver pássaros in natura! Escreveu um livro chamado The Birds our Teachers, ilustrado com fotos que ele mesmo tirou).

Amy pregou uma vida regrada a bebida, drogas e sexo pregando este estilo de vida pela sua música. Stott pregou a centralidade de Cristo, a vida de Cristo e a obra de Cristo. (Em 1985 estudei no London Institute for Contemporary Christianity e tive aulas de hermenêutica bíblica com Stott. Ele me ensinou que o pregador crente deve viver em busca de integridade hermenêutica, respeitando o autor divino e o autor humano das Escrituras.)

A mídia noticiou incansavelmente a morte de Amy, mas duvido que a notícia da morte de Stott saia em mais do que alguns noticiários pontuais no exterior. Mais uma evidência de que este homem, capelão da rainha da Inglaterra, era contra-cultura.

No dia 06 de outubro de 1985 fui participar do culto em All Souls Church, onde Stott era pastor emérito. Ele pregou nos primeiros versos de Hebreus, "Jesus, a palavra final". Lembro-me de ter vertido lágrimas diante da clareza, simplicidade e autoridade com que expôs a Escritura. Hoje ouvi novamente o mesmo sermão, lágrimas me vieram mais uma vez (http://allsouls.org/Media/Player.aspx?media_id=50218&file_id=53536). Eis o esboço:

1. Cristo e a Palavra: Ele é a Palavra de Deus, completa e final.

2. Cristo e a criação: Ele é o agente, o sustentador e o herdeiro, o Cristo cósmico, o alfa e o ômega.

3. Cristo e o Pai: Ele irradia a glória de Deus: idêntico em natureza e essência; Ele é o selo da natureza de Deus: distinto em pessoa.

4. Cristo e a Salvação: veio para lidar com pecados, purificar dos pecados e cumprir uma obra perfeita, a justiça perfeita de um Deus justo!

Aplicação: este é o seu Cristo? Ele é único ao revelar e salvar. Quem entende isto, sabe que não pode recorrer a mais ninguém. Esta era a tentação dos Hebreus que receberam carta. Nós precisamos voltar a esta visão bíblica de Cristo. É o caminho para este mundo sincretista e pluralista. Nunca esqueça, não há outra revelação. Não há nada que possa substituir, melhorar ou ser acrescentado à revelação no Verbo encarnado. Depois que vemos a Cristo, não há outra coisa no que possamos crer. Nunca esqueça, não há outra salvação: Ele é completo, singular. Não há outro em que se possa encontrar salvação. Ele também é salvador singular. Sem Cristo não há revelação e não há salvação. Ele é "hapax", de uma vez por todas... Deus não tem mais a dizer do que Ele já disse nesse salvador. Crer nisto é ser cristão evangélico.

Que o Senhor nos abençoe com homens abençoados como foi Stott para a glória dEle.




“Minha mãe diz que sou um acidente de percurso [em sua vida]”

Por graça de Deus, trabalhamos na área da educação. Por essa razão, temos oportunidade de conversar com muitos adolescentes e jovens. Essas conversas acabam por revelar muito sobre a vida; especialmente sobre a família.

Recentemente, numa das vezes em que tivemos a ocasião de conversar com uma aluna, ela nos revelou informações que, apesar de particulares, pintam o triste porém real retrato de uma considerável parcela da família brasileira. Por que não dizer que a Luciana* como que desenhou o quadro daquilo em que a família brasileira está, paulatinamente, se transformando e cuja causa muitos creem, infelizmente, ser normal?

A cena para a conversa era a seguinte: sala de aula, cerca de seis pessoas presentes, momento pós-prova; restam somente alunos que almoçarão na escola e aguardam o horário para isso. Participam do diálogo, mais diretamente, a Luciana, uma colega e um de seus professores.

Luciana não tinha um comportamento exemplar em sala de aula. Geralmente conversava muito, deixava de fazer as atividades e, às vezes, se comportava de modo apático. A regra geral era que se tratava de uma aluna com baixíssimo rendimento, posto que estudasse num colégio particular, cujo ensino seria melhor (pelo menos, teoricamente).

Visto que ela acabou sendo questionada, durante essa conversa, acerca do que sua mãe faria caso soubesse que ela, Luciana, não se sairia bem naquela prova que acabara de “realizar”, a estudante respondeu, para espanto nosso: “Se minha mãe for brigar comigo ou for falar com meu pai por causa da prova, eu chantageio ela”. Na sequência, nós a sondamos, perguntando-lhe de que maneira ela chantagearia sua mãe. A menina completou: “É que eu sei uns podres dela”.

Na explicação da podridão materna, a discente acabou por revelar também a paterna e, quem sabe, a nacional (em grande parte). Que pena! Mas se trata de uma realidade. Luciana disse, por exemplo, que seus pais tinham se separado havia certo tempo. Antes disso, seu pai orientava que Luciana não mentisse, enquanto ele o fazia. A menina se questionava, sem compreender, pois sua idade era tenra. Sua mãe fazia o mesmo que o marido... isso sem falar nas brigas...

Após o divórcio, que se deu, claro, por razões obviamente imagináveis, o pai de Luciana arranjou logo uma namorada (para usar as palavras de Bandeira), com quem “se casou” e teve outro filho. Enquanto isso, a mãe dela também se casava e dava mais um irmão de pai diferente a Luciana. Ao mesmo tempo, repetia – como uma goteira na poça d’água – para Luciana: “Eu tive você muito nova. Eu e seu pai ainda não éramos casados. Você é um acidente de percurso na minha vida! ...”.

Para resumir a conversa que tivemos, visto que a menina abriu o coração naquele curto espaço de tempo (no mínimo, era também carente de conversa dentro de casa) em sala de aula, Luciana disse que seu pai se separou também da nova “esposa”, bem como sua mãe, do novo esposo. Pouquíssimo tempo depois, o pai da estudante se engraçou com outra mulher, que passou a ser sua namorada e que ficou grávida. Ele, portanto, em pouco tempo, já era pai de três, sem estar casado com nenhuma das mulheres.

Como está a cabeça de Luciana? Qual a formação que essa menina está recebendo? Quais são os valores que ela tem visto prevalecer na vida?

Infelizmente, a grande verdade é que algo análogo, senão exatamente igual, ocorre do Oiapoque ao Chuí. E a pergunta que nos vem à cabeça é: como temos criado nossos filhos? Será que os crentes em Jesus temos feito como Manoá, pai de Sansão (Jz 13), isto é, pedido orientação de Deus para educar nossos filhos? Ou será que também no caso da educação queremos copiar Davi, o qual foi na maior parte do tempo um contraexemplo como pai?

Será que os pais cristãos também têm dado brechas na criação de seus filhos? A exemplo do que Luciana disse que, se fosse preciso, chantagearia sua mãe visto que sabia dela “podres”, nossos filhos têm também recebido um mau exemplo dentro de casa a ponto de verem coisas podres em nós? Como temos feito dentro de casa? Onde estamos mostrando a eles as coisas contra as quais não há lei, isto é, o  fruto do Espírito: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança? Onde?


Infelizmente, milhares dos que cristãos se dizem ser fazem aquilo que a pedagogia cunhou de “terceirização da educação”. E terceirizam toda a educação. Deixam os filhos serem doutrinados pelo mundo, que inteiramente jaz no maligno (1 Jo 5.19 ARA.). O mundo todo está sob o poder do maligno. Não podemos deixar que o diabo doutrine nossos filhos! Qual educação temos oferecido dentro de casa? Isso sem falar no amor, que faltava!

A quem temos imitado nesse tocante? Aos fariseus (Mt 23.2,3)? Ou a Jesus Cristo (At 1.1)? A recomendação de Paulo a seu filho na fé, Timóteo, bate com nossa vida diante de nossos filhos (1Tm 4.12), ou nossos apelidos poderiam ser “pais de Luciana”?

Miseravelmente, muitos de nós ainda não entenderam que a recomendação bíblica é: “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões” (Dt 6.6-9 NVI).

Infelizmente, muitos de nós ainda não entenderam que a recomendação bíblica também é: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4).

Precisamos mudar esse quadro! Temos de arregaçar as mangas e, com a ajuda e orientação do Senhor (Jo 15.5 “in fine”; Jz 13), uma vez que sem isso os filhos certamente se perderão (Pv 11.14) remodelar essa pintura malfadada e infausta. Sem dúvida nenhuma, agindo assim, Deus será glorificado! Amém!

* Adotamos um nome fictício para preservar a estudante.


Pela educação pela Palavra,


Artur Freire Ribeiro

Texto publicado originalmente em agosto de 2010.

26.7.11

MADURE: "Igreja, uma comunidade terapêutica"



A igreja de Deus é a coluna e baluarte da verdade. Ela é filha da verdade, anda na verdade, é santificada na verdade e embaixadora da verdade. A igreja, porém, tempera a verdade com o amor. Ela fala a verdade em amor. Verdade sem amor fere; amor sem verdade engana. Para ser uma comunidade terapêutica, a igreja precisa falar a verdade e ao mesmo tempo amar as pessoas. Nas palavras de Jesus, a igreja “não esmaga a cana quebrada nem apaga a torcida que fumega”. O apóstolo Paulo exorta as igrejas da Galácia: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o, com espírito de brandura, e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl 6.1). Para que a igreja seja uma comunidade terapêutica, alguns princípios devem ser observados à luz do texto supra:

1. Uma igreja terapêutica não faz provisão para o pecado. Aqueles que vivem na prática do pecado não pertencem à igreja de Deus, pois quem vive pecando não conhece a Deus. O pecado na vida do crente é um acidente e não uma prática. O crente não pode pecar deliberadamente, intencionalmente. Não podemos fazer provisão para o pecado e ao mesmo tempo pertencermos à igreja do Deus vivo. Deus nos salvou do pecado e não no pecado; fomos chamados à santidade e à irrepreensibilidade.

2. Uma igreja terapêutica é conduzida pelo Espírito Santo. Quando Paulo fala: “vós, que sois espirituais” não está referindo-se a uma elite dentro da igreja. Os crentes em Cristo são aqueles que receberam o Espírito (Gl 3.2), nasceram do Espírito (Gl 4.29), andam no Espírito (Gl 5.16), produzem o fruto do Espírito (Gl 5.22,23), e vivem no Espírito (Gl 5.25). A igreja de Deus é uma comunidade terapêutica, porque os crentes, sendo espirituais, são agentes da cura e não instrumentos da morte.

3. Uma igreja terapêutica trata com sensibilidade os que tropeçam. O apóstolo ordena: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura”. A palavra usada pelo apóstolo procede da medicina. Foi usada no grego clássico para reparar um osso quebrado. Precisamos lidar com tato e sensibilidade com as pessoas que caem. Devemos ser intransigentes com o pecado, mas cheios de ternura com aqueles irmãos que são surpreendidos por ele. Não podemos esmagar aqueles que já estão quebrados nem ferir ainda mais aqueles que já estão machucados pela queda. A correção ao faltoso precisa ser com espírito de brandura e não com truculência. A disciplina visa a restauração do caído e não sua destruição.

4. Uma igreja terapêutica mantém-se vigilante para não cair em pecado. Paulo diz que devemos nos guardar para não sermos também tentados a cair nos mesmos pecados que reprovamos nos outros. Hipocrisia e soberba são armadilhas perigosas que aprisionam e adoecem a igreja. Seria hipocrisia condenar na vida do irmão o pecado que acariciamos no coração. Somos tendentes a projetar nossos próprios erros em alguém e condenar nesse alguém o que não temos coragem de enfrentar em nós mesmos. Vemos com mais facilidade um cisco no olho do irmão do que uma trave em nosso próprio olho. Coamos mosquitos e engolimos camelos. Uma igreja terapêutica não coloca fardos nas costas das pessoas, mas leva as cargas uns dos outros.



24.7.11

IC: “Leitura bíblica faz com que as pessoas tenham mais consciência social, revela estudo”


 

Ler a Palavra de Deus também muda opinião sobre ciência e prática do aborto

Um novo estudo da Universidade norte-americana Baylor revelou que a leitura frequente da Bíblia faz com que as pessoas tenham mais consciência social, se preocupando mais com a pobreza e tratando criminosos de uma forma mais humana.

A pesquisa foi coordenada pelo pesquisador Aaron Franzen que apontou que a probabilidade de os cristãos dizerem que é importante procurar ativamente a justiça social e econômica para ser uma boa pessoa aumentou 39% entre o que fazem a leitura da Bíblia ao menos uma vez por ano comparado aos que leem mais de uma vez por mês.

Entre os cristãos entrevistados, 27% estão mais propensos a dizer que é importante consumir ou usar menos produtos e ser uma pessoa boa ao se tornaram leitores mais frequentes da Bíblia.

De acordo com os dados desta pesquisa, a leitura frequente da Palavra de Deus também está ligada a melhores atitudes em relação à ciência. Os entrevistados mostraram que, entre os que mais leem a Bíblia, 22% têm menos probabilidade de ver a religião e a ciência como incompatíveis.

No caso de outro debate sobre a política pública e a união de pessoas do mesmo sexo, quase metade dos entrevistados que leem a Bíblia menos de uma vez por ano disse que homossexuais podem casar-se, enquanto que apenas 6% das pessoas que leem a Bíblia várias vezes por semana aprovam essas uniões.

Os leitores mais assíduos da Bíblia também mostraram-se mais propensos a se opor ao aborto legalizado, à pena de morte. Além disso, pedem punição mais severa para criminosos e o aumento da autoridade do governo para combater o terrorismo.

O estudo de Franzen também revelou que os efeitos desse hábito devocional parecem transcender as fronteiras comumente estabelecidas entre conservadores e liberais. Nessa pesquisa, menos de 25% dos entrevistados disseram ler a Escritura uma vez por semana ou mais.

Extraído de CPADNews



IC: "Amy Winehouse e Lula"



Amy Winehouse foi encontrada morta hoje [23.7.2011]. Desconfia-se - e com muita razão - que a causa foi uma overdose. Aos 27 anos, Amy chegou ao fim de uma vida atribulada, marcada por escândalos, internações, sofrimento, fama, riquezas e popularidade.

Como é sabido, ela não é a primeira artista a morrer cedo por causa de drogas (assumindo que foi esta a causa da sua morte). Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Brian Jones... são alguns dos nomes que estão sendo associados ao de Amy, de jovens artistas que morreram por causa de drogas. Não podemos esquecer, ainda que não tão jovens quanto Amy, Elvis Presley, Michael Jackson, Elis Regina, Kurt Cobain.

O que leva pessoas famosas, ricas, populares e idolatradas pelas multidões a seguir um curso de auto-destruição terminando em morte precoce auto-infligida? Pesquisa recente mostrou que os jovens de hoje querem, mais do que serem ricos, serem famosos, aparecer na mídia, serem vistos e conhecidos. Amy Winehouse e todos os outros mencionados acima chegaram lá - e de quebra, ficaram ricos. Não deveriam ser pessoas felizes, alegres, satisfeitas, dedicadas ao trabalho, amantes da vida e de suas coisas boas?

Ao que tudo indica, parece ter faltado algo, alguma coisa que não podia ser comprada por dinheiro e nem substituida pela fama. Será que não se trata daquilo que os cristãos vêm dizendo há séculos, que o ser humano foi feito para a glória de Deus e que a sua alma não encontrará paz até que se satisfaça nele? Será que aqui não encontramos a razão pela qual um dia Jesus Cristo fez aquele convite conhecido?

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mateus 11:28-30).

Amy, Elis, Elvis, Janis, Jimi e tantos outros parecem contradizer a recente declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que os ricos já vivem no céu, ironizando com o ensino de Jesus Cristo:

"Bobagem, essa coisa que inventaram que os pobres vão ganhar o reino dos céus. Nós queremos o reino agora, aqui na Terra. Para nós inventaram um slogan que tudo tá no futuro. É mais fácil um camelo passar no fundo de uma agulha do que um rico ir para o céu. O rico já está no céu, aqui. Porque um cara que levanta de manhã todo o dia, come do bom e do melhor, viaja para onde quer, janta do bom e do melhor, passeia, esse já está no céu".

Para estes jovens e ricos artistas a vida, certamente, não parecia ser um céu, mas um verdadeiro inferno, a ponto de não mais se importarem em continuar vivendo. As riquezas não tornam este mundo em céu, Lula. Pelo menos, não para estas pessoas, que entre tantas outras, alcançaram glória humana, riquezas, popularidade e prestígio.

Meu caro Luiz Inácio, O inferno não está ausente na vida das celebridades, dos milionários e dos poderosos. Que o digam as vidas das celebridades marcadas pelos problemas familiares, os divórcios, os escândalos, as drogas, os suicídios. Eu também posso lhe apresentar gente pobre que é feliz, que tem um casamento abençoado, filhos honestos e trabalhadores.

Céu e inferno não se definem em termos de riqueza e pobreza, Lula, e nem em termos de popularidade e anonimato. Amy Winehouse certamente discordaria de suas palavras. E com ela todos aqueles outros jovens de 27 anos, que experimentarm o inferno existencial em suas vidas em meio à riqueza e celebridade. Pois, que outra razão teriam para não mais se importarem consigo mesmos, suas carreiras e as pessoas queridas ao seu redor?

Eu sei que tem celebridades que abusam das drogas, como Keith Richards, e que já vão com 80 anos de idade. Mas Amy e outros não conseguiram superar as angústias, perguntas, questionamentos, e o desespero que batem na porta de todos - inclusive dos ricos e dos famosos.

Adeus, Amy. Lamento muito mesmo sua morte.

Boa noite, Lula. Espero que o que aconteceu com Amy lhe leve, no futuro, a ponderar suas palavras quando for comentar assuntos que extrapolam as categorias de pobreza e riqueza, política e governo.



IC: "Pastor preso está extremamente debilitado"



LAOS (10º país mais perseguido) - Um pastor do Laos, preso há seis meses por realizar uma “reunião secreta”, perdeu peso devido às terríveis condições enfrentadas na prisão e está extremamente fraco.

Em 4 de janeiro, a polícia prendeu Wanna e seu colega,  Yohan, ambos identificados apenas pelo primeiro nome, juntamente com outros cristãos, na província de Khammouan, no Laos.

Em um comunicado à imprensa – o grupo Human Rights Watch para a Liberdade Religiosa no Laos – as autoridades da prisão disseram diversas vezes aos cristãos que eles poderiam “ser livres” assim que assinassem um documento renunciando à sua fé.

Wanna é o pastor de uma igreja não registrada no vilarejo de Nakoon, distrito de Hinboun, e Yohan pastoreia uma igreja similar no vilarejo de Tonglar.

A polícia do distrito de Hinboun prendeu Wanna, Yohan e outros nove cristãos, acusando-os de realizar uma “reunião secreta”. Isso aconteceu porque eles celebraram o Natal sem permissão prévia. Então, a polícia colocou os cristãos em um caminhão e os levou para a prisão de Khammouan, na cidade de Takket.

No dia 6 de janeiro, a polícia já havia liberado oito cristãos – incluindo duas crianças, de 4 e 8 anos – após pagamento de fiança. O nono prisioneiro, conhecido apenas como Kane, foi liberado logo depois.

Wanna e Yohan, que continuam presos, são os chefes de suas famílias. A prisão deles deixou suas esposas e filhos sem sustento. Alguns dos filhos de Wanna deixaram a escola para procurar trabalho.

As condições da prisão também afetaram Wanna. Após uma rápida visita, os familiares constataram que ele perdeu peso, contraiu infecções e parecia extremamente fraco.

As famílias pediram ajuda legal, pois os dois pastores foram presos por acusações diretamente ligadas à fé.

“Nossa maior preocupação agora é a respeito desses dois homens”, disse um representante da organização de ajuda humanitária. “Atualmente a perseguição aos cristãos diminuiu, mas esses homens precisam de ajuda”.

Um relatório publicado em maio pela Comissão Internacional de Liberdade Religiosa afirma que, enquanto os protestantes de áreas urbanas relataram um aumento na liberdade de “cultuar sem restrições”, as autoridades continuaram a “violar a liberdade de religião e crença, particularmente contra a minoria protestante”.
Tradução: Deborah Stafussi

Extraído de Portas Abertas

Informe Cristão – IC

Informe Cristão – IC é nossa série que divulga textos atuais sobre o universo cristão, como missões, leitura bíblica, evangelização, eventos, seminários, entrevistas, notícias cristãs.

Não perca nosso INFORME CRISTÃO, que deve ir ao ar aos domingos.


22.7.11

Série Hino Mesmo: "Motivo da minha canção", por Marcos Góes

Louvemos ao Senhor!




Motivo da minha canção


Jesus Cristo é o motivo da minha canção;
Outra razão eu não tenho para cantar.
A melodia é (vem d’) Ele, a minha vida está em Deus.
Jesus Cristo é o motivo da minha canção.


Muitas razões para viver,
Muitas razões para morrer,
Muitas razões para dar amor.
Nem sempre se sabem os porquês,
A vida passa com rapidez,
Cada momento eu aproveitarei.
Para dar minhas canções,
Oferecer minhas orações,
Entregar minha vida inteira,
A Quem tudo me dá.


Série Hino Mesmo: “Consequências", por Victorino Silva


Consequências

 

Parece que o pecar não é pecado mais,
Parece que o errar não é errado mais,
Parece tão comum pedir mais um perdão,
Parece que o temor não há nos corações.
Um abismo chama o outro, e, assim, o crente vai
Seguindo sem seguir, correndo para trás.
São muitos, mas um dia Deus vai revelar.
O espírito de Deus entristecido está.


O pecado mata o corpo e fere a alma.
Suas consequências fatalmente são cruéis.
Deus é santo e exige santidade.
O céu é lugar de santo; lá só entram os fiéis!

Pecados encobertos Deus vai requerer.
Por isso muitos hoje estão a sofrer.
A mão do Deus Altíssimo já passando está,
Impune o culpado Deus não vai deixar.
Por isso, há tanta coisa acontecendo aqui.
E agente não entende como pode ser,
Pois o inexplicável só pertence a Deus.
Mas aleluia quem busca a santidade
Alcançará o céu.

 


Série Hino Mesmo

A série Hino Mesmo já acontece no Blog do Artur Ribeiro há algum tempo. Trata-se de um momento em que postamos um hino condizente com a Bíblia e com a verdadeira hinódia cristã.

Contra as “subidas de Zaqueu”, contra os “sabores de mel”, contra os “restitui, eu quero de volta o que é meu”, contra o metal gospel, contra o funk gospel, contra a feijoada com pagode gospel. A série Hino Mesmo é contra todas essas invencionices e aberrações bíblicas.

A favor da mensagem bíblica, a favor da bela harmonia, a favor da melodia adequada, a favor do ritmo coerente com a música, a favor da pregação cantada do Evangelho, a favor das composições genuinamente bíblicas. A série Hino Mesmo é a favor da bela música cristã.

A série Hino Mesmo deve ir ao ar todas as sextas-feiras. Não deixe de ouvir!

Artur Freire Ribeiro


Série Hino Mesmo: “Não foi com ouro”, hino 231 da Harpa Cristã


 

 

 

Não foi com ouro


1
Nós, os salvos do Senhor,
Caminhemos com valor;
Ele guarda o coração,
Cristo é a nossa salvação.

Não foi com ouro que nos comprou Jesus,
Mas com Seu sangue vertido lá na cruz;
Nós, que somos salvos, vamos sem temer,
Sempre por Seu sangue o mal vencer.

2
Pela morte de Jesus,
Recebemos vida e luz;
Do abismo de horror,
Não temos mais nenhum temor.

3
Seguiremos o Senhor,
Pois nos guia ao Criador;
Nos concede paz real,
Nos dá repouso eternal!

4
Tu que não tens salvação,
Abre já teu coração.
Deixa Cristo te salvar,
E para o céu te preparar.



21.7.11

ASI: "Dá-me filhos senão estou morta: a concepção na Bíblia Hebraica"


Suzana Chwarts*

O capítulo 30 do livro de Gênesis nos situa no ambiente doméstico da família de Jacó, que é casado com duas irmãs: Lia e Raquel. Lia possui 4 filhos com Jacó, enquanto Raquel é estéril. É o narrador que abre o capítulo, informando-nos sobre os ânimos no beit ‘av1 de Jacó:

Rahel vê que não pariu de Iaacob.
Rahel inveja sua irmã.
Ela diz a Iaacob: “dá-me filhos senão estou morta”.
A narina de Iaacob queima contra Rahel.
Ele diz: “Estou acaso no lugar de Deus que te interditou o fruto do ventre?”2

Nesse diálogo, Jacó e Raquel encenam um conflito retórico onde desenvolvem teorias opostas sobre concepção. De um lado, Raquel pede a Jacó que lhe dê filhos. Ela o faz de forma direta e econômica, porque supõe que ele o possa fazer, assim como já havia feito por Lia. A teoria de concepção que tem expressão em sua injunção é a teoria monogenética, corrente nas sociedades patrilineares, e cuja idéia básica é a de que o homem é quem gera os filhos, ficando o papel da mulher restrito a gestação e parto. Essa tradição é a tal ponto enraizada na cultura popular oriental, que dispensa uma explicação mais detalhada por parte do redator.

Do outro lado, a resposta de Jacó vem nitidamente ensaiada em linguagem formal e cerimoniosa, e introduz o plano de fundo em que a trama se moverá: plano dos fundamentos morais teológicos da ideologia javista.3 Em vez de se mostrar sensível à tragédia de sua esposa, Jacó empenha-se em demolir seu argumento através da teoria, consistente em toda a Bíblia Hebraica, de que só Deus é o causador da fertilidade. Em sua resposta estão coreografados os princípios didáticos desta teoria: 1) o homem não está no lugar de Deus, portanto, não tem poder sobre a fertilidade; 2) não é o homem que dá filhos a uma mulher; 3) a esterilidade é um estado instaurado por Deus e só pode ser removido por Deus.

A escolha precisa dos termos empregados no diálogo presentifica, com contundência, o desconsolo da esposa e a indiferença do marido: enquanto Raquel pede filhos, Jacó faz referência a fruto do ventre. Os personagens vivem, cada um a seu modo, um regime de virtude X interesse, que se traduz em linguagens específicas e cujo valor é acentuado pelo narrador, quando este observa a inveja que Raquel nutre por sua irmã, e a ira de Jacó ao ser confrontado pela esposa ou pela “ignorância” da esposa.

Na narrativa bíblica, detalhes como esses espelham questões de larga abrangência. É da observação iluminadora de cada detalhe que se desenvolve a percepção aguda da trama e das idéias, duas dimensões que se cruzam resultando na interpenetração de ideologia e retórica. Quando a retórica dramática de Raquel já surge desmoralizada pelo juízo que o narrador faz, ao qualificá-la como invejosa de sua irmã, abre-se uma perspectiva para se conhecer as motivações de Raquel na trama.

A inveja que uma mulher estéril pode nutrir por uma mulher fértil é, no Oriente antigo, e atual, fonte de maledicências e superstições. Acredita-se que a mulher estéril possua poderes de tornar o homem impotente e a rival infértil. Vários amuletos ainda são confeccionados para proteger mães e maridos do mau-olhado das estéreis ciumentas.

Na injunção de Raquel, fica evidente a sua angústia. O seu desespero é real e até se intensifica na ação que se segue, em que Raquel se apresenta ardilosa e pragmática. Mas, com a resposta de Jacó como pano de fundo, esse desespero é sublinhado por uma flagrante fraqueza e ignorância.

Esse encontro retórico, com sua dissociação entre os dois pontos de vista, media a ação futura e corresponde, ainda, a duas condutas distintas, dividindo o casal em partes ativa e passiva, subvertendo os papéis tradicionalmente associados, respectivamente, ao masculino e ao feminino.
Nessa subversão de papéis, a força da sexualidade, desvinculada conceitualmente da maternidade, na Bíblia Hebraica, é central e impulsiona Raquel. Jacó, cuja marca registrada sempre foi a da esperteza e da sinuosidade, torna-se irremediavelmente passivo, em sua certeza teológica.

São as palavras de Raquel, e não as de Jacó, que estabelecem a direção da trama e os incidentes que se seguem, ou seja, um desdobramento da injunção “dá-me filhos senão estou morta”. A morte equivale, na Bíblia Hebraica, a estar apartado de Deus e excluído do sagrado, uma vez que a Israel só é possível viver uma existência santificada.

No Salmo 88, encontramos uma expressão pessoal dessa afirmação:

despedido entre os mortos,
como as vítimas que jazem no sepulcro,
das quais já não te lembras,
porque foram separadas da tua mão.
Por que me rejeitas, meu Deus,
e escondes tua face longe de mim?4

Raquel permanece, na narrativa, vinculada a liminaridade que caracteriza seu status de estéril, vivenciando o que poderia ser chamado de “eclipse do sagrado”. Mas, nessa região nebulosa, ela se move com ousadia e decisão: cede à sua irmã uma noite com Jacó em troca das mandrágoras de Reúben, filho de Lia.

As mandrágoras são plantas conhecidas no Oriente Médio como indutoras da fertilidade e largamente utilizadas com este propósito até hoje. Assim, Raquel crê que as mudanças serão operadas pela práxis, e não por idéias que ela julga abstratas. Em sua ação, está presente o elenco de forças e fraquezas que compõem o sistema de poder da mulher no lar patriarcal e que rejeita a imobilidade contemplativa. Não se trata, no entanto, de mais uma questão de gênero.

Permeia esse conflito doméstico uma noção peculiar do narrador quanto à polaridade binária sacro-profano /concreto-abstrato, que desafia a dicotomia conceitual. A caracterização dos personagens, suas falas e ações nesse episódio, revelam o caráter concreto e totalizante do sagrado, que frustra qualquer iniciativa que tenha o intuito de alterar o status quo por meios profanos. Raquel, de posse das mandrágoras, permanece estéril, enquanto Lia engravida de mais um filho, na noite barganhada. O profano, tornado inoperante, inscreve-se no sagrado como um entre-lugar, um interstício.

A narrativa instaura, a partir daí, um jogo complexo de detalhes e desdobramentos, que alça a história a um plano muito além da narrativa, ao remeter a audiência, para quem o texto bíblico foi produzido, à reflexão sobre suas próprias experiências. Os personagens não são esquematizados, simples receptáculos de idéias, pontos de vista ou valores. São modelos em movimento. Raquel encerra o que há de mais humano: desejo e paixão. Em toda a narrativa, nenhuma fórmula teológica é colocada em sua boca.

Quando Deus finalmente se lembra de Raquel e abre seu útero para a concepção, sua exclamação constitui uma exaltação à sua individualidade: “Deus retirou minha vergonha”, ela diz, e, em seguida, pede mais um filho a Deus. Ao dar à luz a esse filho, Raquel morre e ainda assim permanece “fora da ordem”, sendo enterrada num lugar qualquer, nas colinas de Ramá, e não na gruta da Machpelah, sepulcro ancestral, onde repousam todos os patriarcas e matriarcas de Israel. Raquel é, também, a única matriarca que morre durante o parto, um detalhe aparentemente sem conseqüência na narrativa de Gênesis, mas que se revelará central, séculos depois, na construção da simbologia da consolação e da salvação de Israel:

Assim disse D’:

Em Ramá se ouve uma voz
uma lamentação, um choro amargo;
Raquel chora por seus filhos,
ela não quer ser consolada por seus filhos,
porque eles já não existem
Assim disse D’:
Reprime teu pranto
e as lágrimas dos teus olhos
porque existe uma recompensa para tua dor. (Jr 31: 15)5

Raquel emerge da sombra do esquecimento como mater dolorosa que pranteia seus filhos, no caso, todos os filhos de Israel, levados ao exílio na Babilônia. Essa imagem de Raquel, evocada pelo profeta Jeremias, forma um par com o próprio Deus, que se define, nesse poema, como um pai para Israel (Jr 31:9). O lamento de Raquel transcendeu o tempo, assim como sua humanidade, frágil e pungente, transcendeu o sagrado. É em Raquel, e não em Lia, nem Sara, nem Rebeca que Israel será pranteado e consolado.

Na supremacia do ouvir sobre o ver, que caracteriza o poema e toda a literatura bíblica, a voz de Raquel se eleva num lamento convulso, amargo, inconsolável. Todas essas nuances estão sintetizadas em apenas duas sentenças que, no entanto, reverberam um outro desconsolo, numa outra história, a de Jacó, quando pensa que seu filho Benjamim está morto:

Iaacob rasga suas túnicas
põe um saco sobre seus quadris
e se enluta por seu filho múltiplos dias.
Todos os seus filhos, todas as suas filhas se erguem para reconfortá-lo.
Ele se recusa a ser reconfortado e diz:
“Sim, para junto de meu filho
eu descerei enlutado ao sheól.”
Seu pai o chora. (Gn 37:34)6

O profeta Jeremias nos conduz a Jacó de modo a forjar, no sofrimento, a unidade entre marido e esposa, e aprofundar a expressão do luto de Israel. O consolo a tal luto só poderá vir de Deus. Por outro lado, sabe-se que os profetas lançaram mão de motivos populares para construir a simbologia redentora de Israel. Não resta dúvida de que é a marca da experiência pessoal de Raquel a que se fixa no imaginário popular, onde ela permanece a jovem que foi bela e amada; a esposa ciumenta e estéril; a mãe que morreu de parto; a matriarca enterrada sozinha nas montanhas.

O caminho que eleva Raquel à categoria de mãe corporificada de Israel na profecia é o mesmo caminho transverso e indesejado que ela trilhou em Gn 31. A esses elementos soma-se uma evidência extrabíblica desconcertante: o fato de que no Oriente Médio antigo era muito difundida a superstição de que o espírito de uma mulher que morre de parto assombra as terras altas em busca de seus filhos. Poderia, essa crendice popular, profana, infame até, ter servido de base para a imagem criada pelo profeta?

Nunca saberemos ao certo, mas o movimento em espiral da trajetória de Raquel como personagem e símbolo vem demonstrar uma singularidade da ideologia bíblica: como a Bíblia Hebraica, em todas as instâncias, reconhece a realidade e leva a natureza humana em conta, ensina valores, indicando o caminho a ser alcançado, o caminho de uma existência santificada, mas em nada muda a natureza humana; ao contrário, baseia-se nele para valorizar todo o seu potencial.

* Suzana Chwarts é professora de Estudos da Bíblia Hebraica na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Notas
1 O vocábulo beit ‘av, significa, literalmente, “casa do pai”, família estendida no hebraico bíblico.
2 CHOURAQUI, 1995, p. 307.
3 A fonte javista é uma das fontes literárias que compõem o Pentateuco e é assim cognominada por empregar o tetragrama como nome de Deus.
4 Sl 88:6-14.
5 BÍBLIA DE JERUSALÉM, 1980.
6 Chouraqui, 1995, p. 398.

Referências
BÍBLIA DE JERUSALÉM. São Paulo: Paulus, 1980.
CHOURAQUI, Andre. No Princípio. Trad. Carlito Azevedo. Rio de Janeiro: Imago Editora, 1995.


Texto extraído do Arquivo Maaravi. Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG. Disponível em: < http://www.ufmg.br/nej/maaravi/artigosuzanachwarts-torah.html> Data de publicação: mar. 2008. Acesso em: 21 jul. 2011.
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