23.11.11

O Repovoamento de Jerusalém


PORTAL ESCOLA DOMINICAL

TERCEIRO TRIMESTRE DE 2011

TEMA – Neemias, integridade e coragem em tempos de crise

COMENTARISTA :  Elinaldo Renovato de Lima

 



APÊNDICE Nº 3 –  O REPOVOAMENTO DE JERUSALÉM
              Devidamente preparado, o povo de Judá foi convidado e estava em condições de repovoar Jerusalém.
Texto áureo
“E o povo bendisse a todos os homens que voluntariamente se ofereciam para habitar em Jerusalém”  (Ne.11:2).

INTRODUÇÃO
- Na continuidade do estudo do livro de Neemias, estudaremos o capítulo 11, que não foi objeto de lição específica nas lições bíblicas deste trimestre.
- Neemias somente repovoou Jerusalém depois que o povo estava devidamente preparado para esta tarefa.

I – O PROCESSO PARA REPOVOAR JERUSALÉM
- Neemias, ao chegar a Jerusalém, tinha uma missão imediata, que era a de reconstruir os muros e as portas da cidade, de maneira a que, com estas medidas, Jerusalém pudesse voltar a ser o centro político, social e religioso do povo de Judá.
- Neemias sabia que, sem criar as condições mínimas de segurança para a cidade e para o templo, não poderia reerguer a nação judaica e, assim, fazer com que Judá cumprisse o seu papel diante das nações, como reino sacerdotal e propriedade peculiar de Deus diante de todos os povos.
- Por primeiro, era preciso criar condições que dessem ao povo segurança e tranquilidade para que pudesse habitar em Jerusalém, local onde Deus havia escolhido para Se fazer presente no meio do Seu povo, mas que estava sem quaisquer condições de habitabilidade, desde a destruição do primeiro templo por Nabucodonosor quando do cativeiro da Babilônia, isto cerca de 162 anos da chegada de Neemias até Jerusalém.
- Da mesma forma que fez Neemias, devemos nós, os salvos em Cristo Jesus, que somos a atual casa do Senhor (Hb.3:6), criar condições para que tenhamos segurança e proteção contra o inimigo de nossas almas, o que o escritor aos hebreus chama de “conservação firme da confiança e da glória da esperança até o fim”.
- Assim como Neemias, antes de pensar em repovoar a cidade (pois não há cidade sem povo), envidou esforços para que houvesse a reconstrução dos muros e das portas, devemos nós, também, em nossa vida espiritual, antes de pensarmos em trazer pessoas para Cristo, nós mesmos nos estruturarmos espiritualmente, através de uma vida espiritual abundante, que nos leve a uma constante vigilância ante as investidas do adversário, do mundo e da carne, como também a uma aproximação cada vez mais intensa do Senhor, por intermédio de uma vida de oração, meditação nas Escrituras e de contínua santificação, para que vejamos aumentadas em nós as chamadas “virtudes teologais”, a saber, a fé, o amor e a esperança.
- Depois de ter conseguido, apesar de toda a oposição dos inimigos externos e internos, a reconstrução dos muros e das portas de Jerusalém em apenas cinquenta e dois dias (Ne.6:15), Neemias, então, iniciou um longo processo para repovoar a cidade.
- Por primeiro, fez o resgate da memória do povo de Judá, a fim de conscientizar os judaítas de que eles eram descendentes de pessoas que, em razão da fé em Deus e das promessas divinas a Israel, haviam deixado Babilônia e, com o decreto de Ciro, haviam retornado para a Palestina, para a terra que Deus havia dado aos filhos de Israel.
- Por isso, Neemias, guiado por Deus, juntou todo o povo e fez com que fosse lido o livro da genealogia dos judeus que haviam vindo de Babilônia sob o comando de Zorobabel (Ne.7:5-7). Ao dar conhecimento da história dos que vieram do cativeiro, Neemias queria que o povo tomasse consciência da sua condição de propriedade peculiar de Deus dentre os povos e, com isso, assumisse a sua identidade como povo de Deus.
- Precisamos sempre lembrar que somos o povo de Deus, que somos “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (I Pe.2:9), pois só tendo esta consciência poderemos cumprir a tarefa que o Senhor Jesus nos deixou, que é a de “anunciar as virtudes d’Aquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz”.
- Um dos principais ardis utilizados pelo inimigo, em nossos dias, é o de fazer com que o povo de Deus perca a noção da sua identidade, deixe de ter em mente que é o povo de Deus e, como tal, deve viver diferentemente dos demais homens, separado do pecado. Neemias sabia que a conscientização da identidade judaíta era fundamental para que a nação pudesse, tendo Jerusalém como centro de sua vida, persistir até a chegada do Messias.
- Depois desta conscientização, que passa necessariamente pelo estudo da história sagrada, os próprios judeus sentiram a necessidade de, como povo de Deus, ter um relacionamento mais próximo com o Senhor e, por isso, acabaram por pedir a Esdras que lhes lesse a lei do Senhor, tendo, então, ocorrido o avivamento constante do capítulo 8 de Neemias.
- Sentindo-se povo de Deus, os judeus entenderam que somente poderiam sê-lo verdadeiramente no momento em que tivessem um relacionamento mais próximo com o Senhor, relacionamento que somente viria mediante as Escrituras, que é a revelação de Deus ao homem.
- O resultado da leitura e meditação nas Escrituras foi o arrependimento e conversão do povo que confessou e deixou os seus pecados, passando a praticar a lei do Senhor, a ponto de terem, inclusive, celebrado a Festa dos Tabernáculos, algo que nunca havia sido feito desde os dias de Josué, quando a Terra Prometida havia sido conquistada.
- Depois da conscientização de que se era povo de Deus, veio o avivamento e, com o avivamento, o arrependimento e confissão dos pecados, inclusive com a solene assunção do compromisso de servir a Deus, como relatam os capítulos 9 e 10 do livro de Neemias.
- Com o povo consciente de que era o povo de Deus e, por causa disto, tendo sentido sede e fome da Palavra de Deus e, com a leitura e meditação nas Escrituras, obtendo a santificação, com o arrependimento, confissão e abandono do pecado, estava-se na condição de repovoar Jerusalém.
- Neemias sabia que não poderia haver cidade sem povo. Não bastava a reconstrução dos muros e das portas de Jerusalém, mas Jerusalém tinha de ser habitada. Tinha de ter população. Mas, não bastava trazer pessoas para Jerusalém, era indispensável que a população que fosse habitar em Jerusalém fosse composta de pessoas comprometidas com o Senhor.
- Neemias sabia que, nos dias de Nabucodonosor, Jerusalém era uma cidade populosa, que tinha muitos habitantes, mas de que tinha adiantado toda aquela população, se os hierosalamitas eram rebeldes ao Senhor, tendo apostatado, como nos dão conta inúmeras profecias de Jeremias?
- Neemias não se preocupou em encher a cidade, assim que os muros e portas foram reconstruídos, mas, antes de mais nada, quis preparar o povo que haveria de habitar na cidade, pessoas que estivessem comprometidas com Deus, que se arrependessem e se convertessem.
- Que falta nos faz, na atualidade, líderes que ajam como Neemias, líderes que não estão contaminados pela “numerolatria”, ou seja, a submissão única e exclusivamente a critérios quantitativos na obra de Deus, que criam estratégias e mais estratégias apenas para encherem os templos ou os locais de concentração, nem um pouco preocupados com a qualidade daqueles que vão ao seu encontro.
- É importante frisar que Neemias, ao levar o povo, primeiro a se comprometer com Deus para depois pensar no repovoamento da cidade, não descuidou dos aspectos puramente materiais que envolviam não só a habitação da cidade como o próprio sustento da obra de Deus. Ao levar o povo ao comprometimento com a Palavra de Deus, o próprio povo percebeu que deveria arcar com o custo do serviço do Templo, tendo, assim, iniciado a contribuição para a manutenção dos levitas, dos sacerdotes e das despesas de todo o cerimonial da lei.
- Muitos, na atualidade, na sua ganância, tomam atitudes nitidamente materialistas sob o argumento de que é preciso, antes, dar condições de sustentação da obra de Deus para, então, com estas condições satisfeitas, buscar uma maior “espiritualidade”. Nada mais enganoso. Neemias mostra-nos, com clarevidência, que devemos, primeiro, buscar o reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas nos serão acrescentadas, algo, aliás, que seria ensinado pelo Senhor Jesus.

II – O REPOVOAMENTO DE JERUSALÉM
- Completado o processo engendrado por Neemias, sob a direção divina, para que se criassem as condições necessárias para o repovoamento de Jerusalém, Neemias parte, então, para levar pessoas para habitar em Jerusalém.
- A primeira observação que temos é de que “os príncipes do povo habitaram em Jerusalém”. Neemias, dentro de uma conduta que já havia tomado desde o início de seu governo, fez com que os maiorais do povo dessem o exemplo e viessem, obrigatoriamente, morar em Jerusalém.
- Os que estão à frente do povo devem ser o exemplo dos demais. Em o Novo Testamento não é diferente, pois vemos, em mais de uma passagem, que há a exigência, na Igreja, de que os que presidem devem ser exemplares (I Co.11:1; Fp.3:17; II Ts.3:9; I Tm.4:12; Tt.2:7; Hb.13:7; I Pe.5:3), a começar pelo próprio Senhor Jesus (Jo.13:5; I Pe.2:21).
- Nos dias hodiernos, um dos grandes fatores que nos faz perder a credibilidade diante dos homens é, precisamente, a falta de exemplo de muitos dos líderes dos cristãos se dizem ser, que se assemelham muito mais aos fariseus dos dias de Jesus do que a servos de Deus, estando, nesta falta de exemplo, um dos principais elementos que geram os inúmeros escândalos que têm feito muitos apostatarem da fé e muitos se recusarem a crer no Evangelho.
- Neemias fez com que todos os príncipes, que já haviam participado da obra da reconstrução dos muros e das portas de Jerusalém, como também sido os primeiros a se comprometer a servir a Deus, agora, em mais um gesto de renúncia, viessem habitar em Jerusalém. Por isso, encontramos, entre os moradores de Jerusalém: os “chefes da província” (Ne.11:3); Joel, filho de Zicri, superintendente dos filhos de Benjamim (Ne.11:9); Seraías, maioral da casa de Deus (Ne.11:11); Zabdiel, superintendente dos que faziam a obra da casa de Deus (Ne.11:14); Sabetai e Joxabade, que presidiam sobre os que faziam a obra fora da casa de Deus (Ne.11:16); o “chefe” Matanias, que eram quem começava a dar graças na oração, com seu segundo, Baquebuquias (Ne.11:17); Zia e Gispa, que presidiam sobre os netinins, que habitaram em Ofel (Ne.11:21) e o superintendente dos levitas em Jerusalém, Uzi, juntamente com os cantores, a quem foi determinada uma porção por ordem do rei (Ne.11:22,23).
- No meio do povo de Deus, os maiores estão ali para servir aos menores (Mt.20:26; Mc.10:43). Temos, na “hierarquia” do povo de Deus uma “pirâmide invertida”, onde o primeiro é, na verdade, o “servo dos servos”. Por não vivermos conforme esta lógica divina, determinada pela cabeça da Igreja, pelo próprio Senhor Jesus, é que temos visto tantas distorções na atualidade nas igrejas locais. Voltemos ao padrão bíblico, amados irmãos!
- Com relação ao restante do povo, porém, Neemias não quis impor coisa alguma. Mandou que se lançassem sortes para tirar um de dez, a fim de que habitasse em Jerusalém o dízimo do povo, ainda permitindo que os que quisessem voluntariamente se apresentassem para morar “na santa cidade de Jerusalém” (Ne.11:1,2).
- Neemias mostra-nos outra grande verdade a respeito da obra de Deus: a voluntariedade. Se os príncipes tinham, por dever de função, que dar o exemplo, o restante do povo não poderia ser constrangido nem forçado a tomar a resolução de morar em Jerusalém. O povoamento era necessário e Neemias, diante de seu planejamento, entendeu que dez por cento do povo judeu deveria ocupar Jerusalém e, por isso, optou pelo sistema de “lançamento de sortes”, que era o mais isento e imparcial, sem retirar a possibilidade de aparecerem voluntários para morar na santa cidade.
- A obra de Deus deve ser feita voluntariamente. O amor é o relacionamento que une Deus a Seu povo e, portanto, nada deve ser feito com imposição, constrangimento ou ameaça. O líder deve saber que, se está na direção do Espírito Santo, o mesmo Espírito que o mandou fazer também fará com que os liderados também se irmanem com aquele propósito. Não é a força, a opressão que faz o líder alcançar seus objetivos, mas, sim, uma vida de integridade, coragem, abnegação e transparência que fará com que o povo se junte ao líder e realize aquilo que o Senhor quer realizar.
- Nos dias em que vivemos, porém, a opressão, o constrangimento e a ameaça são uma constante em muitos lugares. Vivemos verdadeiras “ditaduras”, que a nada levam senão à revolta do povo e à perda da liderança. Muitos até estão iludidos com um estado atual de prosperidade em que vivem, mas devem observar o que aconteceu a Salomão. Apesar de todo o esplendor de seu reinado, ao morrer, vemos que o povo estava cansado e oprimido e somente aceitou servir a seu filho Roboão se houvesse um alívio naquele estado e, ante a recusa do novo rei, acabou por dar fim à monarquia israelita. Tomemos cuidado, senhores líderes, pois muitos impérios também ruirão por causa da opressão e constrangimento que se faz ao povo de Deus na atualidade!
- A cidade foi repovoada voluntariamente, com muitos se oferecendo para habitar em Jerusalém e outros sendo sorteados para ali morar. Ninguém foi oprimido, constrangido ou forçado a fazê-lo, salvo os príncipes do povo que, como serviçais dos judeus, não tinham vontade própria. Que exemplo a seguirmos nos dias hodiernos!
- Os “chefes da província” habitaram em Jerusalém, enquanto que o restante do povo, que não havia se oferecido para morar em Jerusalém nem sorteado para tanto, foram morar nas demais cidades de Judá (Ne.11:3).
- Em mais uma demonstração de reconhecimento de seus liderados, Neemias fez questão de deixar escrito o nome de todos quantos foram habitar em Jerusalém (Ne.11:4-19). Com este gesto, o governador também se preocupou com as gerações futuras, a fim de deixar registrado quem havia se disposto a repovoar Jerusalém, para que o povo mantivesse, no futuro, a mesma consciência e identidade que haviam adquirido naquele processo de restauração da cidade.
- Nesta relação dos que foram morar em Jerusalém, vemos como Neemias fez questão de mostrar que tinha conhecimento de seus liderados, que os acompanhava, que não era uma pessoa distante deles.
- Assim foi que fez questão de deixar registrado que todos os quatrocentos e sessenta e oito filhos de Perez, que foram habitar em Jerusalém, eram “homem valentes”. Jerusalém estava sendo habitada novamente mas com pessoas totalmente diferentes daquelas que haviam morado quando da destruição nos dias de Nabucodonosor. Tínhamos agora “homens valentes”, que não eram belicosos ou guerreiros, como até haviam sido os judeus dos dias da destruição pelos babilônios, mas “homens de destaque” (como consta na NVI), “homens valorosos” (como consta na BJ), “homens de valor” (como consta na NTLH), “homens de armas” (como consta na TEB), “homens adultos” (como consta na Tradução da CNBB).
- Além dos filhos de Perez, também foram chamados de “valentes” (“homens ilustres de valor” na TB) os irmãos de Amassai (Ne.11:14), sobre os quais era superintendente Zabdiel, filho de Gedolim (que a BH diz que era “descendente de homens importantes”), a mostrar claramente que esta qualidade era encontrada na população que resolvera residir em Jerusalém.
- O que se ressalta nesta afirmação dos registros dos que foram morar em Jerusalém é que a qualidade dos moradores era outra, tinha-se ali a “fina flor” do povo judeu, pessoas realmente transformadas e comprometidas com Deus e que, por isso, tinham “valor”, tinham “maturidade espiritual”.
- Somente “valentes”, também, adentrarão na Jerusalém celestial. A Bíblia é clara ao falar que “ficarão de fora os tímidos” (Ap.21:8), ou seja, os “covardes”, aqueles que negam os valores do reino de Deus por conta de vantagens passageiras e ilusórias nesta vida, aqueles que não deixaram o pecado e que não estão definitiva e integralmente comprometidos com o Senhor, aqueles que não têm fé (Mc.4:40). Qual é a nossa situação?
- Mas Neemias não mandou registrar apenas os que aceitaram morar em Jerusalém. Numa prova de sua imparcialidade e de que não se pode discriminar pessoa alguma, também mandou registrar quem havia ido morar nas outras cidades, não declinando seus nomes, diante da enorme quantidade, mas fazendo questão de registrar quais as cidades que eram habitadas por judeus, sempre com o objetivo de preservar a memória e a identidade do povo (Ne.11:20-36).
- Tanto era esse o objetivo que, na sequência da relação dos judeus de seu tempo, Neemias transcreve a lista dos que voltaram de Babilônia para Jerusalém nos dias de Zorobabel, reafirmando, assim, agora em relação aos sacerdotes e levitas que vieram do cativeiro, a ideia de resgate da memória e da identidade dos judeus (Ne.12:1-26).
- Neemias queria que o povo sentisse que estava a continuar a missão e tarefa de seus antepassados que, deixando tudo o que tinham em Babilônia, haviam retornado para Canaã para ser o povo peculiar de Deus entre os povos. Inseriam-se, pois, no grupo daqueles que, século após século, levavam o nome de Deus a todo o mundo, aguardando a vinda do Messias e a salvação da humanidade.
- Nós, também, como povo de Deus, devemos ter esta consciência, identificarmo-nos com os nossos antepassados, não biológicos, mas antepassados que desfrutaram da mesma experiência de fé em Deus de que desfrutamos, prosseguindo a nossa jornada e preparando as gerações vindouras até o dia em que o Senhor Jesus vier buscar a Sua Igreja.
- Neemias fez questão de mostrar que os sacerdotes e levitas tinham vindo para Jerusalém para fazer o serviço do templo, templo que, aliás, tinha de ser reconstruído. Para isto eles haviam sido constituídos, motivo pelo qual, agora que a cidade estava segura, mais de 80 anos depois, deveriam se dedicar para esta tarefa.
- Tanto assim é que, após a transcrição dos registros dos tempos de Zorobabel, Neemias cuidaria de organizar o serviço religioso em Jerusalém, o próximo passo de seu exitoso governo, como se vê na continuidade do capítulo 12.


Colaboração para o Portal Escola Dominical – Ev. Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco

17.11.11

Faxina ét(n)ica





GIBEÁ*



Em menos de um ano de governo, a presidente Dilma Roussef já teve cinco baixas em seu ministério em virtude de denúncias de corrupção.

O fato de ter a presidente, ao contrário de seu antecessor, “lavado suas mãos” e deixado que o ministro acusado de irregularidades lutasse com suas próprias forças para se manter no cargo, o que, invariavelmente, não ocorreu, foi definido por alguns como sendo uma “faxina ética”, expressão que fez, inclusive, com que a popularidade da presidente voltasse a subir.

Estaria a presidente da República dando uma inflexão na costumeira política de leniência com a corrupção que tem caracterizado o chamado “presidencialismo de coalizão” em nosso país? Estaríamos iniciando um ciclo de honestidade na Administração Pública Federal?

Apesar de ser este o desejo que gostaríamos de sentir num país que, aliás, está, ainda que timidamente, voltando a se manifestar em termos de instauração da moralidade nos assuntos públicos, como provam as marchas contra a corrupção que têm sido promovidas pelas redes sociais da internet, num início de uma “primavera tupiniquim”, infelizmente não é isto que estamos a ver nos episódios de demissões de ministros no governo Dilma. Senão vejamos.

Por primeiro, é interessante observar que os ministros que se demitiram, com exceção do primeiro a cair, que foi Antonio Palocci, são todos de “partidos da base aliada”, ou seja, não pertenciam ao Partido dos Trabalhadores (PT), o partido da presidenta e o real governante do país.

Por segundo, todas as denúncias “surgiram” na imprensa a partir de dados que são “vazados” de órgãos governamentais ou de processos que se encontram no Tribunal de Contas da União com relatórios encaminhados aos órgãos do Poder Executivo.

Por terceiro, todos os ministros que se demitiram são “coincidentemente”, ministros que foram mantidos do governo anterior, sem exceção, ou seja, ministros que teriam sido “impostos” pelo ex-presidente Lula em suas negociações políticas antes, durante e após as eleições presidenciais de 2010.

Tais fatores mostram que as denúncias surgiram de “vazamentos” vindos do próprio governo, a mostrar, portanto, que são movimentos nascidos do próprio Poder Executivo, com interesses que não são propriamente de “faxina ética”, mas de “luta de poderes”, de “combate por espaços” dentro do governo, situação que, também não por acaso, surgiu após alguns difíceis embates do governo no Congresso Nacional para a aprovação de suas medidas, como, por exemplo, a discussão a respeito do Código Florestal ou a questão dos “royalties” do pré-sal, apesar da ampla maioria parlamentar, a mais ampla em toda a história do país desde a redemocratização.

O que se nota é que, em vez de uma “faxina ética”, o que existe é uma “faxina étnica”, ou seja, há uma demonstração clarevidente da retirada de poder de segmentos políticos que não pertencem ao Partido dos Trabalhadores, de retirada de poder dos chamados “partidos da base aliada”, numa nova configuração do Executivo em que não há mais “porteiras fechadas” impenetráveis em favor dos “partidos aliados”, como começou a ocorrer notadamente no segundo governo Lula.

O que se percebe é que o PT volta a querer dominar parcela significativa do Poder Executivo, como se fez no primeiro governo Lula, tentando, de alguma maneira, inclusive, fazer isto debaixo de uma “postura ética”, imagem que o partido gozava até o escândalo do “mensalão”, quando, então, fragilizado, teve de ceder “nacos de poder” para alguns grupos políticos que, agora, com as denúncias, são cada vez mais desmoralizados e obrigados a aceitar a redução de sua participação nos núcleos decisórios do país.

Ao mesmo tempo, conhecida como centralizadora, a presidente Dilma aproveita a situação para, também, “livrar-se” de ministros “incômodos”, que foram “herdados” do governo anterior, a fim de ter maior controle sobre os ministérios e, assim, efetuar um governo mais conforme às suas características pessoais de administração, como, aliás, demonstrou quando chefiava a Casa Civil da Presidência da República, o que, aliás, lhe deu amplas condições de conhecer “por dentro” toda a máquina governamental.

O que se percebe é que o PT prossegue com sua política de instituição de hegemonia em nosso país, querendo, sem sombra de dúvida, reduzir sobremaneira o poder dos “partidos da base aliada”, tornando-os meros caudatários do poder, meros instrumentos auxiliares para impor a sua vontade dentro de um país que, como bem disse o filósofo Olavo de Carvalho, não vive uma “democracia normal”, mas, sim, uma “democracia patológica”, em que há uma aparente e formal liberdade de expressão e de manifestação, mas onde não se pode, mais, ter uma “alternância efetiva de poder”, vez que não há como se modificar a linha de atuação e ideológica imprimida pelo governo atual.

Uma verdadeira “faxina ética” não se circunscreveria apenas a ministérios de “partidos da base aliada”, mas também alcançariam os ministérios dirigidos pelo PT, onde as mazelas são as mesmas, pois tudo é resultado do aparelhamento da máquina estatal para angariar fundos para as campanhas eleitorais, algo criado e forjado precisamente pelo PT, o que deveria ser feito numa reforma política, que não se tem interesse algum em fazer.

Uma verdadeira “faxina ética” não se preocuparia em tão somente inviabilizar ministros para forçá-los a pedir demissão, mas, por primeiro, seria caso de demissões antes de qualquer pedido, como também de modificação das estruturas e dos modos de se administrar, o que também não foi feito.

Tudo, pois, não passa de uma “retomada de espaço” do PT no governo, com uma tentativa de retomada de “imagem ética”, ou seja, é tão somente uma tentativa de retorno da situação vivida pelo PT antes do escândalo do “mensalão”, uma tentativa de retomada do projeto de poder que visa instituir no Brasil uma “democracia petista”, como já tinha sido planejado e o “escândalo do mensalão” prejudicou sobremaneira.



* Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises (GIBEÁ), um grupo de estudos informal de estudos das Escrituras e análises com base na Bíblia Sagrada.


13.11.11

Extra: Em defesa do casamento normal, ou melhor, hétero (Distorções da união gay)

Os que defendem o casamento precisam tirar vantagem do que se sabe acerca da atração de mesmo sexo (AMS), pois aqueles que promovem a redefinição do casamento estão manipulando a opinião pública distorcendo os fatos e pesquisas. As cinco principais distorções são:

1) Os indivíduos com AMS nasceram desse jeito.

2) Os indivíduos com AMS não podem mudar.

3) Os indivíduos com AMS são simplesmente tão saudáveis quanto as pessoas em casamentos de marido e esposa.

4) Os relacionamentos de mesmo sexo são exatamente iguais aos casamentos de marido e esposa, exceto pelo sexo dos parceiros.

5) Crianças obtidas por indivíduos em relacionamentos de mesmo sexo não têm problemas demasiados.

Há numerosos estudos que refutam os primeiros dois pontos e não existe nenhum estudo confiável que apoie ambos.

Há numerosos estudos grandes muito bem feitos que revelaram que indivíduos com AMS têm muito mais probabilidade do que homens e mulheres casados de sofrer de:

* Desajustes psicológicos

* Vícios sexuais e parafilias

* Ideias e tentativas de suicídio

* Vícios, inclusive de drogas, álcool e cigarros

* Relacionamentos instáveis, infiéis, não permanentes e não exclusivos

* Problemas de saúde, principalmente DSTs, inclusive HIV e câncer

* Ter sido vítima de abuso sexual, estupro ou violência doméstica

Aqueles que defendem o casamento frequentemente apontam para o fato de que falta complementaridade aos relacionamentos de mesmo sexo, mas não conseguem explicar como essa falta afeta a qualidade do relacionamento e faz com que um ou ambos os parceiros sacrifiquem algo essencial à sua dignidade humana. Os relacionamentos de mesmo sexo enquadram-se em muitos modelos. A seguinte lista cobre alguns desses modelos e como a falta de complementaridade natural provoca um impacto negativo nos indivíduos envolvidos:

1) Pseudo marido ou esposa — O homem que imita o papel de esposa sente que é efeminado depender de outro homem. A mulher que imita o papel de marido muitas vezes ainda quer ser mãe.

2) Pai/ filho — O parceiro do sexo masculino mais jovem, ao aceitar o papel de criança, sacrifica seu direito de ser um adulto pleno. A mulher que aceita o papel de criança se torna permanentemente dependente. O relacionamento é inerentemente incestuoso.

3) Amizade assexual — Muitos relacionamentos de mesmo sexo começam cm muita paixão e rapidamente regridem para amizades assexuais. O amigo de mesmo sexo não mais excita paixão. Os homens em amizades assexuais se engajam em sexo casual fora do relacionamento. Entre as mulheres, a “cama morta” é comum. Amizades assexuais não precisam ser reconhecidas como casamentos.

4) Clones/ fusão — Indivíduos em relacionamentos de mesmo sexo tentam erradicar todas as diferenças. A individualidade não é tolerada.

5) A solidão provocada pela ausência do outro sexo ou medo do outro sexo causada por abusos — Os indivíduos envolvidos sacrificam sua heterossexualidade natural. Esses relacionamentos são inerentemente instáveis e o indivíduo pode, quando surgir a oportunidade, voltar a um relacionamento heterossexual.

Relacionamentos de mesmo sexo não promovem os melhores interesses nem suprem as reais necessidades dos indivíduos envolvidos. As pressões em prol de reconhecimento social podem ser motivadas pela convicção errônea de que seus problemas de relacionamentos são causados por forças externas em vez da falta inerente da verdadeira complementaridade.

Crianças obtidas por duplas de mesmo sexo estão também sujeitas aos problemas inerentes em sua condição. Além disso, as duplas de mesmo sexo têm mais probabilidade de estar em risco de muitos problemas que causam impacto direto em sua capacidade de fazer papel de pai e mãe.
1) Fatores IntrínsecosToda criança obtida por uma dupla de mesmo sexo foi por definição separada de um ou ambos seus pais biológicos, por meio da morte, deserção, mãe solteira, orfanato, adoção, doador de inseminação artificial ou mãe de aluguel. Até mesmo nas melhores circunstâncias, tal separação é percebida pela criança como perda. Uma dupla de mesmo sexo jamais é a melhor das circunstâncias. É por definição o segundo melhor por lhe faltar um pai ou mãe. Pior ainda é que essa tragédia em particular não é por acaso, mas por consequências da ação cônscia e planejada dos indivíduos de quem a criança depende. De modo propositado e permanente, fazem com que essas crianças fiquem sem pai e sem mãe. Além disso, as famílias de mesmo sexo com crianças funcionam como uma seita herética. Nega-se a perda que a criança sofre. Impõe-se sobre as crianças a carga de sentir que seu desejo legítimo por um pai e mãe de sexos diferentes trai o sacrifício de sua família [de mesmo sexo] em face de uma cultura hostil, rejeitadora e homofóbica.

2) Fatores de RiscoIndivíduos com AMS têm muito mais probabilidade do que homens e mulheres casados de sofrer desajustes psicológicos, vício sexual e parafilias, ideias e tentativas de suicídio, relacionamentos instáveis, problemas de saúde e terem sido vítimas de abuso ou violência. Esses problemas raramente ocorrem isoladamente. Muitos indivíduos com AMS sofrem de uma combinação de desordens. Além disso, cada relacionamento de mesmo sexo contém dois indivíduos que estão em risco elevado, dobrando o potencial para um resultado abaixo de excelente. Temos de fazer a pergunta: Será que os assistentes sociais estão intencionalmente ignorando problemas quando entregam crianças para duplas de mesmo sexo que têm problemas sérios?

Aqueles que defendem o casamento precisam divulgar essas informações.
Evidências que apoiam o material apresentado aqui podem ser encontradas em meu livro One Man, One Woman (Um Homem, Uma Mulher). Aqueles que precisam de referências específicas podem me mandar um email para dalemoleary@yahoo.com ou meu blog.

DaleO’Leary (Tradução de Julio Severo)

11.11.11

Série Hino Mesmo: "Teus altares", por João Alexandre




Teus Altares

 

Quão amáveis são os Teus tabernáculos,
Senhor dos Exércitos!

A minh'alma suspira e desfalece pelos Teus átrios!

O pardal encontrou casa, 
a andorinha ninho para si...

Eu encontrei Teus altares, 
Senhor Rei meu e Deus meu...

Bem-aventurados aqueles que habitam em Tua casa...
Pois um só dia, Senhor, nos Teus átrios, vale mais que mil... 

Pois o Senhor é sol e escudo, dá graça e glória!
Não negará bem algum aos que vivem corretamente...

MADURE: "Arrependimento, a manchete do evangelho"



 

João Batista foi o precursor de Jesus, para preparar o caminho de sua chegada. Brandindo a espada do Espírito, conclamou o povo a arrepender-se e a produzir frutos de arrependimento. Não se trata de se arrepender e novamente se arrepender, mas de se arrepender e dar frutos de arrependimento. Arrependimento significa mudar de mente e de direção. Implica mudança. Exige transformação. Impõe um novo rumo com novas atitudes. Aqueles que permanecem no erro, mesmo que se desmanchem em lágrimas, não dão provas de arrependimento nem demonstram seus frutos. Arrependimento é um tema ausente na maioria dos púlpitos contemporâneos. Nossa geração prefere entreter os pecadores a chamá-los ao arrependimento. Prefere mantê-los sorrindo caminhando para a morte, a levá-los ao choro do arrependimento para a vida.

O arrependimento exige mudanças em três áreas vitais da vida:

1. A razão. Arrependimento significa mudar de mente. O arrependimento verdadeiro é conceitual. Traz uma nova luz para a mente e faz brotar um novo entendimento da vida e dos valores que a governam. Uma pessoa arrependida compreende que o pecado é maligníssimo. Uma rebelião contra Deus. Portanto, foge não apenas das consequências do pecado, mas, sobretudo, do pecado. Aqueles que se deleitam no pecado e se refestelam nos prazeres da vida, mesmo que derramem lágrimas amargas quando recebem o merecido salário do seu pecado não demonstram um genuíno arrependimento. Os frutos do arrependimento só podem ser produzidos por alguém que recebeu a luz da verdade na mente, a convicção do pecado no coração e, consciente e deliberadamente se aparta do pecado como o maior de todos os males.

2. A emoção. Arrependimento significa sentir tristeza segundo Deus pelo pecado. É demonstrar um profundo pesar por ofender a santidade de Deus. É afastar-se do pecado como uma coisa abominável aos olhos daquele que é puro. A tristeza segundo Deus produz vida e não morte. Conduz o homem pelas veredas da salvação e não pelos abismos da condenação. A tristeza do mundo esmaga, atormenta e mata. A tristeza do mundo produz culpa e remorso, mas não alivia a consciência, porém a tristeza segundo Deus abre a ferida, mas também cura. Convence de pecado, mas também conduz à fonte do perdão. Arrependimento não é remorso que leva à morte, mas é choro pelo pecado que conduz à vida. Aqueles que se arrependem choram não porque foram flagrados no pecado e agora estão sofrendo as consequências do seu erro, mas choram porque o pecado é mau aos olhos de Deus.

3. A vontade. Arrependimento significa dar meia volta, mudar de direção e adotar um novo comportamento. Não é arrependimento e novamente arrependimento, mas arrependimento e frutos de arrependimento. Aqueles que verdadeiramente se arrependem não vivem mais na prática do pecado. Não são mais escravos do pecado. Não vivem mais com o pescoço na coleira do diabo. Arrependimento significa abandonar o pecado para deleitar-se na santidade. Significa deixar o reino das trevas e ser transportado para o reino da luz. Arrependimento, mais do que sentimento, é atitude. Não é aquilo que falamos apenas, mas aquilo que fazemos. Não é discurso diante dos homens, é mudança de vida diante de Deus. Não é um desempenho teatral para impressionar as pessoas, mas um quebrantamento sincero diante de Deus. Não é rasgar as vestes, mas o coração. O arrependimento é a manchete do evangelho, a porta de entrada no reino de Deus, uma exigência inegociável para a salvação.


9.11.11

1.º Trimestre de 2012 das Lições Bíblicas CPAD: “A Verdadeira Prosperidade - A Vida Cristã Abundante”


1.º Trimestre de 2012 das Lições Bíblicas CPAD:
“A Verdadeira Prosperidade - A Vida Cristã Abundante”



“A Verdadeira Prosperidade - A Vida Cristã Abundante”

Lição  1 – O Surgimento da Teologia da Prosperidade
Lição  2 – A Prosperidade no Antigo Testamento
Lição  3 – Os Frutos da Obediência na Vida de Israel
Lição  4 – A Prosperidade no Novo Testamento
Lição  5 – A Bençãos de Israel e o que Cabe à Igreja
Lição  6 – A Prosperidade dos Bem-aventurados
Lição  7 – Tudo Posso nAquele que me Fortalece
Lição  8 – O Perigo de Querer Baganhar com Deus
Lição  9 – Dízimo e Oferta
Lição 10 – Uma Igreja Verdadeiramente Próspera
Lição 11 – Como Alcançar a Verdadeira Prosperidade
Lição 12 – O Propósito da Verdadeira Prosperidade
Lição 13 – Somente em Jesus Temos a Verdadeira Prosperidade


Comentarista – Pr. José Gonçalves



8.11.11

180, o filme – 33 minutos que mudarão sua opinião sobre aborto




Living Waters produziu recentemente um documentário fantástico sobre aborto. São 33 minutos que farão você pensar sobre o assunto. Cabe lembrar que o filme possui algumas cenas fortes, então recomendamos cuidado. Por fim, esperamos que você valorize a vida humana ainda mais após vê-lo.
ATENÇÃO: você precisa ativar a legenda do Youtube em português para poder vê-la.

O Testemunho de Paulo, Um Grande Evangelista, pr. Sillas Campos


O Testemunho de Paulo, Um Grande Evangelista from Editora Fiel on Vimeo.

3.11.11

AS NECESSÁRIAS CAUTELAS PARA A ESTRUTURAÇÃO DO POVO DE DEUS


IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS - MINISTÉRIO DO BELÉM

ESTUDO DA PALAVRA DE DEUS PARA OS AMIGOS E PROFESSORES DA ESCOLA DOMINICAL (EPAPED)
BELÉM- SEDE
QUARTO TRIMESTRE DE 2011

TEMA –  Neemias – integridade e coragem em tempos de crise


COMENTARISTA :  Elinaldo Renovato de Lima



APÊNDICE Nº 2 –  AS NECESSÁRIAS CAUTELAS PARA A ESTRUTURAÇÃO DO POVO DE DEUS
                           
Texto áureo
“Então o meu Deus me pôs no coração que ajuntasse os nobres, e os magistrados, e o povo, para registrar as genealogias. E achei o livro da genealogia dos que subiram primeiro e assim achei escrito nele: ” (Ne.7:5)


INTRODUÇÃO

- Em complemento ao estudo deste trimestre, estudaremos o capítulo 7 do livro de Neemias, que não objeto de lição específica.

- No capítulo 7 de Neemias, aprendemos que o povo de Deus precisa ser bem estruturado, com vigilância, a fim de que inimigos externos e infiltrados não comprometam a obra de Deus.

I – NEEMIAS ESTABELECE UM SISTEMA DE SEGURANÇA PARA JERUSALÉM E REORGANIZA O SERVIÇO DO TEMPLO

- O capítulo 7 do livro de Neemias começa com a afirmação do governador de que, após a finalização da reconstrução dos muros, mesmo diante da ação dos falsos profetas e dos que haviam se mancomunado com Sambalate, Tobas e Gesem para tentar atemorizar o governador, as portas foram levantadas (Ne.7:1).

- É interessante verificarmos que, primeiro, Neemias teve de reedificar os muros, muros que não podiam ter qualquer brecha (Ne.6:1), para só então, colocar as portas nos portais. A edificação tem a sua ordem, que não pode ser alterada.

- Assim, também, ocorre na vida espiritual. Primeiramente, temos de edificar os muros sem brecha alguma, ou seja, alicerçados sobre a rocha, que é Cristo Jesus (Mt.7:24; I Co.10:4), crescermos na doutrina, em amor, para que não venhamos a ser enganados pelo inimigo e seus agentes (Ef.4:14-16). Somente depois é que teremos condição de entrarmos em contato com o mundo, a fim de cumprirmos a tarefa da evangelização, visto que é necessário antes sabermos qual é a esperança que temos para podermos levá-la aos outros (I Pe.3:15).

- Muitos, nos dias em que vivemos, têm subvertido esta ordem com grande prejuízo tanto para si mesmos quanto para a obra de Deus. Sem terem ainda tido a necessária edificação, lançam-se, inadvertidamente, a tarefas de evangelização, fracassando por não terem o devido preparo, não só não conquistando almas para Cristo como perdendo a si mesmos. Tomemos cuidado e sigamos o exemplo de Neemias que, primeiro reconstruiu os muros, sem brecha alguma, para depois levantar as portas.

- Após ter levantado as portas, Neemias tomou outra importante providência: estabeleceu porteiros, cantores e levitas (Ne.7:2). De nada adiantaria ter muros sem brecha alguma e portas levantadas, se não houvesse pessoas prontas a efetuar os serviços e tornar operante toda a estrutura que, com a mão de Deus, havia sido construída em apenas cinquenta e dois. A obra de Deus é feita por homens e os homens devem ter prioridade. A estrutura é boa, mas sem pessoas de nada isto valerá. Lamentavelmente, muitos não têm agido deste modo, com grave prejuízo para a extensão do reino de Deus em nossos dias.

- Levantadas as portas, Neemias estabeleceu porteiros. Os porteiros eram absolutamente necessários para que as portas fossem abertas e fechadas nos dias e horários certos, para que a entrada e saída de pessoas e animais fosse devidamente organizada, para que as portas, enfim, tivessem alguma funcionalidade. De que adiantaria todo o esforço para a construção e levantamento de portas, se não houvesse porteiros que tornassem as portas úteis? Por isso, assim que as portas foram levantadas, Neemias tratou de pôr porteiros para que a edificação desse os resultados esperados.

- De igual maneira, precisamos ter “porteiros” em nossa vida espiritual, ou seja, necessitamos ser vigilantes em nosso contato com o mundo, visto que, embora a ele não mais pertençamos, ainda estamos nele e temos de conviver com ele inclusive para cumprirmos com a tarefa de sermos luz do mundo e sal da terra (Jo.17:11,16). Vigiar foi a ordem dada por Nosso Senhor (Mc.13:37).

- Um dos principais “porteiros” que temos são os nossos olhos, porta de entrada de tudo quanto temos à nossa volta, em especial nos dias em que vivemos em que a principal comunicação é audiovisual. Temos de ter muito cuidado com os olhos, pois estes são órgãos que podem comprometer toda a nossa comunhão com Deus. Cristo nos ensina que eles são “a candeia do corpo” e se eles forem bons, todo o nosso corpo terá luz, se, porém, os teus olhos forem maus, o nosso corpo será tenebroso (Mt.6:23). Será que, a exemplo de Jó, fizemos um concerto com nossos olhos (Jó 31:1)?

- Este cuidado de Neemias, também, remete-nos para a escolha dos porteiros em nossas igrejas locais. Esta função, que muitos vêm com desprezo, é importantíssima e até o descuido de alguns na escolha dos porteiros é um dos principais fatores para a situação lamentável da evangelização em muitos lugares. Os porteiros, em nossas igrejas locais, devem ser pessoas muito preparadas, revestidas do poder de Deus, que possam não só persuadir os transeuntes a adentrar em nossos templos para assistir aos cultos, mas serem gentis, dóceis e solícitos , de modo a serem verdadeiros “cartões de visita” de nossas igrejas locais. De nada adianta toda uma estrutura para se servir a Deus se não houver “porteiros” que tornem tudo funcional e útil. Aprendamos com Neemias e tenhamos este mesmo cuidado, líderes na casa do Senhor!

- Ao apontar os porteiros, Neemias deu-lhes a ordem para que não se abrissem as portas de Jerusalém até que o sol se aquecesse, devendo as portas ser fechadas e trancadas, devendo ser, ainda, postos guardas dos moradores de Jerusalém, cada um na sua guarda, e cada diante da sua casa (Ne.7:3).

- As portas de Jerusalém tinham de se manter fechadas durante a noite. Temos aqui uma linda lição espiritual: nossas portas devem se fechar quando as trevas comparecerem. Não podemos permitir que o pecado, representado pela escuridão, tenha entrada em nossa vida. Por isso, o apóstolo Paulo nos adverte para que não demos lugar ao diabo (Ef.4:27).

- As portas tinham de ser fechadas e trancadas. Não bastava “encostar” a porta, mas elas deviam devidamente trancadas. Não podemos ser negligentes, mas zelosos em servir a Deus, tomando todo o cuidado para que não permitamos a entrada do mal em nossas vidas. Por isso, o autor da epístola aos hebreus recomenda-nos para que não só deixemos o pecado, como também o embaraço, coisas que não são em si pecaminosas mas que podem nos levar ao pecado (Hb.12:1). Não basta fechar, é preciso, também, trancar as portas!

- A vigilância é reforçada na ordem de Neemias. Além de fechar e trancar as portas, deviam ser postos guardas dos moradores de Jerusalém, cada um na sua guarda e cada um diante da sua casa. A vigilância das portas, tarefa do governo da cidade, era feita, mas cada morador devia também fazer a vigilância diante de sua casa. Que linda lição para cada crente, principalmente para aqueles que acham que só os ministros e responsáveis pelo governo da igreja devam se preocupar com a vigilância. Esta é uma tarefa de cada um de nós: todos nós devemos ser zelosos, cada um tem de ter cuidado de si mesmo para, então, poder contribuir com o cuidado de todos (I Tm.4:16).

- Temos posto guardas diante de nossas casas? Como está a vigilância em nossos lares, em nossas famílias? Temos, como cônjuges, como pais, como filhos, cuidado para que o inimigo não tenha entrada em nossas casas? Ou será que as mensagens satânicas têm pleno acesso através dos meios de comunicação de massa, da internet e de tantas outras coisas tenebrosas que o inimigo têm lançado contra os servos do Senhor? Será que nossas casas têm “guardas”?

- Neemias, além de pôr porteiros e guardas, também tratou de estabelecer cantores. Pode parecer estranho que Neemias tenha procurado pôr cantores depois da conclusão da obra de reedificação. Esta estranheza é resultado de um pensamento precipitado de que os cantores teriam sido postos nas portas de Jerusalém ou nos muros. Entretanto, não é isto que o texto sagrado nos revela.

- Ao estabelecer cantores, Neemias mostra-nos que, em virtude da situação de grande miséria e desprezo que vivia Jerusalém, o serviço de louvor do templo não estava a funcionar. A situação era de tanta tristeza e miséria, que não havia como se manter o serviço do louvor no templo, não só diante da insegurança reinante, mas também pela própria situação emocional e espiritual adversa a qualquer manifestação de alegria, que é o que representa o cântico (Tg.5:13).

- Superada a insegurança, concluída a obra pela benignidade divina, Neemias logo entendeu que se devia restabelecer o serviço de louvor do templo e, por isso, designou cantores. Neemias não podia admitir uma situação de restauração, de renovo sem que houvesse o perfeito louvor.

- O louvor deve acompanhar a adoração ao Senhor. Não pode o povo de Deus, edificado e salvo pela graça e misericórdia de Deus, calar-se e deixar de louvar ao Senhor. É com tristeza que vemos, nos dias hodiernos, muitos que cristãos se dizem ser desprezarem, por completo, o cântico e o louvor, tanto que chegam atrasados aos cultos, depois do momento litúrgico do louvor. Aprendamos com Neemias e não permitamos que deixe de haver em nossas vidas espirituais os cantores que completam a obra de nossa edificação espiritual.

- Neemias, também, estabeleceu levitas, que eram auxiliares dos sacerdotes no serviço do templo. Observemos, aliás, que, ao contrário do que se costuma dizer hoje em dia, “levita” não se confunde com o músico. Os levitas eram os descendentes de Levi, a tribo que havia sido designada para o serviço do templo. Os filhos de Arão eram sacerdotes e todos os demais levitas foram encarregados dos mais diversos e variados serviços no tabernáculo e, posteriormente, no templo, inclusive a parte musical. Portanto, não confundamos “levita” com “músico”.

- O cuidado de Neemias de estabelecer levitas reflete a sua preocupação em que nada ficasse por fazer no serviço do templo. Neemias não se preocupava apenas em ter muros e portas, mas queria que a segurança trazida por estes muros e portas pudesse restaurar todos os serviços do templo. Os líderes precisam ter este mesmo zelo, de fazer com que todas as tarefas, todos os serviços necessários para a igreja local sejam realizados a contento. Não basta apenas termos edificação espiritual, mas é preciso que esta edificação se traduza em serviço eficaz, até porque a Igreja, como corpo de Cristo, veio para servir e não para ser servida.

- Após estabelecer porteiros, cantores e levitas, Neemias nomeou seu irmão Hanani e a Hananias como maiorais da fortaleza sobre Jerusalém, porque era como homem fiel e temente a Deus, mais do que muitos (Ne.7:2).

- A nomeação de Hanani como maioral da fortaleza, seu irmão, pode trazer a Neemias a acusação de “nepotismo”, ou seja, “favoritismo para com parentes”, mal que infesta a Administração Pública em nosso país e que, infelizmente, também já encontrou guarida na administração eclesiástica. Muitos, aliás, buscam nesta passagem bíblica até uma “fundamentação” para suas práticas pouco ou nada recomendáveis nas igrejas locais.

- Contudo, quando vemos o próprio texto sagrado, contemplamos em Neemias mais uma virtude como líder e governante (como, aliás, já visto no apêndice 1). Hanani foi nomeado não por ser seu irmão, mas porque “era homem fiel e temente a Deus, mais do que muitos”. O parentesco aqui era apenas um acidente, que não foi considerado na nomeação. Não nos esqueçamos, aliás, que Hanani fora até Jerusalém e, ao ver a situação, levou alguns de Judá para falar com Neemias a respeito da situação de Jerusalém. Era uma pessoa que tinha história na obra do Senhor e que, portanto, fazia jus àquela nomeação, independentemente do parentesco que tinha com o governador.

- Neemias faz questão de dizer que nomeara o seu irmão por causa do temor dele a Deus, que superava o de muitos. Um critério para pormos alguém à testa da obra do Senhor é, precisamente, o seu temor a Deus, que deverá ser superior ao dos demais. Como é diferente o critério de Neemias do que temos visto em nossas igrejas locais! Aprendamos com Neemias!

- Neemias, em mais uma demonstração de transparência, não deixou que Hanani, apesar de suas qualidades, estivesse sozinho como maioral da fortaleza. Ao seu lado, pôs Hananias nesta função. Deste modo, não deixou qualquer suspeita com relação ao fato de Hanani ser seu irmão, como também nos dá uma amostra da própria criteriologia que seria adotada pelo Senhor Jesus na evangelização do povo judeu, durante Seu ministério público, ou seja, o de sempre chamar de dois em dois, para que o serviço seja eficaz (Lc.10:1). É sempre importante, nas tarefas da igreja, serem indicados dois, para que um ao outro possa ajudar.

II – NEEMIAS RESOLVE REPOVOAR  JERUSALÉM

- Estabelecido um sistema de segurança para Jerusalém, como também reorganizado o serviço do templo naquilo que havia sido interrompido pela falta de segurança, Neemias percebeu que a cidade era larga de espaço e grande, mas havia pouco povo dentro dela, além do que as casas ainda não estavam edificadas (Ne.7:4).

- Neemias, como um verdadeiro e autêntico homem de Deus, dava prioridade ao ser humano, entendia que o homem foi posto como coroa da criação terrena e, como tal, ocupa o primeiro lugar na preocupação da obra do Senhor. De que adiantaria uma cidade grande, agora segura e murada, vazia? Era necessário que as pessoas desfrutassem dos benefícios da reedificação dos muros e das portas de Jerusalém. Ele não poderia se contentar com os espaços vazios de Jerusalém. Será que nossos líderes têm esta mesma preocupação nos dias hodiernos? Será que, assim como o Senhor, querem que as “moradas celestes” sejam ocupadas por salvos e remidos pelo sangue de Cristo? Ou estão felizes com o “punhadinho” que está a ocupar os templos, uma vez que já lhes permitem viver regaladamente nesta Terra?

- Jerusalém estava com uma pequena população como decorrência da própria situação de insegurança que existia. Quem se atreveria a morar numa cidade com muros fendidos e portas queimadas a fogo? Quem poderia morar em uma cidade que não tinha sequer casas edificadas?

- Entretanto, esta situação se alterara e, portanto, não havia mais motivo para que Jerusalém se tornasse uma cidade larga de espaço e grande mas com pouco povo. Temos esta mesma consciência? Será que estamos a pensar como Neemias, ou já abrimos mão de encher as nossas igrejas locais e nos contentamos com o “pouco povo”? As estatísticas, infelizmente, denunciam que o ritmo de evangelização tem diminuído consideravelmente e que muitos que cristãos se dizem ser estão “satisfeitos” com os megatemplos, com os templos grandiosos, com as “grandes catedrais” que, porém, a exemplo dos grandes templos da Igreja Romana, em muitos lugares, encontram-se como simples monumentos, locais de visitação turística, mas com muito pouco povo. Acordemos, irmãos, pois não é esta a vontade de Deus!

- Este inconformismo de Neemias não era algo de seu coração, provinha de Deus, tanto que é o próprio Neemias quem afirma que Deus lhe pôs no coração que reunisse todo o povo e tomasse a deliberação de povoar Jerusalém.

- O desejo de Jesus não é diferente do de Neemias. Ao contar a parábola da grande ceia (Lc.14:15-24), Nosso Senhor mostra-nos que o seu desejo é que Seus servos saiam pelos caminhos e valados e os force a entrar, para que a Sua casa se encha. Temos tido esta atitude de insistência e de zelo e dedicação para que a casa do Senhor se encha? Temos o mesmo denodo e preocupação manifestados por Neemias ao ver Jerusalém grande, segura, mas vazia?

- Diante do desejo que o próprio Deus pôs em seu coração, Neemias convocou os nobres, os magistrados e o povo. Temos aqui mais um belo exemplo, já mencionado em capítulos anteriores, de que Neemias sempre procurava legitimar suas decisões com a participação do povo. Embora fosse ele o governador e tivesse a autoridade dada pelo rei de Pérsia para tomar as decisões que precisavam ser tomadas, embora tivesse ele sentido da parte de Deus a orientação para o repovoamento de Jerusalém, Neemias não se furtou a chamar uma assembleia e a compartilhar com o povo o seu desejo.

- A participação do povo nas deliberações é algo muito importante para que tenhamos a legitimidade das decisões, para que consigamos o comprometimento de todos na obra do Senhor. Como diz um caro irmão que conosco participa do estudo dos professores de EBD, ultimamente os crentes só são chamados para participar na hora de contribuir, sendo verdadeiras “vaquinhas de presépio” no restante. Talvez resida aí um dos principais fatores para a falta de comprometimento de muitos com a obra do Senhor. Aprendamos com Neemias!

- Neemias queria povoar Jerusalém, queria que a cidade se enchesse, mas este desejo do governador nada tinha que ver com a “numerolatria”, esta fixação no crescimento quantitativo que hoje orienta e dirige os vários métodos e estratégias de “crescimento de igrejas” que proliferam no meio do povo de Deus. Neemias queria encher Jerusalém, mas não queria fazê-lo apenas com números. Para habitar a “cidade santa”, era preciso que se fosse, igualmente, santo, ou seja, que se estivessem diante de legítimos integrantes do povo de Judá.

- Por isso, ao desejo de povoar a cidade, correspondia outro desejo proveniente de Deus, o de se consultarem as genealogias, a fim de se verificar quem era o verdadeiro povo judeu, quem era verdadeiramente judeu, quem tinha vindo com Zorobabel para Canaã depois do final do cativeiro da Babilônia. Por isso, Neemias foi consultar o “livro da genealogia dos que subiram primeiro”.

- Este livro continha a relação de todos que haviam subido com Zorobabel para Canaã depois do decreto do rei persa Ciro que pusera fim ao cativeiro da Babilônia (Ed.2) e era a prova da legitimidade da ascendência judaica do povo. Neemias queria repovoar Jerusalém mas deveria fazê-lo apenas com os judeus legítimos e autênticos, aqueles que eram descendência de Abraão, Isaque e Jacó.

- Nos dias de Neemias, estávamos diante de um povo dotado de uma etnia, de uma ascendência biológica, o que não se dá com a Igreja, que é uma nação espiritual. No entanto, esta mesma preocupação genealógica deve existir quando tratarmos de “encher a casa de Deus”. A casa do Senhor somente pode ser cheia e habitada pelos que constam do “livro da genealogia”, que não é o livro que estava guardado no templo há mais ou menos 80 (oitenta) anos na Jerusalém de Neemias, mas é “o livro da vida do Cordeiro” (Ap.21:27), onde estão escritos os nomes daqueles que foram “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”, gerados de novo pelo Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a Sua grande misericórdia para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e que se não pode murchar, guardada nos céus para eles (I Pe.1:2,3).

- Somente podemos povoar nossas igrejas locais com aqueles que também poderão entrar na Jerusalém celestial. Assim, para que alguém venha a pertencer à igreja local, precisa dar frutos dignos de arrependimento, precisar mostrar, pela sua maneira de viver, que realmente foi “gerado de novo”, que morreu para o mundo e agora vive para Deus. Por isso, o batismo nas águas, que é o ato pelo qual alguém se incorpora à igreja local, deve ser realizado apenas quando se tem esta demonstração inequívoca da salvação na pessoa de Jesus Cristo.

- Muitos, no entanto, não estão mais buscando o “livro da genealogia” e estão a pôr dentro da igreja local qualquer um, sem qualquer objetivo senão o de “fazer quantidade”, “fazer número”. Não é este, porém, o propósito de Deus, já que não foi assim que o Senhor procedeu com Neemias e, como sabemos todos, Deus não muda (Ml.3:6).

- Neemias consultou o livro e, no capítulo 7, segue uma longa lista, que corresponde a Ed.2 (pois se trata da mesma lista), onde são registradas as genealogias de todo o povo judeu que retornara do cativeiro babilônico. Esta extensa lista mostra-nos que, apesar de constituir um povo, os judeus não eram indistintamente tomados, não eram tratados pelo Senhor como “massa”, como, lamentavelmente, agem muitos dos líderes de hoje em dia, mas que cada um tinha o seu próprio local e a sua própria individualidade diante de Deus.

- Na igreja não é diferente. Deus tem-nos como um povo, um povo que é um corpo e no qual cada um vive em função do outro (I Co.12:12-31), no qual é preciso que todos se ajustem segundo a justa operação de cada parte para que haja a edificação em amor (Ef.4:15,16), mas onde cada um é tratado como indivíduo, com uma particularidade e intimidade com Deus, individualidade e intimidade que, inclusive, perdurarão por toda a eternidade (Ap.2:17). Lembremo-nos disto em nosso relacionamento com os irmãos, que não podem ser tratados como “massa”, muito menos como “números”.

- Neste livro, achou-se que alguns que haviam subido com os judeus para Canaã não puderam comprovar a sua genealogia, a saber, os filhos  de Delaías, os filhos de Tobias e os filhos de Necoda, num total de seiscentos e quarenta e dois (Ne.7:62), como também alguns sacerdotes, a saber, os filhos de Hobaías, os filhos de Coz, os filhos de Barzilai, o gileadita, que tomara uma mulher das filhas de Barzilai e se chamou do seu nome (Ne.7:63). Como estes sacerdotes não puderam comprovar a sua origem sacerdotal, como que imundos, foram excluídos do sacerdócio (Ne.7:64).

- Este episódio, ocorrido ainda nos dias de Zorobabel, mostra-nos claramente que, no meio do povo de Deus, como o Senhor Jesus deixou claro nas parábolas do reino dos céus (Mt.13), sempre haverá “infiltrados”, pessoas que se introduzirão no meio do povo sem que a ele pertençam. Havia até “sacerdotes” que não eram sacerdotes, visto que não pertenciam à família de Arão, inclusive os “filhos de Barzilai”, que assim se denominavam desde os dias de Davi, ou seja, antes mesmo da construção do templo por Salomão e que, portanto, por mais de quinhentos anos, intitulavam-se sacerdotes sem o ser!

- No entanto, ainda que tenha demorado tanto tempo, um dia foram eles revelados e, como não puderam provar a sua genealogia, foram excluídos do sacerdócio, tidos como imundos. Assim ocorre, também, no meio da Igreja: muitos, aproveitando-se do adormecer dos servos de Deus (Mt.13:25), são semeados no meio do povo pelo inimigo.

- No entanto, como afirmou o Senhor Jesus, nada do que é oculto assim permanecerá e, a seu tempo, será revelado (Lc.12:2). No momento aprazado pelo Senhor, o “livro da genealogia” será consultado e o que deve ser feito é que, constatada e revelada a “imundícia”, imperioso que se exclua o imundo do sacerdócio, ou seja, que ele seja retirado da comunhão da Igreja.

- Temos aqui, ademais, uma preciosa lição sobre a necessidade de se continuar a exercer a disciplina na Igreja, o que, infelizmente, já não tem sido realizado por muitos sob uma falsa doutrina de que “quem disciplina é o Espírito Santo”. No episódio narrado por Neemias e constante do “livro da genealogia”, é claríssimo que, após a revelação dada por Deus, incumbe ao povo promover a exclusão do sacerdócio, ou seja, vindo a revelação da imundícia, faz-se preciso que a própria igreja promova a exclusão.

- Também se encontrou “no livro da genealogia”, que o governador (que era, então Zorobabel) contribuiu para o tesouro em ouro, com oito quilos, cinquenta bacias e quinhentas e trinta vestes sacerdotais, tendo, também, os maiorais do povo dado para o tesouro da obra, em ouro, cento e sessenta quilos e, em prata, mil e trezentos e vinte quilos, enquanto o restante do povo dera cento e sessenta quilos de ouro, duzentos quilos de prata e sessenta e sete vestes sacerdotais, tendo, então, cada um ido habitar em suas cidades (Ne.7:70-73).

- Neemias, então, faz questão de mostrar ao povo que, além de termos cuidado em quem deveria habitar no meio do povo, ou seja, somente os que tinham genealogia, somente com o comprometimento de todos se poderia fazer a obra do Senhor e se ter o culto a Deus, fundamental para a sobrevivência de Judá, “propriedade peculiar de Deus entre os povos”.

- A começar do governador, passando pelos maiorais e, por fim, todo o povo tinha de contribuir para a sustentação do trabalho do Senhor e, consequentemente, para a sobrevivência do povo de Deus. Por isso, Neemias a todos convocou, para que participassem das deliberações e, também, da sustentação do serviço da casa do Senhor. Este nível de compromisso ainda hoje é necessário, sem o que não se realizará a obra de Deus. Mas, como já dissemos supra, não apenas na contribuição, na doação de recursos financeiros, mas também nas deliberações. Aprendamos com Neemias!

- Só pode haver comprometimento, porém, quando todos são irmãos, ou seja, quando todos forem verdadeiros e genuínos “filhos de Deus”. A presença de “infiltrados” impede que o compromisso surja do modo mais eficaz na obra de Deus. Por isso, precisamos sempre ter em mente a “consulta ao livro da genealogia”, a observação rigorosa e com discernimento espiritual daqueles que realmente pertencem ao povo de Deus. Vigiemos, amados irmãos!

- A consulta ao “livro da genealogia” mostra-nos, ainda, o cuidado que Neemias tinha com a história do povo. Precisamos incutir em nossas mentes que todo povo tem de zelar pela sua história, precisa ter memória, pois, “um povo sem memória não tem futuro”. O cuidado de Deus para que Seu povo não perca a memória é tão grande que muitos dos livros das Escrituras são históricos, sem falar na circunstância de que uma das ordenanças que nos foram deixadas pelo Senhor Jesus é precisamente a “ceia do Senhor”, que é, entre outras coisas, um “memorial”.

- Torna-se preciso sempre que os líderes reafirmem a história do povo de Deus e como ela reflete a fidelidade do Senhor para conosco. Neemias consultou o livro da genealogia e o revelou a todo o povo para que estes pudessem, antes de mais nada, ter noção da sua própria origem, do início da reocupação de Canaã depois do cativeiro para que, à luz desta história, pudessem devidamente deliberar. No ano do centenário das Assembleias de Deus no Brasil, resgatemos a nossa história!

- Após ter lido o “livro da genealogia”, Neemias não determinou o imediato repovoamento de Jerusalém. Havia sido dado o primeiro momento para isto, que era o resgate da história, o resgate da memória, mas isto ainda era insuficiente. Faziam-se necessários, ainda, alguns outros momentos, a saber, o avivamento, o arrependimento e a organização do serviço religioso, consoante se vê nos capítulos 8, 9 e 10 de Neemias, a serem estudados nas lições próprias.

                                                        Caramuru Afonso Francisco

PORTAL ESCOLA DOMINICAL
QUARTO TRIMESTRE DE 2011

TEMA –  Neemias – integridade e coragem em tempos de crise

COMENTARISTA :  Elinaldo Renovato de Lima

APÊNDICE Nº 2 –  AS NECESSÁRIAS CAUTELAS PARA A ESTRUTURAÇÃO DO POVO DE DEUS
1º SLIDE
Texto áureo
“Então o meu Deus me pôs no coração que ajuntasse os nobres, e os magistrados, e o povo, para registrar as genealogias. E achei o livro da genealogia dos que subiram primeiro e assim achei escrito nele: ” (Ne.7:5)
2º SLIDE INTRODUÇÃO
- Em complemento ao estudo deste trimestre, estudaremos o capítulo 7 do livro de Neemias, que não objeto de lição específica.
- No capítulo 7 de Neemias, aprendemos que o povo de Deus precisa ser bem estruturado, com vigilância, a fim de que inimigos externos e infiltrados não comprometam a obra de Deus.
3º SLIDE I – NEEMIAS ESTABELECE UM SISTEMA DE SEGURANÇA PARA JERUSALÉM E REORGANIZA O SERVIÇO DO TEMPLO
- Neemias, após a finalização da reconstrução dos muros, mesmo diante da ação dos falsos profetas e dos que haviam se mancomunado com Sambalate, Tobas e Gesem para tentar atemorizá-lo, levantou as portas (Ne.7:1).
- Primeiro, Neemias teve de reedificar os muros, muros que não podiam ter qualquer brecha (Ne.6:1), para só então, colocar as portas nos portais. A edificação tem a sua ordem, que não pode ser alterada.
4º SLIDE
- Após ter levantado as portas, Neemias tomou outra importante providência: estabeleceu porteiros, cantores e levitas (Ne.7:2).
- Levantadas as portas, Neemias estabeleceu porteiros. Os porteiros eram absolutamente necessários para que as portas fossem abertas e fechadas nos dias e horários certos, para que a entrada e saída de pessoas e animais fosse devidamente organizada, para que as portas, enfim, tivessem alguma funcionalidade.
5º SLIDE
- Ao apontar os porteiros, Neemias deu-lhes a ordem para que não se abrissem as portas de Jerusalém até que o sol se aquecesse, devendo as portas ser fechadas e trancadas, devendo ser, ainda, postos guardas dos moradores de Jerusalém, cada um na sua guarda, e cada diante da sua casa (Ne.7:3).
- A vigilância é reforçada na ordem de Neemias. Além de fechar e trancar as portas, deviam ser postos guardas dos moradores de Jerusalém, cada um na sua guarda e cada um diante da sua casa.
6º SLIDE
- Neemias, além de pôr porteiros e guardas, também tratou de estabelecer cantores.

- Ao estabelecer cantores, Neemias mostra-nos que, em virtude da situação de grande miséria e desprezo que vivia Jerusalém, o serviço de louvor do templo não estava a funcionar, não só diante da insegurança reinante, mas também pela própria situação emocional e espiritual adversa a qualquer manifestação de alegria, que é o que representa o cântico (Tg.5:13).
7º SLIDE
- Neemias, também, estabeleceu levitas, que eram auxiliares dos sacerdotes no serviço do templo.
- O cuidado de Neemias de estabelecer levitas reflete a sua preocupação em que nada ficasse por fazer no serviço do templo. Neemias não se preocupava apenas em ter muros e portas, mas queria que a segurança trazida por estes muros e portas pudesse restaurar todos os serviços do templo.
8º SLIDE
- Após estabelecer porteiros, cantores e levitas, Neemias nomeou seu irmão Hanani e a Hananias como maiorais da fortaleza sobre Jerusalém, porque era como homem fiel e temente a Deus, mais do que muitos (Ne.7:2).
- A nomeação de Hanani como maioral da fortaleza não é exemplo de “nepotismo”. Hanani foi nomeado não por ser irmão de Neemias, mas porque “era homem fiel e temente a Deus, mais do que muitos”. Hanani era uma pessoa que tinha história na obra do Senhor.
9º SLIDE
- Neemias, em mais uma demonstração de transparência, não deixou que Hanani, apesar de suas qualidades, estivesse sozinho como maioral da fortaleza. Ao seu lado, pôs Hananias nesta função.
- É sempre importante, nas tarefas da igreja, serem indicados dois, para que um ao outro possa ajudar (Lc.10:1).
10º SLIDE  II – NEEMIAS RESOLVE REPOVOAR  JERUSALÉM
- Estabelecido um sistema de segurança para Jerusalém, como também reorganizado o serviço do templo naquilo que havia sido interrompido pela falta de segurança, Neemias percebeu que a cidade era larga de espaço e grande, mas havia pouco povo dentro dela, além do que as casas ainda não estavam edificadas (Ne.7:4).
- Neemias, como um verdadeiro e autêntico homem de Deus, dava prioridade ao ser humano. De que adiantaria uma cidade grande, agora segura e murada, vazia?
11º SLIDE
- Jerusalém estava com uma pequena população como decorrência da própria situação de insegurança que existia. Quem se atreveria a morar numa cidade com muros fendidos e portas queimadas a fogo? Quem poderia morar em uma cidade que não tinha sequer casas edificadas?
- Entretanto, esta situação se alterara e, portanto, não havia mais motivo para que Jerusalém se tornasse uma cidade larga de espaço e grande mas com pouco povo. Temos esta mesma consciência?
12º SLIDE
- Este inconformismo de Neemias não era algo de seu coração, provinha de Deus, tanto que é o próprio Neemias quem afirma que Deus lhe pôs no coração que reunisse todo o povo e tomasse a deliberação de povoar Jerusalém.
- O desejo de Jesus não é diferente do de Neemias. Ao contar a parábola da grande ceia (Lc.14:15-24), Nosso Senhor mostra-nos que o seu desejo é que Seus servos saiam pelos caminhos e valados e os force a entrar, para que a Sua casa se encha.
13º SLIDE
- Diante do desejo que o próprio Deus pôs em seu coração, Neemias convocou os nobres, os magistrados e o povo. Neemias sempre procurava legitimar suas decisões com a participação de todos.
- A participação de todos nas deliberações é algo muito importante para que tenhamos a legitimidade das decisões, para que consigamos o comprometimento de todos na obra do Senhor.
14º SLIDE
- Neemias queria povoar Jerusalém, queria que a cidade se enchesse, mas este desejo do governador nada tinha que ver com a “numerolatria”, esta fixação no crescimento quantitativo que hoje orienta e dirige os vários métodos e estratégias de “crescimento de igrejas” que proliferam no meio do povo de Deus.
- Por isso, ao desejo de povoar a cidade, correspondia outro desejo proveniente de Deus, o de se consultarem as genealogias, a fim de se verificar quem era o verdadeiro povo judeu. Por isso, Neemias foi consultar o “livro da genealogia dos que subiram primeiro”.
15º SLIDE
- Neemias consultou o livro e, no capítulo 7, segue uma longa lista, que corresponde a Ed.2 (pois se trata da mesma lista), onde são registradas as genealogias de todo o povo judeu que retornara do cativeiro babilônico.
- Esta extensa lista mostra-nos que, apesar de constituir um povo, os judeus não eram indistintamente tomados, não eram tratados pelo Senhor como “massa”, mas que cada um tinha o seu próprio local e a sua própria individualidade diante de Deus.
16º SLIDE
- Ao consultar “o livro da genealogia” com todo o povo, Neemias resgatou a memória do povo judeu e mostrou que:
a) havia necessidade de excluir os que estavam no meio do povo sem qualquer legitimidade;
b) todos deveriam, na medida de suas posses e condições, contribuir para o sustento da obra do Senhor;
c) depois do resgate da memória, faziam-se necessários outras atitudes antes do repovoamento de Jerusalém: avivamento, arrependimento e reorganização do serviço religioso.
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