31.12.12

Profecias para 2013. Será um ano pior do que 2012?




Esta é a época em que os profetas de plantão saem das tocas. Quando eu era jovem os astrólogos dominavam a cena. Omar Cardoso era uma celebridade nacional[1] no meio de uma constelação meio obscura de personalidades que pontificavam as previsões para o ano seguinte. Estes escreviam também, religiosa e mercenariamente, em todos os sentidos, as inúteis colunas de horóscopos, de ávida leitura obrigatória em todos os jornais e revistas.

Não sei muito bem o que aconteceu, mas eles saíram um pouco de cena. Sei que ainda estão presentes e muitos os seguem, mas não têm a mesma notoriedade ou repercussão do passado. O país ficou mais cético? Talvez. É possível, também, que a prática de algumas revistas, de compararem as previsões com as realizações, contribuiu para um descrédito maior destes futurólogos, ainda que as Ana Maria Bragas da vida continuem a promovê-los, junto com numerólogos, grafólogos e outras sandices do gênero.

Suspeito, entretanto, que com a multidão de apóstolos, reis, vice-deuses, operadores de maravilhas e propagadores de prosperidade, que pululam o nosso mundo evangélico uma classe esteja substituindo a outra. Acho que muitos líderes evangélicos pensaram: “por que deixar o monopólio das predições só para eles? Vamos pegar uma fatia desse interesse”. Afinal estamos na era dos sete passos para isso, dez degraus para aquilo, cinco princípios para a prosperidade total, e por aí vai. O fato é que não há carência de profecia, nesta terra, ainda que de evidente procedência humana. E nesse campo, a credulidade é espantosa – muitos continuam ansiosos para saber o que vai acontecer no mundo, no país e em suas vidas.

Bom, aqui no Tempora, vou fugir um pouco da nossa linha reflexivo-crítica e, para não ficar de fora da onda do momento, farei dez previsões para 2013. Podem me responsabilizar por elas, mas deem uma trégua até dezembro do ano que vem, pelo menos.

O que vai acontecer, então, em 2013?

1. A corrupção vai continuar. Ou vocês acham que ela acabou com o julgamento domensalão? Os escândalos continuarão aflorando, ainda que a chamada “sociedade” esteja mais antenada e a imprensa gostando do aumento de circulação que essas notícias propiciam. Vemos apenas um pedacinho do iceberg e a parte submersa é mais volumosa, destrutiva e letal. Para os cristãos, isso não deveria ser surpresa, pois a corrupção está enraizada no coração das pessoas – até no daquelas que criticam os corruptos públicos, ou pegos com a mão na botija. Jeremias 17.9 diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá”?

2. Os preços vão aumentar. Ainda que se propague que a inflação está “sob controle”, os indicadores registram aumentos incompatíveis com uma economia estável e os preços dos serviços aumentam acima deles. O dólar continua subindo e algumas vozes iluminadas no governo defendem um patamar de R$2,40 – insensíveis à dependência que os demais preços possuem do relacionamento cambial. Sobe o dólar e tudo fica mais caro e mais difícil. A voracidade de taxação do governo está também sempre presente e chegam a ser cômicas, se não fossem trágicas, as “soluções” estatais para controlar os preços: aumenta-se a alíquota do IPI (como no caso dos automóveis chineses) e depois dá-se um desconto, por decreto, por um tempo. Enfim, nada mudou no governo desde o tempo em que o povo de Israel clamava por um Rei e foi avisado pelo profeta Samuel que não se esquecesse de que a máquina governamental iria sugar milhões para se sustentar, pela opressão fiscal. Em 2013, o governo continuará voraz e todos nós pagaremos uma conta cada vez maior. A realeza do Real está cada vez mais diluída, relembrando Isaías 1.22: “A tua prata se tornou em escórias”.

3. A vida vai permanecer difícil com tribulações, enfermidades, injustiças. Cresce a expectativa de vida, avança a medicina, organiza-se o poder judiciário, mas as agruras desta vida, consequência genérica do pecado (nem sempre específica, na vida dos que sofrem) são realidade incontestável. “No mundo passais por aflições”, já alertava Jesus (João 16.33). A criação “geme e suporta angústias até agora” ansiando pela “redenção”, ensina Paulo (Romanos 8.22 e 23). Assim desconfie daqueles que prometem a tranquilidade e saúde aqui na terra. Isso não vai ocorrer em 2013.

4. A violência não vai dar muita trégua. Vivemos em uma era onde os governantes acham que têm direitos (e não, necessariamente, responsabilidades) sobre tudo e a necessidade de exercer o controle sobre todos. Na prática, os governantes terminam fazendo pouco e mal. Esquecem-se da responsabilidade primordial (Rom 13.1-7), que a de serem “vingadores” dos inocentes e garantir a segurança dos seus cidadãos. Os cristãos não deveriam promover (e nem confiar em) um estado messiânico, na esperança de que todos os seus problemas serão supridos por um poder terreno, falível e temporal. Enquanto estimulamos os governantes a se ocuparem de tudo (ou não os desestimulamos de fazer isso), eles descuidam da segurança. Em 2012 ficou evidente que o governo não se ocupou adequadamente nem conseguiu garantir a vida de seus próprios integrantes, haja visto as inúmeras execuções sofridas pela força policial de vários estados, quanto mais a nossa! As perspectivas para 2013 não são nada animadoras, em um país onde ocorrem mais de 50 mil assassinatos por ano, a maioria dos quais sem qualquer punição. Uma situação para pensarmos cada vez mais na paz real, que vem de Jesus (João 14.27) – “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.

5. Os engarrafamentos vão piorar – Em São Paulo existe um veículo para cada dois habitantes. A cada dia cerca de 500 veículos novos começam a circular em suas vias. Nas grandes capitais a média diária de veículos novos que adentram as ruas é quase essa, pois a proporção por habitante é ainda menor. Em minhas viagens já vi que engarrafamentos, que eram uma característica típica de São Paulo, há algumas décadas, já são uma constante no Rio, Recife, Brasília, Aracajú, Porto Alegre e tantas outras grandes cidades do nosso país. Está cada vez mais difícil se locomover e a cada dia é mais importante morar perto da escola ou do trabalho. Alguns companheiros mais ousados deixaram os carros para trás e recorreram às motos, para o transporte diário: que estes sejam alvo de redobradas orações! Nessa situação é preciso o desenvolvimento crescente da virtude da paciência, bem como o exercício da criatividade, para que a hora perdida no trânsito seja ganha de alguma maneira. Que tal uma resolução para 2013, de se ouvir a Palavra, ou um “podcast” que edifique? Pense no Salmo 119.48: “...  levantarei as mãos e meditarei nos teus decretos”, mas conserve as mãos no volante!

6. Os vendedores de felicidade “aqui e agora”, o engano do evangelho da prosperidade vai permanecer. Alguém poderia fazer o prognóstico que a farsa mercantilista da “felicidade já” terá vida curta, pois, pragmaticamente, as pessoas constatarão a falsidade das promessas. Mas parece não haver limite ao desejo das pessoas de ouvirem coisas agradáveis sobre os seus dias futuros, principalmente se há apelo às recompensas materiais. Em paralelo, esse tipo de mensagem traz muito lucro aos proponentes, O curioso apelo de que “não deixe esse programa sair do ar” (para que possa continuar transmitido a pedir mais e a vender mais), continuará em 2013. Personalidades do campo evangélico que, no passado, rejeitaram essa fórmula claramente pagã continuarão a ser cooptados por ela, desviando o foco das verdadeiras necessidades das pessoas, como identificou apropriadamente Cristo, no caso da Mulher Samaritana (João 4.13-14) – a “água viva” que mata a sede para sempre. Em 2013, espere a continuidade da parada televisiva diária, e das grandes cruzadas dos propagadores de felicidade: mensagens terrenas, com linguajar evangélico.

7. As teologias e explicações humanas aos fenômenos da natureza permanecerão pródigas, no ministério de alguns. A virada do ano (2012-2013) trouxe um filme – “O Impossível” – que poderosamente nos relembrou dos acontecimentos do Natal de 2004, quando um Tsunami devastou a vida de quase 300 mil pessoas nas costas da Indonésia e Tailândia, bem como de outros países e ilhas circunvizinhas. Ainda que as imagens do Tsunami de 2011, no Japão, sejam mais poderosas, a tragédia de 2004 se constitui uma das mais perturbadoras na história da humanidade. Mas isso nos lembra, também, os teólogos relacionais (ou da teologia do processo), que retiram de Deus qualquer poder sobre as questões futuras. Para essas e outras tragédias, recorreram a explicações simplistas e naturalistas, dizendo que “Deus não tem nada com isso”, contrariando as afirmações bíblicas de que ele é Senhor Soberano sobre toda a criação, inclusive sobre as forças “da natureza”. Em 2013, esses teólogos continuarão fazendo estragos e desviando a muitos; procurando aquietar a própria perplexidade perante essas situações, preferem recorrer aos devaneios da mente, em vez de se renderem às afirmações da Palavra inspirada de Deus (Salmo 29.3; Isaías 29.6; Jonas 1.4).

8. As igrejas irão buscar mais e mais formas de entretenimento; as mensagens ficarão mais curtas; os caminhos da graça, mas distantes da Palavra. Agora que a chamada grande mídia, com os olhos na lucratividade do segmento, abraçou com todas as honras o segmento gospel; nestes tempos em que a adoração dá lugar às celebridades e à chamada “celebração”; nestes momentos em que se diluem os limites entre o espetáculo e o culto devido ao Senhor; devemos esperar uma intensificação do entretenimento nas igrejas, como se fosse apenas uma maneira mais contemporânea de cultuar. Preparem os ouvidos. Coloquem os óculos escuros. Tragam os decibelímetros. O volume vai aumentar. As coreografias vão se expandir. A prosseguir a tendência, as igrejas vão gastar mais dinheiro na iluminação e nos efeitos do que na parafernália eletrônica de amplificação. E o que vai ser sacrificado? A pregação, é claro! Está cada vez mais fora de moda, ainda que Deus especifique, em sua Palavra, que é o método determinado por ele para a propagação de suas verdades (Romanos 10.13-15). Ela vai sendo encurtada e a congregação “entregue” ao pregador depois de exaurida física e emocionalmente durante uma hora e meia, para uns minutos finais, como se fosse só para desencargo de consciência. Adentramos, assim, a zona perigosa de manifestações cúlticas de grande intensidade, mas que desagradam a Deus; onde a verdadeira adoração está ausente, como nos tempos de Amós (5.23 e 6.5), onde havia abundante louvor e transbordante música instrumental: “Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras”. Deus fala contra os que cantavam “à toa ao som da lira”, pois era tudo centralizado na auto-gratificação e entretenimento: diz o profeta que a intenção não era o louvor a Deus, pois inventavam“instrumentos musicais para vós mesmos”. E há, ainda, os que procuram se dissociar dessa corrente, mas apontam caminhos da graça estranhos aos da Palavra de Deus e à graça das Escrituras; com palavras que se alternam entre a virulência e a aparente piedade, mas que patinam entre a acomodação e encorajamento de formas comportamentais e sociais condenadas na Bíblia. A julgar pelo crescente número de seguidores e defensores, 2013 certamente será um ano “de arromba”, para esses segmentos do evangelicalismo contemporâneo.

9. A ira inconsequente e difamações de alguns profetas do caos, dentro do campo evangélico, permanecerão sendo lançadas contra servos fiéis. Virou moda, para alguns expoentes no campo evangélico, voltar os canhões da agressão contra servos fiéis, propagadores da palavra de salvação, defensores da teologia da reforma, difamando-os como “mundanos”, inconsequentes, protetores dessa ou daquela corrente – simplesmente por não compartilharem com a metodologia e mensagem agressiva abrigada por esses vasos de ira. 2013 não dá mostras de que esse recurso destinado à manutenção dessas figuras controvertidas no ápice da notoriedade, pela controvérsia, vai desaparecer, ainda que os tiros costumem sair pela culatra. Esses profetas do caos continuarão disparando antes de examinar; exibindo uma suposta coragem, que acomoda, na realidade, uma covardia de métodos e ausência de princípios; preferindo alianças políticas, e pseudo-espirituais, espúrias à verdadeira comunhão dos santos. Em 2013, não nos esqueçamos de Tito 3.10:“Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez”. Evitemos aqueles que não se importam com as advertências de Tiago (3.14): “Se... tendes em vosso coração inveja amargurada e sentimento faccioso, nem vos glorieis disso, nem mintais contra a verdade”.

10. No entanto – no meio das perturbações e confusões deste mundo, em 2013, a graça de Deus continuará a ser manifestada – até que Ele cumpra os seus propósitos em sua criação. Não; nem tudo é sombrio no horizonte próximo, ou tem teor negativo. Podemos identificar os seguintes sinais encorajadores e positivos na igreja de Cristo, para o ano de 2013:
a.      Renascimento de um interesse saudável pela sã doutrina: creio que nunca houve tanto interesse pelo estudo sério da Palavra de Deus e das doutrinas cardeais da fé cristã; dos pilares redescobertos pela Reforma do Século 16, do que nos dias de hoje. Não me refiro a números espetaculares, mas a um segmento firme, interessado e fiel, que tem abordado a Palavra de Deus com seriedade. Esse grupo surge em várias denominações e nele encontramos inúmeros JOVENS! Uma juventude que dialoga, se reúne e pesquisa a Bíblia; que emprega tempo em evangelização; que se preocupa em agradar a Deus e em tomar conta de suas vidas, além da doutrina, como nos instrui Paulo (1 Timóteo 4.16). As palavras de 1 João 2.14 soam muito bem para 2013, pois creio que essa tendência continuará crescendo: “Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno”.

b.      Pais criando os filhos – cerrando as trincheiras da família: O ataque institucional contra a família vem levando muitos pais a reconhecerem a necessidade de se empenhar mais, de lutar, de se envolver com mais intensidade na defesa da família. Em 2013 creio que veremos cada vez mais pais conscientes dessas responsabilidades. Incrivelmente, até entre pais descrentes encontramos aqueles que querem algo diferente para seus filhos.

c.      Testemunho dos cristãos na sociedade – contra aborto e a dissolução sexual. Em paralelo ao fortalecimento da família, pelos cristãos, o mundo evangélico toma consciência de que, como cidadãos, precisam dar um testemunho mais intenso e eloquente. A sociedade já abriga o divórcio automático; já há a aceitação tácita do aborto, a caminho da legalização geral; e a instituição do casamento está sendo redefinida, já não mais se segue a definição bíblica (e constitucional) de união entre um homem e uma mulher, mas as portas estãos escancaradas para a legalização e aceitação, como natural, do casamento homossexual. Em 2013 a voz dos cristãos continuará ressoando, ainda que eu tenha convicção de que esse é o grande teste para a Igreja – quando legalizarem algo claramente contrário à Palavra, quantas terão coragem de se manter fiel às diretrizes divinas?

d.      Escolas Cristãs – Já há algumas décadas a multiplicação de escolas cristãs vem ocorrendo. Pedagogos cristãos vêm reconhecendo a necessidade de abordar o campo educacional sob uma cosmovisão cristã. 2013 verá um aumento desses esforços e a multiplicação de materiais didáticos abordando todas as áreas de conhecimento com premissas cristãs. Creio que a influência, nessa esfera, não somente cruzará linhas denominacionais, como transcenderá o campo evangélico em futuro próximo, pela qualidade do material e dos pedagogos envolvidos nesses programas.

e.      Mídia social e Internet como meio de evangelização e instrução – A internet, considerada por muitos como uma maldição, pode sim ser instrumento de bênçãos e de evangelização. Em 2013 as redes sociais serão utilizadas com mais objetividade e de maneira mais abrangente, especialmente pelos jovens. Uma pessoa pode alcançar muitas, se fizer com jeito, cuidado e competência. Uma mensagem pode atingir repercussões positivas inesperadas. O cuidado a ser tomado, é o de não considerar esse tipo de relacionamento como substituto das interações pessoais, pessoa a pessoa; nem como substituto da pregação, como já observamos.

f.       Mais e melhor literatura cristã de boa qualidade. Pela graça de Deus, mesmo no mar de publicações inconsequentes, muitos livros cristãos bons têm sido publicados, divulgados e adquiridos. Editoras sérias e fiéis têm se mantido sustentáveis. Conferências de porte têm sido realizadas, divulgando essas publicações e autores internacionais. Autores brasileiros têm surgido, alguns com repercussão internacional. 2013 verá a expansão dessas publicações e suas atividades correlatas.

g.      A graça comum possibilitará freio a muita criminalidade, pela exposição dos praticantes – quando parece que o pecado “corre solto”, Deus, em sua misericórdia pela sociedade providencia exposição para que muitos vejam que esses delinquentes não são invisíveis. Por vezes nos surpreendemos com a graça divina que distribui a bênçãos a todos, mas a Bíblia diz (Mateus 5.45) que Deus “faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos”. É ele, também, que restringe o pecado, para que os seus propósitos sejam cumpridos. Devemos ser mais perceptíveis dessa graça comum, e, em 2013, agradecer continuadamente a Deus, pois é ela que possibilita, também, a nossa existência em um mundo tenebroso.

São essas minhas profecias para 2013. Sem horóscopo, sem mágicas, sem revelações espúrias; apenas observando o contexto e o mundo em que vivemos, e a forma como estamos sendo sustentados pela verdadeira graça divina. É esse poder de Deus que entrelaça os fios de nossas vidas em uma maravilhosa obra de arte, como já observou Edith Schaeffer em seu livro The Tapestry.[2] Feliz 2013 a todos os nossos leitores, da parte dos três que interagem com vocês, neste Blog.




[1] Homar Henrique Nunes (1921-1978) era o seu nome verdadeiro. Seu horóscopo anual atingia a marca dos 300 mil exemplares. Sua coluna diária de previsões circulava em 140 jornais brasileiros.
[2] Edith Schaeffer, The Tapestry: the life and times of Francis and Edith Schaeffer (Waco, Texas: Word Books, 1981). Essa metáfora foi também, magistralmente, colocada em canção por Stênio Marcius Botelho Nogueira e gravada por ele (1998) e por outros, inclusive o João Alexandre (1999).


24.12.12

DIFERENTES REAÇÕES AO SALVADOR


“E, vendo-o, divulgaram o que lhes tinha sido dito a respeito deste menino.” Lc 2.17


O Natal é uma festa cristã e não pagã. Embora não saibamos exatamente o dia em que Jesus nasceu, seu nascimento foi celebrado por anjos e homens, tanto no céu como na terra. Houve diferentes reações ao nascimento. A primeira foi de hostilidade. O rei Herodes procurou matá-lo por ciúme. A segunda foi de indiferença. Os escribas, embora conhecessem a profecia acerca do Messias, tornaram-se seus ferrenhos inimigos. A terceira reação foi de adoração. Os magos vieram de longe para trazer-lhe seus tesouros: ouro, incenso e mirra, confessando-o como rei, sacerdote e profeta.

A quarta reação foi de proclamação. Os pastores, vendo a Jesus, passaram a proclamar o que ouviram. Como você tem reagido ao Natal de Jesus? Quem é Jesus para você? O que ele representa em sua vida? Que atitudes você tem tomado para conhecê-lo e torná-lo conhecido? Os apóstolos deram sua vida para anunciar Jesus. Os mártires verteram o seu sangue para confessar esse nome, que é sobre todo o nome. E você, o que fará de Jesus, chamado o Cristo?


ORAÇÃO

Deus, hoje eu assumo o compromisso de declarar com minha vida e com minhas palavras que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo. O meu único Senhor e Salvador pessoal! Nele eu oro. Amém.


18.12.12

Ditos difíceis de Jesus (1)




Uma promessa enganosa?

Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem. (Mt 10.23)
                                                                                

Há diversos “ditos difíceis” de Jesus registrados nos Evangelhos, assim chamados porque o sentido deles nem sempre parece claro ou coerente à primeira vista. Eles têm desafiado a criatividade e a capacidade dos estudiosos por séculos. O fato de que estes ditos foram transmitidos pela Igreja Primitiva e estão hoje nos Evangelhos canônicos é prova de que os primeiros cristãos os consideravam autênticos, muito embora não os entendessem plenamente. Nesta postagem e outras que virão veremos alguns destes ditos.

O primeiro que gostaríamos de mencionar é Mateus 10.23. Estas palavras de Jesus foram pronunciadas aos doze apóstolos após haver-lhes determinado que fossem, de dois em dois, pregar nas vilas e cidades de Israel (ver Mt 10.1-6). O Senhor os instruiu sobre como deveriam levar a cabo a obra de evangelização dos judeus (Mt 10.7-15), advertiu-os quanto aos perigos que deveriam encontrar na jornada, especialmente as perseguições (Mt 10.16-22) e lhes fez esta exortação e promessa: “Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem” (Mt 10.23).

Este dito ou palavra do Senhor Jesus (sublinhado acima) é considerado difícil porque aparentemente se trata de uma profecia não cumprida, pois seus discípulos terminaram a missão (ver Lc 9.10) e a “vinda” do Filho do Homem não aconteceu. As palavras de Jesus parecem dar a entender que Ele esperava a manifestação plena do Reino de Deus durante a missão dos Doze em Israel, mas esta expectativa se frustrou.

Várias soluções têm sido dadas para esta passagem difícil. Reconhecemos que nenhuma delas explica de forma completa e satisfatória o sentido do que o Senhor Jesus quis dizer. Há, porém, algumas que são menos problemáticas, enquanto que outras são inaceitáveis.

1.    Alguns estudiosos, sem compromisso com a inspiração, veracidade e autoridade da Bíblia, insinuam que estas palavras não foram realmente pronunciadas por Jesus, mas que foram compostas por seus discípulos e posteriormente atribuídas a Ele, quando o Evangelho de Mateus foi escrito. Os discípulos, após a morte e ressurreição de Jesus, estariam vivendo numa expectativa muito grande quanto à Sua segunda vinda, que consideravam iminente e próxima. E para justificar esta ansiedade fervorosa, atribuíram a promessa ao próprio Jesus, de que Ele retornaria ainda durante o tempo em que o Evangelho estava sendo pregado aos judeus, antes da destruição de Jerusalém. Entretanto, esta solução levanta problemas ainda maiores, especialmente quanto à confiabilidade da Bíblia e a honestidade e inteligência dos discípulos. Parece plausível que os discípulos tivessem criado uma mentira para justificar para si mesmos e para os demais cristãos a esperança iminente do retorno do Senhor? E se eles fizeram isto, porque mantiveram este dito falso e mentiroso no Evangelho, mesmo após a destruição de Jerusalém e o fim da missão judaica no século I? Eles estavam sendo perseguidos pelos judeus e pelos romanos. Seria suicídio intelectual manter no livro sagrado deles uma promessa do fundador da sua religião que claramente não havia se cumprido, especialmente se eles sabiam que Ele nunca falou estas palavras. Entretanto, este dito de Jesus está em todas as cópias do Evangelho de Mateus de que dispomos hoje. Ele foi mantido, mesmo sendo difícil, pela simples razão de que os discípulos sabiam que havia sido o próprio Senhor que o havia pronunciado.

2. Outros estudiosos críticos consideram o dito como sendo uma autêntica profecia de Jesus, porém equivocada. Acham que Jesus se enganou. Na opinião destes estudiosos – e entre eles estava o famoso teólogo, médico e músico alemão Albert Schweitzer – Jesus esperava realmente que através da missão dos doze apóstolos entre os judeus o Reino de Deus se manifestasse em toda sua plenitude, e que Ele fosse claramente manifestado por Deus como Filho de Deus e o Messias de Israel diante da nação, que o haveria de reconhecer e aceitar. Daí ter feito esta promessa aos discípulos. Quando os discípulos voltaram e o Reino não se manifestou, Jesus resolveu forçar a sua vinda encaminhando-se para Jerusalém, como Rei de Israel. Mas, conforme ensinou Schweitzer, foi rejeitado pelos líderes da nação, foi traído por Judas, abandonado pelos demais discípulos, e morreu crucificado, sem entender por que Deus o havia desamparado e por que a sua expectativa foi frustrada (“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Mt 27.46). Entretanto, esta solução, como a anterior, cria problemas graves, pois sugere que Jesus nada mais era que um profeta iludido com sua própria megalomania. A grande questão é por que os discípulos mantiveram este dito “equivocado” de Jesus no Evangelho, visto que só contribuiria para desacreditar a mensagem cristã? Além disto, como explicar que os discípulos continuaram a crer e a seguir a Jesus após uma prova tão evidente de que Ele havia se equivocado, e que, portanto, era um homem falível como qualquer outro?

3. Outros estudiosos consideram que a promessa de Jesus se cumpriu com a destruição de Jerusalém em 70 d.C. A “vinda” do Filho do Homem teria sido o julgamento e juízo da nação de Israel pela rejeição do Messias. Jesus “veio” na pessoa dos exércitos romanos e assim cumprindo cabalmente a sua promessa. Ainda outra interpretação acha que a “vinda” aconteceu em Pentecostes. Estas respostas pelo menos partem do pressuposto que a Bíblia é inspirada e verdadeira, ao contrário das anteriores que admitem erros e enganos em Jesus e na Bíblia; porém, estas duas soluções não satisfazem plenamente. Uma das maiores dificuldades contra elas é o fato de que a expressão “a vinda do Filho do Homem” é usada em Mateus para se referir à segunda vinda de Cristo, em glória visível, a este mundo (veja Mt 24.27,37,39), bem como outras expressões similares, tais como “quando vier o Filho do Homem” (Mt 25.31). Interpretá-la como se referindo à destruição de Jerusalém ou Pentecostes é forçado.

4. Uma última interpretação entende que Jesus estava se referindo à missão mundial e futura de evangelizar os judeus, a qual ainda não se completou. A ida dos doze para pregar nas vilas de Israel apenas inaugurava esta missão, que continuou com Paulo e o moderno movimento missionário, e ainda não se concluiu. Em outras palavras, o que o Senhor quis dizer aos discípulos foi que a evangelização de Israel não se completaria antes do fim da era presente, que será marcada pela vinda do Filho do Homem. E que até lá haveriam perseguições. Algumas evidências fazem desta interpretação uma das menos complicadas:

·       No texto paralelo em Marcos o Senhor disse, “Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações” (13.10). Muito embora aqui o Senhor tenha incluído gentios e judeus, o princípio é claro: antes do fim do mundo, as nações – inclusive Israel – serão evangelizadas.

·       O próprio Mateus registrou algo similar: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim” (24:14).

·       O apóstolo Paulo mencionou ainda que “todo o Israel” seria salvo antes da consumação (Rm 11.25-27). Muito embora a interpretação desta passagem seja disputada por alguns, uma forte corrente reformada defende que se refere à conversão dos judeus antes da vinda do Senhor.

Se tomados juntos, estes versos ensinam que, antes da vinda do Senhor, a Igreja deverá ter anunciado o Evangelho a todas as nações, Israel inclusive. A passagem “difícil” de Mateus 10.23 é mais bem entendida assim. Naquela ocasião, o Senhor Jesus referiu-se somente a Israel, pois era este o contexto da comissão evangelizadora que ele deu aos doze.

Conforme a teologia reformada, há passagens na Bíblia que não são claras em si mesmas e nem igualmente claras a todos (Confissão de Fé de Westminster, 1.7). Os “ditos difíceis” de Jesus se enquadram nesta categoria. Portanto, mesmo entre reformados poderá haver diferença de interpretação quanto a eles. Entretanto, há interpretações aceitáveis e outras inaceitáveis. As primeiras partem da premissa que não há erro nas Escrituras, e que o dito é difícil por falta de conhecimento nosso, e também que nem sempre teremos respostas para todas as dificuldades da Bíblia. As interpretações inaceitáveis partem da premissa que a dificuldade pode ter sido criada por um erro de Jesus ou dos autores dos Evangelhos. Isto rejeitamos veementemente.



27.10.12

1.º Trimestre de 2013 das Lições Bíblicas CPAD - Elias e Eliseu: um Ministério de Poder para toda a Igreja




1.º Trimestre de 2013 das Lições Bíblicas CPAD - Elias e Eliseu: um Ministério de Poder para toda a Igreja

Comentarista: Pr. José Gonçalves


Lição 1- A Apostasia no Reino de Israel
Lição 2- Elias, o Tisbita
Lição 3- A Longa Seca Sobre Israel
Lição 4- Elias e os Profetas de Baal
Lição 5- Um Homem de Deus em Depressão
Lição 6- A Viúva de Sarepta
Lição 7- A Vinha de Nabote
Lição 8- O Legado de Elias
Lição 9- Elias no Monte da Transfiguração
Lição 10- Há Um Milagre em Sua Casa
Lição 11- Os Milagres de Eliseu
Lição 12- Eliseu e a Escola de Profetas
Lição 13- A Morte de Eliseu 





8.9.12

Os Testes do Amor a Deus (2/6)



4. Magnanimidade

Um outro fruto do amor é magnanimidade. O amor é valoroso, ele transforma a covardia em coragem. O amor faz com que alguém se aventure pelas maiores dificuldades e perigos. A medrosa galinha voa contra um cachorro ou uma serpente para defender os seus pintinhos. O amor infunde um espírito de bravura e firmeza no cristão. Aquele que ama a Deus permanecerá firme por Sua causa e será um defensor Dele. “Pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos” (At 4.20). Aquele que é temeroso de confessar a Cristo não tem senão um pequeno amor a Ele. Nicodemos veio furtivamente a Cristo, à noite (Jo 3.2). Ele estava temeroso de ser visto com Ele à luz do dia. O amor lança fora o medo. Assim como o sol dissipa neblinas e vapores, assim o amor divino em uma grande medida dissipa o temor carnal. Acaso ama a Deus aquele que consegue ouvir Suas benditas verdades serem desafiadas e permanecer em silêncio? Aquele que ama o seu amigo permanece firme em seu favor e o defende quando ele é envergonhado. Acaso Cristo se apresenta em nosso favor nos céus, e nós temeremos apresentar-nos em Seu favor na terra? O amor impulsiona um cristão, ele incendeia o seu coração com zelo e o fortalece com coragem.

5. Sensibilidade

O quinto fruto do amor é sensibilidade. Se nós amamos a Deus, os nossos corações sofrem diante da desonra a Deus provocada pelos homens ímpios. Ver não apenas as represas da religião, mas também da moralidade, serem demolidas, e uma torrente de impiedade se aproximando; ver os sabbaths de Deus profanados, Seus juramentos violados, Seu nome desonrado; se há algum amor a Deus em nós, deveríamos preocupar-nos profundamente com essas coisas. A alma justa de Ló estava afligida “pelo procedimento libertino daqueles insubordinados” (2Pe 2.7). Os pecados de Sodoma eram como muitas lanças perfurando a sua alma. Quão distantes estão de amarem a Deus aqueles que de modo algum são afetados com a Sua desonra? Se eles têm tão somente paz e negócios, nada lhes causa preocupação. Um homem que está completamente bêbado jamais se alarma ou é afetado, ainda que outro homem esteja sangrando de morte ao seu lado; assim também, muitos, estando embriagados com o vinho da prosperidade, não são afetados quando a honra de Deus é golpeada e Suas verdades estão sangrando. Se os homens amassem a Deus, eles se afligiriam ao ver Sua glória sofrendo e a própria religião tornando-se um mártir.

6. Ódio contra o pecado

O sexto fruto do amor é o ódio contra o pecado. O fogo expurga as impurezas do metal. O fogo do amor expurga o pecado. “Efraim dirá: Que mais tenho eu com os ídolos?” (Os 14.8, ARC). Aquele que ama a Deus não terá qualquer envolvimento com o pecado, senão para fazer guerra contra ele. O pecado atinge não apenas a honra de Deus, mas o Seu ser. Acaso ama o seu soberano aquele que abriga um traidor da coroa? Acaso é um amigo de Deus aquele que ama o que Deus odeia? O amor de Deus e o amor do mundo não podem habitar no mesmo lugar. As afeições não podem caminhar para duas direções contrárias ao mesmo tempo. Um homem não pode amar a saúde e amar também o veneno; assim ninguém pode amar a Deus e também o pecado. Aquele que tolera qualquer pecado secreto em seu coração está tão distante de amar a Deus quanto o céu e a terra distam um do outro.

Autor: Thomas Watson. Tradução: voltemosaoevangelho.com

28.8.12

Os Testes do Amor a Deus



Precisamos testar a nós mesmos, imparcialmente, para saber se estamos entre o número daqueles que amam a Deus. Para que possamos nos avaliar – uma vez que o nosso amor será melhor visto por seus frutos –, eu apresentarei catorze sinais, ou frutos, do amor a Deus, e compete a cada um de nós averiguarmos cuidadosamente se qualquer destes frutos está crescendo em nosso jardim.

1. Meditação

O primeiro fruto do amor é a meditação da mente em Deus. Aquele que está em amor tem sempre os seus pensamentos voltados para o objeto de sua afeição. Aquele que ama a Deus é arrebatado e transportado pela contemplação de Deus. “Quando acordo, ainda estou contigo” (Sl 139.18, ARC). Os pensamentos são como viajantes na mente. Os pensamentos de Davi seguiam a estrada celestial: “ainda estou contigo”. Deus é o tesouro, e onde está o tesouro, aí está o coração. Assim nós podemos testar o nosso amor a Deus. Em que se concentram os nossos pensamentos? Podemos nós dizer que somos arrebatados de deleite quando pensamos em Deus? Os nossos pensamentos têm asas? Estão eles elevados às alturas? Contemplamos nós Cristo e a glória? Oh, quão distantes estão de serem amantes de Deus aqueles que sequer raramente pensam em Deus!“Que não há Deus são todas as suas cogitações” (Sl 10.4). Um pecador empurra Deus para fora dos seus pensamentos. Ele nunca pensa em Deus, senão com horror, assim como o prisioneiro pensa acerca do juiz.

2. Comunhão

O próximo fruto do amor é o desejo pela comunhão. O amor deseja familiaridade e relacionamento. “A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do SENHOR; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo!” (Sl 84.2). O rei Davi, ao ser impedido de estar na casa de Deus, no tabernáculo, o emblema visível da Sua presença, suspira por Deus e, em um surto santo de desejo, clama pelo Deus vivo. Dois amantes estão constantemente conversando um com o outro. Se nós amamos a Deus, nós prezamos por Suas ordenanças, porque ali nós nos encontramos com Deus. Ele fala conosco em Sua Palavra, e nós falamos com Ele em oração. Assim examinemos o nosso amor a Deus. Desejamos nós a intimidade da comunhão com Deus? Amantes não podem estar muito distantes um do outro. Assim também o amor a Deus é dotado de uma afeição santa; aqueles que O amam não conseguem ficar longe Dele. Eles podem suportar a falta de qualquer coisa, exceto da presença de Deus. Eles podem viver sem saúde e sem amigos, eles podem estar felizes sem uma mesa farta, mas eles não podem estar felizes sem Deus. “Não escondas de mim a tua face, para que eu não seja semelhante aos que descem à cova” (Sl 143.7). Os amantes têm os seus desmaios. Davi estava pronto para desfalecer e morrer, caso não tivesse sequer uma visão de Deus. Aqueles que amam a Deus não podem estar satisfeitos em ter ordenanças, a menos que possam desfrutar de Deus nelas; o contrário seria para eles como lamber o vidro, e não o mel.

O que nós devemos dizer àqueles que passam suas vidas inteiras sem Deus? Eles pensam que Deus pode ser dispensado: reclamam que necessitam de saúde e negócios, mas não que necessitam de Deus! Homens ímpios não têm conhecimento de Deus; e como podem amar Aquele a quem sequer conhecem? Não somente isso, mas, o que é pior, eles não desejam conhecê-Lo. “E são estes os que disseram a Deus: Retira-te de nós! Não desejamos conhecer os teus caminhos” (Jó 21.14). Os pecadores evitam o conhecimento de Deus, eles consideram a Sua presença como um fardo; e são esses amantes de Deus? Podemos afirmar que ama o seu marido aquela mulher que não pode suportar estar na presença dele?

3. Tristeza

Um outro fruto do amor é a tristeza. Onde há amor a Deus, há um lamentar-se pelos nossos pecados de dureza contra Ele. Um filho que ama o seu pai não pode senão chorar por ofendê-lo. O coração que arde em amor derrama-se em lágrimas. Oh! Como eu poderia abusar do amor de um Salvador tão precioso?! Não sofreu o bastante o meu Senhor sobre a cruz, para que eu O faça sofrer ainda mais? Devo eu dar-Lhe mais fel e vinagre para beber? Quão desleal e insincero eu tenho sido! O quanto tenho eu entristecido o Seu Espírito, negligenciado os Seus mandamentos reais, desprezado o Seu sangue! Isso abre uma veia de tristeza piedosa e faz o coração bater novamente.“Então, Pedro […] saindo dali, chorou amargamente” (Mt 26.75). Quando Pedro pensou em como Cristo afetuosamente o amava; em como ele havia sido levado até o monte da transfiguração, onde Cristo lhe mostrara a glória do céu em uma visão; pensar que ele havia negado a Cristo depois de ter recebido Dele tão notável amor, isso partiu o seu coração de tristeza; ele saiu e chorou amargamente.

Assim testemos o nosso amor a Deus. Nós vertemos as lágrimas da tristeza piedosa? Nós lamentamos a nossa dureza contra Deus, o nosso abuso de Sua misericórdia, a fato de não multiplicarmos os nossos talentos? Quão distantes estão de amar a Deus aqueles que pecam diariamente sem que isso golpeie o seu coração! Eles possuem um mar de pecados, e sequer uma gota de tristeza. Eles estão tão distantes de se preocuparem com isso, que fazem piada de seus pecados. “Quando tu fazes mal, então, andas saltando de prazer” (Jr 11.15, ARC). Ó miseráveis! Cristo sangrou pelo pecado, e vocês riem dele? Esses tais estão distantes do amor a Deus. Acaso ama o seu amigo aquele que ama causar-lhe dano?

Autor: Thomas Watson. Tradução: voltemosaoevangelho.com

12.8.12

“Minha mãe diz que sou um acidente de percurso [em sua vida]”


Por ocasião da próxima lição de nosso trimestre, em que estamos estudando sobre as aflições desta vida, postamos o texto a seguir. Nele, é abordado o tema do relacionamento entre pais e filhos, visto que a lição de 19 de agosto trata do tema-título "A rebeldia dos filhos".




Por graça de Deus, trabalhamos na área da educação. Por essa razão, temos oportunidade de conversar com muitos adolescentes e jovens. Essas conversas acabam por revelar muito sobre a vida; especialmente sobre a família.

Recentemente, numa das vezes em que tivemos a ocasião de conversar com uma aluna, ela nos revelou informações que, apesar de particulares, pintam o triste porém real retrato de uma considerável parcela da família brasileira. Por que não dizer que a Luciana* como que desenhou o quadro daquilo em que a família brasileira está, paulatinamente, se transformando e cuja causa muitos creem, infelizmente, ser normal?

A cena para a conversa era a seguinte: sala de aula, cerca de seis pessoas presentes, momento pós-prova; restam somente alunos que almoçarão na escola e aguardam o horário para isso. Participam do diálogo, mais diretamente, a Luciana, uma colega e um de seus professores.

Luciana não tinha um comportamento exemplar em sala de aula. Geralmente conversava muito, deixava de fazer as atividades e, às vezes, se comportava de modo apático. A regra geral era que se tratava de uma aluna com baixíssimo rendimento, posto que estudasse num colégio particular, cujo ensino seria melhor (pelo menos, teoricamente).

Visto que ela acabou sendo questionada, durante essa conversa, acerca do que sua mãe faria caso soubesse que ela, Luciana, não se sairia bem naquela prova que acabara de “realizar”, a estudante respondeu, para espanto nosso: “Se minha mãe for brigar comigo ou for falar com meu pai por causa da prova, eu chantageio ela”. Na sequência, nós a sondamos, perguntando-lhe de que maneira ela chantagearia sua mãe. A menina completou: “É que eu sei uns podres dela”.

Na explicação da podridão materna, a discente acabou por revelar também a paterna e, quem sabe, a nacional (em grande parte). Que pena! Mas se trata de uma realidade. Luciana disse, por exemplo, que seus pais tinham se separado havia certo tempo. Antes disso, seu pai orientava que Luciana não mentisse, enquanto ele o fazia. A menina se questionava, sem compreender, pois sua idade era tenra. Sua mãe fazia o mesmo que o marido... isso sem falar nas brigas...

Após o divórcio, que se deu, claro, por razões obviamente imagináveis, o pai de Luciana arranjou logo uma namorada (para usar as palavras de Bandeira), com quem “se casou” e teve outro filho. Enquanto isso, a mãe dela também se casava e dava mais um irmão de pai diferente a Luciana. Ao mesmo tempo, repetia – como uma goteira na poça d’água – para Luciana: “Eu tive você muito nova. Eu e seu pai ainda não éramos casados. Você é um acidente de percurso na minha vida! ...”.

Para resumir a conversa que tivemos, visto que a menina abriu o coração naquele curto espaço de tempo (no mínimo, era também carente de conversa dentro de casa) em sala de aula, Luciana disse que seu pai se separou também da nova “esposa”, bem como sua mãe, do novo esposo. Pouquíssimo tempo depois, o pai da estudante se engraçou com outra mulher, que passou a ser sua namorada e que ficou grávida. Ele, portanto, em pouco tempo, já era pai de três, sem estar casado com nenhuma das mulheres.

Como está a cabeça de Luciana? Qual a formação que essa menina está recebendo? Quais são os valores que ela tem visto prevalecer na vida?

Infelizmente, a grande verdade é que algo análogo, senão exatamente igual, ocorre do Oiapoque ao Chuí. E a pergunta que nos vem à cabeça é: como temos criado nossos filhos? Será que os crentes em Jesus temos feito como Manoá, pai de Sansão (Jz 13), isto é, pedido orientação de Deus para educar nossos filhos? Ou será que também no caso da educação queremos copiar Davi, o qual foi na maior parte do tempo um contraexemplo como pai?

Será que os pais cristãos também têm dado brechas na criação de seus filhos? A exemplo do que Luciana disse que, se fosse preciso, chantagearia sua mãe visto que sabia dela “podres”, nossos filhos têm também recebido um mau exemplo dentro de casa a ponto de verem coisas podres em nós? Como temos feito dentro de casa? Onde estamos mostrando a eles as coisas contra as quais não há lei, isto é, o  fruto do Espírito: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança? Onde?


Infelizmente, milhares dos que cristãos se dizem ser fazem aquilo que a pedagogia cunhou de “terceirização da educação”. E terceirizam toda a educação. Deixam os filhos serem doutrinados pelo mundo, que inteiramente jaz no maligno (1 Jo 5.19 ARA.). O mundo todo está sob o poder do maligno. Não podemos deixar que o diabo doutrine nossos filhos! Qual educação temos oferecido dentro de casa? Isso sem falar no amor, que faltava!

A quem temos imitado nesse tocante? Aos fariseus (Mt 23.2,3)? Ou a Jesus Cristo (At 1.1)? A recomendação de Paulo a seu filho na fé, Timóteo, bate com nossa vida diante de nossos filhos (1Tm 4.12), ou nossos apelidos poderiam ser “pais de Luciana”?

Miseravelmente, muitos de nós ainda não entenderam que a recomendação bíblica é: “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar. Amarre-as como um sinal nos braços e prenda-as na testa. Escreva-as nos batentes das portas de sua casa e em seus portões” (Dt 6.6-9 NVI).

Infelizmente, muitos de nós ainda não entenderam que a recomendação bíblica também é: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4).

Precisamos mudar esse quadro! Temos de arregaçar as mangas e, com a ajuda e orientação do Senhor (Jo 15.5 “in fine”; Jz 13), uma vez que sem isso os filhos certamente se perderão (Pv 11.14) remodelar essa pintura malfadada e infausta. Sem dúvida nenhuma, agindo assim, Deus será glorificado! Amém!

* Adotamos um nome fictício para preservar a estudante.


Pela educação pela Palavra,


Artur Freire Ribeiro



Texto publicado originalmente em agosto de 2010.


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