3.1.12

O culto como ele é




Era uma vez, em certa igreja evangélica, os membros fizeram o primeiro culto do ano. Providencialmente, aquele culto aconteceu no domingo e começava às 18h30. Estava quase cheia a igreja, mesmo somente com seus membros, e mesmo que alguns poucos estivessem viajando. Dessa forma, sob a direção daquele “que pastor abençoado!”, o culto foi iniciado.

Alguns irmãos (uns gatos pingados, como se diz. Ou, no evangeliquês: Pedro, Tiago e João...) chegaram ainda no período destinado à oração (de meia hora), mas todos “foram buscar a sua bênção”. Esse negócio de oração é questão de somenos para essa igreja. Pra que orar? O que importava era que todos ali iriam “louvar”. Terminado esse período inicial, um evidente menoscabo, começou a parte dos louvores. Harpas em punho. Ops! Quer dizer, em punho daqueles que haviam levado uma... o que, diga-se de passagem, era coisa pouco mais que meia-dúzia. Afinal, pra que harpa se existe data-show?! Mas tudo bem, o que importava era que todos ali iriam louvar, não é verdade? Ninguém pode esquecer que se trata de uma "geração de adoradores"... ai, ai

Balbuciados dois, três hinos da harpa cristã... Desculpe, CANtados dois, três hinos, era a hora dos grupos. As irmãs casadas “louvaram” com seu hino da vitória; até porque atualmente tudo é hino de vitória. O povo gosta disso, vive disso e só quer isso. Depois foi a vez dos adolescentes se apresentarem. Preciso explicar? Para finalizar essa etapa litúrgica, a chamada mocidade também entoou sua música, até que bíblica e com boa melodia, apenas um pouco longa demais, mas tudo bem...

Até parecia que o desfecho iria sair tudo ok, pois ainda faltava uma hora e vinte para o término do culto. Um período desses de Palavra está em extinção nas igrejas. Era quase inacreditável!

Para aplacar essa expectativa, o pastorzão resolveu dar oportunidade para os irmãos contarem as bênçãos recebidas no ano findo. Apesar de não ser a denominação do irmão do “conta a bênção!”, foi A Hora e a Vez de Algumas Matracas falarem (Desculpe, hein, Rosa!). Entre aquele que agradece pelo carro recebido e aquela que agradece “porque Deus tirou da frente minha inimiga que me atrapalhava no serviço”, o tempo ia passando, leve, serelepe... E nada de exposição da Palavra. Afinal, pra que Palavra se “é tudo crente”?! E mais: pra que Palavra se o povo dali tinha ido pra “louvar”?

Oito horas da noite, oito e quinze, oito e vinte. Oito e meia, oito e quarenta e dois... parece que algum santo murmurou “E a mensagem, pastô?!?”. A murmuração foi suficiente para o dirigente ouvir.

Para quem pensou que o pastor fosse dar aquela velha desculpa esfarrapada de que Deus fala em uma hora, em meia hora e em quinze minutos, apesar de não ser o ideal ter apenas dez minutos de exposição bíblica, já seria um grande lenitivo àquela altura do campeona, hãããã... do culto...Mas... Quem assim pensou enganou-se.

Então, logo após o testemunho que transcorria ter sido finalizado, o “homem de Deus” retrucou: “Irmãos, qué sabê se vai tê mensage? Qué mensage melhó qui essa dos irmão contando as bênça?”.

E o povo todo ficou contente com as cantorias e os testemunhos, com exceção de alguns raríssimos murmuradores. Afinal, pra que mais do que “louvor e bênção”?

E praticamente todos esses foram felizes para quase sempre*... É que esse grupo dito cujo não contava com o Arrebatamento da Igreja, visto que o desconhecia. Mesmo que soubesse dele, não estava o esperando...

*Moisés fala de 70 anos...

Nota: essa história é entre aspas ficcional. Qualquer coincidência com algo que você esteja vendo por aí é, como se lê, coincidência mesmo; ou coisa da sua cabeça... Por isso, vá procurar o que fazer!



Artur Ribeiro


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