16.2.12

PERDÃO FOI FEITO PRA GENTE PEDIR?











GIBEÁ*








O secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, cuja principal função é a de articular a Presidência da República com os segmentos sociais, inclusive com os movimentos religiosos (Carvalho, inclusive, é egresso dos movimentos sociais católicos da década de 1970, 1980), em palestra dada no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre/RS, disse que o PT deveria se preparar para o “embate ideológico” com os “setores conservadores” da sociedade brasileira na “conquista da nova classe média”, formando um “sistema de comunicação” que neutralizasse os “telepastores” que, por “terem conquistado a mídia”, estariam impedindo a aprovação de pontos programáticos do PT como a descriminalização do aborto e a criminalização da homofobia.





Estas afirmações revelaram o verdadeiro propósito do governo petista e, com uma clareza sem igual, qual é o foco do petismo para concretizar o seu projeto de poder no Brasil, a instituição de um regime político que seja capaz não só de instituir o seu modelo socialista mas de exportá-lo para os demais países da América Latina.





Numa franqueza rara e que mais parece um deslize, o articulador do governo Dilma com os segmentos religiosos da sociedade mostrou qual é o propósito governamental em toda esta articulação: manter os segmentos religiosos da sociedade atrelados ao governo, inertes, enquanto, vagarosa mas persistentemente, se irá tentando isolar e desacreditar as poucas lideranças religiosas fiéis aos princípios cristãos, até o instante em que a população, devidamente doutrinada pelos valores anticristãos defendidos pelo governo, venha a aceitar a adoção de medidas radicalmente contrárias à fé em Cristo Jesus.





As afirmações do ministro repercutiram como uma “bomba” nos segmentos religiosos e a Frente Parlamentar Evangélica não teve outra alternativa senão romper com o ministro e, assim, pôr em risco todo o trabalho de articulação construído pelo PT a partir da derrota de Lula em 1994, trabalho este que foi decisivo para que se quebrasse o “veto evangélico” ao PT e que era um dos principais fatores que impedia o PT de vencer eleições presidenciais.





Esta situação, ademais, revelou-se extremamente inoportuna, pois se deu precisamente no momento em que, sutilmente, a presidente Dilma nomeava para a Secretaria de Política para Mulheres uma das maiores defensoras do aborto no país, a sua ex-colega de cela nos porões da ditadura militar, a socióloga Eleonora Minenucci, cuja primeira tarefa será explicar à ONU a política abortista do governo brasileiro, que está aquém das expectativas daquela organização internacional, onde se engendra toda a estratégia contrária à vida humana no planeta.





Diante desta situação, o ministro pediu para se encontrar com a “bancada evangélica” e “pediu desculpas”, embora, ao mesmo tempo, tenha negado ter feito as referidas declarações, uma negativa que só se entende dentro da mentalidade aética que caracteriza o “modus operandi” marxista, já que não há como negar as declarações, gravadas que foram.





Depois de duas horas de conversas a portas fechadas, o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, o deputado João Campos (PSDB-GO), deu o caso por “superado”, dizendo que a “bancada evangélica” ficou “satisfeita com o pedido de perdão”.





O ministro, na saída da reunião, fez questão de dizer aos jornalistas que a presidente Dilma mantém o seu compromisso de deixar ao Congresso Nacional a discussão a respeito do aborto, compromisso assumido no meio da campanha presidencial junto a lideranças católicas e evangélicas.





A atitude da bancada evangélica é estapafúrdia. O ministro pediu desculpas, embora tenha negado ter feito as declarações e, mesmo que as tivesse admitido e formulasse o referido pedido, não se poderia simplesmente dar o caso por “superado”.





As declarações do ministro revelam como o governo está a agir e que, portanto, é de absoluta má-fé a sua postura diante dos segmentos religiosos da sociedade.





O governo Dilma, e isto está claro no relatório que apresentará à ONU sobre a questão do aborto, está decididamente operando em torno da implementação dos pontos programáticos do PT, que incluem a criminalização da homofobia e a descriminalização do aborto. Apenas, por uma questão de estratégia, “cozinha em banho-maria” tais temas, buscando, junto aos meios de comunicação, obter apoio popular para tais causas, o que, inclusive, leva à ridicularização e descrédito de lideranças que têm se mantido fiéis aos princípios e valores cristãos.





Diante desta postura, não caberia outra atitude senão o rompimento das relações com o Governo e o início de uma verdadeira luta para que os princípios e valores cristãos prossigam sendo acolhidos e vivenciados na convivência social, na legislação pátria.





O Senhor Jesus foi bem claro ao dizer que “quem não é coMigo, é contra Mim e quem coMigo não ajunta, espalha” (Mt.12:30; Lc.11:23). O profeta Amós afirmou que: “Andarãos dois juntos se não estiverem de acordo?” (Am.3:3). Já o apóstolo Paulo assim se manifestou: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (II Co.6:14).





Ao contrário do que se disse na campanha eleitoral, o PT não abandonou o seu primeiro programa de governo, aprovado em seu Congresso Nacional, e que continha diversos pontos incompatíveis com a sã doutrina, e a prova disto foi a revelação feita pelo ministro Gilberto Carvalho de como o PT está a agir para implementá-los, inclusive escolhendo como seu inimigo prioritário os “telepastores”, ou seja, os defensores do Evangelho que têm visibilidade na mídia.





Ao contrário do que se disse na campanha eleitoral, o governo Dilma não tem interesse em defender a liberdade religiosa, mas quer “montar um sistema de comunicação” para desacreditar os líderes religiosos que se mostrarem contrários a seus projetos anticristãos.





Um “pedido de desculpas”, um “pedido de perdão” é suficiente para que a revelação deste projeto, totalmente contrário ao Evangelho, seja considerado “um fato superado”?





É certo que, como cristãos, devemos perdoar, que é dever de todo servo de Cristo dar perdão a quem o pedir (Mt.6:12; 18:21,22), mas perdão pressupõe confissão e arrependimento, ou seja, que a pessoa admita o erro e mude a sua mentalidade, seu modo de ser, não mais cometendo aquele erro, pois há “um afastamento do pecado” (cf. § 1423 do Catecismo da Igreja Católica).





Ora, se o ministro nem admitiu que tenha feito tais declarações, como aceitar o seu “pedido de perdão”? Se o governo Dilma não mudou sua trajetória no sentido de implementar os pontos programáticos do programa de governo supostamente abandonado, radicalmente contrários ao que ensinam as Escrituras, como entender que há confissão e arrependimento necessários para que haja perdão?





Será que, em vez de seguirmos o que nos ensina o sábio Salomão, de quem só confessa e deixa é que alcança misericórdia (Pv.28:13), nossos ilustres parlamentares preferiram seguir o poeta Mário Lago e dizer que “perdão foi feito pra gente pedir”, mas se esquecendo que o ministro, ao contrário do homem que veio se humilhar naquele poema, está seguindo, mesmo, a filosofia do sambista Manoel Santana, que pediu perdão a Deus por pecar ao sambar, mas, mesmo assim, sambou até morrer?







* Grupo Interdisciplinar Bíblico de Estudos e Análises, um grupo de estudos formado originariamente de ex-alunos e ex-professores da Faculdade Evangélica de São Paulo (FAESP) e que agora atua em parceria com a Associação para a Promoção do Ensino Bíblico (APEB).













































3.2.12

APÊNDICE 3 – BEM-AVENTURANÇAS DO NOVO TESTAMENTO

IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS - MINISTÉRIO DO BELÉM
ESTUDO PREPARATÓRIO PARA OS PROFESSORES DA ESCOLA DOMINICAL
BELÉM- SEDE
PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2012

TEMA – A verdadeira prosperidade – a vida cristã abundante
COMENTARISTA DA REVISTA: José Gonçalves


APÊNDICE Nº 3 – BEM-AVENTURANÇAS DO NOVO TESTAMENTO

As bem-aventuranças em o Novo Testamento têm cunho espiritual.



Texto áureo

“E bem-aventurado aquele que em Mim se não escandalizar” (Lc.7:23)

INTRODUÇÃO



- Em complemento ao estudo do trimestre, faremos uma breve análise das bem-aventuranças em o Novo Testamento, excluídas as bem-aventuranças do sermão do monte e do sermão da planície, analisadas na lição 6, como também as bem-aventuranças do livro do Apocalipse, analisadas na lição 4.



- Assim como no Antigo Testamento, a ideia de bem-aventurança em o Novo Testamento é de cunho espiritual.



I – AS BEM-AVENTURANÇAS NOS EVANGELHOS, COM EXCEÇÃO DOS SERMÕES DO MONTE E DA PLANÍCIE



- - A palavra “bem-aventurado”, usada com suas cognatas cerca de cinquenta vezes em o Novo Testamento, é tradução do grego “makarismós” (μακαρισμός), cujo significado é “felicidades”. Para os gregos antigos, ser “makários” (μακάριος), i.e., “bem-aventurado”, era viver livre de sofrimentos e de preocupações, ideia pagã que foi completamente apropriada pela “teologia da prosperidade”.



- Por isso, os estudiosos entendem que a raiz da palavra grega esteja vinculada à ideia de “grande” e, por isso, usada como sinônimo de “rico”, no seu sentido predominantemente material, sendo, por vezes, aplicada aos deuses, como num contraste com a situação medíocre do ser humano.



- Os próprios judeus entendiam que a “bem-aventurança” era, principalmente, um estado de bem-estar material, ainda que como recompensa pela observância fiel da lei. Este significado, entretanto, era, talvez, fruto da influência das ideias da cultura helenística sobre os judeus.



- A primeira vez que surge a palavra “bem-aventurado” em Mateus, fora do sermão do monte, é em Mt.11:6, quando Jesus recebe a visita de dois discípulos de João. A estes discípulos, no final da mensagem que manda a João, o Senhor diz que “bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em Mim”.



- Vemos que, para consolar o duvidoso e abatido João, o Senhor afirmou que “bem-aventurado é aquele que não se escandalizar em Mim”, ou seja, aquele que, por causa de Jesus, não venha a tropeçar na caminhada espiritual, aquele que permanece em pé, que não abandona o Senhor Jesus. Perseverar na fé e na confiança em Cristo é, portanto, uma “bem-aventurança”.



- Quando verificamos esta bem-aventurança, já vemos quanto mal têm feito os “pregadores da prosperidade”. Hoje já são milhões de pessoas que se escandalizaram em Jesus e perderam esta bem-aventurança porque foram levados a crer em falsas promessas que jamais se realizarão, promessas estas feitas por estes falsos pregadores, pessoas que se encontram “decepcionadas com Jesus”. Vemos, pois, como estes homens de Belial são instrumentos malignos para a perdição das almas.



- Em Mt.13:16, temos novo contato com a expressão “bem-aventurado”, quando Jesus explica a Seus discípulos porque estava a falar por parábolas. Nessa ocasião, Cristo disse que “bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem”.



- A bem-aventurança afirmada pelo Senhor Jesus diz respeito ao atendimento à Sua Palavra, à prontidão para crer na mensagem do Evangelho. Ao contrário da multidão que O havia deixado depois de Ele ter contado a parábola do semeador, Seus discípulos, não a tendo entendido, quiseram saber a respeito do seu significado, não deixando o Senhor e crendo que Ele lhes poderia explicar o sentido.



- A bem-aventurança, portanto, está em querer ter intimidade com o Senhor Jesus, em querer conhecê-l’O, em não buscar simplesmente benefícios de Jesus, mas querer ter comunhão com Ele, exatamente o contrário do que estimulam e incentivam os “pregadores da prosperidade”. Quantos, na atualidade, não se comportam como a multidão que deixou o Senhor e não era bem-aventurada? Quantos não vão atrás de Jesus apenas para ter bens e saúde física, não querendo ter uma vida de comunhão com Ele? “Mas bem aventurados os olhos que veem e os ouvidos que ouvem”.



- A expressão “bem-aventurado” aparece, então, em Mt.16:17, quando o Senhor Jesus chama de “bem-aventurado” a Pedro, por ter tido a revelação do Pai a respeito da natureza de Jesus, “o Cristo, o Filho de Deus vivo”. Esta bem-aventurança deu a Pedro a primazia entre os apóstolos, primazia que deve ser entendida como o apóstolo escolhido para levar, em primeira mão, a mensagem do Evangelho aos judeus (no dia de Pentecostes – At.2) e aos gentios (na casa de Cornélio – At.10) e não, como entendem os romanistas, como um papel de “vigário de Cristo”.



- Apesar de se tratar de uma “bem-aventurança” especial, podemos daí extrair uma verdade bíblica, qual seja, a de que se trata de “bem-aventurança” temos acesso à revelação de Deus, o que, para nós, traduz-se no saber a vontade de Deus, notadamente através da Sua Palavra, como, aliás, vimos em Mt.13:16.



- Em Mt.24:46, temos a única bem-aventurança mencionada pelo Senhor Jesus no sermão escatológico na versão deste evangelista. O Senhor Jesus disse que “bem-aventurado o servo que o Senhor achar servindo assim”. Assim como? Explica-nos o versículo anterior: o servo fiel e prudente, que o Senhor constituiu sobre a sua casa para dar sustento a seu tempo.



- É bem-aventurado o servo que cumprir aquilo que o Senhor lhe confiou na obra de Deus, na igreja do Senhor. Vemos que a bem-aventurança está vinculada a assumirmos a condição de servos do Senhor e, portanto, de cumpri-Lhe a vontade, algo completamente oposto a que ensinam os “teólogos da confissão positiva”. O Senhor nos manda fazer algo e temos de ser fiéis e prudentes para cumprir, no tempo determinado, aquilo que nos foi mandado fazer. Só estes servos fiéis e prudentes, bem-aventurados, serão arrebatados pelo Senhor naquele dia. Tomemos cuidado, amados irmãos!



- Ausente no Evangelho segundo Marcos, a expressão “bem-aventurado” e seus cognatos somente aparecerá no evangelho segundo Lucas, que, além do “sermão da planície” (Lc.6:17-49), apresenta outras ocorrências da palavra.



- A primeira ocorrência é em Lc.1:45, quando a expressão é utilizada em relação a Maria, a mãe de Jesus. Tomada pelo Espírito Santo, Isabel chama Maria de bem-aventurada porque ela creu. Vemos, de pronto, que crer na Palavra de Deus, crer naquilo que Deus nos revela é uma bem-aventurança.



- Maria não foi chamada “bem-aventurada” porque teria sido “concebida sem pecado” como defendem os romanistas. Não, não e não! Maria é chamada bem-aventurada porque creu e, por crer, deu o seu “sim” a Deus, permitindo, apesar de todos os tormentos que isto representaria, que fosse concebido, ainda solteira, o Filho de Deus em seu ventre. Nossa justificação vem pela fé em Cristo Jesus (Rm.5:1).



- A “bem-aventurança do crer” implica em aceitar a vontade de Deus, apesar de todos os transtornos que isto venha a criar no meio do mundo e da sociedade. Ser bem-aventurado é confiar em Deus, como já se viu na análise das bem-aventuranças do Antigo Testamento (apêndice 2). Estamos dispostos a confiar em Deus apesar de todas as adversidades deste mundo? É por isso que, a partir de Isabel, Maria é chamada por todos de “bem-aventurada” (Lc.1:48)!



- A próxima ocorrência de “bem-aventurado” em Lucas, fora o sermão da planície, é em Lc.7:23, quando temos a reprodução do que já vimos em Mt.11:6, quando o Senhor encontra dois discípulos de João Batista.



- Em Lc.10:23, temos outra reprodução do que já visto em Mt.13:16, quando o Senhor Jesus fala da bem-aventurança dos Seus discípulos em querer saber o significado da parábola do semeador.



- Em Lc.11:27,28, após Jesus ter falado a respeito da blasfêmia dos fariseus, uma mulher dentre a multidão exclamou que “bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste”, ao que Jesus respondeu que “antes bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a guardam”.



- Neste episódio mencionado por Lucas, temos uma demonstração de que Maria não era bem-aventurada por si só, nem tampouco tinha uma posição distinta da dos demais seres humanos. Ao ser chamada de bem-aventurada por sua condição maternal, por uma mulher da multidão, imediatamente o Senhor Jesus fez questão de mostrar que a ascendência biológica de Sua mãe não tinha qualquer papel no sentido espiritual. Pelo contrário, o “parentesco espiritual” se dá apenas pelo ouvir e pelo guardar a Palavra de Deus.



- Neste trecho, que tem paralelos em outras passagens do Evangelho em que Jesus insiste que Sua família é constituída “pelos que ouvem a Palavra de Deus e a executam” (Mt.12:49,50; Mc.3:34,35; Lc.8:21), mostra-nos que fazer parte da Igreja é ouvir e cumprir a Palavra de Deus e isto é uma “bem-aventurança”.



- Portanto, ao contrário do que alegam os “pregoeiros da prosperidade”, ser “bem-aventurado” é “ouvir e cumprir a Palavra de Deus” e não, como alguns dizem por aí, “fazer determinações” ou “pronunciar palavras inspiradas” que vinculariam a Deus. Ser “bem-aventurado” é fazer a vontade de Deus e não querer que Deus faça a nossa.



- Em Lc.12:37,38, na parábola do servo vigilante, o Senhor Jesus diz que “bem-aventurados os servos que, quando o Senhor vier, achar vigiando”. Aqui, vemos que um dos segredos para se alcançar a felicidade é estar vigilante, aguardando a volta do Senhor.



- A “bem-aventurança” do crente não está em passar uma vida regalada nesta vida, mas, bem ao contrário, em saber que este mundo passa e que não é aqui o nosso descanso e que temos de estar prontos pois, a qualquer instante, o Senhor Jesus pode voltar para arrebatar a Sua Igreja ou, então, pode nos chamar para a eternidade. Como isto é diferente das “pregações da prosperidade” que nunca lembram seu auditório de que Jesus está próximo às portas…



- A próxima bem-aventurança registrada no evangelho segundo o médico amado é a “bem-aventurança dos que chamam os que não tem como recompensar o que chama” (Lc.14:14). Aqui, aliás, temos uma bem-aventurança completamente alheia ao pensamento da “teologia da prosperidade”.



- Ao contar a parábola dos primeiros assentos e dos convidados, o Senhor Jesus disse aos Seus discípulos que deveriam fazer o bem aos pobres, aleijados, mancos e cegos (Lc.14:13), ou seja, a pessoas que, por suas condições, não têm qualquer condição de recompensar o bem praticado. Quem fizer isto, diz o Senhor, será bem-aventurado e recompensado “na ressurreição dos justos”. Jesus deixa aqui claro que não existe qualquer “reciprocidade”, qualquer “toma-lá-dá-cá”. Quem fizer bem ao próximo, é bem-aventurado e sua recompensa somente se dará no além, nunca nesta Terra. Como isto é diferente do que falam os “pregoeiros da confissão positiva”…



- Por causa desta lição de Jesus, alguém que estava com Ele assentado à mesa disse que “bem-aventurado o que comesse pão no reino de Deus” (Lc.14:15), numa atitude que revelava a confiança daquele conviva de que, por causa da profecia de Is.25, todo judeu tinha sua salvação garantida, não precisando, por isso, atender ao que Jesus ensinara na parábola.



- Esta afirmação, porém, não foi avalizada pelo Senhor Jesus que, em resposta a ela, contou a parábola da grande ceia, mostrando que o sentido com que aquele homem havia proferido, ou seja, de que bastava ser judeu para participar do banquete celestial, não era verdadeiro, visto que os israelitas haveriam de rejeitar o Messias e a oportunidade seria dada aos gentios.



- Ao negar esta “bem-aventurança”, o Senhor Jesus retira a possibilidade de presunção, de “determinações”, de “direitos” no relacionamento do homem para com Deus. A “felicidade” não virá, nem mesmo nos aspectos espirituais (o homem não falou de coisas desta vida, mas do banquete celestial), por supostos “direitos” do homem em relação a Deus, mas pela infinita graça e misericórdia de Deus em relação ao homem. Lembremos disto!

OBS: “…Jesus aproveitou a observação desse homem para dar a advertência, em forma de parábola, de que nem todos entrariam no reino.” (BÍBLIA DE ESTUDO NVI, com. Lc.14:16, p.1759).



- A próxima ocorrência de “bem-aventurado” é em Lc.23:29, quando Jesus, no caminho do Gólgota, em resposta aos lamentos das mulheres que O acompanhavam com choros, disse-lhes que não deveriam chorar por Ele, mas sim, por elas e pelos seus filhos, pois viriam dias em que se diria que “bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram” (Lc.23:29).



- Jesus, nesta passagem, fala dos dias difíceis que os judeus passariam na Grande Tribulação, onde a cruel angústia e perseguição que sofrerão farão com que mudem o seu conceito a respeito da bênção que é a mulher ter filhos e amamentar, pois as dificuldades serão tantas que se lamentará o sofrimento atroz que sofrerão tanto as grávidas quanto as que amamentarem naqueles dias (cfr. Mt.24:19).

OBS: Exemplo recente disto tivemos nas enchentes que assolaram as Filipinas em dezembro de 2011, quando se noticiou que uma grávida, em fuga com seus filhos e seu marido, acabou dando à luz no telhado de uma clínica, a mostrar como ficam difíceis nestas situações a condição de grávida ou de quem amamenta (UOL Notícias. Bebê nasce no telhado durante fuga de sua mãe das enches nas Filipinas. Disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/internacional/2011/12/22/mulher-que-fugia-das-enchentes-nas-filipinas-da-a-luz-no-telhado.jhtm Acesso em 22 dez. 2011).



- No evangelho segundo João, temos apenas duas ocorrências de “bem-aventurança”. A primeira, em Jo.13:17, quando o Senhor Jesus chama de “bem-aventurados” os que “soubessem estas coisas e as fizessem”. A que coisas o Senhor Jesus Se refere? À consciência de que Jesus, sendo Senhor e Mestre, lavou os pés dos discípulos, dando exemplo de humildade e serviço, exemplo que deveria ser seguido pelos Seus discípulos.



- Então, devem os discípulos lavar os pés uns dos outros para serem “bem-aventurados”? Sim e não. Como assim? Os discípulos não precisam efetuar o “ritual do lavapés”, pois isto era um dado cultural judaico, mas o exemplo deixado por Jesus de servir o próximo deve, sim, ser seguido pelos Seus discípulos e, ao sermos humildes e serviçais, seremos “bem-aventurados”. Como isto é diferente do que pregam os “teólogos da prosperidade”, que, ao invés de servirem querem ser servidos por Deus…



- Em Jo.20:29, Jesus, ao ter o encontro com Tomé, disse a Seu discípulo que “bem-aventurados os que não viram e creram”, indicando que crer em Jesus, sem O ver é uma “bem-aventurança”. Por isso, não podemos querer “materializar a fé”, como fazem os “teólogos da prosperidade”, com um sem-número de amuletos (meias, gaiolas, tijolos, sabonetes, chaves e tantas outras invencionices).







II – AS BEM-AVENTURANÇAS EM ATOS E NAS EPÍSTOLAS



- Em Atos dos Apóstolos, só temos uma ocorrência de “bem-aventurança”, a saber, em At.20:35, quando em seu discurso aos crentes de Éfeso, o apóstolo Paulo recorda palavras do Senhor Jesus que não foram registrados em qualquer dos evangelhos, onde o Senhor ensinou que “mais bem-aventurada coisa é dar do que receber”.



- Nesta bem-aventurança mencionada pelo Senhor Jesus e que o Espírito Santo mandou que Lucas registrasse neste ensino de Paulo aos efésios em Mileto, temos a negação de tudo quanto se vê na “teologia da prosperidade”. O importante não é “receber”, mas, sim, “dar”. Quem dá é bem-aventurado. Quem dá e não retém mostra sua semelhança com o Senhor, que Se deu a si mesmo por nós. Por que, então, diante de tão belo ensino do próprio Cristo, aceitarmos a mentira do “receba, receba” destes falsos ensinadores?

- Na epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo fala de “bem-aventuranças” quando trata da justificação pela fé de Abraão, fazendo alusão às bem-aventuranças do Sl.32:1,2 (mencionadas em Rm.4:7,8), que explica dizendo que “bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras” (Rm.4:6), lembrando, ainda, que esta bem-aventurança se deu na incircuncisão (Rm.4:9).



- Esta bem-aventurança do Antigo Testamento que é repetida e explicada pelo apóstolo é, também, uma contundente refutação da “teologia da prosperidade”. Com efeito, os “teólogos da prosperidade” com sua falsa “lei da reciprocidade”, fazem a justiça e a salvação depender das obras, o que é totalmente negado pelo texto bíblico em análise. Não podemos prevalecer espiritualmente pelas nossas obras, precisamente para que não nos gloriemos (Ef.2:9).



- Lamentavelmente, como foi muito bem afirmado pelo padre católico romano Paulo Ricardo de Azevedo Júnior (Teologia da prosperidade? Disponível em: http://padrepauloricardo.org/audio/49-a-resposta-catolica-teologia-da-prosperidade/ Acesso em 22 dez. 2011), os “teólogos da prosperidade”, estes falsos ensinadores conseguiram perverter a própria razão de ser da Reforma Protestante, pois, assim como os pregadores de indulgência nos dias de Lutero, defendem que se pode “comprar Deus com dinheiro”. O ensino de Paulo em Romanos mostra que a bem-aventurança está na “justiça sem as obras”, que é imputada pelo Senhor a todos quantos creem em Cristo Jesus.



- Ainda em Romanos, o apóstolo Paulo nos indica uma outra bem-aventurança, em Rm.14:22, quando afirma que é “bem-aventurado aquele que não condena a si mesmo naquilo que aprova”.



- Esta bem-aventurança está vinculada com a questão da liberdade e da caridade, quando o apóstolo nos ensina que não podemos escandalizar os outros irmãos, que não podemos fazer com que os irmãos venham a cair da fé por causa da nossa conduta, ainda que ela seja conforme a Palavra de Deus.



- Paulo diz que o crente que se privar de fazer coisas que não são condenadas pela Palavra de Deus apenas com o propósito de não fazer o seu irmão, mais fraco na fé, se escandalizar e cair da fé, é bem-aventurado, pois, embora tenha fé e saiba que o que fizesse não seria pecado, tem o amor suficiente para manter a sua fé intimamente e não dar motivo para levar um irmão à perdição e, por causa disso, condenar a si mesmo naquilo que aprova.



- Nesta bem-aventurança notamos, claramente, que temos, uma vez mais, algo diametralmente oposto ao que é ensinado pelos “teólogos da prosperidade”, que não pensam no próximo, nem tampouco no “fraco na fé”, mas que defendem um evangelho egoístico e individualista. Aliás, quantos exemplos temos de pessoas que, após não receberem as “bênçãos” depois de terem feito seus “sacrifícios”, são lançados em rosto por estes falsos ensinadores como “pessoas de pouca fé”, numa insensibilidade que somente perde para a ganância destes ditos cujos. Fujamos disto, amados irmãos!



- Em I Co.7:40, o apóstolo Paulo, quando trata da questão dos casamentos, diz que “mais bem-aventurado é o viúvo que não se casa novamente”, conceito que o apóstolo diz ser seu, embora dissesse que tinha o Espírito de Deus. Neste pensamento de Paulo está o fato de ser uma bem-aventurança servir a Deus integralmente, o que não se pode fazer quando se é casado, visto que é preciso servir ao cônjuge, o que diminui o tempo do serviço a Deus.



- Apesar de ser um conceito pessoal do apóstolo, o fato é que está registrado nas Escrituras, motivo por que temos de reconhecer que se trata de um texto que tem autoridade de Palavra de Deus. O apóstolo, porém, não disse que era proibido casar, nem que o serviço a Deus exige o celibato, mas apenas disse que a dedicação integral ao serviço do Senhor após a ocorrência de uma viuvez é uma bem-aventurança.



- Em Gl.4:15, o apóstolo Paulo diz aos gálatas que o fato de o terem recebido como um anjo de Deus, como Jesus Cristo mesmo, era uma bem-aventurança, pois aqueles crentes estavam dispostos a arrancar os seus olhos e lhos darem. Vemos, pois, que se trata de uma bem-aventurança o acolhimento dos servos do Senhor, o seu amparo e sustento quando estão a realizar a obra de Deus.



- Mais uma vez temos a presença de uma bem-aventurança vinculada ao serviço ao próximo, à dedicação ao próximo, algo bem diverso, contrário mesmo à ganância individualista propalada pela “teologia da prosperidade”.



- Em I Tm.1:11, a expressão “bem-aventurado” é aplicada ao próprio Deus, a indicar que as “bem-aventuranças” são atitudes que nos fazem expressar “a imagem e semelhança de Deus”, a corroborar o ensino de Jesus no sermão das bem-aventuranças (veja lição 6), ao mostrar que “bem-aventurados” são os Seus discípulos, aqueles que são filhos de Deus.



- Em I Tm.6:15, o apóstolo, novamente, chama de “bem-aventurado” ao Senhor Jesus, “o bem-aventurado e único poderoso Senhor, Rei dos reis e Senhor dos senhores”, a reafirmar que a “bem-aventurança” nos torna “cristãos”, ou seja, “pequenos Cristos”, “parecidos com Cristo”. Deste modo, quando vemos que os “teólogos da prosperidade” nos afugentam destas bem-aventuranças, entendemos que eles querem impedir que nos tornemos cristãos.



- Em Tt.2:13, o apóstolo Paulo chama de “bem-aventurada” a esperança que tem o salvo da volta de Jesus, texto que corrobora o ensino do próprio Jesus que disse que aguardar a Sua vinda, ser vigilante é ser bem-aventurado. Ao revés, em I Co.15:19, o apóstolo chama de “os mais miseráveis de todos os homens” os que esperam Jesus somente nesta vida, que é, precisamente, a situação dos que adotam a “teologia da prosperidade”. Qual é a sua situação, amado(a) irmão(ã)?



- A epístola de Tiago, apesar de breve, tem três referências sobre bem-aventuranças. A primeira delas, em Tg.1:12, diz que “bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que O amam”.



- Esta bem-aventurança mostra, claramente, que, ao invés do “pare de sofrer” dos “teólogos da prosperidade”, o Senhor não só diz que os crentes sofrerão nesta vida, como também que, se suportarem as provas, receberão a coroa da vida como recompensa, galardão este que não é desta vida, mas na vida do além. Como isto é totalmente diferente do que falam estes falsos ensinadores…



- Em Tg.1:25, temos a segunda bem-aventurança desta epístola, qual seja, a “bem-aventurança do cumpridor da Palavra de Deus”. O irmão do Senhor diz que quem atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido mas fazedor da obra, é bem-aventurado no seu feito.



- Tiago, ao aludir a esta bem-aventurança, faz coro a textos do Antigo Testamento que confirmam que quem guarda e pratica as Escrituras é bem-aventurado. Não podemos, para alcançar a felicidade eterna, fugir do que estatui a Bíblia Sagrada, nossa única regra de fé e prática.



- Os “teólogos da prosperidade”, contudo, arvoram-se em “visões”, “revelações” e “deduções” completamente alheias às Escrituras, com as quais Deus não tem qualquer compromisso e, por causa disso, desencaminham milhões de vida. Não os ouçamos, mas demos ouvidos ao Senhor e, em fazendo o que Ele manda, seremos bem-aventurados!



- A terceira bem-aventurança de Tiago está em Tg.5:11, onde, praticamente, temos uma repetição da primeira bem-aventurança, pois o irmão do Senhor diz que “eis que temos por bem-aventurados os que sofreram”. Mais uma vez, é mostrado que o sofrimento é uma bem-aventurança. Se, na primeira bem-aventurança, está enfatizado o fato de que suportar a prova é fonte de felicidade, aqui se tem que o sofrimento em si mesmo já é uma bem-aventurança.



- Para confirmar isto, Tiago traz o exemplo de Jó e confirma que a paciência deste patriarca foi fundamental para que a misericórdia e piedade divinas mudasse a situação daquele homem. Esta bem-aventurança é outra refutação dos falsos ensinos da “teologia da prosperidade”, visto que Jó sofreu sem ter pecado e aceitou o sofrimento humildemente e reside aí a sua bem-aventurança, diz-nos o irmão do Senhor. Enquanto isso, os “teólogos da prosperidade” ficam a ensinar o povo a “não aceitar” as provações, as dificuldades…



- O apóstolo Pedro corrobora este pensamento pois, em sua primeira carta, traz-nos bem-aventurança bem similar. Diz o apóstolo que “se padecerdes por amor da justiça, sois bem-aventurados” (I Pe.3:14a). O apóstolo aqui nada mais, nada menos que repete uma das bem-aventuranças do sermão de Cristo, ao dizer que são bem-aventurados aqueles que forem ofendidos por causa da justiça, por causa do Senhor Jesus.



- Ainda se referindo a este ponto, o apóstolo, em I Pe.4:14, diz mais, a saber: “Se, pelo nome de Cristo, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus”. Ser vituperado, i.e., desprezado, insultado, aviltado por causa do nome de Cristo é uma bem-aventurança, como o apóstolo uma vez mais lembra, repetindo as palavras do Senhor Jesus seja no sermão do monte (Mt.5:11,12), seja no sermão da planície (Lc.6:22).



- Como, pois, insistem os “teólogos da prosperidade” numa falsa ideia de que o evangelho nos leva a um mundo de “sombra e água fresca”, de uma suposta “imunidade contra doenças, problemas e sofrimentos”?



- Ao propagandear este “mar de rosas”, os “teólogos da prosperidade” estão a querer transformar seus seguidores em “falsos profetas”, pois é àqueles que o mundo aplaude e diz bem, como nos ensina o próprio Jesus em Lc.6:26.



- Como podemos observar, pois, em momento algum, ao longo desta análise, temos qualquer bem-aventurança vinculada à posse de bens materiais ou a uma vida regalada nesta Terra. Por isso, em toda a Bíblia, vemos que não tem respaldo algum este ensino falso e que tanto mal tem causado aos crentes. Fiquemos com a Palavra de Deus, amados irmãos!



Caramuru Afonso Francisco

 
 
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