7.9.13

O que significa "Ai das grávidas"?


O que o Senhor Jesus quis dizer com a frase "Ai das grávidas", em Mateus 24.19?
Uma das perguntas mais frequentes a respeito do Arrebatamento e da Grande Tribulação é: “O que o Senhor Jesus quis dizer com a frase ‘Ai das grávidas’, em Mateus 24.19?” Muitos estudiosos, simpatizantes da escola preterista — a qual considera muitas profecias escatológicas como já cumpridas —, ligam a advertência de Jesus à invasão de Jerusalém, ocorrida no ano 70 d.C. Mas essa interpretação não se sustenta à luz do contexto imediato e da analogia geral. Eisegetas (não confunda com exegetas) da escatologia aterrorizante, por sua vez, extraem a aludida frase de seu contexto e a interpretam de modo fantasioso. E alguns pregadores, influenciados por essa interpretação errônea, afirmam que, no instante em que ocorrer o Arrebatamento da Igreja, as crianças que estiverem nas barrigas das mães serão arrancadas delas. Daí a advertência de Jesus: “Ai das grávidas”.

É importante observar que o Senhor Jesus não se referiu ao Arrebatamento nem à destruição de Jerusalém, quando fez tal advertência. Em Mateus 24, Ele responde a uma pergunta tripartida de seus discípulos, que desejavam saber quando se dariam “essas coisas” e que sinal haveria “da tua vinda” e do “fim do mundo” (v.3). A resposta do Mestre abrangeu: (a) o que aconteceria naquele século (a destruição do Templo e a tomada de Jerusalém, no ano 70 d.C.); (b) os sinais ligados ao Arrebatamento; e (c) os sinais relativos aos eventos que antecedem o fim do mundo.

A afirmação de que o “Ai das grávidas” refere-se à destruição de Jerusalém não se sustenta porque se baseia em duas suposições, duas teses improváveis. A primeira é de que o “abominável da desolação, de que falou o profeta Daniel, no lugar santo” (Mateus 24.15, ARA) alude a imperadores romanos. A segunda é de que tal destruição, perpetrada pelos romanos, foi a maior da História, tão grande e devastadora, “como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mateus 24.21, ARA). Teria sido a destruição de Jerusalém maior que as ocorridas nas duas grandes guerras mundiais? O que dizer das cidades japonesas atingidas pela bomba atômica e das destruições perpetradas pelo nazismo, durante a Segunda Guerra?

Na profecia a respeito do “abominável da desolação” (Daniel 9.26,27) mencionam-se alguns fatos, em ordem cronológica. Observe que a profecia alude à morte do Ungido, à destruição de Jerusalém e do Templo, por parte do povo de “um príncipe”, e à posterior ocorrência de guerras e desolações até o fim. É nesse tempo do fim que o tal príncipe fará aliança com muitos por uma semana (sete anos) e, na metade desta, introduzirá o “abominável da desolação”. E esse assolador agirá “até que a destruição, que já está determinada, se derrame sobre ele”. O povo do príncipe são os emissários do mal a serviço do “mistério da injustiça” e do “espírito do anticristo”, operantes desde o primeiro século (2 Tessalonicenses 2.7, 1 João 4.3). O príncipe assolador, por sua vez, é o Anticristo em pessoa (2 Tessalonicenses 2.1-12), do qual “sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora” (Daniel 11.31, ARA). Isso durará três anos e meio — ou mil duzentos e noventa dias —, período de tempo que alude à segunda metade da Grande Tribulação (Daniel 12.11).

Segue-se que o “Ai das grávidas” não alude à fuga das mulheres israelitas, por ocasião da invasão romana do primeiro século. Refere-se, na verdade, à dificuldade de toda a população civil israelense, especialmente as mulheres gestantes, em escapar da chegada iminente dos exércitos do Anticristo. A advertência de Jesus se encontra entre dois fatos que ainda não se cumpriram. A abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, introduzido no lugar santo (Mateus 24.15). E a “grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais” (Mateus 24.21, ARA).

Quando Israel, no fim da segunda metade da Grande Tribulação, estiver cercado pelos exércitos do Anticristo (Apocalipse 16.13-16), os civis terão grande dificuldade para escapar dos bombardeios inimigos, principalmente as gestantes, os idosos, as pessoas com deficiência física, etc. Observe que a advertência do Senhor estende-se às mulheres que amamentam, excluindo qualquer possibilidade de interpretação fantasiosa das palavras do Senhor: “Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias!” (Mateus 24.19, ARA). Embora essa advertência nada tenha a ver com o Arrebatamento da Igreja, é pertinente perguntar: “Qual será o destino das crianças que estiverem no ventre materno, por ocasião do Arrebatamento?” No caso da mãe salva em Cristo Jesus, não há nenhuma dúvida de que a criança em seu ventre será arrebatada. Uma vez que a sua vida depende da genitora, a qual irá ao encontro do Senhor, nos ares (1 Tessalonicenses 4.17), é evidente que o infante também participará do grande Rapto.

E quanto ao que estiver no ventre de uma mulher não-salva? Será arrancado do ventre materno? Se a criança não-nascida depende da genitora, e esta não será arrebatada, não há motivo para o processo natural ser interrompido. Ela continuará no ventre materno e nascerá normalmente, na Grande Tribulação. Caso sobreviva a esse período, ingressará no Milênio com os povos naturais e terá a oportunidade de ouvir a mensagem do Evangelho. Caso morra ainda na fase em que as suas faculdades não estão suficientemente amadurecidas para crer em Cristo para a salvação (Marcos 16.16), será salva pela graça preveniente (Lucas 18.16).

Como podemos ter a certeza de que as crianças não-nascidas, cujas mães estiverem preparadas para o Arrebatamento, também serão arrebatadas? O Senhor Jesus garantiu isso de modo indireto, ao chamar uma criança, pô-la entre os discípulos e afirmar: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus” (Mateus 18.2,3). Alguns teólogos afirmam que as crianças não-nascidas ou recém-nascidas não podem ser consideradas salvas em razão da sua imaturidade, pois o pecado original passou a todos os homens (Romanos 5.12). Outros têm dito que Deus, em sua presciência, poderá condenar tais infantes, ao partirem para a eternidade, haja vista Ele saber de antemão que eles não se salvariam ao chegarem à idade da razão. Nesse caso, crianças que morrem ao nascer ou ainda no ventre materno são concebidas apenas para a condenação? Ora, Deus é justo (Gênesis 18.25, Romanos 3.5). E um julgamento justo, baseado no pecado original, só se justifica depois de o pecador tomar conhecimento de que nasceu em pecado (Salmos 51.5, Romanos 3.23).

No Juízo Final, os réus serão condenados de acordo com as suas obras (Apocalipse 20.12,13, 21.8). E, em Marcos 16.16, está escrito: “quem não crer será condenado”. Que obras más fizeram crianças não-nascidas ou recém-nascidas que partiram para a eternidade? Por que Deus condenaria uma criança que morre antes de alcançar a maturidade necessária para crer? Alguém dirá: “Deus é soberano e, uma vez que imputou o pecado a todos os homens, pode salvar e condenar a quem quiser”. Sim, Ele é soberano, mas também é o Justo Juiz (2 Timóteo 4.8). E não nos esqueçamos de que Ele nivelou a todos, ao encerrá-los debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia (Romanos 11.32). O Senhor Jesus não apenas citou as crianças como exemplo das pessoas que entrarão no Reino de Deus. Ele disse que a elas — obviamente, as que ainda estão no período da imaturidade — pertence o Reino: “Deixai os pequeninos e não os estorveis de vir a mim, porque dos tais é o Reino dos céus” (Mateus 19.14).




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