22.9.14

Cuidado com o voto para deputado: não vote no gato e eleja a lebre



Caramuru Afonso Francisco
Aproxima-se a data das eleições gerais deste ano de 2014, eleições importantíssimas, onde o Brasil deverá decidir se continua sendo um Estado Democrático de Direito ou se dá amplos poderes ao segmento que já nos governa há doze anos, permitindo-lhe que consolide e institua em nosso país, provavelmente de forma irreversível, um regime político ditatorial baseado em valores anticristãos e antidemocrático.

Um ponto importante nestas eleições gerais é a eleição dos deputados federais e dos deputados estaduais, questão esta que é, infelizmente, sempre deixada em segundo plano, diante dos embates que cercam a eleição do Presidente da República e dos Governadores dos Estados e do Distrito Federal.

Recentes pesquisas eleitorais mostram que, há pouco mais de vinte dias das eleições, apenas um oitavo dos eleitores (12,5%) já escolheram seus candidatos a deputado federal e a deputado estadual, o que é algo muito ruim, visto que são estes os que deverão fiscalizar tanto o Presidente da República quanto os Governadores, sendo os principais responsáveis pela elaboração de leis. Não é à toa que é no Poder Legislativo que vemos hoje a maior ineficiência e o maior distanciamento entre o povo e os nossos governantes.

Um dos problemas desta falta de representatividade e de fonte de diversos problemas que hoje vivemos é, sem dúvida, o sistema estabelecido para a eleição dos deputados, o chamado “sistema proporcional”, que gera esta desvinculação entre o povo e os deputados que são eleitos, desvinculação que facilita a cooptação por parte dos que são eleitos no Poder Executivo e que fazem com que os parlamentares se tornem irrelevantes e que não sintam a pressão popular.

Segundo este sistema, os deputados eleitos não são os que têm maiores votos, mas, sim, os que são os mais votados em cada partido ou coligação de partidos que disputam a eleição.

Expliquemos melhor.

Os partidos políticos, sozinhos ou agrupados em coligações, escolhem seus candidatos e, para determinar quem é eleito, é, em primeiro lugar, estabelecido o chamado “quociente eleitoral”, que é o resultado da divisão entre os votos válidos para deputado (federal ou estadual) e o número de vagas de deputado que estão em disputa.

Assim, por exemplo, no Estado de São Paulo, há 70(setenta) vagas de deputado federal. Assim, para determinar quem será eleito, em primeiro lugar, verifica-se quantos votos válidos houve e se fixa o quociente eleitoral. Digamos que, na eleição, tenha havido 7 milhões de votos válidos para deputado federal, então o quociente eleitoral será 100.000 (cem mil), que é o resultado de 7 milhões dividido por 70.

Depois de verificado o “quociente eleitoral”, então se verifica quantos votos teve cada partido ou coligação de partidos, quando, então, é definido o número de vagas que cada partido ou cada coligação de partidos terá e, só então, se definem os eleitos, que são aqueles que ocupam as primeiras posições em cada partido ou coligação de partidos, de acordo com o número de vagas que cada partido ou coligação obteve.

No exemplo que demos, por exemplo, se um partido ou coligação tiver tido 200.000 (duzentos mil) votos, terá eleito 2 (dois) deputados federais, que é o resultado da divisão entre 200.000 e o quociente eleitoral, que, no exemplo que demos, foi de 100.000.

Digamos que o candidato mais votado deste partido ou coligação tenha obtido 30.000 (trinta mil) votos, ele será eleito não porque teve 30.000 (trinta mil) votos, mas porque foi o que ficou em primeiro lugar naquele partido ou coligação que conseguiu eleger 2 (dois) candidatos.

Na eleição para deputado, portanto, não importa quantos votos a pessoa tenha obtido, mas a posição que ela tem no conjunto de candidatos de seu partido ou coligação, de acordo com o número de vagas que o partido ou coligação teve, segundo o quociente eleitoral.

Por isso, não basta escolher uma pessoa para votar para deputado, mas verificar quem são os outros candidatos do mesmo partido ou coligação, pois corremos o risco de votar em uma pessoa e acabar ajudando a eleger outra, pessoa, inclusive, que tenha pensamentos, valores e ideias totalmente contrários aos nossos.

Não basta escolher a pessoa quando formos votar para deputado (federal ou estadual), é preciso saber a que partido pertence e se este partido está reunido a outros numa coligação e verificar quem são os outros candidatos deste partido ou desta coligação, pois nosso voto também será computado para ajudar a eleger estes outros candidatos.

Em 2010, por exemplo, no Estado de São Paulo,o deputado federal mais votado foi o palhaço Tiririca, que foi lançado pelo PR (Partido da República). Tiririca obteve 1.353.820 (um milhão, trezentos e cinquenta e três mil, oitocentos e vinte) votos. Muitos dos que votaram nele foram pessoas indignadas com os escândalos que envolviam os políticos, em especial o “mensalão”. No entanto, estas pessoas não perceberam que o partido de Tiririca estava coligado com o PT (Partido dos Trabalhadores) e seus eleitores ajudaram a eleger, votando em Tiririca, em três “mensaleiros”, a saber, os hoje ex-deputados Valdemar Costa Neto (que era do mesmo partido de Tiririca, o PR) , João Paulo Cunha e José Genoíno (estes dois últimos do PT). Ou seja: quem votou “protestando” contra os escândalos, acabou elegendo precisamente os responsáveis pelo escândalo.

Devemos, portanto, ter muito cuidado na hora de votar para deputado, pois, muitas vezes, estamos votando no “gato”, mas elegendo a “lebre”. Estamos votando em uma pessoa, mas elegendo outra.

Para complicar, é possível que um partido esteja numa coligação nas eleições para deputado federal e em outra coligação nas eleições para deputado estadual, de modo que é preciso verificar cada caso separadamente.

Por isso, não vale a pena votar em um conhecido ou amigo de um conhecido, que sabemos que não tem qualquer chance de ganhar, apenas por “amizade”, pois esta “amizade” pode ajudar a eleger uma pessoa corrupta, envolvida em escândalos, que contraria os nossos valores cristãos.

Para escolher o seu candidato a deputado (federal ou estadual), não basta, pois, verificar quem é a pessoa, é preciso saber a que partido ela pertence e se o partido está em alguma coligação, bem como verificar quem são os  outros candidatos deste partido ou coligação, para só depois tomar a decisão, pois podemos estar ajudando a votar num inimigo do Evangelho.

Caramuru Afonso Francisco é Evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede – São Paulo/SP e colaborador do Portal Escola Dominical (www.portalebd.org.br).

COLIGAÇÕES E PARTIDOS QUE DISPUTAM A ELEIÇÃO NO ESTADO DE SÃO PAULO PARA AS ELEIÇÕES PROPORCIONAIS (DEPUTADOS)

DEPUTADO FEDERAL:  PDT, PSC, PMDB/PROS/PP/PSD, PSOL/PSTU, PEN, PTB, PHS/PRP, PT/PC do B, PSL/PTN/PMN/PTC/PT do B, SDD, PSDB/DEM/PPS, PRB, PRTB, PSB, PCO, PSDC, PV, PCB, PPL.

DEPUTADO ESTADUAL: PSC, PHS, PR, SDD, PSDB/DEM/PPS/PRB, PSDC, PRP, PSOL/PSTU, PV, PMDB/PSD/PP, PEN, PROS, PSB, PSL/PTN/PMN/PTC/PT do B, PRTB, PDT, PPL, PTB, PT, PC do B, PCO.

DEMAIS ESTADOS – Verifique as coligações e partidos no site do Tribunal Regional Eleitoral do seu Estado ou do Distrito Federal.

Vídeo elucidativo a respeito deste tema pelo Pr. Silas Malafaia:



Disponível no Portal EBD


7.9.14

NOSSA PÁTRIA PRECISA VER CRISTO EM NÓS



Caramuru Afonso Francisco

O Brasil comemora, neste 7 de setembro de 2014, 192 anos de sua independência, proclamada às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, pelo então Príncipe-Regente do Brasil, D. Pedro, que viria a ser o nosso primeiro Imperador.

Aquele gesto do príncipe e herdeiro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves era uma resposta às exigências das Cortes de Lisboa que tinham por objetivo reduzir o Brasil a uma mera condição de colônia, reeditando o sistema que havia perdurado desde 1500 até 1808, quando o rei de Portugal mudara a sede do reino para o Brasil, fugindo que estava de Napoleão Bonaparte.

O Brasil já era um Reino desde 1815 e as exigências das Cortes de Lisboa representavam um retrocesso inadmissível, que acabou levando o Brasil a declarar a sua independência de Portugal, surgindo, então, um novo país.

Este episódio que dá início à vida independente de nosso país é elucidativo, pois nos mostra que não podemos permitir que o Brasil, na sequência de sua história, tenha retrocessos, ande para trás, retorne a condições que já foram superadas e ultrapassadas.

192 anos depois, vivemos um momento extremamente delicado em nosso país, momento decisivo mesmo, em que o Brasil deverá definir se quer continuar prosseguindo como uma nação livre, democrática, onde têm lugar as liberdades públicas, entre elas a liberdade religiosa, ou se vamos retroceder neste ambiente, acabando por consolidar a instauração, aqui, de um regime político contrário à liberdade e à verdade que, como sabemos, é Cristo Jesus (Jo.14:6).

O fato é que estamos vendo, a olhos vistos, a implantação de um projeto de poder anticristão que se consolida cada vez mais, dentro dos ditames de um movimento internacional, que já tem demonstrado sua ideologia em países como Cuba, Venezuela, Bolívia e Equador.

Quando o Brasil se tornou independente, havia uma religião oficial e os demais cultos eram somente permitidos em caráter privado, sendo proibida até a construção de templos que não fossem católicos romanos.

Com a República, o Estado se tornou laico e a evangelização do país, que se iniciara já timidamente durante o último quartel do século XIX, atingiu níveis impressionantes, a ponto de as estatísticas dizerem que hoje cerca de um quarto dos brasileiros se declare evangélico.

Entretanto, nos últimos anos, temos visto que segmentos que detêm parcela considerável do poder político, enquanto proclamem serem adeptos da liberdade religiosa, estão, na verdade, solapando os valores cristãos que formaram a nação brasileira e, o que é muito triste, com a conivência (remunerada ou não…) de diversas lideranças que cristãs se dizem ser.

Nosso país está a serviço de um amplo movimento anticristão internacional e, mais do que nunca, a Igreja precisa orar pelo nosso país, para que não sejamos submersos por este movimento, de múltiplas faces, que nos leva para o campo contrário a Deus e à Sua vontade.

Os valores cristãos têm sido violentamente perseguidos em nosso país e as instituições cada vez mais são postas contra eles e contra a Igreja em geral. Querem, a todo custo, levar novamente a pregação do Evangelho para os ambientes privados, como ocorria na época do Império, ainda que tais ambientes sejam templos, algo que não podia haver no século XIX.

Há um nítido cerceamento por parte dos que têm o poder de tudo quanto diga respeito à pregação do Evangelho e dos valores baseados na Palavra de Deus.

Enquanto isso, o país assiste a um agravamento das condições de vida, com número de homicídios muito superior ao de países em guerra (são mais de 50 mil mortes violentas por ano e mais de 42 mil mortes no trânsito por ano), aumento enorme do tráfico de drogas e do número de quimiodependentes, com reflexos evidentes na própria estruturação da família brasileira, sem falar na corrupção generalizada que gera um descrédito na política e nas instituições, a agravar ainda mais esse triste e trágico quadro.

Todo este estado de coisas exige dos cristãos uma postura. A primeira, de cunho espiritual, pois sabemos que é Deus que muda os tempos e as horas, quem estabelece e quem remove os governantes (Dn.2:21). Sendo assim, devemos orar a Deus para que os nossos governantes não se rebelem contra o Senhor e os valores por Ele insculpidos na Sua Palavra, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, com toda piedade e honestidade (I Tm.2:1-3).

Entretanto, para que oremos neste sentido e sejamos ouvidos, faz-se mister que, antes, sejamos tementes a Deus (Jo.9:31), que sejamos os primeiros cumpridores da Palavra de Deus, mantendo uma vida de santificação e um testemunho que nos faça luz do mundo e sal da terra (Mt.5:13-16).

O que tem faltado ao Brasil, decididamente, são servos de Cristo Jesus dignos deste nome, que se guardem da corrupção do mundo e que estejam, com suas vidas, a levar o nome de Jesus para a sociedade, demonstrando, com seus atos, uma fé autêntica e verdadeira, cunhada nos valores cristãos e que leve outros a crer em Jesus e a tê-l’O como único Senhor e Salvador das suas almas.

A degeneração da sociedade brasileira tem sido acompanhada de uma degeneração daqueles que cristãos se dizem ser, que também, em troca de favores e vantagens, muitas vezes mínimas e ilusórias, têm deixado de lado a defesa da fé e uma vida condizente com a Palavra de Deus.

Precisamos nos santificar, nos humilhar debaixo da potente mão de Deus, sentir as nossas misérias (Tg.4:9,10: I Pe.5:6), passar a termos uma vida condizente com as Escrituras Sagradas, com a vontade de Deus e, assim, nossas orações serão ouvidas pelo Senhor, que mudará este quadro tão difícil por que passa o nosso país.

Além desta providência espiritual, também precisamos tomar providências no campo material, não permitindo que os inimigos de Cristo ocupem postos de mando em nosso país.

Vivemos num regime democrático e, portanto, podemos nos manifestar livremente com relação às ações dos governantes, pois somos cidadãos.

Não só no momento do voto mas durante todo o mandato dos que são eleitos temos o legítimo direito de reivindicar, manifestar nossa opinião e persuadir os governantes nas suas tomadas de decisão.

O cidadão dos céus, como é chamado o salvo como descrito no Salmo 15, notabiliza-se por uma conduta na terra. Herdará, sim, as mansões celestiais, mas seu caráter de santidade é demonstrado pelas suas atitudes neste mundo.

Uma das características do cidadão dos céus é desprezar o réprobo e honrar os que temem o Senhor (Sl.15:4).

Assim, além de termos uma vida sincera diante de Deus e orarmos para que nossos governantes sigam os valores constantes das Escrituras Sagradas, é importantíssimo que não honremos senão os tementes a Deus e desprezemos os réprobos.

Deste modo, na hora do voto e no dia-a-dia do exercício dos mandatos, o salvo em Cristo Jesus, a Igreja deve desprezar o réprobo, ou seja, aquele que rejeita a Palavra de Deus, que insiste em governar contra os ditames da sã doutrina, não lhe dando o voto e sempre procurando manifestar-se de modo a que tais decisões erradas nunca sejam adotadas em nosso país.

Infelizmente, porém, não são poucos os que cristãos se dizem ser que têm prestigiado o réprobo por causa de favores e vantagens que receberam ou esperam receber, trocando, assim, a bênção divina por um prato de lentilhas, agindo, portanto, como o profano e fornicário Esaú (Hb.12:16).

Não podemos agir deste modo, pois estaremos a consentir com este descalabro por que passa “nossa mãe gentil”, nossa “Pátria amada” e, assim, seremos tão culpados quanto aqueles que estão a levar nosso país para este rumo de desmantelamento e de barbárie (Rm.1:32).

Não podemos permitir, como fez o Príncipe-Regente às margens do Ipiranga, que o Brasil retroceda e caia, novamente, nas trevas espirituais do passado, onde os verdadeiros e autênticos servos de Deus apenas usavam de lugares privados, entre quatro paredes, para louvar e bendizer ao Senhor.

O Brasil precisa de Cristo, é urgente, pois estamos a nos desmontar como sociedade civilizada, mas, para que o Brasil contemple Cristo, é absolutamente necessário que veja Cristo em nós, bem como que, cientes dos graves problemas de nossa nação, esforcemo-nos para debelá-los, confiando em Deus e fazendo a nossa parte.


Caramuru Afonso Francisco é evangelista da Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério do Belém – sede – São Paulo/SP e colaborador do Portal Escola Dominical (www.portalebd.org.br).



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